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FIDES REFORMATA XVII, Nº 1 (2012): 9-24
POR QUE NÃO ACEITAMOS OS EVANGELHOS APÓCRIFOS
Augustus Nicodemus Lopes*
RESUMO
Este artigo procura mostrar as razões pelas quais a igreja cristã historicamente tem rejeitado os evangelhos apócrifos. Após a definição do termo “evangelho”, documenta-se sua aplicação a determinado gênero literário, surgido no século I e os requisitos para que fossem aceitos como inspirados pela igreja.
Segue-se uma classificação dos evangelhos em canônicos e apócrifos e uma descrição de cada grupo, com destaque para os apócrifos.
Documenta-se em seguida a atitude da igreja apostólica para com os evangelhos apócrifos e as razões para sua crescente aceitação em círculos liberais na busca do Jesus histórico. Após um olhar mais atento para os evangelhos de Judas e de Tomé vem a conclusão, na qual se resumem os motivos pelos quais esses evangelhos e os demais apócrifos sempre foram rejeitados pela igreja.
PALAVRAS-CHAVE
Evangelhos; Evangelhos apócrifos; Evangelhos canônicos; Gnósticos; Evangelho de Judas; Evangelho de Tomé; Liberalismo.
INTRODUÇÃO
“Evangelho” é a tradução para o português da palavra, grega “boas novas”,1usada a princípio no Novo Testamento para se referir ao conteúdo
* O autor é mestre em Novo Testamento e doutor em Hermenêutica e Estudos Bíblicos. É professorde Novo Testamento no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
1 Cf. FRIBERG, Barbara e Timothy. Analytical lexicon to the Greek New Testament. Grand
Rapids, MI: Baker, 2004. Versão eletrônica. THAYER, Joseph Henry (trad.). A Greek-English lexicon
of the New Testament. International Bible Translators, 2000. Versão eletrônica.
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da mensagem de Jesus Cristo e dos seus apóstolos.2 Posteriormente, a palavra veio a se referir a um gênero literário específico que nasceu com o cristianismo no século I.3 “Evangelho”, no singular, foi usado pelos Pais Apostólicos mais antigos para se referir tanto a um evangelho individual quanto a uma coleção deles.4 O termo “evangelhos” (plural) só passou a ser usado em meados do século II. Justino Mártir faz referência às “memórias compostas pelos apóstolos que são chamadas de ‘evangelhos’”.5 Lembremos que o cristianismo, em termos culturais, ocasionou o surgimento de gêneros literários como epístolas e evangelhos.6
Esse novo gênero literário que veio a ser chamado de “evangelho” tinha algumas características distintas. Incluía obras escritas por autores cristãos entre o século I e o século IV que giravam em torno da pessoa de Cristo, sua obra e seus ensinamentos. Essas obras reivindicavam autoria apostólica ou de algum outro personagem conhecido da tradição cristã. Reivindicavam também que seu conteúdo remontava ao próprio Jesus.7 Existem centenas de “evangelhos” conhecidos. Alguns são apenas mencionados na literatura dos pais da igreja e deles não temos qualquer amostra do conteúdo.Outros sobreviveram em fragmentos ou reproduzidos parcialmente em outras obras, como, por exemplo, o Evangelho dos Hebreus, o Evangelho dos Ebionitas (ou dos Doze Apóstolos), o Evangelho dos Egípcios, o Evangelho Desconhecido e o Evangelho de Pedro, para mencionar alguns. Já outros sobreviveram em cópias completas ou quase completas, como os Evangelhos de Mateus, de Marcos, de Lucas e de João; o Evangelho de Tomé; o Evangelho de Judas; o Evangelho de Nicodemos; o Proto-Evangelho de Tiago; o Evangelho de Tomé, o Israelita; o Livro da Infância do Salvador; a História de José, o Carpinteiro; o Evangelho Árabe da Infância; a História de José e
2 Cf. Mt 4.23; 9.35; 11.5; Mc 1.14; 16.15; Lc 3.18; At 11.20 et alii.
3 Provavelmente é neste sentido que o termo é usado por Marcos no início de sua obra a fim de descrevê-la. Cf. Mc 1.1: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo”. Para alguns, Marcos é o originador deste uso do termo. Ver uma defesa deste ponto em: CHARPENTIER, Etienne. How to read the NewTestament. New York: Crossroad, 1982, p. 18.
4 Cf. Didaquê 8.2; Carta de Inácio à Igreja de Filadélfia, 8.2.
5 Cf. Primeira Apologia, 66. Ver ainda: WOOD, D. R. W. & MARSHALL, I. H. New Bible dictionary. 3rd ed. Leicester, England; Downers Grove, Illinois: InterVarsity, 1996, p. 427.
6 Cf. ALAND, Barbara et al. The earliest gospels: the origins and transmission of the earliest
Christian gospels – the contribution of the Chester Beatty Gospel Codex P. Londres; Nova York: T. & T.
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Clark International, c2004, p. 4.
7 Para evangelho como gênero literário, ver: GUTHRIE, Donald. New Testament introduction.
Downers Grove: Intervarsity Press, 1970, p. 13-14; GUNDRY, Robert. Mark: A commentary on his apology for the cross. Grand Rapids: Eerdmans, 1992, p. 1049-1051; MOFFAT, James. An introduction to the literature of the New Testament. Edinburgh: T. & T. Clark, 1933, p. 44-46; BITTENCOURT, B. P. A forma dos evangelhos e a problemática dos sinóticos. São Paulo: Metodista, 1969.
Azenate; o Evangelho Pseudo-Mateus da Infância; a Descida de Cristo ao Inferno;
o Evangelho de Bartolomeu e o Evangelho de Valentino, entre outros.8
Esses evangelhos são tradicionalmente classificados em canônicos e apócrifos.
1. EVANGELHOS CANÔNICOS
Nessa primeira categoria se enquadram somente quatro evangelhos: geral, eles foram escritos no século I pelos apóstolos de Jesus Cristo ou alguém do círculo apostólico.
Marcos teria sido o primeiro a ser escrito, no início da década de 60, por João Marcos, que, segundo a tradição, registrou o testemunho ocular de Simão Pedro. Ele aos cristãos de Roma para ajuda-los e fortalece-los diante das perseguições.9
Mateus teria sido escrito em meados da década de 60 por Mateus, o publicano apóstolo, para evangelizar os judeus, a partir do seu testemunho ocular e talvez usando o Evangelho de Marcos como base para a estrutura da narrativa.10
Lucas foi escrito pelo médico gentio Lucas, convertido ao cristianismo, que foi companheiro de viagem de Paulo e que frequentava o círculo apostólico.
Ele teria produzido esse evangelho pelo final da década de 60, a partir de pesquisa
que fez da tradição oral e escrita que remontava aos próprios apóstolos.
Seu objetivo, conforme declaração no inicio da obra Lucas-Atos, era firmar na fé um nobre romano chamado Teófilo.11 Já o Evangelho de João teria sido
8 Para uma introdução aos evangelhos apócrifos, ver: FOSTER, Paul. The apocryphal gospels: a very short introduction. Oxford: Oxford University Press, 2009; KOESTER, Helmut. Apocryphal and canonical gospels. Harvard Theological Review 73, no 1-2, Jan-Apr 1980, p. 105-130; CERFAUX, Lucien. The Four Gospels, an historical introduction: the oral tradition; Matthew, Mark, Luke and John; the apocryphal gospels. Westminster, MD: Newman Press, 1960; EVANS, Craig A. Images of Christ in the canonical and apocryphal gospels. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997. Em português temos várias obras que adotam diferentes abordagens ao assunto. Cf. FARIA, Jacir de Freitas. Apócrifos aberrantes, complementares e cristianismos alternativos – poder e heresias!: introdução crítica e histórica à bíblia apócrifa do segundo testamento. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009; MORALDI, Luigi. Evangelhos apócrifos.
3. ed. São Paulo: Paulus, 1999; MAIA, Márcia. Evangelhos gnósticos. São Paulo: Mercuryo, 1992; PIÑERO,. O outro Jesus segundo os evangelhos apócrifos. São Paulo: Paulus, 2002. Para o texto em português de vários desses evangelhos, ver: Apócrifos e pseudo-epígrafos da Bíblia. Trad. CláudioJ. A. Rodrigues. São Paulo: Novo Século, 2004, p. 429-706; Fragmentos dos evangelhos apócrifos. 4.. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
9 Sobre Marcos, ver: GRASSMICK, John D. “Mark”. In: WALVOORD, J. F., ZUCK, R. B.,& Dallas Theological Seminary. The Bible knowledge commentary: An exposition of the Scriptures. Wheaton: Victor Books, 1983-c1985; BURDICK, Donald W. “Mark”. In: PFEIFFER, Charles F.: The Wycliffe Bible Commentary: Old Testament. Chicago: Moody Press, 1962.
10 Sobre Mateus, ver: HENDRIKSEN, William. Mateus. Vols. 1 e 2. Comentários do Novo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
11 Sobre Lucas, ver: HENDRIKSEN, William. Exposition of the Gospel according to Luke. New
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Testament Commentary. Grand Rapids: Baker, 1978.
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escrito pelo apóstolo amado por volta da década de 70 ou 80, aparentemente com vários objetivos, entre eles combater o crescimento do gnosticismo incipiente na época João escreve a partir de seu testemunho ocular, a partir do seu entendimento acerca da pessoa e da obra de Cristo.12
Esses quatro evangelhos foram cedo reconhecidos pela igreja cristã nascente como inspirados por Deus e autoritativos, como Escritura Sagrada, visto que seus autores foram os apóstolos, a quem Jesus havia prometido o Espírito Santo para os guiar em toda a verdade (Jo 16.13; 14.26). Assim, eles aparecerem em listas importantes dos livros recebidos como canônicos pela igreja, como o Canon Muratoriano (170 d. C.), a lista de Eusébio de Cesaréia (260-340) e a lista de Atanásio (367).13
Os demais evangelhos, chamados de apócrifos, implicitamente reconhecem a validade do critério canônico da apostolocidade, ao também reivindicarem para si a autoria apostólica ou de alguém relacionado com os apóstolos.14 . Além disto, especialmente os evangelhos oriundos de comunidades gnósticas reivindicam o conhecimento de segredos que não foram revelados aos apóstolos e que vieram como uma revelação posterior, como veremos em seguida.
2. EVANGELHOS APÓCRIFOS
O nome vem do grego ς, “oculto”, “secreto”.15 Eles foram escritos por várias razões. De acordo com Farkasfalvy,
As motivações para a produção destas novas obras foram muitas e em númerocrescente: , satisfação da curiosidade, apoio para necessidades doutrinárias,inovações, novas tendências, a influência de vários grupos eclesiásticos, alguns dos quais dentro da corrente principal do cristianismo, outros se apartando e se isolando. Disputas doutrinárias, comunidades que se dividiam e práticas aberrantes demandavam a produção adicional de mais “escrituras sagradas”.16
12 Sobre João, ver: HENDRIKSEN, William. Exposition of the Gospel according to John. New Testament Commentary. Grand Rapids: Baker, 1981.
13 Sobre a canonicidade dos evangelhos e a história de seu reconhecimento pela igreja, consultar HARRIS, Laird. Inspiração e canonicidade da Bíblia. São Paulo: Cultura Cristã, 2004; COMFORT, Philip W. A origem da Bíblia. São Paulo: CPAD, 1998; CARSON, D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997.
14 Segundo Zilles, os apócrifos se apresentam “como textos canônicos reivindicando uma autoridade igual aos do cânon... apresentam-se como se pertencendo ao cânon das Sagradas Escrituras, trazendo, para isto, o nome de algum autor que poderia ser considerado como inspirado.” Cf. ZILLES, Urbano. Evangelhos apócrifos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004, p. 9-10.
15 Cf. FRIBERG, ς
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16 FARKASFALVY, Denis. Inspiration & interpretation: a theological introduction to Sacred Scripture. Washington, DC: Catholic University of America Press, 2010, p. 50
Esses evangelhos são geralmente classificados em narrativas da infância de Jesus, narrativas da vida e da paixão de Jesus, coleção de ditos de Jesus e diálogos de Jesus.17
As narrativas da infância mais conhecidas são o protoevangelho deTiago; o Evangelho de Tomé, o Israelita; o Livro da Infância do Salvador; a História de José, o Carpinteiro; o Evangelho Árabe da Infância; a História de José e Azenate e o Pseudo-Mateus da Infância.18 Entre as narrativas da vida ou paixão de Cristo mais importantes se destacam o Evangelho de Pedro, o Evangelho de Nicodemos, o Evangelho dos Nazarenos, o Evangelho dos Hebreus, o Evangelho dos Ebionitas e o Evangelho de Gamaliel.19
Existem apenas dois que se enquadram na categoria de coleção de ditos de Jesus, o Evangelho de Tomé – que será analisado mais adiante neste artigo –e o suposto documento Q (QUELLE, “fonte em alemão) de cuja a existência não se tem prova concreta.20 Na categoria de diálogos de Jesus com outras pessoas e revelações que ele fez em secreto mencionamos o Diálogo com o Salvador e o Evangelho de Bartolomeu.
Essas obras são chamadas de evangelhos apócrifos porque não são consideradas genuínas, produzidas pelos apóstolos ou pelos autores cujos nomes
17 Traduções para o inglês dos textos dos evangelhos apócrifos podem ser encontradas nestas obras clássicas: JONES, Jeremiah. A new and full method of settling the canonical authority of the New Testament. 2 vols. Londres: J. Clark and R. Hett, 1726; HONE, William (ed.). The Apocryphal NewTestament, being all the Gospels, Epistles, and other Pieces now extant, attributed in the first four Centuriesto Jesus Christ, his Apostles, and their Companions, and not included in the New Testament byits Compilers. Translated from the original Tongues, and now first collected into one Volume. Londres:the Apocryphal Gospels, Acts, Epistles, and Apocalypses, with Other Narratives and Fragments Newly Translated. Oxford: Clarendon, 1924, 1953 e 1975; SCHNEEMELCHER, Wilhelm; HENNECKE, Edgar et al. (eds.). New Testament apocrypha. 2 vols. Londres: Lutterworth, 1963, 1965; ELLIOT, James K. (ed.). The Apocryphal New Testament: a collection of Apocryphal Christian literature in an English translation. Oxford: Clarendon Press; New York: Oxford University Press, 1993; ELLIOT, James K.(ed.). The Apocryphal Jesus: Legends of the early church. Oxford and New York: Oxford University Press, 1996.
18 Ver os textos em português de alguns desses evangelhos da infância de Jesus em Apócrifos e
Pseudo-Epígrafos, p. 429-516.
19 O texto de alguns destes estão traduzidos para o português em Apócrifos e Pseudo-Epígrafos,
p. 517-706.
20 O “documento Q” é uma hipótese levantada por alguns estudiosos para explicar a origem dealguns dos ditos de Jesus que aparecem em Marcos e Lucas, mas não em Marcos. Sua existência continuasendo motivo de especulação. Para uma posição favorável, ver, por exemplo, MACK, Burton L. O evangelho perdido: O livro de Q e suas origens cristãs. Rio de Janeiro: Imago, 1994; THOMAS, Robert L.; FARNELL. F. David. The Jesus crisis: the inroads of historical criticism into evangelical scholarship.
Grand Rapids: Kregel Publications, 1998, p. 136-140. Para uma posição contrária, ver o capítulo “Adieu to Q” [“Adeus a Q”] em EDWARDS, James R. The Hebrew Gospel and the development of the synoptic
tradition. Grand Rapids: Eerdmans, 2009.
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as encabeçam. Além disso, a grande maioria delas pretende transmitir um conhecimento esotérico, oculto, além daquele conhecimento dos apóstolos.
Em grande parte, esses evangelhos foram escritos por autores gnósticos com propósito de difundirem as suas ideias no meio da igreja, usando para isso a a autoridade dos evangelhos canônicos e dos apóstolos. Alguns deles foram encontrados no século passado em Nag Hammadi, no norte do Egito.21
O Protoevangelho de Tiago, por exemplo, escrito no século II, que é tipicamente uma tentativa de satisfazer a curiosidade popular em torno de coisas não mencionadas nos evangelhos canônicos. A teologia desse “evangelho é a de um docetismo popular. Jesus tem um corpo não sujeito as leis do espaço e do tempo. O escrito não tem valor como fonte histórica sobre Jesus.22
De acordo com Bernheim, “é a primeira obra cristã para a glória da virgem Maria... defende a virgindade perpétua de Maria”.23
Outro exemplo é o Evangelho da Verdade. Esse não é um evangelho no sentido costumeiro da palavra; é antes uma meditação, uma espécie de sermão sobre a redenção pelo conhecimento (gnosis) de Deus. É atribuído ao gnóstico Valentino, que viveu em meados do Século II e, por conseguinte, não ajuda em nada a pesquisa sobre o Jesus histórico.24 Na mesma linha vai o Evangelho de Filipe, escrito antes de 350 a.D. É, evidentemente, uma compilação de materiais mais antigos. O texto causou certo sensacionalismo quando da sua publicação, porque sugere uma relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena.25 O Evangelho de Pedro – preservado num fragmento que se conservou – descreve o processo contra Jesus, sua execução e sua ressurreição. Sua cristologia é a do docetismo: aquele que sofre e morre é apenas uma aparição do verdadeiro Jesus, que é divino e por isso não pode sofrer e morrer. Conforme esse evangelho, o corpo de Jesus se volatiliza na cruz antes de subir ao céu.26
21 Ver o tratamento dado aos evangelhos apócrifos como “evangelhos gnósticos” em MAIA,
Evangelhos gnósticos; PAGELS, Elaine. Os evangelhos Gnósticos
2006. Para uma visão crítica do ponto de vista conservador, ver BOCK, Darrell. Os evangelhos perdidos:
A verdade por trás dos textos que não entraram na Bíblia. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2007.
22 Cf. ZILLES, Evangelhos apócrifos, p. 23-24.
23 BERNHEIM, Pierre-Antoine. Tiago, irmão de Jesus. Rio de Janeiro: Record, 2003, p. 29-30.
24 Cf. LAYTON, Bentley. As escrituras gnósticas. São Paulo: Loyola, 2002, p. 295-313.
25 Ver o texto em português deste evangelho em Apócrifos e pseudo-epígrafos, p. 607-624. Para
uma análise crítica, ver: LELOUP, Jean-Yves (tradutor). The Gospel of Philip: Jesus, Mary Magdalene,
and the gnosis of sacred union. Rochester, VT: Bear & Co, 2004; FOSTER, Paul. The Gospel of Philip.
In: The Non-Canonical Gospels. Londres; New York: T & T Clark, 2008, p. 68-83.
26 Ver o texto do Evangelho de Pedro em Apócrifos e Pseudo-Epígrafos, p.581-586. Para mais
informações sobre este apócrifo, ver: CROSSAN, John Dominic. The Gospel of Peter and the canonical
gospels. In: Evangelium nach Petrus. Berlin; New York: Walter de Gruyter, 2007, p. 117-134.
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É preciso dizer que existem vários destes evangelhos apócrifos que foram compostos por autores cristãos desconhecidos, não gnósticos, e que aparentam refletir um tipo de cristianismo popular marginal. A maior parte deles pretende suprir a falta de informação histórica nos evangelhos canônicos, fornecendo detalhes sobre a infância de Jesus, diálogos dele com os apóstolos, informações sobre Maria e demais personagens que aparecem nos evangelhos tradicionais.
Em alguns casos, parece que foram escritos para defender doutrinas não apostólicas
e que estavam começando a ganhar corpo dentro do cristianismo, como, por exemplo, o conceito de que Maria é mãe de Deus e medianeira. Conforme já vimos, o Protoevangelho de Tiago, já no Século III, explica porque Maria foi a escolhida: por sua virgindade e santidade, e a defende como mão de Deus e medianeira. O tema real deste apócrifo é a natividade de Maria. Ele reconta e altera as narrativas da natividade de Jesus encontradas nos canônicos e acrescenta informações como a viuvez de José e os filhos que tinha antes de casar com Maria. Inclui lendas e fábulas e muitas histórias extracanônicas.27
Alguns dos evangelhos apócrifos contêm exemplos morais não recomendáveis.
Por exemplo, o Evangelho de Tomé, o Israelita, narra diversos episódios em que o menino Jesus amaldiçoa e mata quem fica em seu caminho: “De outra feita, ele andava em meio ao povo e um rapaz que vinha correndo esbarrou em suas costas. Irritado, Jesus lhe disse, ‘Não prosseguirás teu caminho’. E imediatamente
o rapaz caiu morto” (IV.1). Mais adiante se narra o que aconteceu com pessoas que criticavam o menino Jesus: “e no mesmo instante, aqueles que haviam falado mal dele ficaram cegos” (V.1).
Quase todos os apócrifos são recheados de histórias lendárias e ingênuas,como o Evangelho de Nicodemos, que narra como José de Arimateia, Nicodemos e os guardas do sepulcro se tornaram testemunhas da ressurreição de Jesus. Esse evangelho evidentemente foi escrito por cristãos para provar que Jesus morreu de forma injusta e que ressuscitou dos mortos conforme o testemunho de pessoas como José de Arimatéia os guardas do sepulcro, etc.
É um livro cheio de lendas, fantasias e histórias fantásticas.28
Os evangelhos apócrifos usaram diversas fontes em sua composição: o Antigo Testamento, os próprios evangelhos canônicos e as cartas de Paulo.
Usaram também tradições cristãs extra canônicas, de origem desconhecida, e suas próprias ideias e conceitos. Um bom exemplo é o Evangelho de Nicodemos e em
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João. O autor conhece o livro de Atos e os escritos de Paulo, além do Antigo Testamento. Quando se vale dos relatos dos evangelhos canônicos, quase sempre reconta a história alterando-a e entremeando-a com lendas, fábulas e
27 Cf. Apócrifos e Pseudo-Epígrafos, p. 519-530.
28 Ibid., p. 531-549.
informações extra canônicas de origem desconhecida. Essa característica de contar novamente a história bíblica de maneira adulterada é comum em todos os tipos de apócrifos do Antigo e do Novo Testamento.29
3. A ATITUDE DA IGREJA PARA COM OS EVANGELHOS
APÓCRIFOS
No período pós-apostólico, alguns desses evangelhos chegaram a ser recebidos por um tempo, como leitura proveitosa, como o Evangelho de Pedro.30 Serapião, bispo de Antioquia, a princípio recomendou este evangelho em 191 d.C. Mais tarde, o próprio Serapião reconheceu que a obra tem elementos estranhos e a desautorizou:
Pois nós, irmãos, recebemos Pedro e os demais apóstolos como o próprio Cristo. Mas aqueles escritos que são falsamente inscritos com seu nome, nós, como pessoas experientes, rejeitamos, sabendo que tais escritos não nos foram entregues por ele.
Quando, na verdade, eu vim ver vocês, eu supunha que todos estes escritos estavam de acordo com a fé ortodoxa, e, embora eu não tivesse lido o Evangelho escrito sob o nome de Pedro, que foi trazido a mim por eles [os gnósticos], eu disse: Se essa é a única coisa que ameaça produzir mal-estar entre vocês, que seja lida, então. Mas, agora que eu percebi, pelo que me foi dito que a mente deles estava secretamente acariciando alguma heresia, envidarei toda a pressa para chegar até vocês de novo.31
Talvez Serapião tenha se escandalizado com passagens deste apócrifo que revelam a heresia gnóstica, como a parte em que diz que na cruz, após clamar “por que me desamparaste?”, Jesus “volatilizou-se e subiu ao céu”(V.19), uma clara referência ao ensinamento gnóstico de que Jesus não tinha um corpo físico real. Aqui cabe-nos mencionar o testemunho de Eusébio em sua História Eclesiástica, ao falar dos Evangelhos de Pedro, Tomé e Matias:
Nenhum desses livros tem sido considerado digno de menção em qualquer obra de membros de gerações sucessivas de homens da igreja a fraseologia dele difere daquela que os apóstolos; e opinião e a tendência de seu conteúdo são muito dissonantes da verdadeira ortodoxia claramente mostram que são falsificações de heréticos. Por essa razão, esse grupo de escritos não deve ser considerado entre os livros classificados como não autênticos, mas deveriam ser totalmente rejeitados como obras primas.32
29 Ibid.
30 Ibid., p. 581-585.
31 “Fragmentos de Serapião, bispo de Antioquia”. Disponível em: http://www.earlychristianwritings.
com/text/serapion.html. Acesso em: 18/11/2011.
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32 EUSÉBIO DE CESAREIA, História eclesiástica, 3.25.6,7.
Os evangelhos apócrifos continuaram a ser lidos mesmo após o século II, quando nenhum outro evangelho era reconhecido como normativo a não ser estes que agora constam no cânon. A medida que o poder da igreja crescia, os evangelhos apócrifos foram desaparecendo, embora a leitura deles nunca tenha cessado inteiramente durante a Idade Média.33 Sua popularidade e influência podem ser vistas nos relevos de sarcófagos da Europa Ocidental durante a Idade Média, nos vitrais de igrejas e catedrais daquele período na arte que aparece nos manuscritos e nos temas das dramatizações dos mistérios realizadas nas igrejas da época.
Essa postura de rejeição dos evangelhos apócrifos prevaleceu até a Reforma Protestante e o período posterior chamado de ortodoxia protestante.35 Coma chegada do método histórico-crítico, filho do Iluminismo e do racionalismo, passou-se a negar a autoria apostólica e a inspiração divina dos evangelhos canônicos.36 Os mesmos passaram a ser vistos como produção da fé da igreja, sem valor real para a reconstrução do Jesus histórico.37 Dessa perspectiva, os evangelhos apócrifos chegaram então a ser considerados como literatura tão válida como os canônicos para nos dar informações sobre o cristianismo nascente, embora não sobre o Jesus histórico.38
33 Ver os detalhes sobre a influência e desaparecimento pós-canônico de vários destes evangelhos em HASTINGS, James. Dictionary of Christ and the Gospels. Vol. 2, “Gospels, Apocryphal”. Honolulu, Havai: University Press on the Pacific, 2004, p. 674ss. Na igreja ocidental, a autoridade dos evangelhos apócrifos foi repudiada nos termos mais fortes por Agostinho e Jerônimo, cf. Ibid.
34 Cf. VOS, H. F. Apocrypha, New Testament. In: ELWELL, Walter A. Evangelical Dictionary of Theology. Grand Rapids: Baker, 1984, p. 65.
35 Lutero e Calvino repudiaram os apócrifos veementemente. Esta atitude se encontra refletida nas confissões de fé elaboradas pelos reformados, como a Confissão de Fé de Westminster. Lutero chegou ao ponto de zombar dos evangelhos apócrifos dos judeus (Ebionitas, Hebreus) ao compara-los com os evangelhos canônicos. Ver POLIAKOV, Léon. The history of anti-Semitism: from the time of Christ to the court Jews. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2003, p. 219.
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36 A ex-bultmaniana e erudita liberal Eta Linnemann documenta com detalhes a postura crítica e liberal da academia na Alemanha para com os evangelhos canônicos em LINNEMANN, Eta. Is there a synoptic problem?: rethinking the literary dependence of the first three gospels. Grand Rapids: Baker Book House, c1992.
37 Schmidt, por exemplo, considera o relato dos evangelhos canônicos confuso e insuficiente para a reprodução do Jesus histórico, e conclui: “... é impossível escrever uma ‘vida de Jesus’ moderna... tal empreendimento não é apenas irrealizável; é também irrelevante para a fé, em confronto com aquilo que os evangelistas apresentam: a importância soteriológica da vida de Jesus.” SCHMIDT, J. Evangelhos. In: BAUER, J. B. Dicionário bíblico-teológico. São Paulo: Edições Loyola, 2000, p. 146. Para ele, os apócrifos foram escritos para suprir estas lacunas existentes nos canônicos.
38 Esta é a postura, por exemplo, de JUNOD, Éric. Apócrifos. In: LACOSTE, Jean-Yves. Dicionário crítico de teologia. São Paulo: Paulinas, 2004, p. 169.
4. O RENASCIMENTO DO INTERESSE PELOS EVANGELHOS
APÓCRIFOS, EM PARTICULAR OS GNÓSTICOS
A partir da visão crítica defendida pelo liberalismo teológico e pelo método histórico-crítico, em anos recentes os evangelhos escritos pelos gnósticos passaram a receber grande atenção e importância nos estudos neotestamentários das origens do cristianismo e na chamada busca do Jesus histórico. Vários fatores têm contribuído para isso. Primeiro, o surgimento do Jesus Seminar nos Estados Unidos.39 A criação do Seminar é considerada o início da terceira etapa da busca do Jesus histórico, iniciada pelos liberais do século XVIII.40 Um de seus membros mais conhecidos, cujas obras tem sido traduzidas e publicadas no Brasil, é John Dominic Crossan. Em sua obra O JesusHistórico: A Vida de um Camponês Judeu do Mediterrâneo, de 1991 (publicado em português em 1994), ele emprega os apócrifos Evangelho de Pedro e
especialmente o Evangelho de Tomé para a reconstrução do Jesus histórico.41
Segundo Crossan, essas duas obras são mais antigas que os evangelhos canônicos
e contêm informações importantes que não foram incluídas em Mateus, Marcos, Lucas e João. Essa atitude de Crossan é característica dos demais membros do Jesus Seminar e de muitos outros eruditos neotestamentários críticos, que aceitam a autoridade dos evangelhos apócrifos, especialmente os gnósticos, acima daquela dos canônicos. Aqui podemos mencionar Elaine Pagels, cuja a obra Os Evangelhos Gnósticos, recentemente traduzida e publicada em português, vai nessa mesma direção.42
Em segundo lugar, a publicidade e o sensacionalismo da grande mídia em torno da descoberta e publicação dos textos dos evangelhos gnósticos, como os Evangelhos de Judas e de Tomé. A grande mídia tem difundido a teoria de que a igreja cristã teria ocultado e guarda até hoje outros evangelhos que remontam à época de Jesus e que contradiriam e refutariam totalmente o
39 Sobre o Jesus Seminar, ver: WITHERINGTON III, B. The Jesus Quest: The third search for the Jew of Nazareth. Downers Grove: InterVasity, 1995; STRIMPLE, R. B. The modern search for the real Jesus. Phillipsburg: Presbyterian & Reformed, 1995. Ver ainda SCHIAVO, Luigi. A busca pelas palavras e atos de
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Jesus: O Jesus Seminar, em Caminhos, vol. 7, nº. 1 2009. Este último estudo apresenta o método, as principais conclusões e algumas questões críticas relacionadas ao Jesus Seminar.
40 Sobre a busca do Jesus histórico, ver SCHWEITZER, A. The quest of the historical Jesus: A critical study of its progress from Reimarus to Wrede. New York: Mcmillan, 1968; GROOTHUIS, D. Searching for the real Jesus in an age of controversy. Eugene: Harvest House, 1996; KLOOSTER, F.H. Quests for the historical Jesus. Grand Rapids: Baker Book House, 1977; FABRIS, R. Jesus de Nazaré: história e interpretação. São Paulo: Loyola, 1988; LATOURELLE, R. Jesus Existiu? – História ehermenêutica. Aparecida, SP: Ed. Santuário, 1989; LOPES, Augustus Nicodemus. Em busca do Jesus histórico... mais uma vez. Fides Reformata 2/2, 1997, p. 161-66.
41 Cf. CROSSAN, John Dominic. O Jesus Histórico: A Vida de um camponês judseu do mediterrâneo . Rio de Janeiro: Imago, 1994.
42 Cf. PAGELS, Elaine. Os evangelhos gnósticos. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2006
cristianismo tradicional e ortodoxo.43 A veiculação pela mídia vai na mesma linha de propaganda e especulações anticristãs voltadas mais diretamente contra a igreja católica romana e que acaba respingando nos protestantes especialmente as igrejas históricas. Em 2004 foi o Evangelho de Tomé. Em 2006 foi a vez do Evangelho de Judas ganhar a capa de revistas populares pretensamente científicas.44 A ignorância dos articulistas, o preconceito anticristão, a busca do sensacionalismo, tudo isso contribuiu para que a publicação do manuscrito copta do Evangelho de Judas recebesse uma atenção muito maior do que a devida. Em 2007 foi a suposta sepultura de Jesus. Uma inscrição antiga contendo o nome de Tiago, irmão de Jesus, e outras “descobertas” arqueológicas fizeram a festa da mídia em anos mais recentes.45
Não se deve pensar que essa atitude é um fenômeno atual. Desde os primórdios do cristianismo escritores pagãos como Celso e Amiano Marcelino publicam material atacando as Escrituras e o cristianismo.46 Quando da descoberta dos manuscritos do Mar Morto e das polemicas e questões inclusive jurídicas que envolveram a tradução e a publicação dos primeiros rolos, a imprensa da época especulava que os manuscritos representariam o fim do cristianismo, pois traria informações que contradiriam completamente o evangelho. Os anos se passaram e verificou-se a precipitação da imprensa. Os rolos na verdade tiveram o efeito contrário, confirmando integridade e autenticidade do texto massorético do Antigo Testamento.47Em terceiro lugar, produções de Hollywood como “O Código da Vinci”,“O Corpo”, “Estigmata” e “A Última Ceia de Cristo”, que se baseiam nesses evangelhos gnósticos, têm servido para difundi-los popularmente.
43 Um exemplo é a revista Superinteressante, que publica sistematicamente matérias deste teor.
44 Ver nota anterior.
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45 O Discovery Chanel anunciou documentário “imparcial” a ser veiculado em 18 de março de 2007 com o título “O Sepulcro Esquecido de Jesus”. Segundo o site do Discovery, é “o provável achado mais importante da história”. O documentário, dirigido por James Cameron, o diretor de “Titanic”, é sobre uma caverna encontrada em 1980 ou 1990 num bairro ao norte de Jerusalém contendo dez caixões que guardariam os restos mortais de Jesus de Nazaré, de sua mãe Maria e de Maria Madalena. Afirma o documentário que a caverna é o local do enterro de Jesus. “Se for comprovado que é verdadeiro, este será o mais importante achado arqueológico da história do mundo cristão”, afirmou o site. Ver http://migre.me/6e55A.
46 Cf. CELSO. Contra os cristãos. Lisboa: Editorial Estampa, 1991. Sobre Amiano, ver LAISTNER, M. L. W. The greater Roman historians. Berkeley e Los Angeles: University of California Press, 1971,
p. 141-164.
47 Sobre os manuscritos, ver: GARCÍA MARTÍNEZ, F. Textos de Qumran: Edição fiel e completados documentos do Mar Morto. Petrópolis: Vozes, 1995; VANDERKAM, J. C. Os manuscritos do Mar Mortohoje. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995. Sobre a relação dos textos de Qunran com otexto massorético, ver The Oxford Dictionary of theJewish Religion. Oxford, 2011, p. 134
5. O EVANGELHO DE JUDAS
Examinemos mais de perto os dois evangelhos gnósticos que mais têm atraído recentemente a atenção da academia e do público em geral, que são os Evangelhos de Judas e de Tomé.
O Evangelho de Judas preservou-se em um manuscrito copta do século IV, que supostamente conteria uma tradução do evangelho apócrifo grego de Judas, cuja origemé estimada em meados do Século II tradução do manuscrito copta foram anunciados em 6 de abril de 2006 pela National Geographic Society, em Washington.48
Não de trata da descoberta do Evangelho de Judas. O mesmo já um velho conhecido da igreja cristã. Elaborado elaborado em meados do século II, provavelmente na língua grega, era conhecido de Irineu, um dos pais apostólicos. Na sua obra Contra as Heresias, Irineu o menciona explicitamente como sendo uma obra espúria produzida pelos gnósticos da seita dos cainitas:... eles (cainitas) dizem que Judas, o traidor, conheceu estas coisas e que somente por haver conhecido antes dos outros a verdade, consumou o mistérioda traição [...] Esse estilo de ficção chamam de evangelho de Judas (Contra as Heresias, I, XXXI, 1).
No século IV (por volta de 370 d.C.) o bispo Epifânio, em sua obra Panarion, escrita para combater as heresias de sua época, menciona o Evangelho de Judas como uma obra de origem gnóstica que torna o traidor em um feitor de boas obras:
... afirmam [a seita dos cainitas] que, por esta razão, conheceu Judas exatamenteo conteúdo destas coisas. Defendem também que são descendentes dele (Judas), o qual assume o grau maior da gnosis, até o ponto de prepararem um opúsculo com o seu nome, intitulado evangelho de Judas (Panarion, 38, 1.5).
Teodoreto, bispo de Ciro, também conhecia este evangelho. Em sua obra Compêndio de Fábulas Heréticas (466 d.C.), ele comentou: “... dizem [os cainitas] conhecer também um evangelho (de Judas), composto por eles, pois dizem que ele recebeu o laço como paga de sua traição” (Compêndio, I.15).
Não se trata também da descoberta de um manuscrito antes desconhecido contendo essa obra. Acredita-se que o único manuscrito conhecido, escrito em copta, foi descoberto em meados da década de 1950 e depois de uma longa peregrinação nas mãos de colecionadores, bibliotecas, comerciantes de antiguidades e peritos, chegou às mãos das autoridades. Sua existência foi anunciada
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48 Cf. COCKBURN, Andrew. The Judas Gospel. National Geographic Magazine, maio de 2006,
p. 78-95.
ao mundo em 2004. Trata-se de um códice com 25 páginas de papiro, envoltas em couro, das 62 páginas do códice original. Somente essas 25 páginas foram resgatadas pelos especialistas. A tradução que veio a lume em 2006 é dessas páginas. O que é de fato novo é a tradução do texto desse apócrifo, texto até então desconhecido. Contudo, o ponto central que a mídia tem destacado com sensacionalismo já era conhecido mediante as citações de Irineu, Epifânio e Teodoreto, ou seja, que esse evangelho procura reabilitar Judas da pecha de traidor, transformando-o em vítima e herói.49
Várias matérias publicadas na mídia diziam que Judas Iscariotes é o autor desse evangelho. Contudo, não existe prova alguma disso. Segundo o relato dos quatro evangelhos canônicos, Judas suicidou-se após a traição (Mt 27.5; At1.18-19). Como poderia ser o autor dessa obra? Já Irineu, no século II, atribuía a autoria do Evangelho de Judas aos cainitas, uma seita gnóstica, conforme vimos acima. No códice descoberto e publicado em 2006, não consta somente o evangelho atribuído a Judas, mas duas obras mais: a “Carta a Filipe” atribuída ao apóstolo Pedro e “Revelação de Jacó”, relacionada com o patriarca hebreu.
A presença do Evangelho de Judas em meio a essas duas obras apócrifas é mais uma prova da autoria espúria desse evangelho. É curioso o preconceito da mídia, que sempre veicula matérias que negam a autoria tradicional dos evangelhos canônicos, mas que rapidamente atribui a Judas Iscariotes a autoria desse apócrifo.
É importante também notar que o manuscrito do Evangelho de Judas que foi traduzido não data do século II, mas do século IV. Especula-se que é uma tradução para o copta de uma obra mais antiga escrita em grego, que por sua vez dataria de meados do século II. Daí a inferir a autoria de Judas Iscariotes,
que morreu na primeira parte do século I, vai uma grande distância. A seita dos
cainitas, segundo Irineu em Contra as Heresias, era especialista em reabilitar personagens bíblicos malignos, como Caim, os sodomitas e Judas. A produção de um evangelho reabilitando o traidor se encaixa perfeitamente no perfil da seita.50 Ao final, pesando todos os fatos e filtrando o sensacionalismo e o
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49 Muitos eruditos renomados, como James Robinson, criticaram severamente a maneira sensacionalista
com que a publicação do Evangelho de Judas foi feita. Cf. ROBINSON, James. The secretsof Judas: The story of the misunderstood disciple and his lost gospel. San Francisco: Harper, 2006.
Nessa mesma linha, ver: WRIGHT, N. T. Judas and the gospel of Jesus: Have we missed the truth about
Christianity? Grand Rapids: Baker Books, 2006.
50 O polêmico estudioso Bart Ehman, que participou do projeto para analisar o evangelho de Judas pela National Geographic Society, publicou um livro sobre este evangelho descrevendo seu conteúdo, seu relacionamento com os evangelhos canônicos e sugerindo que Judas apresenta uma perspectiva única de Jesus, dos Doze e do próprio Judas, que teria sido o único a permanecer fiel a Jesus.Cf. EHRMAN, Bart D. The lost Gospel of Judas Iscariot: A new look at betrayer and betrayed. Oxford: Oxford University Press, 2006. Para uma análise mais sóbria e que revela a origem gnóstica desse evangelho, ver: PERRIN, Nicholas. The Judas Gospel. Downers Grove: Intervarsity Press, 2006.
preconceito anticristão, a publicação do Evangelho de Judas em nada contribuirá
para nosso conhecimento do Judas Iscariotes histórico e muito menos do Jesus histórico – servirá apenas para nosso maior conhecimento das crenças gnósticas do século II. Não representa qualquer questionamento sério do relato dos evangelhos canônicos, cuja autoria e autenticidade são muito mais bem atestadas, datam do século I e receberam reconhecimento e aceitação universal pelos cristãos dos primeiros séculos.
6. O EVANGELHO DE TOMÉ
Esse evangelho consiste numa coleção de 114 ditos que Jesus supostamente teria ditado a seu irmão gêmeo, Tomé. Ele faz parte da livraria gnóstica descoberta em Nag Hammadi em meados do século passado. O que temos é um manuscrito copta, tradução de uma versão em grego desse evangelho, datada do século III. Calcula-se que o evangelho original deve ter sido escrito no século II. Não se trata de um evangelho no sentido usual do termo, visto que não contém qualquer narrativa sobre o nascimento, ministério ou paixão de Cristo. Trata-se de uma coleção de ditos de Jesus sem qualquer moldura geográfica, temporal ou histórica que nos permita localizar quando, onde e em que contexto Jesus os teria pronunciado. Calcula-se que foi escrito na região da Síria, onde existem tradições sobre o apóstolo Tomé e onde se sediava a seita dos encratitas, ascéticos que defendiam uma forma heterodoxa de cristianismo.51
Apesar de trazer muitas citações dos evangelhos canônicos, a teologia do Evangelho de Tomé é abertamente gnóstica. Defende a salvação através do conhecimento secreto e esotérico que Jesus revelou a seu discípulo Tomé. Está eivado das dicotomias e dualismos característicos do pensamento gnóstico mais evoluído do século II. Trata-se claramente de uma produção dos mestres gnósticos, que se valeram dos evangelhos canônicos e do nome do apóstoloTomé para divulgar e espalhar suas crenças.52
CONCLUSÃO
Apesar de todos os esforços da mídia e dos liberais, não se conseguiu provar que os evangelhos gnósticos foram escritos no primeiro século. Eles são produções posteriores aos evangelhos canônicos e se valeram destes como fontes. O maior argumento dos liberais para provar que o Evangelho de Tomé,
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51 Ver o texto em português em Apócrifos e pseudo-epígrafos, p. 581-586. Sobre o evangelho, ver:MEYER, Marvin. O Evangelho de Tomé: As sentenças de Jesus. Rio: Imago, 1993; LELOUP, Jean-Yves.O Evangelho de Tomé. Petrópolis: Vozes, 1997.
52 Para uma posição contrária às origens gnósticas do Evangelho de Tomé, ver: CONICK, AprilD. Seek to see him: Ascent and vision mysticism in the Gospel of Thomas. Leiden, Nova York, Köln: Brill, 1966. Supplements to Vigiliae Christianae, 33.
contendo ditos de Jesus, foi escrito no século I antes dos canônicos depende
da existência do suposto protoevangelho “Q”, que nunca foi provada.53
O testemunho dos pais apostólicos é unânime em rejeitar esses evangelhos e considerar a maior parte deles como falsificações feitas pelos gnósticos com o propósito de espalhar suas ideias e ensinamentos. O conteúdo deles é distintamente
diferente dos evangelhos canônicos e da religião ensinada no Antigo Testamento. Assim, nenhum deles foi jamais reconhecido como autentico e apostólico. Desde cedo a igreja cristã rejeitou essas obras, pois não preenchiam os critérios de canonicidade: não foram escritas pelos apóstolos ou por alguém ligado a eles, contradiziam a doutrina cristã, tinham exemplos e recomendações morais e éticas pouco recomendáveis, e seus autores falsamente atribuíram a autoria aos apóstolos, como, por exemplo, o Evangelho de Tomé, de Pedro, de Bartolomeu, de Filipe. Além do mais, suas histórias fantásticas acerca de Cristo claramente revelavam seu caráter especulativo e supersticioso, ao contrário da sobriedade e da seriedade dos evangelhos bíblicos. Não é de admirar, portanto, que eles não constem em nenhuma das primeiras listas de livros reconhecidos nas quais aparecem os quatro evangelhos canônicos.54
As reconstruções do Jesus histórico feitas pelos que dão prioridade aos apócrifos, especialmente os evangelhos gnósticos, deixam sem explicação o surgimento das tradições escatológicas a respeito dele que hoje encontramos nos evangelhos canônicos. Nem mesmo a tese da “imaginação criativa da comunidade” defendida pela crítica da forma pode explicar satisfatoriamente como um camponês judeu com ideias e estilo de vida de um filosofo cínico, praticando o curandeirismo entre o povo simples, cheio de ideias gnósticas, acabou por ser transformado no Cristo que temos nos evangelhos em tão curto espaço de tempo, com as testemunhas oculares dos eventos ainda vivas.
ABSTRACT
This article attempts to show why the Christian church has historically rejected the apocryphal gospels. After defining the term “gospel” the article shows its application to that specific literary genre emerged in the first century and the requirements for one to be accepted as inspired by the church. Next the author presents a classification of canonical and apocryphal gospels and a description of each group, especially the
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Apocrypha. The attitude of the apostolic church to the apocryphal gospels is then documented as well as the reasons for the growing acceptance of the Apocrypha in liberal circles in the search for the
53 Ver uma crítica pertinente feita por Craig Evans às tentativas dos teólogos liberais de distorcero Jesus dos evangelhos canônicos usando os apócrifos em: EVANS, Craig A. Fabricating Jesus: How modern scholars distort the gospels. Downers Grove: Intervarsity Press, 2006.
54 Estas listas são as de Marcião (135 d.C.), Irineu (180 d.C.), Orígenes (250 d.C.) e Atanásio(367 d.C.).
historical Jesus. After a closer look at the Gospels of Judas and Thomas comes the conclusion, which summarizes the reasons why these and other apocryphal gospels have always been rejected by de church.
KEYWORDS
Gospels; Apocriphal gospels; Canonical gospels; Gnostics; Gospel of Judas; Gospel of Thomas; Liberalism.
terça-feira, 4 de março de 2014
Teologia Reformada - Defesa do Evangelho: Estudantes de Teologia: NOVO BLOG - Reformadores d...
Teologia Reformada - Defesa do Evangelho: Estudantes de Teologia: NOVO BLOG - Reformadores d...: Estudantes de Teologia: NOVO BLOG - Reformadores do século XVI : Novo blog atuando - REFORMADOS DO SÉCULO XVI. A proposta deste blog é dis...
Estudantes de Teologia: NOVO BLOG - Reformadores do século XVI
Estudantes de Teologia: NOVO BLOG - Reformadores do século XVI: Novo blog atuando - REFORMADOS DO SÉCULO XVI. A proposta deste blog é disponibilizar a tradução de textos produzidos pelos reformadores m...
Um Engano Chamado "Teologia Inclusiva" ou "Teologia Gay"
Postado por
Augustus Nicodemus Lopes
O padrão de Deus para o exercício da
sexualidade humana é o relacionamento entre um homem e uma mulher no ambiente
do casamento. Nesta área, a Bíblia só deixa duas opções para os cristãos:
casamento heterossexual e monogâmico ou uma vida celibatária. À luz das
Escrituras, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são vistas não como
opção ou alternativa, mas sim como abominação, pecado e erro, sendo tratada
como prática contrária à natureza. Contudo, neste tempo em que vivemos, cresce
na sociedade em geral, e em setores religiosos, uma valorização da
homossexualidade como comportamento não apenas aceitável, mas supostamente
compatível com a vida cristã. Diferentes abordagens teológicas têm sido
propostas no sentido de se admitir que homossexuais masculinos e femininos
possam ser aceitos como parte da Igreja e expressar livremente sua
homoafetividade no ambiente cristão.
Existem muitas passagens na Bíblia que se
referem ao relacionamento sexual padrão, normal, aceitável e ordenado por Deus,
que é o casamento monogâmico heterossexual. Desde o Gênesis, passando pela lei
e pela trajetória do povo hebreu, até os evangelhos e as epístolas do Novo
Testamento, a tradição bíblica aponta no sentido de que Deus criou homem e
mulher com papéis sexuais definidos e complementares do ponto de vista moral,
psicológico e físico. Assim, é evidente que não é possível justificar o
relacionamento homossexual a partir das Escrituras, e muito menos dar à Bíblia
qualquer significado que minimize ou neutralize sua caracterização como ato pecaminoso.
Em nenhum momento, a Palavra de Deus justifica ou legitima um estilo
homossexual de vida, como os defensores da chamada “teologia inclusiva” têm tentado
fazer. Seus argumentos têm pouca ou nenhuma sustentação exegética, teológica ou
hermenêutica.
A “teologia inclusiva” é uma abordagem segundo
a qual, se Deus é amor, aprovaria todas as relações humanas, sejam quais forem,
desde que haja este sentimento. Essa linha de pensamento tem propiciado o surgimento
de igrejas onde homossexuais, nesta condição, são admitidos como membros e a
eles é ensinado que o comportamento gay não é fator impeditivo à vida cristã e
à salvação. Assim, desde que haja amor genuíno entre dois homens ou duas
mulheres, isso validaria seu comportamento, à luz das Escrituras. A falácia desse
pensamento é que a mesma Bíblia que nos ensina que Deus é amor igualmente diz
que ele é santo e que sua vontade quanto à sexualidade humana é que ela seja expressa
dentro do casamento heterossexual, sendo proibidas as relações homossexuais.
Em segundo lugar, a “teologia inclusiva”
defende que as condenações encontradas no Antigo Testamento, especialmente no livro de Levítico, se referem somente às
relações sexuais praticadas em conexão com os cultos idolátricos e pagãos, como
era o caso dos praticados pelas nações ao redor de Israel. Além disso, tais proibições
se encontram ao lado de outras regras contra comer sangue ou carne de porco,
que já seriam ultrapassadas e, portanto, sem validade para os cristãos. Defendem
ainda que a prova de que as proibições das práticas homossexuais eram culturais
e cerimoniais é que elas eram punidas com a morte – coisa que não se admite a
partir da época do Novo Testamento.
É fato que as relações homossexuais
aconteciam inclusive – mas não exclusivamente – nos cultos pagãos dos cananeus. Contudo, fica evidente que a condenação da
prática homossexual transcende os limites culturais e cerimoniais, pois é
repetida claramente no Novo Testamento. Ela faz parte da lei moral de Deus,
válida em todas as épocas e para todas as culturas. A morte de Cristo aboliu as
leis cerimoniais, como a proibição de se comer determinados alimentos, mas não
a lei moral, onde encontramos a vontade eterna do Criador para a sexualidade
humana. Quando ao apedrejamento, basta dizer que outros pecados punidos com a
morte no Antigo Testamento continuam sendo tratados como pecado no Novo, mesmo
que a condenação capital para eles tenha sido abolida – como, por exemplo, o
adultério e a desobediência contumaz aos pais.
PECADO
E DESTRUIÇÃO
Os teólogos inclusivos gostam de dizer que
Jesus Cristo nunca falou contra o homossexualismo. Em compensação, falou
bastante contra a hipocrisia, o adultério, a incredulidade, a avareza e outros
pecados tolerados pelos cristãos. Este é o terceiro ponto: sabe-se, todavia,
que a razão pela qual Jesus não falou sobre homossexualidade é que ela não representava
um problema na sociedade judaica de sua época, que já tinha como padrão o
comportamento heterossexual. Não podemos dizer que não havia judeus que eram
homossexuais na época de Jesus, mas é seguro afirmar que não assumiam
publicamente esta conduta. Portanto, o homossexualismo não era uma realidade
social na Palestina na época de Jesus. Todavia, quando a Igreja entrou em
contato com o mundo gentílico – sobretudo as culturas grega e romana, onde as
práticas homossexuais eram toleradas, embora não totalmente aceitas –, os
autores bíblicos, como Paulo, incluíram as mesmas nas listas de pecados contra
Deus. Para os cristãos, Paulo e demais autores bíblicos escreveram debaixo da
inspiração do Espírito Santo enviado por Jesus Cristo. Portanto, suas palavras
são igualmente determinantes para a conduta da Igreja nos dias de hoje.
O quarto ponto equivocado da abordagem que
tenta fazer do comportamento gay algo normal e aceitável no âmbito do
Cristianismo é a suposição de que o pecado de Sodoma e Gomorra não foi o
homossexualismo, mas a falta de hospitalidade para com os hóspedes de Ló. A
base dos teólogos inclusivos para esta afirmação é que no original hebraico se diz que os homens de
Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (Gênesis 19.5) e não abusar sexualmente
deles, como é traduzido em várias versões, como na Almeida atualizada. Outras versões como a Nova
versão internacional e a Nova
tradução na linguagem de hoje entendem que conhecer ali é conhecer sexualmente e dizem que os concidadãos de Ló queriam “ter
relações” com os visitantes, enquanto a SBP é ainda mais clara: “Queremos
dormir com eles”. Usando-se a regra de interpretação simples de analisar
palavras em seus contextos, percebe-se que o termo hebraico usado para dizer
que os homens de Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (yadah) é o mesmo termo que Ló usa para
dizer que suas filhas, que ele oferecia como alternativa à tara daqueles
homens, eram virgens: “Elas nunca conheceram (yadah) homem”, diz o versículo 8. Assim, fica evidente que
“conhecer”, no contexto da passagem de Gênesis, significa ter relações sexuais.
Foi esta a interpretação de Filo, autor judeu do século 1º, em sua obra sobre a
vida de Abraão: segundo ele, "os homens de Sodoma se acostumaram gradativamente
a ser tratados como mulheres."
Ainda sobre o pecado cometido naquelas
cidades bíblicas, que acabaria acarretando sua destruição, a “teologia
inclusiva” defende que o profeta Ezequiel claramente diz que o erro daquela
gente foi a soberba e a falta de amparo ao pobre e ao necessitado (Ez 16.49). Contudo,
muito antes de Ezequiel, o “sodomita” era colocado ao lado da prostituta na lei
de Moisés: o rendimento de ambos, fruto de sua imoralidade sexual, não deveria
ser recebido como oferta a Deus, conforme Deuteronômio 23.18. Além do mais, quando
lemos a declaração do profeta em contexto, percebemos que a soberba e a falta
de caridade era apenas um entre os muitos pecados dos sodomitas. Ezequiel menciona
as “abominações” dos sodomitas, as quais foram a causa final da sua destruição:
“Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e
próspera tranquilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o
necessitado. Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que, em
vendo isto, as removi dali” (Ez 16.49-50). Da mesma forma, Pedro, em sua
segunda epístolas, refere-se às práticas pecaminosas dos moradores de Sodoma e
Gomorra tratando-as como “procedimento libertino”.
Um quinto argumento é que haveria alguns
casos de amor homossexual na Bíblia, a começar pelo rei Davi, para quem o amor
de seu amigo Jônatas era excepcional, “ultrapassando o das mulheres” (II Samuel
1.26). Contudo, qualquer leitor da Bíblia sabe que o maior problema pessoal de
Davi era a falta de domínio próprio quanto à sua atração por mulheres. Foi isso
que o levou a casar com várias delas e, finalmente, a adulterar com Bate-Seba,
a mulher de Urias. Seu amor por Jônatas era aquela amizade intensa que pode
existir entre duas pessoas do mesmo sexo e sem qualquer conotação erótica.
Alguns defensores da “teologia inclusiva” chegam a categorizar o relacionamento
entre Jesus e João como homoafetivo, pois este, sendo o discípulo amado do
Filho de Deus, numa ocasião reclinou a sua cabeça no peito do Mestre (João
13.25). Acontece que tal atitude, na cultura oriental, era uma demonstração de
amizade varonil – contudo, acaba sendo interpretada como suposta evidência de um
relacionamento homoafetivo. Quem pensa assim não consegue enxergar amizade pura
e simples entre pessoas do mesmo sexo sem lhe atribuir uma conotação sexual.
“TORPEZA”
Há uma sexta tentativa de reinterpretar passagens
bíblicas com objetivo de legitimar a homossexualidade. Os propagadores da “teologia
gay” dizem que, no texto de Romanos 1.24-27, o apóstolo Paulo estaria apenas
repetindo a proibição de Levítico à prática homossexual na forma da
prostituição cultual, tanto de homens como de mulheres – proibição esta que não
se aplicaria fora do contexto do culto idolátrico e pagão. Todavia, basta que
se leia a passagem para ficar claro o que Paulo estava condenando. O apóstolo
quis dizer exatamente o que o texto diz: que homens e mulheres mudaram o modo
natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza, e que se
inflamaram mutuamente em sua sensualidade – homens com homens e mulheres com
mulheres –, “cometendo torpeza” e “recebendo a merecida punição por seus
erros”. E ao se referir ao lesbianismo como pecado, Paulo deixa claro que não
está tratando apenas da pederastia, como alguns alegam, visto que a mesma só
pode acontecer entre homens, mas a todas as relações homossexuais, quer entre
homens ou mulheres.
É alegado também que, em I Coríntios 6.9,
os citados efeminados e sodomitas não seriam homossexuais, mas pessoas de
caráter moral fraco (malakoi, pessoa “macia”
ou “suave”) e que praticam a imoralidade em geral (arsenokoites, palavra que teria sido inventada por Paulo). Todavia,
se este é o sentido, o que significa as referências a impuros e adúlteros, que
aparecem na mesma lista? Por que o apóstolo repetiria estes conceitos? Na
verdade, efeminado se refere ao que toma a posição passiva no ato homossexual –
este é o sentido que a palavra tem na literatura grega da época, em autores
como Homero, Filo e Josefo – e sodomita é a referência ao homem que deseja ter
coito com outro homem.
Há ainda uma sétima justificativa
apresentada por aqueles que acham que a homossexualidade é compatível com a fé
cristã. Segundo eles, muitas igrejas cristãs históricas, hoje, já aceitam a
prática homossexual como normal – tanto que homossexuais praticantes, homens e
mulheres, têm sido aceitos não somente como membros mas também como pastores e
pastoras. Essas igrejas, igualmente, defendem e aceitam a união civil e o
casamento entre pessoa do mesmo sexo. É o caso, por exemplo, da Igreja Presbiteriana
dos Estados Unidos – que nada tem a ver com a Igreja Presbiteriana do Brasil –,
da Igreja Episcopal no Canadá e de igrejas em nações européias como Suécia,
Noruega e Dinamarca, entre outras confissões. Na maioria dos casos, a aceitação
da homossexualidade provocou divisões nestas igrejas, e é preciso observar,
também, que só aconteceu depois de um longo processo de rejeição da inspiração,
infalibilidade e autoridade da Bíblia. Via de regra, essas denominações adotaram
o método histórico-crítico – que, por definição, admite que as Sagradas
Escrituras são condicionadas culturalmente e que refletem os erros e os
preconceitos da época de seus autores. Desta forma, a aceitação da prática
homossexual foi apenas um passo lógico. Outros ainda virão. Todavia, cristãos
que recebem a Bíblia como a infalível e inerrante Palavra de Deus não podem
aceitar a prática homossexual, a não ser como uma daquelas relações sexuais
consideradas como pecaminosas pelo Senhor, como o adultério, a prostituição e a
fornicação.
Contudo, é um erro pensar que a Bíblia
encara a prática homossexual como sendo o pecado mais grave de todos. Na
verdade, existe um pecado para o qual não há perdão, mas com certeza não se
trata da prática homossexual: é a blasfêmia contra o Espírito Santo, que
consiste em atribuir a Satanás o poder pelo qual Jesus Cristo realizou os seus
milagres e prodígios aqui neste mundo, mencionado em Marcos 3.22-30. Consequentemente,
não está correto usar a Bíblia como base para tratar homossexuais como sendo os
piores pecadores dentre todos, que estariam além da possibilidade de salvação e
que, portanto, seriam merecedores de ódio e desprezo. É lamentável e triste que
isso tenha acontecido no passado e esteja se repetindo no presente. A mensagem
da Bíblia é esta: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”, conforme Romanos
3.23. Todos nós precisamos nos arrepender de nossos pecados e nos submetermos a
Jesus Cristo, o Salvador, pela fé, para recebermos o perdão e a vida eterna.
Lembremos ainda que os autores bíblicos
sempre tratam da prática homossexual juntamente com outros pecados. O 20º
capítulo de Levítico proíbe não somente as relações entre pessoas do mesmo
sexo, como também o adultério, o incesto e a bestialidade. Os sodomitas e
efeminados aparecem ao lado dos adúlteros, impuros, ladrões, avarentos e
maldizentes, quando o apóstolo Paulo lista aqueles que não herdarão o Reino de
Deus (I Coríntios 6.9-10). Porém, da mesma forma que havia nas igrejas cristãs
adúlteros e prostitutas que haviam se arrependido e mudado de vida, mediante a
fé em Jesus Cristo, havia também efeminados e sodomitas na lista daqueles que
foram perdoados e transformados.
COMPAIXÃO
É fundamental, aqui, fazer uma importante
distinção. O que a Bíblia condena é a prática homossexual, e não a tentação a
esta prática. Não é pecado ser tentado ao homossexualismo, da mesma forma que
não é pecado ser tentado ao adultério ou ao roubo, desde que se resista. As
pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo devem lembrar que tal desejo
é resultado da desordem moral que entrou na humanidade com a queda de Adão e
que, em Cristo Jesus, o segundo Adão, podem receber graça e poder para resistir
e vencer, sendo justificados diante de Deus.
Existem várias causas identificadas
comumente para a atração por pessoas do mesmo sexo, como o abuso sexual sofrido
na infância. Muitos gays provêm de famílias disfuncionais ou tiveram experiências
negativas com pessoas do sexo oposto. Há
aqueles, também, que agem deliberadamente por promiscuidade e têm desejo de
chocar os outros. Um outro fator a se levar em conta são as tendências
genéticas à homossexualidade, cuja existência não está comprovada até agora e
tem sido objeto de intensa polêmica. Todavia, do ponto de vista bíblico, o
homossexualismo é o resultado do abandono da glória de Deus, da idolatria e da
incredulidade por parte da raça humana, conforme Romanos 1.18-32. Portanto, não
é possível para quem crê na Bíblia justificar as práticas homossexuais sob a
alegação de compulsão incontrolável e inevitável, muito embora os que sofrem
com esse tipo de impulso devam ser objeto de compaixão e ajuda da Igreja
cristã.
É preciso também repudiar toda manifestação
de ódio contra homossexuais, da mesma forma com que o fazemos em relação a
qualquer pessoa. Isso jamais nos deveria impedir, todavia, de declarar com
sinceridade e respeito nossa convicção bíblica de que a prática homossexual é
pecaminosa e que não podemos concordar com ela, nem com leis que a legitimam. Diante
da existência de dispositivos legais que permitem que uma pessoa deixe ou
transfira seus bens a quem ele queira, ainda em vida, não há necessidade de
leis legitimando a união civil de pessoas de mesmo sexo – basta a simples
manifestação de vontade, registrada em cartório civil, na forma de testamento
ou acordo entre as partes envolvidas. O reconhecimento dos direitos da união
homoafetiva valida a prática homossexual e abre a porta para o reconhecimento
de um novo conceito de família. No Brasil, o
reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo para fins de herança e
outros benefícios aconteceu ao arrepio do que diz a Constituição: “Para efeito
da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher
como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” (Art.
226, § 3º).
Cristãos que recebem a Bíblia como a
palavra de Deus não podem ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo,
uma vez que seria a validação daquilo que as Escrituras, claramente, tratam
como pecado. O casamento está no âmbito da autoridade do Estado e os cristãos
são orientados pela Palavra de Deus a se submeter às autoridades constituídas;
contudo, a mesma Bíblia nos ensina que nossa consciência está submissa, em
última instância, à lei de Deus e não às leis humanas – “Importa antes obedecer
a Deus que os homens” (Atos 5.29). Se o Estado legitimar aquilo que Deus
considera ilegítimo, e vier a obrigar os cristãos a irem contra a sua
consciência, eles devem estar prontos a viver, de maneira respeitosa e pacífica
em oposição sincera e honesta, qualquer que seja o preço a ser pago.
[Artigo publicado na revista Cristianismo Hoje]
Teologia Reformada - Defesa do Evangelho: Teologia Reformada - Defesa do Evangelho: Teologia...
Teologia da LibertaçãoTeologia da LibertaçãoTeologia da Libertação versusv Teologia da Prosperidade JULIO SEVEROJULIO A destronação da Teologia da Missão Integral e a demonização do neopentecostalismo
ProsperidadProsperidade
Julio Severo
www.juliosevero.com
juliosevero@outlook.com
2013
T E O L O G I A L I B E R T A Ç Ã O V E R S U S T E O L O G I A D A P R O S P E R I D A D E — J U L I O S E V E R O
1
Conteúdo
Recomendações ................................................................................................ 2
Teologia da Libertação versus Teologia da Prosperidade ................................. 3
Introdução .......................................................................................................... 3
A destronação da Teologia da Missão Integral e a demonização do neopentecostalismo. .......................................................................................... 5
Neopentecostalismo destrona Teologia da Missão Integral ............................... 6
Os precursores da Teologia da Libertação ........................................................ 7
O “profeta” do “diálogo” da Teologia da Missão Integral .................................... 9
Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Missão Integral ........................ 10
Frustração dos cabeças da Teologia da Missão Integral com os neopentecostais ............................................................................................... 11
A vitória dos pobres e a vitória do “diálogo” progressista ................................ 12
Teologia da Missão Integral e extremismo anticonservador ............................ 14
Teologia da Missão Integral demoniza neopentecostalismo ............................ 15
Socialismo versus neopentecostalismo ........................................................... 17
Os seguidores do PT: oportunistas ou ideológicos .......................................... 18
Um Brasil sem um Elias ................................................................................... 20
Cumplicidade e silêncio versus cumplicidade e testemunho imperfeito dos cristãos do Brasil .............................................................................................. 22
Impostos, impostos, impostos! ......................................................................... 23
Um crítico antineopentecostal merece o título de apologeta? ......................... 25
Alianças estúpidas ........................................................................................... 26
O maior obstáculo para o total avanço socialista no Brasil .............................. 27
Humildade para todos ...................................................................................... 29
Leituras adicionais na internet: ........................................................................ 30
T E O L O G I A L I B E R T A Ç Ã O V E R S U S T E O L O G I A D A P R O S P E R I D A D E —
J U L I O S E V E R O
RecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendaçõesRecomendações
É muito importante se conscientizar das invasões que a ideologia marxista tem feito em alguns ramos do Cristianismo. Na América Latina, o conceito de aparência bonita chamado de misión integral (missão integral) se revelou no final como uma plataforma sutil para políticas esquerdistas. Julio Severo compreende isso e desmascara de forma habilidosa essas ideias potencialmente prejudiciais em seu livro, Teologia da Libertação versus Teologia da Prosperidade. Nesse livro, ele ajuda a revelar a realidade que dá para se produzir com eficácia mudança social ainda mais profunda e mais permanente da pobreza para a prosperidade proclamando-se e praticando-se a doutrina bíblica do Reino, abrindo a porta para o poder transformador do Espírito Santo. Este é um livro que muito recomendo!
— Dr. C. Peter Wagner, vice-presidente de Global Spheres, Inc., autor de muitos livros publicados em várias línguas, inclusive português.
Julio Severo enfatiza uma realidade dos cristãos no Brasil que se revela em outros países também. Igrejas e teólogos liberais tentam unir a fé cristã ao socialismo, uma filosofia política secular. O resultado: em grande parte eles falam uns com os outros enquanto a influência e o número de membros de suas igrejas diminuem. Enquanto isso, as igrejas pentecostais estão chegando até os pobres e fracos, e mais recentemente, com a propagação do movimento de renovação espiritual em muitas igrejas, até pessoas de todos os níveis sociais e profissionais. A mensagem dessas igrejas é uma mensagem bíblica e simples sobre a salvação por meio de Cristo, e vida nova no poder do Espírito Santo. Essas igrejas crescem e vidas estão sendo transformadas. Espero que a verdade neste livretinho cause impacto na vida e compreensão de muita gente no Brasil. E, quem sabe, até fora do Brasil!
— Larry Christenson, teólogo e escritor, líder de longa data na renovação carismática entre luteranos do mundo inteiro. Ele é autor dos livros “A Família do Cristão” e “A Mente Renovada”, publicados pela Editora Betânia.há um intenso choque de mundos no Brasil, que é uma das nações mais espíritas do mundo. Indivíduos envolvidos em religiões afro-brasileiras como o candomblé (semelhante à Santeria e vodu) estão experimentando encontros de poder com o Evangelho graças às igrejas neopentecostais.
Nenhuma outra igreja cristã no Brasil tem tanto sucesso em levar multidões de adeptos de bruxaria a Cristo do que as igrejas pentecostais e neopentecostais.
Contudo, essas igrejas enfrentam oposição em massa de igrejas protestantes mais tradicionais, principalmente por causa de sua Teologia da Prosperidade. Essa oposição vem particularmente da blogosfera brasileira, onde a maioria dos blogueiros que se autoproclama apologetas calvinistas ataca incessantemente os neopentecostais.
Apesar disso, eles não atacam a infiltração em massa de ideias liberais e esquerdistas no meio das igrejas e líderes calvinistas do Brasil. Aliás, a maioria deles adota tais ideias.
Eles também atacam o capitalismo, ainda que o economista político Max Weber tenha apontado uma conexão entre o capitalismo e o calvinismo. Eles preferem ser “progressistas,” que, de acordo com o renomado Dicionário Aurélio, significa: “Diz-se de quem, não pertencendo a um partido socialista ou comunista, aceita e/ou apoia, no entanto, os princípios socialistas ou marxistas.”
A atitude deles para com o capitalismo é muito distante da atitude de Calvino e seus sucessores imediatos.
Gayraud Wilmore, em seu livro “African American Religious Studies: An Interdisciplinary Anthology” (Duke University Press Books, 1989, página 12), diz: “A ética social do puritanismo era dirigida para a aquisição e administração apropriada de riqueza como símbolos externos do favor de Deus e consequente salvação do indivíduo.”
O Dicionário Max Weber diz: “De acordo com o calvinismo (mas não de acordo com o próprio Calvino), o acúmulo de riquezas era um dos sinais de que o crente estava entre os eleitos — ‘um sinal da bênção de Deus.’”
O site “A Puritan’s Mind” (A Mente de Um Puritano) diz: “A bênção do Senhor enriquece… E como as riquezas são em si bênçãos de Deus, assim também devemos desejá-las para o curso confortável de nossas condições naturais e civis.”
Nessa altura, dava para se dizer que a Teologia da Prosperidade tem um grande precedente calvinista.
Mas modernos calvinistas de tendência esquerdista têm ideias diferentes sobre seus antigos antecessores e suas opiniões sobre riquezas. É por isso que eles se opõem ferozmente ao capitalismo e ao neopentecostalíssimo.
Não existe uma equivalência total entre neopentecostais no Brasil e os velhos puritanos dos Estados Unidos. Ainda que seus pensamentos sobre riquezas pareçam iguais, suas atitudes para com a feitiçaria são completamente diferentes.
Os puritanos, que eram calvinistas austeros, eram conhecidos, principalmente no início de sua história nos EUA, por sua prática de queimar bruxas, apegando-se provavelmente ao Antigo Testamento. Por causa do elevado número de adeptos de bruxaria no Brasil, eles teriam ficado imensamente sobrecarregados em seus esforços de queimar todos os bruxos.
Em contraste, os neopentecostais brasileiros, com suas ousadas campanhas evangelísticas e choques com os poderes espirituais, expulsam demônios de multidões de adeptos de bruxaria e os levam a Cristo, queimando apenas seus livros, não seus corpos, exatamente conforme está descrito em Atos 19. O preço que eles pagam é sofrer ataques de blogueiros que se autoproclamam apologetas, que ainda que odeiem o capitalismo, se rotulam como descendentes legítimos de Calvino.
Entretanto, o choque de mundos no Brasil não está limitado à bruxaria, que é abundante na sociedade brasileira. O marxismo vem tendo uma predominância igual ou maior, com importantes invasões nos seminários e igrejas de denominações protestantes históricas.
O neopentecostalismo e sua Teologia da Prosperidade são em grande parte atacados por blogueiros calvinistas de linha esquerdista como se fosse o culpado pela devastadora apostasia e corrupção na Igreja Brasileira. Mas eles não mencionam que igrejas calvinistas na Europa têm se destruído sem nenhuma ajuda de igrejas neopentecostais. E nos EUA grandes denominações calvinistas estão ordenando pastores gays e lésbicos, apoiando o aborto, etc.
O liberalismo e o esquerdismo, que estão provocando devastações em igrejas calvinistas e outras igrejas protestantes mais tradicionais nos EUA, são predominantes entre os blogueiros brasileiros que se autoproclamam apologetas calvinistas.
No entanto, eles não estão preocupados com o destino trágico de seus colegas liberais nos EUA, porque eles estão ocupados atacando os neopentecostais.
Este e-booklet investiga brevemente a natureza de tais ataques e sua origem, e como todos os cristãos, neopentecostais e calvinistas, deveriam se unir contra um inimigo e ladrão maior.
A destronação da Teologia Missão Integral e a demonização do neopentecostalismodemonizaçã
o início de 2012, dois proeminentes líderes do PT chocaram o Brasil ao revelar que o único obstáculo que resta hoje para o avanço da agenda socialista no Brasil são os neopentecostais.
Os militantes socialistas estão ultra-preocupados com os neopentecostais. Afinal, enquanto os socialistas falam de amor aos pobres e oferecem promessas aos pobres (moradia, saúde, educação, emprego), essa mentira poderosa não está alcançando o controle total dos pobres. Para horror da esquerda, as igrejas neopentecostais têm não só igrejas cheias de pobres, mas também programas de TV com enorme audiência de pobres.
Na “teologia” secular socialista, os pobres são ensinados a ver o governo como suprema fonte de provisão para todas as suas necessidades. No socialismo, o Estado é Deus. O neopentecostalismo veio para provocar uma desmistificação poderosa e sem paralelo dessa visão socialista, educando o povo a ver Deus como suprema fonte de provisão para todas as necessidades humanas. No neopentecostalismo, ainda que existam deficiências doutrinárias, Deus é Deus.
A despeito de haver pastores neopentecostais que experimentam fabuloso enriquecimento proveniente não de Deus, mas à custa de suas ovelhas, não se pode negar que o neopentecostalismo trouxe o resgate da centralidade de Deus na provisão de emprego, casa, saúde, educac ão e outras necessidades, com pregações motivadoras incentivando as pessoas a esperar e buscar suprimento e prosperidade de Deus.
O socialismo secular se preocupa muito com o neopentecostalismo por vê-lo como “concorrente” no alcance dos pobres e subsequente influência sobre o voto deles. O socialismo cristão (na forma católica da Teologia da Libertação e na forma evangélica da Teologia da Missão Integral) também tem uma preocupação obsessiva com o neopentecostalismo.
O bispo anglicano Robinson Cavalcanti, provavelmente o maior estrategista socialista evangélico do Brasil, foi o fundador do Movimento Evangélico Progressista (MEP), que ajudou a promover o PT entre os protestantes por mais de uma década. Cavalcanti, que chegou a receber visitas de Lula em sua casa, identificava — juntamente com outros pastores liberais — a Teologia da Prosperidade como expressão capitalista, em oposição a uma expressão socialista. Aliás, Cavalcanti pregava abertamente que políticas socialistas radicais eram expressões do Reino de Deus, de modo que posturas antissocialistas ou a favor da Teologia da Prosperidade eram, para ele, expressões das trevas, em oposição à “luz” socialista.
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Vários líderes evangélicos importantes do passado semearam essa “luz”, na forma da Teologia da Missão Integral. Um dos semeadores foi Caio Fábio, outrora o maior pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, exercendo uma influência como um papa evangélico no Brasil, até sua queda no final da década de 1990 por adultério e escândalos financeiros.
Em recente entrevista à revista Cristianismo Hoje, Caio Fábio declarou que o grande momento para unificar as igrejas evangélicas do Brasil ocorreu no início da década de 1980. Na entrevista, feita por Danilo Fernandes, do tabloide sensacionalista Genizah, Caio Fábio desabafou: “A teologia da prosperidade não existia por aqui, o que prevalecia era a teologia da missão integral. Havia uma quantidade enorme de pastores [seguindo essa teologia]”. Esse prevalecimento, de acordo com ele, ocorria de forma especial no Congresso Brasileiro de Evangelização, onde até hoje a Teologia da Missão Integral está no pedestal. Mas essa unificação evangélica colossal que quase ocorreu no começo da década de 1980 foi destruída por um instrumento imprevisível: Pouco tempo depois, veio o movimento neopentecostal com sua Teologia da Prosperidade, com força total, quebrando a espinha dorsal do monopólio da Teologia da Missão Integral, essencialmente arruinando todos os esquemas socialistas maiores que estavam sendo arquitetados.
A ascensão do neopentecostalismo destroçou o consenso que, de acordo com Caio Fábio, estava se avolumando entre as igrejas com relação à Teologia da Missão Integral.
A destronação da Teologia da Missão Integral por parte das igrejas neo-pentecostais foi tratada como um golpe “imperdoável”. As igrejas neopentecostais passaram a ser criticadas pelas igrejas que sustentavam a Teologia da Missão Integral sob o pretexto de não terem seriedade espiritual e verdadeira devoção. Caio Fábio e Robinson Cavalcanti, que tiveram papel destacado em iniciativas para aproximar os evangélicos do PT, se tornaram “profetas” contra a Teologia da Prosperidade e a favor da Teologia da Missão Integral, que usa o Evangelho apenas como palanque da ideologia socialista. Como Ariovaldo Ramos, proeminente pastor batista reformado da linha progressista, disse: “A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação”.
Os precursores da Teologia Libertação Do ponto de vista histórico, as raízes da Teologia da Libertação são protestantes. Em 1952, após um período de estudos no Union Theological Seminary de Nova Iorque, em que se dedicou às relações entre marxismo e fé cristã, o missionário presbiteriano ecumênico Richard Shaull (1919-2002) foi enviado ao Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, onde ele deu aulas até 1959. Shaull era doutor em teologia pelo Seminário Teológico de Princeton.
Além das aulas e dos contatos com seminaristas, Shaull atuou como conferencista em congressos de jovens e estudantes cristãos de todo o Brasil, dentro e fora da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).
Tendo como bagagem o Evangelho Social, uma teologia esquerdista que vinha afetando as igrejas protestantes dos EUA desde pelo menos o final do século XIX, ele cria uma estreita relação com os pastores presbiterianos brasileiros Rubem Alves e Jaime Wright.
De 1942 a 1950, o Rev. Shaull foi missionário na Colômbia, que mais tarde se tornaria, junto com o Brasil, principal foco latino-americano da Teologia da Libertação.
Oficialmente, essa teologia foi fundada pelo padre peruano Gustavo Gutiérrez, que publicou em 1971 o livro “Teologia da Libertação”. Mas três anos antes, Rubem Alves já havia escrito um livro com o mesmo título e espírito. Alves, que era discípulo de Shaull, chamava seu mestre de profeta e patriarca, “pai de uma nação”, por ter ajudado no nascimento de uma nova igreja, conforme a imagem e semelhança da Teologia da Libertação.
A influência de Shaull foi decisiva. Por ironia do destino, a transformação do Evangelho em palanque para o marxismo na América Latina não veio de um missionário da União Soviética, mas de um pastor presbiteriano dos Estados Unidos. Suas inclinações eram claras. Em seu livro “Christian Faith and Marxism” (A Fé Cristã e o Marxismo), ele disse: “Meu encontro com o marxismo não estava fazendo de mim um marxista, mas um cristão melhor”.
Suas inclinações enfrentaram de setores da IPB uma resistência que Caio nunca enfrentou. Faltou-lhe o “carisma” de Caio para fazer o que Caio fez: avançar a Teologia da Missão Integral dentro e fora da IPB sem provocar antagonismos.
Shaull se aposentou como professor de ecumenismo no Seminário Teológico de Princeton, um das mais proeminentes instituições presbiterianas do mundo.
Antes de morrer em 2002, Shaull visitou igrejas pentecostais e neopentecostais em favelas do Rio, vendo uma vitalidade espiritual que nunca viu nas comunidades eclesiais de base. Mas, em vez de se abrir para essa vitalidade, ele queria que essas igrejas cheias de pobres pudessem ser ajudadas a se aproximar da Teologia da Libertação.
Para ele, as igrejas históricas (presbiteriana, luterana, metodista, batista) tinham uma boa relação com essa teologia, mas não tinham muito contato com os pobres. Já as igrejas pentecostais e neopentecostais tinham íntimo contato com os pobres, mas não tinham uma boa relação com sua teologia.
Na percepção dele, se essas igrejas cheias de pobres continuassem a crescer explosivamente, a face da igreja evangélica na América Latina seria predominantemente pentecostal e neopentecostal no futuro. O questionamento dele era: como tornar essas igrejas receptivas à Teologia da Libertação tão predominante em igrejas históricas? Resposta: O diálogo entre igrejas históricas e neopentecostais. Nesse encontro, os pentecostais entrariam com sua experiência de fácil convivência com os pobres e os não-pentecostais entrariam com a teologia-ideologia.
Esse “diálogo”, em grande parte, se tornou realidade na década de 1990 com os esforços de Caio Fábio para se aproximar das igrejas neopentecostais, inclusive atuando como palestrante principal em grandes eventos da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra. Essa aproximação foi fundamental mais tarde para uma unificação protestante, pentecostal e neopentecostal para o monumental apoio evangélico a Lula na eleição de 2002.
Caio foi apenas um hábil implementador da ponte de “diálogo” visualizada por Shaull.
Shaull e seu discípulo, Rubem Alves, são considerados (por documento da Universidade Mackenzie) os pais do lado protestante da Teologia da Libertação. De modo geral, Shaull foi o precursor da Teologia da Libertação. Alves, outro precursor, eventualmente abandonou o pastorado e se tornou apóstata. O lado católico também teve seus pais e “profetas”: Dom Evaristo Arns, Dom Hélder Câmara (fundador da CNBB), Frei Betto e Leonardo Boff.
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que é um sindicato de bispos que tiveram papel importante na fundação do Partido dos Trabalhadores, é um exemplo de como a Teologia da Libertação afetou a Igreja Católica do Brasil.
Embora o Evangelho Social dos EUA tenha ajudado a gerar a teoria protestante da Teologia da Libertação, foi somente com a implementação católica que essa teologia se tornou teologia prática com resultados políticos (Teologia da Libertação + CNBB = PT).
A militância católica em prol dessa teologia foi esmagadora, dando uma cara católica para a teologia de alma protestante, de modo que protestantes históricos esquerdistas precisaram reciclá-la e devolver-lhe a cara protestante. Assim nasceu a Teologia da Missão Integral no Brasil.
Entre os católicos, essa teologia levou decididamente à fundação do PT. Entre os evangélicos, a versão “protestante” tem igualmente conduzido ao socialismo em geral e ao PT em particular.
O “profeta” do diálogo” da Teologia Missão Ariovaldo Ramos, cujo mentor foi Caio Fábio, apoiou Lula em duas eleições presidenciais (2002 e 2006). Seu mentor já tinha dado a dica: em seu programa evangélico de TV “Pare & Pense”, Caio apresentou pessoalmente o candidato Lula ao público evangélico durante a eleição presidencial de 1994. Essa foi a primeira vez que um programa evangélico de TV se envolve diretamente numa eleição presidencial, numa grande iniciativa para desdemonizar Lula, seu partido e suas opiniões patentemente esquerdistas. Mas em sua biografia “Confissões de Um Pastor” (p. 214), ele diz que já em 1993 havia passado para Lula o nome e contato dos líderes evangélicos mais estratégicos do Brasil.
Anos mais tarde, Caio confessou:
“Aproximei Lula dos evangélicos, os quais, durante anos, o chamavam de ‘diabo’. Muitas foram as oportunidades que criei para que ele tivesse a chance de se deixar perceber pela igreja”.
O maior pastor presbiteriano do Brasil estava fazendo propaganda do maior socialista do Brasil na década de 1990, sem grandes impedimentos dentro de sua própria denominação presbiteriana. As igrejas da Teologia da Missão Integral, majoritariamente igrejas históricas como batista, luterana, metodista e presbiteriana, estavam abraçadas à liderança de Caio Fábio em suas iniciativas para desdemonizar Lula e sua ideologia.
Depois de sua estrondosa queda moral e financeira na segunda metade da década de 1990, outros prosseguiram a luta dele, inclusive seu discípulo Ariovaldo Ramos e seu amigo Robinson Cavalcanti.
Contudo, antes de sua queda, Caio obteve importantes vitórias:
1. Ele quase conseguiu unificar a maioria das igrejas históricas do Brasil debaixo da bandeira da Teologia da Missão Integral durante as décadas de 1980 e 1990. O que atrapalhou foi o crescimento explosivo do neopentecostalismo.
2. Ele conseguiu, em grande parte, “desdemonizar” o PT e o socialismo diante do público evangélico, garantindo que o “socialismo não come criancinhas”, como se a obsessão socialista de legalizar o aborto não canibalizasse e exterminasse nenhum bebê.
3. Ele não conseguiu embarcar a maioria das igrejas neopentecostais na Teologia da Missão Integral, mas sua ponte de “diálogo” foi fundamental para amenizar as atitudes dessas igrejas para com Lula e o PT.
Antes de cair, Caio teve tempo de lançar a ponte de “diálogo” e obter alguns resultados. Contudo, se Shaull tivesse a língua macia, persuasiva e esperta de Caio, o Brasil teria hoje uma igreja tradicional, pentecostal e neopentecostal em grande parte aos pés da Teologia da Missão Integral.
Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria. As igrejas pentecostais não ficaram hipnotizadas por Caio e sua teologia, mas algumas foram afetadas. Marina Silva, que hoje é membra da Assembleia de Deus em Brasília, se gaba de que conheceu o “evangelho vivo” na Teologia da Libertação que aprendeu com Leonardo Boff, um dos maiores propagandistas dessa teologia no Brasil. Boff e sua teologia foram oficialmente condenados pelo Vaticano durante o papado de João Paulo 2, mas essa condenação oficial não impediu Marina de seguir o homem e sua teologia. Hoje, além de ter Boff como conselheiro, Marina também tem Caio Fábio.
Outro assembleiano gravemente afetado pela Teologia da Libertação foi Ricardo Gondim, que conheceu o Evangelho na IPB, mas depois teve experiências com línguas estranhas na Assembleia de Deus. Em seguida, quis ter experiências teológicas e estar com os doutores da teologia. Ao estudar na Universidade Metodista de São Paulo, Gondim entrou de cabeça no mundo da Teologia da Libertação, passando, como seu camarada Robinson Cavalcanti, a demonizar os evangélicos conservadores dos EUA, como se até o movimento pró-família e pró-vida fosse um produto imperialista importado dos EUA.
O que Gondim, Cavalcanti e outros nunca mencionavam é que o precursor da Teologia da Libertação não era brasileiro. Era um professor do Seminário Teológico Princeton nos EUA, apaixonado pelo Evangelho Social e movido por inclinações marxistas, tornando sua teologia, em todo o sentido da palavra, uma teologia imperialista. Além disso, se o foco da oposição à Teologia da Libertação era o conservadorismo evangélico que vinha dos EUA, por que eles não evitavam a nação “imperialista”? Cavalcanti viajava todos os anos aos EUA, e enviou seu filho para viver nos EUA. Pastores esquerdistas da IPB e outras igrejas históricas se exilaram nos EUA durante o governo militar no Brasil. Mais coerência parece ter tido o Rev. Walter Altmann, ex-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), que tinha vínculos financeiros com a União Soviética e, como Shaull, vínculos com o Conselho Mundial de Igrejas.
A IECLB, uma denominação repleta de teólogos e pastores progressistas, é dona da Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo, que em 2005 realizou um congresso sobre “religião e gênero”, onde o palestrante principal foi Luiz Mott, o líder máximo do movimento homossexual do Brasil.
A IECLB é um exemplo de denominação em grande parte dominada pela Teologia da Missão Integral e engajada com o PT na luta contra os valores conservadores, que seus líderes progressistas identificam como “imperialismo”.
Contudo, de forma realista, lutar contra o “imperialismo” é lutar contra a imposição da agenda de aborto, homossexualismo e esquerdismo que vem do governo e cultura dos EUA. Quem tem feito trabalho excelente nessa luta é o movimento pró-vida e pró-família.
O fato é que a Teologia da Libertação, camuflada e adocicada depois como Teologia da Missão Integral, matou o pentecostalismo de Gondim, tornando-o como qualquer esquerdista de igreja histórica.
Em sua dissertação “A Teologia da Missão Integral: Aproximações e Impedimentos Entre Evangélicos e Evangelicais” (2009), Gondim aponta Cavalcanti e Caio Fábio como ícones da Teologia da Missão Integral (p. 90), revela o compromisso da Visão Mundial e revista Ultimato com essa teologia e diz que o Segundo Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE2, 2003), evento financiado pela Visão Mundial para reunir as lideranças da Teologia da Missão Integral, estava perplexo e triste com o avanço do neopentecostalismo e sua teologia da prosperidade, que estavam frustrando os projetos dos progressistas para os pobres.
O documento final da CBE2 essencialmente denuncia que “muitas igrejas evangélicas estão experimentando acelerado crescimento número” (p. 90) sem despertarem para a Teologia da Missão Integral. Em vez dessa teologia, essas igrejas estavam pregando e praticando a teologia da prosperidade, que coloca Deus, não o Estado socialista, como provedor das necessidades humanas.
As contínuas queixas de Caio, Gondim, Cavalcanti e outros progressistas de que “igreja brasileira está doente” ou “decadente” se referem à falta de abertura à teologia deles.
Gondim também se queixa repetidamente de que a Teologia da Missão Integral teve seu avanço detido por conservadores no Congresso Lausanne de Evangelização Mundial (Manila, 1989). Ed Rene Kivitz, companheiro teológico de Gondim, já havia apontado Peter Wagner como líder da oposição conservadora. A atuação de Wagner, hoje líder do movimento apostólico mundial, exemplifica o potencial neopentecostal para deter o avanço esquerdista nas igrejas. Na dissertação de Gondim (p. 53), o erro de Wagner era “propor guerra espiritual como solução para os problemas sociais” — uma solução tipicamente neopentecostal, em contraste com a solução esquerdista de revoluções políticas.
Ecoando queixa do Rev. Luiz Longuini, da IPB, Gondim afirma que Peter Wagner já vinha frustrando os progressistas há anos. Em1969, ao participar do CLADE (Congresso Latino-Americano de Evangelização), Wagner distribuiu seu livro que afirmava que a missão da igreja é priorizar a salvação pessoal e destacava a teologia esquerdista como perniciosa (p. 105).
A salvação, em seu termo original, inclui o resgate espiritual e também emocional e físico. Os progressistas interpretam essa amplitude da salvação como pretexto para intervenções políticas, como se o Reino de Deus fosse apenas “comida, bebida” (Romanos 14:17) e assistência social do governo. Em contraste, Wagner interpretava que a igreja deve pregar e demonstrar o Evangelho do Reino de Deus, inclusive utilizando a autoridade de Jesus para curar enfermos e expulsar demônios. É uma demonstração em sintonia com os milagres que seguem os que creem (Marcos 16:16). Mas a demonstração do evangelho, para os progressistas, se limita apenas à ação social muitas vezes em parceria com políticas e governos socialistas. Nada mais.
Qualquer rejeição a esse tipo de ação social como intrinsecamente unido ao Evangelho recebe o rótulo de “fundamentalismo”. Na dissertação de Gondim, nem Billy Graham escapa desse rótulo, porque o mais famoso evangelista do mundo se recusava a dar apoio e dinheiro para os grupos evangélicos progressistas da América Latina. A recusa de Graham lhe deu uma imagem negativa entre os adeptos da Teologia da Missão Integral. Em contraste, Gondim não poupa elogios à Teologia da Libertação e ao Evangelho Social dos EUA e reconhece que o maior obstáculo para o avanço da Teologia da Missão Integral foi “um fenômeno religioso com grande apelo popular, o neopentecostalismo” (p. 135).
Gondim não esconde a amargura de ver a Teologia da Libertação, que afetou a América Latina em geral e o Brasil em particular, sendo solapada por um movimento espiritual muito bem presente entre os pobres e em grande parte dirigido por líderes vindo da pobreza. A amargura dele é compartilhada por Caio Fábio e teólogos progressistas brasileiros formados em universidades e seminários americanos e europeus, incapazes de enfrentar um movimento onde a maioria dos pastores foi formada no “seminário” da vida e da pobreza. São pobres que, mal sabendo falar o português, preferiram a Teologia da Prosperidade, em vez da Teologia da Libertação, para vencer a pobreza.
Os pobres preferem a Teologia da Prosperidade, mas os ricos (teólogos e pastores profissionais) preferem a Teologia da Libertação, tornando-a tão elitista quanto o marxismo que a ajudou a criar.
Isso não significa que nenhuma igreja neopentecostal aceitou a teologia dos progressistas.
As igrejas neopentecostais mais afetadas pela Teologia da Missão Integral foram, coincidentemente, as igrejas que mais se aproximaram de Caio Fábio. Na primeira metade da década de 1990, o pastor presbiteriano era palestrante destacado em grandes conferências pentecostais, inclusive da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (Sara), fundada pelo Bispo Robson Rodovalho, que tem raízes presbiterianas. No começo da década de 1990, a Sara via o socialismo e o PT como diabólicos. Em 2002, a Sara já estava iludida o suficiente para embarcar no bonde protestante, pentecostal e neopentecostal de apoio a Lula.
O programa “Pare & Pense” de 1994 trouxe a iludida Valnice Milhomens para apresentar conjuntamente com Caio o candidato Lula não porque a líder neopentecostal representasse os sentimentos políticos neopentecostais, mas porque a presença dela era fundamental para a estratégia de “diálogo” para quebrar as barreiras anti-socialismo entre os neopentecostais.
Caio representou as igrejas protestantes históricas, que já estavam seduzidas pela Teologia da Missão Integral e em grande parte prontas para apoiar Lula, o maior messias socialista do Brasil. Caio, com sua Teologia da Missão Integral que não ousava dizer seu nome, era uma figura que nenhuma liderança da IPB e outras igrejas históricas questionavam. Valnice representou as igrejas neopentecostais, que precisavam ser iludidas, assim como ela mesma foi. Era a ponte de “diálogo” visualizada anos antes por Shaull.
Os dois eram de gerações diferentes. Enquanto Shaull dava aulas de teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas (1952-1959), Caio foi ordenado pastor da IPB em 1977, aos 22 anos e teve, conforme confissão dele, muitos amigos pastores que haviam sido alunos de Shaull. Caio também leu livros do pai espiritual da Teologia da Libertação. Se Shaull era o “profeta” das ideias e visões dessa teologia, Caio era o “profeta” do diálogo, incumbido de criar entre os pentecostais e neopentecostais abertura para essa teologia que estava em poder de igrejas históricas.
Os frutos do Cardeal Richelieu tupiniquim duraram décadas.
Teologia da Missão Integral e extremismo de Ariovaldo Ramos, um dos sucessores espirituais de Shaull, e Marina Silva se queixaram da “onda de conservadorismo” que quase derrotou Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2010. A onda conservadora foi a expressão de fortes sentimentos cristãos contra o aborto e o homossexualismo. Em vez de se colocarem frontalmente contra o histórico e posições patentemente abortistas e homossexualistas de Dilma e do PT, Ariovaldo divulgou seu manifesto público, declarando: “manifestamos as nossas rejeições diante da onda de conservadorismo que se abateu sobre o país nesse processo eleitoral”. E Marina, em sua “Carta Aberta aos Candidatos à Presidência da República Dilma e Serra”, critica abertamente o que ela enxerga como “esse conservadorismo renitente que coloniza a política e sacrifica qualquer utopia em nome do pragmatismo sem limites”.
Pela primeira vez na história do Brasil, a questão do aborto e homossexualismo influencia diretamente uma eleição presidencial. Eu, que nunca fui um apoiador de Dilma ou de Serra, estava celebrando. LifeSiteNews, site para quem eu traduzia do inglês para o português, estava celebrando e escrevendo artigos internacionais para mostrar ao mundo o avanço conservador no Brasil. Líderes católicos e evangélicos pró-vida do mundo, inclusive o Vaticano, estavam igualmente celebrando. Contudo, Ariovaldo e Marina, junto com toda a esquerda mundial, estavam descontentes e revoltados. A atitude de inconformismo de ambos é demonstração de como o movimento de Missão Integral e o movimento pró-vida não andam no mesmo caminho.
Nos 25 anos em que tenho atuado junto com lideranças pró-vida no Brasil, nunca vi tanto sentimento antiaborto e antissodomia numa eleição presidencial. Foi um milagre! O duro trabalho pró-vida não tinha sido em vão. Afinal, embora o governo socialista do Brasil seja a favor desses males, os sentimentos da maioria da população brasileira, comprovados em pesquisas de opinião pública, são contra as aberrações homossexuais e assassinato de bebês em gestação.
O Vaticano tentou intervir em favor da positiva onda conservadora, orientando os bispos brasileiros a guiar o povo católico a não votar em candidatos abortistas. De nada adiantou, pois a CNBB e Frei Betto são para o Vaticano o que Ariovaldo e Marina são para o movimento pró-vida e pró-família: uma completa discordância de valores.
Diferente do Vaticano, que tem se destacado em posturas conservadoras — condenações públicas fortes ao aborto, ao homossexualismo e à Teologia da Libertação —, a CNBB reluta em condenar a Teologia da Libertação e seu filhote mais importante, o PT. De forma semelhante, líderes evangélicos brasileiros afetados por Shaull e Caio relutam em expressar condenações públicas fortes ao aborto, ao homossexualismo e principalmente à Teologia da Missão Integral.
Robinson Cavalcanti, um dos maiores propagandistas dessa teologia, foi exaltado por Ariovaldo como “profeta” após ser assassinado pelo próprio filho no início de 2012. A exaltação foi prestada num artigo assinado por Ariovaldo e publicado no Genizah, que tem vínculos estreitos com os cérebros da Teologia da Missão Integral, especialmente Caio Fábio, e é o maior tabloide antineopentecostal do Brasil.
O exemplo do Genizah criou uma onda e linha comercial de tabloides “apologéticos” que usam a demonização do neopentecostalismo como cortina de fumaça para proteger e promover a Teologia da Libertação. Condenam o neopentecostalismo como “heresia”, mas louvam a Teologia da Missão Integral e seus “profetas”, inclusive Caio e Cavalcanti. No Púlpito Cristo, um dos tabloides que imitam o Genizah, encontrei, entre mais de 400 menções de Caio, apenas umas poucas negativas. O restante era elogio ao homem que, conforme Ricardo Gondim, é ícone da Teologia da Missão Integral. Genizah e Púlpito Cristão, que ferrenhamente combatem a chamada Teologia da Prosperidade, ferrenhamente promovem a Teologia da Missão Integral. O perfil comum dos maiores inimigos dos neopentecostais é a adulação ao progressismo e seus líderes.
Rev. Caio Fábio recebendo candidato presidencial Lula em seu programa evangélico de TV em 1994: o maior pastor presbiteriano do Brasil fazendo propaganda do maior socialista do Brasil
Ao passo que Caio Fábio e Cavalcanti trabalhavam para “desdemonizar” o PT, eles e seus camaradas evangélicos esquerdistas estavam trabalhando para demonizar o neopentecostalismo por sua resistência à Teologia da Missão Integral. (Igrejas pentecostais, principalmente neopentecostais, costumavam ver o socialismo como demoníaco.) A fim de vacinar suas congregações contra o que chamavam de contaminações das igrejas neopentecostais, pastores presbiterianos e de outras denominações induziam assinatura coletiva da revista Ultimato para suas igrejas, especialmente os líderes, nas décadas de 1980 e 1990. Assim, bebiam, diretamente das páginas da revista, os textos esquerdistas de Robinson Cavalcanti, Ricardo Gondim e Paul Freston, dos quais eram membros de carteirinhas do PT colunistas de peso na revista presbiteriana. Caio Fábio, um ex-colunista da Ultimato, não era membro oficial do partido de Lula, mas tinha encontros com ele.
Entre os livros publicados pela Editora Ultimato está “O Novo Rosto da Missão”, escrito pelo Rev. Luiz Longuini, da Igreja Presbiteriana do Brasil, um pastor casado quatro vezes. O livro, que tem sido importante referência em obras da Teologia da Missão Integral, não é o único livro promovendo essa teologia esquerdista publicada pela Ultimato, fundada por um líder presbiteriano.
É com os anticorpos da Teologia da Missão Integral que Ultimato vacinava líderes e congregações contra o neopentecostalismo, dando aos seus notórios articulistas esquerdistas renome por atacarem doutrinas neopentecostais e defenderem doutrinas da esquerda.
Hoje, ao atacarem a Teologia da Prosperidade, os “mestres” da Teologia da Missão Integral fazem uma média garantida diante de inúmeros pastores adeptos dessa teologia esquerdista, ganhando isenção de toda crítica. Afinal, o Brasil vive uma temporada livre de caça às igrejas neopentecostais. Por determinação de uma minoria de pastores liberais e pelo silêncio da maioria, é proibido colocar a Teologia da Missão Integral nessa temporada.
Genizah é um tabloide religioso fundado por Danilo Fernandes, calvinista liberal radical e amigo de peito de Caio Fábio. A principal missão do Genizah é vacinar contra o neopentecostalismo mediante deboches e escândalos muitos vezes fabricados ou inchados, num caso fascinante onde o dono do tabloide, que tem problemas na justiça por questões financeiras, aplica métodos empresariais para fazer muito dinheiro acusando Silas Malafaia e líderes neopentecostais de fazerem muito dinheiro.
O caráter demonizador e debochador da esquerda evangélica brasileira tem oscilado entre Ultimato (com ataques diplomáticos ao conservadorismo evangélico) e Genizah (com ataques arruaceiros), que dessatanizam a esquerda e, em seu lugar, colocam os neopentecostais para serem satanizados. Esse caráter esquerdista majoritariamente calvinista não tem recebido críticas de calvinistas não liberais, que muitas vezes preferem o silêncio por causa da afinidade doutrinária com o cessacionismo — que nega que o Espírito Santo conceda hoje dons sobrenaturais.
Calvinista Danilo Fernandes, dono do tabloide sensacionalista pró-Teologia da Missão Integral Genizah, com seu amigo Caio Fábio
Aparentemente, por amor a essa doutrina, calvinistas não liberais que abrem a boca com críticas pesadas a Silas Malafaia e outros líderes neopentecostais jamais denunciam, ainda que suavemente, os calvinistas Genizah e Ultimato.
Será que o neopentecostalismo é um “pecado” muito maior do que o esquerdismo descarado de igrejas calvinistas e históricas?
Enquanto o socialismo secular, católico e evangélico aponta para um Estado supostamente laico como deus em maior ou menor grau acima de tudo e de todos, com o direito exclusivo de suprir todas as necessidades humanas (quer os cidadãos queiram ou não), cobrando impostos cada vez mais exorbitantes (quer os cidadãos queiram ou não) para suas políticas de provisão. Enquanto isso, as igrejas neopentecostais apontam, sim, para Jesus Cristo como Deus acima de tudo e de todos, com o direito e poder supremo de suprir todas as necessidades humanas (e sem cobrar imposto algum!).
Suprir todas as necessidades humanas é uma promessa que socialistas seculares e cristãos ligam ao Estado socialista e que pregadores neopentecostais ligam a Deus. E é bem fácil ver os mentirosos nessa história, pois só Deus tem o poder exclusivo de suprir todas as necessidades humanas.
Eu discordo totalmente do modo como muitas igrejas neopentecostais arrecadam dinheiro. Mas, mesmo com todo o seu exagero, há uma diferença colossal: por maior que seja a pressão psicológica para você ofertar, você não é obrigado. Se você não der nada, o pastor não poderá multá-lo, indiciá-lo ou prendê-lo.
Em contraste, quando o governo lhe “pede” por meio de impostos, você não tem escolha nenhuma. Se você não der, você acaba em sérios apuros legais. Você é obrigado a dar hoje quase 40% do seu salário em impostos, e essa cobrança abusiva é justificada pelos socialistas seculares, evangélicos e católicos como necessária para o governo suprir todas as necessidades humanas — uma promessa evidentemente impossível de ser cumprida por qualquer mortal.
Esses socialistas se queixam constantemente do “roubo” que as igrejas neopentecostais fazem, mas jamais param para avaliar ou condenar a voracidade estatal, e se calam quando os esquerdistas promovem gayzismo, aborto, feminismo, bruxaria sob a capa estatal de cultura afro-brasileira, etc. Toda essa agenda anticristã é sustentada com o dinheiro de quem? Do dinheiro que é roubado com a força da lei de todos os seus cidadãos-vítimas, inclusive de cristãos.
A perseguição aos cristãos e a iniquidade estão sendo institucionalizadas com o apoio das igrejas e com o dinheiro de impostos cobrados abusivamente de seus membros. A sacralização do homossexualismo e do assassinato de bebês mediante o aborto está sendo promovida muitas vezes com a “bênção” da igreja através de líderes que se calam ou juntam as mãos com os próprios promotores do mal.
Os seguidores do PT: oportunistas ou ideológicos
O PT e outros partidos socialistas estão determinados a impor o aborto e o homossexualismo no Brasil. O único impedimento que eles veem é o testemunho ousado dos telepastores neopentecostais — evidentemente, isso não inclui Bispo Edir Macedo e IURD, que embarcaram no apoio ao PT e ao aborto anos atrás.
Excetuando a IURD, cujo fundador e chefão segue a ideologia do aborto, todas as outras igrejas neopentecostais se opõem ao aborto e homossexualismo. R. R. Soares, por exemplo, fala claramente contra o aborto e o homossexualismo em seus programas. Silas Malafaia então é muito mais enérgico.
Mas por que o PT iria ver essas igrejas neopentecostais midiáticas como a única ameaça ao controle absoluto do PT sobre a sociedade?
O PT percebe que quando essas igrejas o apoiam, o fazem exclusivamente por interesse, não ideologia.
O PT não vê igrejas neopentecostais doutrinando suas congregações no socialismo. O PT não as vê usando suas revistas e sites ensinando que o socialismo é a salvação da sociedade.
Os líderes dessas igrejas só se aproximam do PT em épocas de eleição por oportunismo. A atitude deles é movida por puro interesse, ainda mais que o governante terá o poder de decidir concessões de rádio e televisão, assuntos importantes para as igrejas neopentecostais.
Em contrapartida, outros grupos evangélicos, que majoritariamente não pertencem aos neopentecostais, têm muito mais que interesse, usando suas revistas e outras publicações para promover o socialismo, com toda a sua carga de aborto e homossexualismo que vem inevitavelmente em seu rastro. Grandes revistas evangélicas do Brasil regularmente doutrinam o público a ver no socialismo a solução para os problemas da sociedade. O governo socialista petista, com toda sua frenética corrida para institucionalizar a iniquidade, é maquiado e até louvado por eles. Esses evangélicos são movidos por ideologia.
O PT não está preocupado com líderes evangélicos que são movidos por ideologia, pois quer ateu ou evangélico, quem segue o PT por convicção é um servo fiel e devoto. Seu apoio é garantido — ou para o partido ou para a ideologia socialista, que no final das contas dá no mesmo.
Mas um apoio que vem por interesse nunca é garantido. É por isso que o PT tem tanta desconfiança dos líderes neopentecostais: Por não serem movidos pela ideologia socialista, esses líderes podem criticar abertamente as políticas pró-aborto e pró-homossexualismo do PT, ou mesmo abandonar o barco petista a qualquer momento.
Esse é um ótimo sinal. O que não é um bom sinal é que perdemos a prioridade nas críticas.
Muitos pastores que criticam Silas Malafaia pela Teologia da Prosperidade — não por seu oportunismo político — fazem vista grossa a outros graves pecados. Eles o criticam, enquanto vivem abraçados à Teologia da Missão Integral e outras teologias que facilitam a aceitação do socialismo como salvação social.
O que não é de surpreender é que, para o PT, o Genizah e mídias evangélicas semelhantes não representam nenhuma ameaça ao avanço da institucionalização socialista da iniquidade. A ameaça são as igrejas neopentecostais, que também são alvos regulares de zombarias do Genizah.
Malafaia não é perfeito, mas ele tem feito um trabalho estupendo de mobilizar a população contra o PLC 122. Em contraste, o Genizah nunca fez tal mobilização e ainda insinua que os que fazem são “extremistas”. Ativistas gays aplaudem o liberalismo do tabloide calvinista.
Tempos atrás, um pastor assembleiano que comentou no meu blog se apresentou dizendo: “Sou petista por entendimento ideológico”. Ao ser refutado por mim e por outros leitores do meu blog, o pastor, que dirige uma Assembleia de Deus de Brasília, prontamente se defendeu, usando o pretexto de que sua presença no PT era para “evangelizar” e que qualquer oposição a ele como petista equivaleria à oposição a um santo trabalho de evangelização.
Para evangelizar bruxos tenho necessidade de dizer “Sou bruxo por entendimento ideológico”?
Para evangelizar homossexuais tenho necessidade de dizer “Sou homossexual por entendimento ideológico”?
Portanto, há dois tipos de evangélicos (e por extensão outros cristãos) apoiando o PT.
1. Há os evangélicos que seguem o PT por interesses, para não perderem suas concessões de rádios e TVs. A maioria deles são líderes neopentecostais.
2. Há os evangélicos que seguem o PT porque, descaradamente ou não, são socialistas por entendimento ideológico. A maioria deles não são neopentecostais, e o PT não está preocupado com nenhum deles.
Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil sem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Elias
É dentro dessa realidade de liderança espiritualmente enferma que os evangélicos do Brasil têm de atuar.
Em resposta aos esforços do PT para neutralizar os telepastores neopentecostais, Silas Malafaia se pronunciou dizendo: “Não demonizo partido político nenhum. Como todos sabem, já votei em Fernando Henrique, Lula e Serra.”
Pode uma declaração assim refletir o espírito de um profeta? Elias nunca teve seu nome registrado num cartaz de apoio político ao rei Acabe. Em contraste, Malafaia não apenas votou em políticos pró-aborto e pró-homossexualismo. Só isso já seria um erro suficientemente preocupante para um líder cristão. Ele fez muito mais do que isso: ele deu seu nome para panfletos de apoio a esses políticos. Ele levou, por seu mau exemplo, multidões de pessoas a votar nos políticos mais pró-aborto e pró-homossexualismo do Brasil e do Rio de Janeiro. Foi, por exemplo, o que ocorreu em 2002, onde ele, junto com muitos outros líderes evangélicos, assinou documento público de apoio a Lula, com todas as consequências que hoje conhecemos muito bem e que um profeta genuíno teria visto de longe.
Naquela época, denunciei a aliança evangélica pró-Lula que envolvia a união de igrejas tradicionais (Nilson Fanini, Guilhermino Cunha, Robinson Cavalcanti, etc.), pentecostais (Jabes Alencar, Silas Malafaia, etc.) e neopentecostais (Marcelo Crivella, Estevam Hernandes, Robson Rodovalho, etc.).
Enquanto os líderes evangélicos mais poderosos do Brasil estavam apoiando Lula e o futuro governo petista, eu estava clamando no deserto. (Em 2002, o presidente de uma denominação evangélica chegou a exigir que eu não mais lhe enviasse e-mails “criticando” Lula e seu histórico ideológico, deixando claro que ele, como membro de carteirinha do PT, estava muito ofendido com meus alertas.)
Mesmo depois de ver todos os ataques à família brasileira no primeiro mandato de Lula, Malafaia apoiou sua reeleição, mostrando um lado obstinado e cego de seu caráter evangélico. Nessa altura, em 2006, a obsessão pró-homossexualismo de Lula estava bem patente, nacional e internacionalmente. Se ele estava tentando ser um moderno rei Acabe, ele conseguiu. Ainda assim, em vez de levar um recado de repreensão para Lula, Malafaia preferiu, conscientemente e bem informado, levar apoio político. Se ele estava tentando ser um profeta, não conseguiu.
Por isso, o certo não era Malafaia dizer limitadamente em sua declaração pública: “Votei em Fernando Henrique, Lula e Serra” — esquecendo-se de mencionar Sérgio Cabral, o governador mais pró-aborto e pró-homossexualismo da história do Rio de Janeiro.
A declaração de Malafaia deveria incluir o que ele realmente fez: “Votei, apoiei e promovi, com meu nome assinado, todas essas criaturas, inclusive Lula, o presidente mais pró-aborto e pró-homossexualismo da história do Brasil”. Ele também deveria ter dito: “Incentivei multidões de pessoas a votar nos políticos mais pró-aborto e pró-homossexualismo da história do Brasil e do Rio de Janeiro”. Seria duro confirmar essa verdade, assim como seria desagradável Elias dizer: “Eu, como profeta do Senhor, votei, apoiei e promovi, com meu nome assinado, Acabe, o rei mais pró-aborto e pró-homossexualismo da história de Israel, e incentivei todo o povo de Israel e votar nele”.
Malafaia também disse: “Voto em pessoas e não em partidos”. Isso justifica votar, apoiar e promover sistematicamente pessoas que têm histórico ideológico contra a família e contra o Cristianismo? Isso justifica incentivar multidões de evangélicos a votar em pessoas que têm histórico ideológico contra a família e contra o Cristianismo?
É esquizofrênico lutar contra o aborto e o homossexualismo e votar, apoiar e promover políticos que promovem esses males. É igualmente esquizofrênico lutar contra o aborto e o homossexualismo e incentivar igrejas a votar nesses políticos. É como alguém que luta contra um grande incêndio, mas de vez em quando joga gasolina na fogueira. É como ver um cão correndo tentando agarrar o próprio rabo.
Elias era um homem que lutava contra os incêndios da iniquidade social sem jogar gasolina na fogueira. Mas o Brasil não tem esse tipo de homem.
Cumplicidade e silêncio versus cumplicidade versus testemunho imperfeito dos cristãos do Brasiltestemunho imperfeito dos cristãos do Brasil
O que o Brasil tem, majoritariamente, são 1) cristãos que votam e promovem o PT ou outros partidos socialistas (PSDB, PSOL, etc.) e se calam, e 2) cristãos que votam e promovem o PT ou outros partidos socialistas (PSDB, PSOL, etc.) e não se calam.
Ficar em silêncio diante da institucionalização do pecado é pecado! Abrir a boca contra a institucionalização do pecado e promover quem a faz é melhor do que o silêncio, mas é também pecado.
Entretanto, como o Brasil não tem um Elias ou João Batista, ficamos com a opção imperfeita de apoiar líderes cristãos que pelo menos abrem a boca. Esse é o caso de Silas Malafaia. Embora ele tenha jogado muita gasolina na fogueira que está combatendo, pelo menos ele não está como muitos outros, que igualmente jogaram muita gasolina na fogueira e hoje silenciam ou amenizam os perigos da fogueira.
Claro que o Brasil precisa de um homem que abra a boca sem jogar gasolina na fogueira. Esse seria o ideal de Deus. Um homem que denuncia o pecado e diz aos “reis” do Brasil: “Assim diz o Senhor”. Um homem que, mesmo perdendo suas concessões de rádio e TV, proclamaria suas mensagens nas esquinas das ruas ou nas esquinas da internet.
Na ausência de um profeta Elias ou de um João Batista no Brasil, façamos o que Jesus nos ensinou:
“Por isso vocês devem obedecer e seguir tudo o que eles dizem. Porém não imitem as suas ações, pois eles não fazem o que ensinam.” (Mateus 23:3 BLH)
Essas palavras de Jesus podem também ser parafraseadas assim:
“Por isso vocês devem obedecer e seguir tudo o que eles dizem em defesa da família. Mas não imitem as suas ações de votar, apoiar e promover políticos anti-família, pois eles não fazem o que ensinam.”
Uns consentem só com ações; outros com palavras e ações. Portanto, saibamos discernir o que fazer diante das omissões totais ou parciais.
Quando eles nos ensinarem contra o aborto e o homossexualismo, ouçamos e pratiquemos.
Mas não imitemos as ações deles. Quando eles votarem em políticos anti-família, não os imitemos.
Quando eles apoiarem e promoverem políticos anti-família, não os imitemos.
Lembremo-nos de suas palavras e mensagens em defesa da família, mas não imitemos o que fazem em épocas de eleição, jogando gasolina na fogueira. Ignoremos completamente suas irresponsáveis indicações políticas quando não praticam o que pregam. Afinal, essa foi a ordem de Jesus: seguir o que eles ensinam de bom e não imitar o que fazem de hipócrita.
Por isso, em obediência às palavras de Jesus, sigamos tudo o que Malafaia e outros ensinam sobre aborto e homossexualismo, mas não imitemos suas ações. Defendamos tudo o que Malafaia ensina em defesa da família, mas não o imitemos quando ele joga gasolina na fogueira. Pelo contrário, vamos jogar água na fogueira, repudiando indicações políticas irresponsáveis.
Impostos, impostos, impostos!Impostos, impostos, impostos!Impostos, impostos, impostos!Impostos,
Seja por ideologia ou oportunismo, o envolvimento irresponsável dos evangélicos na política está colaborando para o inchamento de um Estado que arrecada impostos cada vez mais elevados. E a arrecadação abusiva de impostos provoca dois efeitos:
1) deixa, no bolso do cidadão trabalhador, menos de seus próprios recursos para cuidar de sua família.
2) acaba, muitas vezes, no bolsos de políticos piranhas.
Só vai a uma igreja neopentecostal quem quer. E depois que você entrou em tal igreja, só dá quem quer. Ninguém é obrigado a dar nada. Mas com o governo é vastamente diferente. Ninguém tem a opção de isenção. Todos são alvos e vítimas do Estado voraz e sua cobrança insaciável de impostos. Mas os socialistas acobertam, justificam e desculpam esse mega-roubo onipresente praticado por um governo assistencialista. O que eles não perdoam são as igrejas neopentecostais que arrecadam dízimos e ofertas sem o uso da lei e do Estado.
Mas os socialistas seculares, evangélicos e católicos não estão preocupados com os políticos milagreiros estatais que não dão liberdade nem direitos aos cidadãos. Eles estão preocupados com o que eles chamam de “milagreiros” cristãos que pedem ofertas demais para cidadãos que vão voluntariamente às suas igrejas. Eles estão incomodados com o que eles chamam de “milagreiros” cristãos, que apontam para Deus, não o Estado, como solução para todas as necessidades da sociedade.
De suas confortáveis poltronas e gabinetes bem equipados, líderes socialistas, movidos por inveja, miram as igrejas neopentecostais. A “concorrência” os está incomodando. Eles querem ser os únicos milagreiros no centro da admiração dos pobres e da sociedade, não só das universidades e meios de comunicação, onde eles e sua ideologia são idolatrados de forma absoluta.
Se há um mandamento que as universidades e meios de comunicação obedecem sem questionar é: “Não terás outros deuses diante de mim”. Eles de fato não dão espaço algum para outros. Só o esquerdismo reina como um deus no meio deles.
Mesmo com todo esse poderio, os líderes socialistas seculares ainda se sentem incomodados com os neopentecostais.
O mesmo incômodo afeta esquerdistas religiosos, mas, por causa de um ranço teológico comum, até mesmo religiosos não socialistas aceitam, de bom grado ou não, uma aliança improvável, escancarando a boca contra os “pecados” neopentecostais e ao mesmo fazendo vista grossa para horrendas contaminações progressistas dentro das igrejas.
O evangélico progressista vê apenas a concorrência ideológica, com sua visão de reino socialista deste mundo como manifestação do Reino de Deus. De forma diferente, o protestante tradicionalista vê não somente a concorrência religiosa, mas também as questões espirituais. Mesmo que todas as igrejas neopentecostais abandonassem a Teologia da Prosperidade, protestantes tradicionalistas as rejeitariam, pois eles não conseguem enxergar como manifestações de Deus experiências atuais como dons de visão, profecia, línguas, etc.
Por isso, a hostilidade comum ao neopentecostalismo cria uma aliança estranha entre religiosos progressistas e tradicionalistas.
De suas confortáveis poltronas e gabinetes pastorais bem equipados, pastores e teólogos de linhas tradicionalistas e progressistas se unem para criticar os pastores da Teologia da Prosperidade. Essa união “informal” é feita graças a um pacto de não agressão não declarado: enquanto atacam a Teologia da Prosperidade criticando seus pastores por nome (Silas Malafaia, R.R. Soares e outros que estão na lista negra), os tradicionalistas e progressistas não se atacam nominalmente.
Os progressistas só vão parar de criticar os neopentecostais depois que os neopentecostais abraçarem a Teologia da Missão Integral.
Os tradicionalistas só vão parar de criticar os neopentecostais depois que os neopentecostais abandonarem a Teologia da Prosperidade, e depois que abandonarem falar em línguas, profecias, expulsão de demônios, etc. Mas as exigências teológicas, com certeza, não vão parar por aí.
Um crítico antineopentecostal merece o título apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?
Sim, ele mereceria, se denunciasse também a Teologia da Missão Integral e o cessacionismo — que atribui ao diabo profecias, revelações e outros dons do Espírito Santo hoje. O problema principal é que muitos que criticam os neopentecostais são tradicionalistas adeptos ou coniventes da Teologia da Missão Integral ou do cessacionismo.
Mesmo assim, são colocados na lista de preletores de conferências cristãs, como se suas ideias fossem honestas ou sensatas.
Os donos das conferências, aparentemente coniventes, nunca cobraram deles: “Você passou anos atacando Silas Malafaia, R.R. Soares e outros telepastores neopentecostais, mas nunca criticou Ariovaldo Ramos e outros promotores da Teologia da Missão Integral, inclusive o Genizah. Você também nunca atacou o cessacionismo. Como quer que eu veja você como um honesto defensor do Evangelho?”
Proeminentes adeptos de uma apologética cristã seletiva atacam, ao menor sinal, qualquer deslize de líderes pentecostais, mas fazem vista grossa às heresias descaradas de intocáveis sacerdotes da Teologia da Missão Integral. O que aconteceria, por exemplo, se Malafaia ou R. R. Soares tivessem feito a seguinte declaração?
“Para mim, esse universo é sagrado… O sagrado habita o mundo inteiro… Se não tenho uma visão que sacraliza o cosmos e toda a criação, eu preciso no mínimo fazer uma segunda reflexão…”
Essa declaração, patentemente panteísta, teria derrubado Malafaia e Soares, se eles a tivessem declarado. Contudo, seu verdadeiro autor nunca enfrentou problemas. Essa declaração foi feita em 12 de agosto de 2004 no seminário “A Igreja e os Programas Sociais do Governo Federal e A Igreja e a Bioética”. O seminário foi realizado no Congresso Nacional com o patrocínio do Movimento Evangélico Progressista e da bancada evangélica do PT. Desde 2004, quando as declarações panteístas foram feitas, nunca renderam ao autor, Caio Fábio, nenhuma acusação, denúncia ou incômodo por parte dos eternamente raivosos apologetas do mundo gossip — palavra inglesa que significa fofoca e o hábito de transmitir informações escandalosas, sensacionalistas e muitas vezes inexatas da vida privada dos outros. Por essa questão séria, vê-se que o alvo deles não é defender a sã doutrina nem combater heresias, mas mirar os neopentecostais. Caio Fábio e sua heresia panteísta de quase uma década de idade só escaparam dos apologetas do mundo gossip porque ele não é neopentecostal. Se ele fosse neopentecostal, teria sido denunciado por muito menos.
Alianças estúpidas
Os tradicionalistas não atacam a Teologia da Missão Integral mencionando Ariovaldo Ramos, Robinson Cavalcanti e outros figurões progressistas. Por sua vez, os progressistas devolvem o favor, nunca condenando por nome os tradicionalistas.
De seus casarões e carrões, muitos tradicionalistas e progressistas condenam as maiores mansões e carrões de líderes neopentecostais.
Condenam a Teologia da Prosperidade, mas vivem um luxo eclesiástico que deixaria Jesus e os apóstolos com aparência de meros mendigos iletrados.
Um pastor presbiteriano (estou usando este exemplo porque Ultimato e outros críticos progressistas se consideram calvinistas, inclusive o Genizah) de igreja pequena de cidade do interior de São Paulo ou Minas recebe uma média de 10 salários mínimos. (Se eu recebesse essa quantia, eu me consideraria rico!) Já um pastor presbiteriano de igreja grande em cidade grande recebe um salário muito superior a isso.
Embora Silas Malafaia, R. R. Soares e outros proeminentes pastores neopentecostais recebam super-salários, normalmente pastores neopentecostais de igrejas pequenas em cidades pequenas recebem muito, muito menos de 10 salários, e ainda fazem cultos quase todos os dias, enquanto pastores de igrejas calvinistas recebem muito para fazer geralmente apenas um ou dois cultos por semana.
Num caso específico, relatado a mim por um pastor presbiteriano, um pastor presbiteriano de uma igreja muito pequena recebia cerca de 10 mil reais por mês. Ele recebia também moradia, automóvel, auxílio-combustível, etc. Seu trabalho era fazer um culto por semana e um dia de aconselhamento.
Então, quando vemos um grande calvinista condenando a prosperidade de uma minoria de líderes neo-pentecostais, temos também a liberdade de perguntar quanto ganha o crítico.
Condenam a Teologia da Prosperidade, mas jamais renunciam à sua própria prosperidade. Ambos os grupos têm uma prosperidade que reflete a humildade de Jesus?
A motivação das críticas, é claro, envolve muito mais do que só “apologética”. Envolve inveja e outros sentimentos nada cristãos encarapuçados de preocupações teológicas.
Outros, como o tabloide sensacionalista Genizah, se enriquecem debochando de neopentecostais, e ainda posam de “defensores da fé” e “apologéticos”. O dono do Genizah é um empresário com o nome sujo em questões financeiras. Mesmo assim, continua com negócios financeiros escusos, em termos de ética cristã, ao fazer muito dinheiro com deboches e mau-caratismo. Esses “apologetas”, com sua ganância escondida, promovem amplamente figurões progressistas e liberais como Caio Fábio, Ariovaldo Ramos e Robinson Cavalcanti. Mas não são tachados nominalmente de progressistas por figurões tradicionalistas.
Confirma-se assim que um discreto ou secreto pacto de não agressão mantém os progressistas em silêncio com relação às diferenças com os tradicionalistas e vice-versa. Por amor ao “inimigo” comum, eles se dispõem a colocar as diferenças de lado. Não é a toa que o Genizah, cujo dono se gaba de ser calvinista, tenha sempre espaço no seu tabloide para textos de dinossauros progressistas como Robinson Cavalcanti e Caio Fábio, ao lado de textos de pastores não progressistas como Augustus Nicodemus (tradicionalista que acredita que profecias, visões e outros dons espirituais cessaram dois mil anos atrás, tornando inaceitáveis as experiências espirituais atuais de pentecostais e neopentecostais), mas nunca um único texto positivo de Silas Malafaia, que crê que profecias, visões e outros dons espirituais nunca cessaram. A hostilidade comum une tradicionalistas e progressistas.
De forma diferente, o progressismo do Genizah sempre mira, com deboches, meu blog. Eu não condeno os neopentecostais por tudo o que estão fazendo em favor da vida e da família, sendo impossível, para mim, fazer um pacto de não agressão com Genizah e criaturas semelhantes só por amor a ranços teológicos e ideológicos e invejas financeiras. Apoio Silas Malafaia, com restrições. Apoio tudo o que ele faz para defender a vida e família. Apoio-o também na crença de que os dons espirituais são para hoje. Mas desaprovo todas as alianças e interesses dele com políticos anti-família e anti-vida.
Não é só dos progressistas e tradicionalistas que os neopentecostais sofrem ataques. Alguns pentecostais, ávidos de ganhar favores de tudo e de todos, fazem vista grossa às aberrações progressistas e à postura tradicionalista de rejeitar profecias e visões como manifestações atuais de Deus, mas se juntam aos progressistas e tradicionalistas para condenar os neopentecostais. Cada um seguindo ambições carnais travestidas de preocupações teológicas.
O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista O maior obstáculo para o total avanço socialista
Por que não colocar os interesses de Deus acima dos interesses humanos? Por que ajudar, diretamente ou não, a fortalecer a esquerda secular, que está incomodada com os neopentecostais? Primeiro, foi Gilberto Carvalho, figura sinistra do PT, declarando que a única oposição ao socialismo no Brasil são as posições conservadoras de telepastores como Silas Malafaia e R.R. Soares que, ao serem confrontados com questões de aborto e homossexualismo, falam publicamente o que o PT não quer ouvir, falam o que está na Bíblia e educam suas imensas audiências na defesa da família, atrapalhando assim a hegemonia imoral da revolução marxista no Brasil.
José Dirceu, outra figura sinistra do PT, demonstrou o mesmo incômodo. Afinal, o PT e outros partidos socialistas estão determinados a impor o aborto e o homossexualismo no Brasil. O único impedimento que eles veem são os telepastores neopentecostais.
Enquanto Jean Wyllys declara que os calvinistas são seus aliados, o PT diz que seu inimigo principal é o neopentecostalismo. E os calvinistas tradicionalistas, querendo ou não, acabam confirmando a declaração do deputado gayzista, ao se unirem aos teólogos progressistas do Genizah e seus parceiros — que exaltam a ideologia esquerdista — para difamar sistematicamente o neopentecostalismo, que se mostra hoje como a única força cristã com capacidade de expulsar ou pelo menos confrontar os demônios do messianismo socialista que possuem o governo.
Desgraçadamente, eles usam muito mal o vasto conhecimento “bíblico” que têm. Líderes tradicionalistas e progressistas — que em grande parte têm formação teológica — são especialistas em afrontar a Deus em grego, hebraico e aramaico e mostram plenamente esses dons quando apoiam a Teologia da Missão Integral e atacam pastores neopentecostais, uma boa parte dos quais são caipirões, que mal entendem o português, mas são muito ousados no testemunho público! Em parte, esse quadro me faz recordar os teólogos judeus irados depois que dois apóstolos de Jesus haviam operado um milagre de cura:
“Observando a coragem de Pedro e de João, e tendo notado que eram homens simples e iletrados, ficaram perplexos e reconheceram que eles haviam convivido com Jesus”. (Atos 4:13 KJA)
Inegavelmente, as igrejas neopentecostais têm hoje a maior força para destronar o papel negativo do Estado como controlador e determinador de questões morais como aborto e homossexualismo. Como bem reconheceu Olavo de Carvalho, a Marcha para Jesus de 2011, onde Silas Malafaia denunciou, diante de mais de 5 milhão de pessoas, o PLC 122 e a tirania do STF a favor da agenda gay, foi a maior manifestação do Brasil contra os mandos e desmandos imorais do PT. Apesar disso, críticos progressistas e tradicionalistas do mundo gospel se uniram para condenar a manifestação da Marcha para Jesus.
As igrejas neopentecostais destronaram a Teologia da Missão Integral de sua posição de poder na década de 1980, impedindo uma unificação — sob Caio Fábio, Robinson Cavalcanti, revista Ultimato e outros — das igrejas evangélicas do Brasil em torno de uma ideologia esquerdista mascarada de “evangelho puro”.
Com o devido apoio (não hostilidade movida por inveja e ranço teológico), as igrejas neopentecostais poderiam fazer muito mais para destronar o socialismo de outras esferas da sociedade, ajudando a resgatar famílias, crianças e igrejas de selvagens intrusões estatais. Sem apoio, há o perigo de essas igrejas também entrarem, à semelhança da IURD, na órbita socialista, deixando o caminho aberto para a Teologia da Missão Integral reocupar seu trono.
Humildade para todos
Eu gostaria que as igrejas neopentecostais continuassem pregando Deus como suprema fonte de provisão para todas as necessidades das pessoas e da sociedade e continuassem desafiando os pobres a buscarem a Deus como suprema fonte de provisão para todas as necessidades humanas. Mas gostaria também que seus líderes se enriquecessem somente por bênção de Deus, não a custa das ovelhas. Gostaria que eles fizessem a opção de uma vida mais humilde.
De forma semelhante, pastores e teólogos tradicionalistas e progressistas deveriam também abdicar de seu estilo de vida luxuoso, carrões e casarões para viver uma vida humilde.
Vivendo humildemente, todos eles teriam mais paixão de pregar Deus como suprema fonte de provisão para todas as necessidades de todas as pessoas.
E, vivendo humildemente, todos eles teriam mais paixão de fazer a vontade profética de Deus, condenando publicamente, assim como fez João Batista, os políticos imorais e os roubos do Estado “milagreiro”, que promete tudo e rouba tudo.
Até quando toleraremos cargas abusivas de impostos em troca de esfarrapadas promessas “milagreiras” de moradia, saúde, educação e emprego? Até quando toleraremos a mentira de que políticas socialistas invasivas que escravizam o bolso, a alma, a moralidade e o coração dos cidadãos espelham o Reino de Deus?
Se até Tiradentes, que não era profeta, se revoltou contra uma cobrança abusiva de 20% de impostos, por que é que os líderes cristãos não podem imitar João Batista e condenar a atual cobrança abusiva maior de 40% de impostos, uma violação flagrante do governo brasileiro contra o povo e contra o mandamento divino que proíbe a todos, inclusive o Estado, de roubar?
Para os leitores internacionais: Tiradentes, apelido de Joaquim José da Silva Xavier (16 de agosto de 1746—21 de abril de 1792), foi um dos líderes do movimento revolucionário brasileiro cujo objetivo era a independência total de Portugal e criar uma república brasileira. Tiradentes e seus companheiros se inspiraram na independência dos Estados Unidos. Assim como alguns dos revolucionários americanos, eles eram maçônicos, mas não tinham os alicerces cristãos fortes que possibilitaram a extraordinária vitória de George Washington e outros americanos. A ironia trágica é que Tiradentes lutou contra um imposto de 20%, e hoje o Estado brasileiro cobra um imposto de 40% do povo brasileiro!
Versão em inglês deste e-booklet: Theology of Liberation versus Theology of Prosperity
Versão em espanhol deste e-booklet: Teología de la Liberación versus Teología de la Prosperidad
Fonte: www.juliosevero.com
Leituras adicionais na internet:
A esquerda apologética e o neopentecostalismo
Sensacionalismo gospel vermelho: tabloide calvinista Genizah canoniza protestantes que sofreram consequências por sua colaboração com o comunismo no Brasil
Pentecostais do Brasil: Crescimento da igreja em risco por causa do socialismo
Esquerda continua incomodada com neopentecostais
“Robinson Cavalcanti, o pecado veio cobrar a sua conta”: Uma resposta pública a Renato Vargens e aos defensores de suas incoerências
Extremismos liberais e ortodoxos da igreja evangélica brasileira
Silas Malafaia e seu apoio a FHC, Lula e Serra
Teologia da Missão Integral
Teocracia socialista: a tirania em nome da compaixão
Críticos do mundo gospel atacam tudo, menos a heresia progressista
O governo não é Deus
Jesus e os pobres: nenhuma semelhança com o socialismo
A Grande Mentira: O Socialismo Começou na Bíblia
Por que não sou socialista
Evangélicos progressistas, evangelicais ou encaPeTados?
Genizah, Ultimato e Rio de Paz: Alianças que atrapalham o testemunho cristão e ajudam o socialismo
Os críticos e os criticados nas igrejas evangélicas: quem nos salvará?
Entrevista de Julio Severo ao site Gospel Prime
Pastor assembleiano mantém seu nome em tabloide calvinista liberal custe o que custar
Marcha para Jesus atrai 5 milhões de pessoas e incomoda críticos
Eles estão entre nós: ativistas gays “cristãos”
Medo de perder eleições leva PT a evitar debate sobre aborto
Nero e seus amigos estão entre nós
ProsperidadProsperidade
Julio Severo
www.juliosevero.com
juliosevero@outlook.com
2013
T E O L O G I A L I B E R T A Ç Ã O V E R S U S T E O L O G I A D A P R O S P E R I D A D E — J U L I O S E V E R O
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Conteúdo
Recomendações ................................................................................................ 2
Teologia da Libertação versus Teologia da Prosperidade ................................. 3
Introdução .......................................................................................................... 3
A destronação da Teologia da Missão Integral e a demonização do neopentecostalismo. .......................................................................................... 5
Neopentecostalismo destrona Teologia da Missão Integral ............................... 6
Os precursores da Teologia da Libertação ........................................................ 7
O “profeta” do “diálogo” da Teologia da Missão Integral .................................... 9
Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Missão Integral ........................ 10
Frustração dos cabeças da Teologia da Missão Integral com os neopentecostais ............................................................................................... 11
A vitória dos pobres e a vitória do “diálogo” progressista ................................ 12
Teologia da Missão Integral e extremismo anticonservador ............................ 14
Teologia da Missão Integral demoniza neopentecostalismo ............................ 15
Socialismo versus neopentecostalismo ........................................................... 17
Os seguidores do PT: oportunistas ou ideológicos .......................................... 18
Um Brasil sem um Elias ................................................................................... 20
Cumplicidade e silêncio versus cumplicidade e testemunho imperfeito dos cristãos do Brasil .............................................................................................. 22
Impostos, impostos, impostos! ......................................................................... 23
Um crítico antineopentecostal merece o título de apologeta? ......................... 25
Alianças estúpidas ........................................................................................... 26
O maior obstáculo para o total avanço socialista no Brasil .............................. 27
Humildade para todos ...................................................................................... 29
Leituras adicionais na internet: ........................................................................ 30
T E O L O G I A L I B E R T A Ç Ã O V E R S U S T E O L O G I A D A P R O S P E R I D A D E —
J U L I O S E V E R O
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É muito importante se conscientizar das invasões que a ideologia marxista tem feito em alguns ramos do Cristianismo. Na América Latina, o conceito de aparência bonita chamado de misión integral (missão integral) se revelou no final como uma plataforma sutil para políticas esquerdistas. Julio Severo compreende isso e desmascara de forma habilidosa essas ideias potencialmente prejudiciais em seu livro, Teologia da Libertação versus Teologia da Prosperidade. Nesse livro, ele ajuda a revelar a realidade que dá para se produzir com eficácia mudança social ainda mais profunda e mais permanente da pobreza para a prosperidade proclamando-se e praticando-se a doutrina bíblica do Reino, abrindo a porta para o poder transformador do Espírito Santo. Este é um livro que muito recomendo!
— Dr. C. Peter Wagner, vice-presidente de Global Spheres, Inc., autor de muitos livros publicados em várias línguas, inclusive português.
Julio Severo enfatiza uma realidade dos cristãos no Brasil que se revela em outros países também. Igrejas e teólogos liberais tentam unir a fé cristã ao socialismo, uma filosofia política secular. O resultado: em grande parte eles falam uns com os outros enquanto a influência e o número de membros de suas igrejas diminuem. Enquanto isso, as igrejas pentecostais estão chegando até os pobres e fracos, e mais recentemente, com a propagação do movimento de renovação espiritual em muitas igrejas, até pessoas de todos os níveis sociais e profissionais. A mensagem dessas igrejas é uma mensagem bíblica e simples sobre a salvação por meio de Cristo, e vida nova no poder do Espírito Santo. Essas igrejas crescem e vidas estão sendo transformadas. Espero que a verdade neste livretinho cause impacto na vida e compreensão de muita gente no Brasil. E, quem sabe, até fora do Brasil!
— Larry Christenson, teólogo e escritor, líder de longa data na renovação carismática entre luteranos do mundo inteiro. Ele é autor dos livros “A Família do Cristão” e “A Mente Renovada”, publicados pela Editora Betânia.há um intenso choque de mundos no Brasil, que é uma das nações mais espíritas do mundo. Indivíduos envolvidos em religiões afro-brasileiras como o candomblé (semelhante à Santeria e vodu) estão experimentando encontros de poder com o Evangelho graças às igrejas neopentecostais.
Nenhuma outra igreja cristã no Brasil tem tanto sucesso em levar multidões de adeptos de bruxaria a Cristo do que as igrejas pentecostais e neopentecostais.
Contudo, essas igrejas enfrentam oposição em massa de igrejas protestantes mais tradicionais, principalmente por causa de sua Teologia da Prosperidade. Essa oposição vem particularmente da blogosfera brasileira, onde a maioria dos blogueiros que se autoproclama apologetas calvinistas ataca incessantemente os neopentecostais.
Apesar disso, eles não atacam a infiltração em massa de ideias liberais e esquerdistas no meio das igrejas e líderes calvinistas do Brasil. Aliás, a maioria deles adota tais ideias.
Eles também atacam o capitalismo, ainda que o economista político Max Weber tenha apontado uma conexão entre o capitalismo e o calvinismo. Eles preferem ser “progressistas,” que, de acordo com o renomado Dicionário Aurélio, significa: “Diz-se de quem, não pertencendo a um partido socialista ou comunista, aceita e/ou apoia, no entanto, os princípios socialistas ou marxistas.”
A atitude deles para com o capitalismo é muito distante da atitude de Calvino e seus sucessores imediatos.
Gayraud Wilmore, em seu livro “African American Religious Studies: An Interdisciplinary Anthology” (Duke University Press Books, 1989, página 12), diz: “A ética social do puritanismo era dirigida para a aquisição e administração apropriada de riqueza como símbolos externos do favor de Deus e consequente salvação do indivíduo.”
O Dicionário Max Weber diz: “De acordo com o calvinismo (mas não de acordo com o próprio Calvino), o acúmulo de riquezas era um dos sinais de que o crente estava entre os eleitos — ‘um sinal da bênção de Deus.’”
O site “A Puritan’s Mind” (A Mente de Um Puritano) diz: “A bênção do Senhor enriquece… E como as riquezas são em si bênçãos de Deus, assim também devemos desejá-las para o curso confortável de nossas condições naturais e civis.”
Nessa altura, dava para se dizer que a Teologia da Prosperidade tem um grande precedente calvinista.
Mas modernos calvinistas de tendência esquerdista têm ideias diferentes sobre seus antigos antecessores e suas opiniões sobre riquezas. É por isso que eles se opõem ferozmente ao capitalismo e ao neopentecostalíssimo.
Não existe uma equivalência total entre neopentecostais no Brasil e os velhos puritanos dos Estados Unidos. Ainda que seus pensamentos sobre riquezas pareçam iguais, suas atitudes para com a feitiçaria são completamente diferentes.
Os puritanos, que eram calvinistas austeros, eram conhecidos, principalmente no início de sua história nos EUA, por sua prática de queimar bruxas, apegando-se provavelmente ao Antigo Testamento. Por causa do elevado número de adeptos de bruxaria no Brasil, eles teriam ficado imensamente sobrecarregados em seus esforços de queimar todos os bruxos.
Em contraste, os neopentecostais brasileiros, com suas ousadas campanhas evangelísticas e choques com os poderes espirituais, expulsam demônios de multidões de adeptos de bruxaria e os levam a Cristo, queimando apenas seus livros, não seus corpos, exatamente conforme está descrito em Atos 19. O preço que eles pagam é sofrer ataques de blogueiros que se autoproclamam apologetas, que ainda que odeiem o capitalismo, se rotulam como descendentes legítimos de Calvino.
Entretanto, o choque de mundos no Brasil não está limitado à bruxaria, que é abundante na sociedade brasileira. O marxismo vem tendo uma predominância igual ou maior, com importantes invasões nos seminários e igrejas de denominações protestantes históricas.
O neopentecostalismo e sua Teologia da Prosperidade são em grande parte atacados por blogueiros calvinistas de linha esquerdista como se fosse o culpado pela devastadora apostasia e corrupção na Igreja Brasileira. Mas eles não mencionam que igrejas calvinistas na Europa têm se destruído sem nenhuma ajuda de igrejas neopentecostais. E nos EUA grandes denominações calvinistas estão ordenando pastores gays e lésbicos, apoiando o aborto, etc.
O liberalismo e o esquerdismo, que estão provocando devastações em igrejas calvinistas e outras igrejas protestantes mais tradicionais nos EUA, são predominantes entre os blogueiros brasileiros que se autoproclamam apologetas calvinistas.
No entanto, eles não estão preocupados com o destino trágico de seus colegas liberais nos EUA, porque eles estão ocupados atacando os neopentecostais.
Este e-booklet investiga brevemente a natureza de tais ataques e sua origem, e como todos os cristãos, neopentecostais e calvinistas, deveriam se unir contra um inimigo e ladrão maior.
A destronação da Teologia Missão Integral e a demonização do neopentecostalismodemonizaçã
o início de 2012, dois proeminentes líderes do PT chocaram o Brasil ao revelar que o único obstáculo que resta hoje para o avanço da agenda socialista no Brasil são os neopentecostais.
Os militantes socialistas estão ultra-preocupados com os neopentecostais. Afinal, enquanto os socialistas falam de amor aos pobres e oferecem promessas aos pobres (moradia, saúde, educação, emprego), essa mentira poderosa não está alcançando o controle total dos pobres. Para horror da esquerda, as igrejas neopentecostais têm não só igrejas cheias de pobres, mas também programas de TV com enorme audiência de pobres.
Na “teologia” secular socialista, os pobres são ensinados a ver o governo como suprema fonte de provisão para todas as suas necessidades. No socialismo, o Estado é Deus. O neopentecostalismo veio para provocar uma desmistificação poderosa e sem paralelo dessa visão socialista, educando o povo a ver Deus como suprema fonte de provisão para todas as necessidades humanas. No neopentecostalismo, ainda que existam deficiências doutrinárias, Deus é Deus.
A despeito de haver pastores neopentecostais que experimentam fabuloso enriquecimento proveniente não de Deus, mas à custa de suas ovelhas, não se pode negar que o neopentecostalismo trouxe o resgate da centralidade de Deus na provisão de emprego, casa, saúde, educac ão e outras necessidades, com pregações motivadoras incentivando as pessoas a esperar e buscar suprimento e prosperidade de Deus.
O socialismo secular se preocupa muito com o neopentecostalismo por vê-lo como “concorrente” no alcance dos pobres e subsequente influência sobre o voto deles. O socialismo cristão (na forma católica da Teologia da Libertação e na forma evangélica da Teologia da Missão Integral) também tem uma preocupação obsessiva com o neopentecostalismo.
O bispo anglicano Robinson Cavalcanti, provavelmente o maior estrategista socialista evangélico do Brasil, foi o fundador do Movimento Evangélico Progressista (MEP), que ajudou a promover o PT entre os protestantes por mais de uma década. Cavalcanti, que chegou a receber visitas de Lula em sua casa, identificava — juntamente com outros pastores liberais — a Teologia da Prosperidade como expressão capitalista, em oposição a uma expressão socialista. Aliás, Cavalcanti pregava abertamente que políticas socialistas radicais eram expressões do Reino de Deus, de modo que posturas antissocialistas ou a favor da Teologia da Prosperidade eram, para ele, expressões das trevas, em oposição à “luz” socialista.
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Vários líderes evangélicos importantes do passado semearam essa “luz”, na forma da Teologia da Missão Integral. Um dos semeadores foi Caio Fábio, outrora o maior pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, exercendo uma influência como um papa evangélico no Brasil, até sua queda no final da década de 1990 por adultério e escândalos financeiros.
Em recente entrevista à revista Cristianismo Hoje, Caio Fábio declarou que o grande momento para unificar as igrejas evangélicas do Brasil ocorreu no início da década de 1980. Na entrevista, feita por Danilo Fernandes, do tabloide sensacionalista Genizah, Caio Fábio desabafou: “A teologia da prosperidade não existia por aqui, o que prevalecia era a teologia da missão integral. Havia uma quantidade enorme de pastores [seguindo essa teologia]”. Esse prevalecimento, de acordo com ele, ocorria de forma especial no Congresso Brasileiro de Evangelização, onde até hoje a Teologia da Missão Integral está no pedestal. Mas essa unificação evangélica colossal que quase ocorreu no começo da década de 1980 foi destruída por um instrumento imprevisível: Pouco tempo depois, veio o movimento neopentecostal com sua Teologia da Prosperidade, com força total, quebrando a espinha dorsal do monopólio da Teologia da Missão Integral, essencialmente arruinando todos os esquemas socialistas maiores que estavam sendo arquitetados.
A ascensão do neopentecostalismo destroçou o consenso que, de acordo com Caio Fábio, estava se avolumando entre as igrejas com relação à Teologia da Missão Integral.
A destronação da Teologia da Missão Integral por parte das igrejas neo-pentecostais foi tratada como um golpe “imperdoável”. As igrejas neopentecostais passaram a ser criticadas pelas igrejas que sustentavam a Teologia da Missão Integral sob o pretexto de não terem seriedade espiritual e verdadeira devoção. Caio Fábio e Robinson Cavalcanti, que tiveram papel destacado em iniciativas para aproximar os evangélicos do PT, se tornaram “profetas” contra a Teologia da Prosperidade e a favor da Teologia da Missão Integral, que usa o Evangelho apenas como palanque da ideologia socialista. Como Ariovaldo Ramos, proeminente pastor batista reformado da linha progressista, disse: “A Teologia da Missão Integral é uma variante protestante da Teologia da Libertação”.
Os precursores da Teologia Libertação Do ponto de vista histórico, as raízes da Teologia da Libertação são protestantes. Em 1952, após um período de estudos no Union Theological Seminary de Nova Iorque, em que se dedicou às relações entre marxismo e fé cristã, o missionário presbiteriano ecumênico Richard Shaull (1919-2002) foi enviado ao Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, onde ele deu aulas até 1959. Shaull era doutor em teologia pelo Seminário Teológico de Princeton.
Além das aulas e dos contatos com seminaristas, Shaull atuou como conferencista em congressos de jovens e estudantes cristãos de todo o Brasil, dentro e fora da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).
Tendo como bagagem o Evangelho Social, uma teologia esquerdista que vinha afetando as igrejas protestantes dos EUA desde pelo menos o final do século XIX, ele cria uma estreita relação com os pastores presbiterianos brasileiros Rubem Alves e Jaime Wright.
De 1942 a 1950, o Rev. Shaull foi missionário na Colômbia, que mais tarde se tornaria, junto com o Brasil, principal foco latino-americano da Teologia da Libertação.
Oficialmente, essa teologia foi fundada pelo padre peruano Gustavo Gutiérrez, que publicou em 1971 o livro “Teologia da Libertação”. Mas três anos antes, Rubem Alves já havia escrito um livro com o mesmo título e espírito. Alves, que era discípulo de Shaull, chamava seu mestre de profeta e patriarca, “pai de uma nação”, por ter ajudado no nascimento de uma nova igreja, conforme a imagem e semelhança da Teologia da Libertação.
A influência de Shaull foi decisiva. Por ironia do destino, a transformação do Evangelho em palanque para o marxismo na América Latina não veio de um missionário da União Soviética, mas de um pastor presbiteriano dos Estados Unidos. Suas inclinações eram claras. Em seu livro “Christian Faith and Marxism” (A Fé Cristã e o Marxismo), ele disse: “Meu encontro com o marxismo não estava fazendo de mim um marxista, mas um cristão melhor”.
Suas inclinações enfrentaram de setores da IPB uma resistência que Caio nunca enfrentou. Faltou-lhe o “carisma” de Caio para fazer o que Caio fez: avançar a Teologia da Missão Integral dentro e fora da IPB sem provocar antagonismos.
Shaull se aposentou como professor de ecumenismo no Seminário Teológico de Princeton, um das mais proeminentes instituições presbiterianas do mundo.
Antes de morrer em 2002, Shaull visitou igrejas pentecostais e neopentecostais em favelas do Rio, vendo uma vitalidade espiritual que nunca viu nas comunidades eclesiais de base. Mas, em vez de se abrir para essa vitalidade, ele queria que essas igrejas cheias de pobres pudessem ser ajudadas a se aproximar da Teologia da Libertação.
Para ele, as igrejas históricas (presbiteriana, luterana, metodista, batista) tinham uma boa relação com essa teologia, mas não tinham muito contato com os pobres. Já as igrejas pentecostais e neopentecostais tinham íntimo contato com os pobres, mas não tinham uma boa relação com sua teologia.
Na percepção dele, se essas igrejas cheias de pobres continuassem a crescer explosivamente, a face da igreja evangélica na América Latina seria predominantemente pentecostal e neopentecostal no futuro. O questionamento dele era: como tornar essas igrejas receptivas à Teologia da Libertação tão predominante em igrejas históricas? Resposta: O diálogo entre igrejas históricas e neopentecostais. Nesse encontro, os pentecostais entrariam com sua experiência de fácil convivência com os pobres e os não-pentecostais entrariam com a teologia-ideologia.
Esse “diálogo”, em grande parte, se tornou realidade na década de 1990 com os esforços de Caio Fábio para se aproximar das igrejas neopentecostais, inclusive atuando como palestrante principal em grandes eventos da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra. Essa aproximação foi fundamental mais tarde para uma unificação protestante, pentecostal e neopentecostal para o monumental apoio evangélico a Lula na eleição de 2002.
Caio foi apenas um hábil implementador da ponte de “diálogo” visualizada por Shaull.
Shaull e seu discípulo, Rubem Alves, são considerados (por documento da Universidade Mackenzie) os pais do lado protestante da Teologia da Libertação. De modo geral, Shaull foi o precursor da Teologia da Libertação. Alves, outro precursor, eventualmente abandonou o pastorado e se tornou apóstata. O lado católico também teve seus pais e “profetas”: Dom Evaristo Arns, Dom Hélder Câmara (fundador da CNBB), Frei Betto e Leonardo Boff.
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que é um sindicato de bispos que tiveram papel importante na fundação do Partido dos Trabalhadores, é um exemplo de como a Teologia da Libertação afetou a Igreja Católica do Brasil.
Embora o Evangelho Social dos EUA tenha ajudado a gerar a teoria protestante da Teologia da Libertação, foi somente com a implementação católica que essa teologia se tornou teologia prática com resultados políticos (Teologia da Libertação + CNBB = PT).
A militância católica em prol dessa teologia foi esmagadora, dando uma cara católica para a teologia de alma protestante, de modo que protestantes históricos esquerdistas precisaram reciclá-la e devolver-lhe a cara protestante. Assim nasceu a Teologia da Missão Integral no Brasil.
Entre os católicos, essa teologia levou decididamente à fundação do PT. Entre os evangélicos, a versão “protestante” tem igualmente conduzido ao socialismo em geral e ao PT em particular.
O “profeta” do diálogo” da Teologia Missão Ariovaldo Ramos, cujo mentor foi Caio Fábio, apoiou Lula em duas eleições presidenciais (2002 e 2006). Seu mentor já tinha dado a dica: em seu programa evangélico de TV “Pare & Pense”, Caio apresentou pessoalmente o candidato Lula ao público evangélico durante a eleição presidencial de 1994. Essa foi a primeira vez que um programa evangélico de TV se envolve diretamente numa eleição presidencial, numa grande iniciativa para desdemonizar Lula, seu partido e suas opiniões patentemente esquerdistas. Mas em sua biografia “Confissões de Um Pastor” (p. 214), ele diz que já em 1993 havia passado para Lula o nome e contato dos líderes evangélicos mais estratégicos do Brasil.
Anos mais tarde, Caio confessou:
“Aproximei Lula dos evangélicos, os quais, durante anos, o chamavam de ‘diabo’. Muitas foram as oportunidades que criei para que ele tivesse a chance de se deixar perceber pela igreja”.
O maior pastor presbiteriano do Brasil estava fazendo propaganda do maior socialista do Brasil na década de 1990, sem grandes impedimentos dentro de sua própria denominação presbiteriana. As igrejas da Teologia da Missão Integral, majoritariamente igrejas históricas como batista, luterana, metodista e presbiteriana, estavam abraçadas à liderança de Caio Fábio em suas iniciativas para desdemonizar Lula e sua ideologia.
Depois de sua estrondosa queda moral e financeira na segunda metade da década de 1990, outros prosseguiram a luta dele, inclusive seu discípulo Ariovaldo Ramos e seu amigo Robinson Cavalcanti.
Contudo, antes de sua queda, Caio obteve importantes vitórias:
1. Ele quase conseguiu unificar a maioria das igrejas históricas do Brasil debaixo da bandeira da Teologia da Missão Integral durante as décadas de 1980 e 1990. O que atrapalhou foi o crescimento explosivo do neopentecostalismo.
2. Ele conseguiu, em grande parte, “desdemonizar” o PT e o socialismo diante do público evangélico, garantindo que o “socialismo não come criancinhas”, como se a obsessão socialista de legalizar o aborto não canibalizasse e exterminasse nenhum bebê.
3. Ele não conseguiu embarcar a maioria das igrejas neopentecostais na Teologia da Missão Integral, mas sua ponte de “diálogo” foi fundamental para amenizar as atitudes dessas igrejas para com Lula e o PT.
Antes de cair, Caio teve tempo de lançar a ponte de “diálogo” e obter alguns resultados. Contudo, se Shaull tivesse a língua macia, persuasiva e esperta de Caio, o Brasil teria hoje uma igreja tradicional, pentecostal e neopentecostal em grande parte aos pés da Teologia da Missão Integral.
Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria pentecostal afetada pela Teologia da Minoria. As igrejas pentecostais não ficaram hipnotizadas por Caio e sua teologia, mas algumas foram afetadas. Marina Silva, que hoje é membra da Assembleia de Deus em Brasília, se gaba de que conheceu o “evangelho vivo” na Teologia da Libertação que aprendeu com Leonardo Boff, um dos maiores propagandistas dessa teologia no Brasil. Boff e sua teologia foram oficialmente condenados pelo Vaticano durante o papado de João Paulo 2, mas essa condenação oficial não impediu Marina de seguir o homem e sua teologia. Hoje, além de ter Boff como conselheiro, Marina também tem Caio Fábio.
Outro assembleiano gravemente afetado pela Teologia da Libertação foi Ricardo Gondim, que conheceu o Evangelho na IPB, mas depois teve experiências com línguas estranhas na Assembleia de Deus. Em seguida, quis ter experiências teológicas e estar com os doutores da teologia. Ao estudar na Universidade Metodista de São Paulo, Gondim entrou de cabeça no mundo da Teologia da Libertação, passando, como seu camarada Robinson Cavalcanti, a demonizar os evangélicos conservadores dos EUA, como se até o movimento pró-família e pró-vida fosse um produto imperialista importado dos EUA.
O que Gondim, Cavalcanti e outros nunca mencionavam é que o precursor da Teologia da Libertação não era brasileiro. Era um professor do Seminário Teológico Princeton nos EUA, apaixonado pelo Evangelho Social e movido por inclinações marxistas, tornando sua teologia, em todo o sentido da palavra, uma teologia imperialista. Além disso, se o foco da oposição à Teologia da Libertação era o conservadorismo evangélico que vinha dos EUA, por que eles não evitavam a nação “imperialista”? Cavalcanti viajava todos os anos aos EUA, e enviou seu filho para viver nos EUA. Pastores esquerdistas da IPB e outras igrejas históricas se exilaram nos EUA durante o governo militar no Brasil. Mais coerência parece ter tido o Rev. Walter Altmann, ex-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), que tinha vínculos financeiros com a União Soviética e, como Shaull, vínculos com o Conselho Mundial de Igrejas.
A IECLB, uma denominação repleta de teólogos e pastores progressistas, é dona da Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo, que em 2005 realizou um congresso sobre “religião e gênero”, onde o palestrante principal foi Luiz Mott, o líder máximo do movimento homossexual do Brasil.
A IECLB é um exemplo de denominação em grande parte dominada pela Teologia da Missão Integral e engajada com o PT na luta contra os valores conservadores, que seus líderes progressistas identificam como “imperialismo”.
Contudo, de forma realista, lutar contra o “imperialismo” é lutar contra a imposição da agenda de aborto, homossexualismo e esquerdismo que vem do governo e cultura dos EUA. Quem tem feito trabalho excelente nessa luta é o movimento pró-vida e pró-família.
O fato é que a Teologia da Libertação, camuflada e adocicada depois como Teologia da Missão Integral, matou o pentecostalismo de Gondim, tornando-o como qualquer esquerdista de igreja histórica.
Em sua dissertação “A Teologia da Missão Integral: Aproximações e Impedimentos Entre Evangélicos e Evangelicais” (2009), Gondim aponta Cavalcanti e Caio Fábio como ícones da Teologia da Missão Integral (p. 90), revela o compromisso da Visão Mundial e revista Ultimato com essa teologia e diz que o Segundo Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE2, 2003), evento financiado pela Visão Mundial para reunir as lideranças da Teologia da Missão Integral, estava perplexo e triste com o avanço do neopentecostalismo e sua teologia da prosperidade, que estavam frustrando os projetos dos progressistas para os pobres.
O documento final da CBE2 essencialmente denuncia que “muitas igrejas evangélicas estão experimentando acelerado crescimento número” (p. 90) sem despertarem para a Teologia da Missão Integral. Em vez dessa teologia, essas igrejas estavam pregando e praticando a teologia da prosperidade, que coloca Deus, não o Estado socialista, como provedor das necessidades humanas.
As contínuas queixas de Caio, Gondim, Cavalcanti e outros progressistas de que “igreja brasileira está doente” ou “decadente” se referem à falta de abertura à teologia deles.
Gondim também se queixa repetidamente de que a Teologia da Missão Integral teve seu avanço detido por conservadores no Congresso Lausanne de Evangelização Mundial (Manila, 1989). Ed Rene Kivitz, companheiro teológico de Gondim, já havia apontado Peter Wagner como líder da oposição conservadora. A atuação de Wagner, hoje líder do movimento apostólico mundial, exemplifica o potencial neopentecostal para deter o avanço esquerdista nas igrejas. Na dissertação de Gondim (p. 53), o erro de Wagner era “propor guerra espiritual como solução para os problemas sociais” — uma solução tipicamente neopentecostal, em contraste com a solução esquerdista de revoluções políticas.
Ecoando queixa do Rev. Luiz Longuini, da IPB, Gondim afirma que Peter Wagner já vinha frustrando os progressistas há anos. Em1969, ao participar do CLADE (Congresso Latino-Americano de Evangelização), Wagner distribuiu seu livro que afirmava que a missão da igreja é priorizar a salvação pessoal e destacava a teologia esquerdista como perniciosa (p. 105).
A salvação, em seu termo original, inclui o resgate espiritual e também emocional e físico. Os progressistas interpretam essa amplitude da salvação como pretexto para intervenções políticas, como se o Reino de Deus fosse apenas “comida, bebida” (Romanos 14:17) e assistência social do governo. Em contraste, Wagner interpretava que a igreja deve pregar e demonstrar o Evangelho do Reino de Deus, inclusive utilizando a autoridade de Jesus para curar enfermos e expulsar demônios. É uma demonstração em sintonia com os milagres que seguem os que creem (Marcos 16:16). Mas a demonstração do evangelho, para os progressistas, se limita apenas à ação social muitas vezes em parceria com políticas e governos socialistas. Nada mais.
Qualquer rejeição a esse tipo de ação social como intrinsecamente unido ao Evangelho recebe o rótulo de “fundamentalismo”. Na dissertação de Gondim, nem Billy Graham escapa desse rótulo, porque o mais famoso evangelista do mundo se recusava a dar apoio e dinheiro para os grupos evangélicos progressistas da América Latina. A recusa de Graham lhe deu uma imagem negativa entre os adeptos da Teologia da Missão Integral. Em contraste, Gondim não poupa elogios à Teologia da Libertação e ao Evangelho Social dos EUA e reconhece que o maior obstáculo para o avanço da Teologia da Missão Integral foi “um fenômeno religioso com grande apelo popular, o neopentecostalismo” (p. 135).
Gondim não esconde a amargura de ver a Teologia da Libertação, que afetou a América Latina em geral e o Brasil em particular, sendo solapada por um movimento espiritual muito bem presente entre os pobres e em grande parte dirigido por líderes vindo da pobreza. A amargura dele é compartilhada por Caio Fábio e teólogos progressistas brasileiros formados em universidades e seminários americanos e europeus, incapazes de enfrentar um movimento onde a maioria dos pastores foi formada no “seminário” da vida e da pobreza. São pobres que, mal sabendo falar o português, preferiram a Teologia da Prosperidade, em vez da Teologia da Libertação, para vencer a pobreza.
Os pobres preferem a Teologia da Prosperidade, mas os ricos (teólogos e pastores profissionais) preferem a Teologia da Libertação, tornando-a tão elitista quanto o marxismo que a ajudou a criar.
Isso não significa que nenhuma igreja neopentecostal aceitou a teologia dos progressistas.
As igrejas neopentecostais mais afetadas pela Teologia da Missão Integral foram, coincidentemente, as igrejas que mais se aproximaram de Caio Fábio. Na primeira metade da década de 1990, o pastor presbiteriano era palestrante destacado em grandes conferências pentecostais, inclusive da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (Sara), fundada pelo Bispo Robson Rodovalho, que tem raízes presbiterianas. No começo da década de 1990, a Sara via o socialismo e o PT como diabólicos. Em 2002, a Sara já estava iludida o suficiente para embarcar no bonde protestante, pentecostal e neopentecostal de apoio a Lula.
O programa “Pare & Pense” de 1994 trouxe a iludida Valnice Milhomens para apresentar conjuntamente com Caio o candidato Lula não porque a líder neopentecostal representasse os sentimentos políticos neopentecostais, mas porque a presença dela era fundamental para a estratégia de “diálogo” para quebrar as barreiras anti-socialismo entre os neopentecostais.
Caio representou as igrejas protestantes históricas, que já estavam seduzidas pela Teologia da Missão Integral e em grande parte prontas para apoiar Lula, o maior messias socialista do Brasil. Caio, com sua Teologia da Missão Integral que não ousava dizer seu nome, era uma figura que nenhuma liderança da IPB e outras igrejas históricas questionavam. Valnice representou as igrejas neopentecostais, que precisavam ser iludidas, assim como ela mesma foi. Era a ponte de “diálogo” visualizada anos antes por Shaull.
Os dois eram de gerações diferentes. Enquanto Shaull dava aulas de teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas (1952-1959), Caio foi ordenado pastor da IPB em 1977, aos 22 anos e teve, conforme confissão dele, muitos amigos pastores que haviam sido alunos de Shaull. Caio também leu livros do pai espiritual da Teologia da Libertação. Se Shaull era o “profeta” das ideias e visões dessa teologia, Caio era o “profeta” do diálogo, incumbido de criar entre os pentecostais e neopentecostais abertura para essa teologia que estava em poder de igrejas históricas.
Os frutos do Cardeal Richelieu tupiniquim duraram décadas.
Teologia da Missão Integral e extremismo de Ariovaldo Ramos, um dos sucessores espirituais de Shaull, e Marina Silva se queixaram da “onda de conservadorismo” que quase derrotou Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2010. A onda conservadora foi a expressão de fortes sentimentos cristãos contra o aborto e o homossexualismo. Em vez de se colocarem frontalmente contra o histórico e posições patentemente abortistas e homossexualistas de Dilma e do PT, Ariovaldo divulgou seu manifesto público, declarando: “manifestamos as nossas rejeições diante da onda de conservadorismo que se abateu sobre o país nesse processo eleitoral”. E Marina, em sua “Carta Aberta aos Candidatos à Presidência da República Dilma e Serra”, critica abertamente o que ela enxerga como “esse conservadorismo renitente que coloniza a política e sacrifica qualquer utopia em nome do pragmatismo sem limites”.
Pela primeira vez na história do Brasil, a questão do aborto e homossexualismo influencia diretamente uma eleição presidencial. Eu, que nunca fui um apoiador de Dilma ou de Serra, estava celebrando. LifeSiteNews, site para quem eu traduzia do inglês para o português, estava celebrando e escrevendo artigos internacionais para mostrar ao mundo o avanço conservador no Brasil. Líderes católicos e evangélicos pró-vida do mundo, inclusive o Vaticano, estavam igualmente celebrando. Contudo, Ariovaldo e Marina, junto com toda a esquerda mundial, estavam descontentes e revoltados. A atitude de inconformismo de ambos é demonstração de como o movimento de Missão Integral e o movimento pró-vida não andam no mesmo caminho.
Nos 25 anos em que tenho atuado junto com lideranças pró-vida no Brasil, nunca vi tanto sentimento antiaborto e antissodomia numa eleição presidencial. Foi um milagre! O duro trabalho pró-vida não tinha sido em vão. Afinal, embora o governo socialista do Brasil seja a favor desses males, os sentimentos da maioria da população brasileira, comprovados em pesquisas de opinião pública, são contra as aberrações homossexuais e assassinato de bebês em gestação.
O Vaticano tentou intervir em favor da positiva onda conservadora, orientando os bispos brasileiros a guiar o povo católico a não votar em candidatos abortistas. De nada adiantou, pois a CNBB e Frei Betto são para o Vaticano o que Ariovaldo e Marina são para o movimento pró-vida e pró-família: uma completa discordância de valores.
Diferente do Vaticano, que tem se destacado em posturas conservadoras — condenações públicas fortes ao aborto, ao homossexualismo e à Teologia da Libertação —, a CNBB reluta em condenar a Teologia da Libertação e seu filhote mais importante, o PT. De forma semelhante, líderes evangélicos brasileiros afetados por Shaull e Caio relutam em expressar condenações públicas fortes ao aborto, ao homossexualismo e principalmente à Teologia da Missão Integral.
Robinson Cavalcanti, um dos maiores propagandistas dessa teologia, foi exaltado por Ariovaldo como “profeta” após ser assassinado pelo próprio filho no início de 2012. A exaltação foi prestada num artigo assinado por Ariovaldo e publicado no Genizah, que tem vínculos estreitos com os cérebros da Teologia da Missão Integral, especialmente Caio Fábio, e é o maior tabloide antineopentecostal do Brasil.
O exemplo do Genizah criou uma onda e linha comercial de tabloides “apologéticos” que usam a demonização do neopentecostalismo como cortina de fumaça para proteger e promover a Teologia da Libertação. Condenam o neopentecostalismo como “heresia”, mas louvam a Teologia da Missão Integral e seus “profetas”, inclusive Caio e Cavalcanti. No Púlpito Cristo, um dos tabloides que imitam o Genizah, encontrei, entre mais de 400 menções de Caio, apenas umas poucas negativas. O restante era elogio ao homem que, conforme Ricardo Gondim, é ícone da Teologia da Missão Integral. Genizah e Púlpito Cristão, que ferrenhamente combatem a chamada Teologia da Prosperidade, ferrenhamente promovem a Teologia da Missão Integral. O perfil comum dos maiores inimigos dos neopentecostais é a adulação ao progressismo e seus líderes.
Rev. Caio Fábio recebendo candidato presidencial Lula em seu programa evangélico de TV em 1994: o maior pastor presbiteriano do Brasil fazendo propaganda do maior socialista do Brasil
Ao passo que Caio Fábio e Cavalcanti trabalhavam para “desdemonizar” o PT, eles e seus camaradas evangélicos esquerdistas estavam trabalhando para demonizar o neopentecostalismo por sua resistência à Teologia da Missão Integral. (Igrejas pentecostais, principalmente neopentecostais, costumavam ver o socialismo como demoníaco.) A fim de vacinar suas congregações contra o que chamavam de contaminações das igrejas neopentecostais, pastores presbiterianos e de outras denominações induziam assinatura coletiva da revista Ultimato para suas igrejas, especialmente os líderes, nas décadas de 1980 e 1990. Assim, bebiam, diretamente das páginas da revista, os textos esquerdistas de Robinson Cavalcanti, Ricardo Gondim e Paul Freston, dos quais eram membros de carteirinhas do PT colunistas de peso na revista presbiteriana. Caio Fábio, um ex-colunista da Ultimato, não era membro oficial do partido de Lula, mas tinha encontros com ele.
Entre os livros publicados pela Editora Ultimato está “O Novo Rosto da Missão”, escrito pelo Rev. Luiz Longuini, da Igreja Presbiteriana do Brasil, um pastor casado quatro vezes. O livro, que tem sido importante referência em obras da Teologia da Missão Integral, não é o único livro promovendo essa teologia esquerdista publicada pela Ultimato, fundada por um líder presbiteriano.
É com os anticorpos da Teologia da Missão Integral que Ultimato vacinava líderes e congregações contra o neopentecostalismo, dando aos seus notórios articulistas esquerdistas renome por atacarem doutrinas neopentecostais e defenderem doutrinas da esquerda.
Hoje, ao atacarem a Teologia da Prosperidade, os “mestres” da Teologia da Missão Integral fazem uma média garantida diante de inúmeros pastores adeptos dessa teologia esquerdista, ganhando isenção de toda crítica. Afinal, o Brasil vive uma temporada livre de caça às igrejas neopentecostais. Por determinação de uma minoria de pastores liberais e pelo silêncio da maioria, é proibido colocar a Teologia da Missão Integral nessa temporada.
Genizah é um tabloide religioso fundado por Danilo Fernandes, calvinista liberal radical e amigo de peito de Caio Fábio. A principal missão do Genizah é vacinar contra o neopentecostalismo mediante deboches e escândalos muitos vezes fabricados ou inchados, num caso fascinante onde o dono do tabloide, que tem problemas na justiça por questões financeiras, aplica métodos empresariais para fazer muito dinheiro acusando Silas Malafaia e líderes neopentecostais de fazerem muito dinheiro.
O caráter demonizador e debochador da esquerda evangélica brasileira tem oscilado entre Ultimato (com ataques diplomáticos ao conservadorismo evangélico) e Genizah (com ataques arruaceiros), que dessatanizam a esquerda e, em seu lugar, colocam os neopentecostais para serem satanizados. Esse caráter esquerdista majoritariamente calvinista não tem recebido críticas de calvinistas não liberais, que muitas vezes preferem o silêncio por causa da afinidade doutrinária com o cessacionismo — que nega que o Espírito Santo conceda hoje dons sobrenaturais.
Calvinista Danilo Fernandes, dono do tabloide sensacionalista pró-Teologia da Missão Integral Genizah, com seu amigo Caio Fábio
Aparentemente, por amor a essa doutrina, calvinistas não liberais que abrem a boca com críticas pesadas a Silas Malafaia e outros líderes neopentecostais jamais denunciam, ainda que suavemente, os calvinistas Genizah e Ultimato.
Será que o neopentecostalismo é um “pecado” muito maior do que o esquerdismo descarado de igrejas calvinistas e históricas?
Enquanto o socialismo secular, católico e evangélico aponta para um Estado supostamente laico como deus em maior ou menor grau acima de tudo e de todos, com o direito exclusivo de suprir todas as necessidades humanas (quer os cidadãos queiram ou não), cobrando impostos cada vez mais exorbitantes (quer os cidadãos queiram ou não) para suas políticas de provisão. Enquanto isso, as igrejas neopentecostais apontam, sim, para Jesus Cristo como Deus acima de tudo e de todos, com o direito e poder supremo de suprir todas as necessidades humanas (e sem cobrar imposto algum!).
Suprir todas as necessidades humanas é uma promessa que socialistas seculares e cristãos ligam ao Estado socialista e que pregadores neopentecostais ligam a Deus. E é bem fácil ver os mentirosos nessa história, pois só Deus tem o poder exclusivo de suprir todas as necessidades humanas.
Eu discordo totalmente do modo como muitas igrejas neopentecostais arrecadam dinheiro. Mas, mesmo com todo o seu exagero, há uma diferença colossal: por maior que seja a pressão psicológica para você ofertar, você não é obrigado. Se você não der nada, o pastor não poderá multá-lo, indiciá-lo ou prendê-lo.
Em contraste, quando o governo lhe “pede” por meio de impostos, você não tem escolha nenhuma. Se você não der, você acaba em sérios apuros legais. Você é obrigado a dar hoje quase 40% do seu salário em impostos, e essa cobrança abusiva é justificada pelos socialistas seculares, evangélicos e católicos como necessária para o governo suprir todas as necessidades humanas — uma promessa evidentemente impossível de ser cumprida por qualquer mortal.
Esses socialistas se queixam constantemente do “roubo” que as igrejas neopentecostais fazem, mas jamais param para avaliar ou condenar a voracidade estatal, e se calam quando os esquerdistas promovem gayzismo, aborto, feminismo, bruxaria sob a capa estatal de cultura afro-brasileira, etc. Toda essa agenda anticristã é sustentada com o dinheiro de quem? Do dinheiro que é roubado com a força da lei de todos os seus cidadãos-vítimas, inclusive de cristãos.
A perseguição aos cristãos e a iniquidade estão sendo institucionalizadas com o apoio das igrejas e com o dinheiro de impostos cobrados abusivamente de seus membros. A sacralização do homossexualismo e do assassinato de bebês mediante o aborto está sendo promovida muitas vezes com a “bênção” da igreja através de líderes que se calam ou juntam as mãos com os próprios promotores do mal.
Os seguidores do PT: oportunistas ou ideológicos
O PT e outros partidos socialistas estão determinados a impor o aborto e o homossexualismo no Brasil. O único impedimento que eles veem é o testemunho ousado dos telepastores neopentecostais — evidentemente, isso não inclui Bispo Edir Macedo e IURD, que embarcaram no apoio ao PT e ao aborto anos atrás.
Excetuando a IURD, cujo fundador e chefão segue a ideologia do aborto, todas as outras igrejas neopentecostais se opõem ao aborto e homossexualismo. R. R. Soares, por exemplo, fala claramente contra o aborto e o homossexualismo em seus programas. Silas Malafaia então é muito mais enérgico.
Mas por que o PT iria ver essas igrejas neopentecostais midiáticas como a única ameaça ao controle absoluto do PT sobre a sociedade?
O PT percebe que quando essas igrejas o apoiam, o fazem exclusivamente por interesse, não ideologia.
O PT não vê igrejas neopentecostais doutrinando suas congregações no socialismo. O PT não as vê usando suas revistas e sites ensinando que o socialismo é a salvação da sociedade.
Os líderes dessas igrejas só se aproximam do PT em épocas de eleição por oportunismo. A atitude deles é movida por puro interesse, ainda mais que o governante terá o poder de decidir concessões de rádio e televisão, assuntos importantes para as igrejas neopentecostais.
Em contrapartida, outros grupos evangélicos, que majoritariamente não pertencem aos neopentecostais, têm muito mais que interesse, usando suas revistas e outras publicações para promover o socialismo, com toda a sua carga de aborto e homossexualismo que vem inevitavelmente em seu rastro. Grandes revistas evangélicas do Brasil regularmente doutrinam o público a ver no socialismo a solução para os problemas da sociedade. O governo socialista petista, com toda sua frenética corrida para institucionalizar a iniquidade, é maquiado e até louvado por eles. Esses evangélicos são movidos por ideologia.
O PT não está preocupado com líderes evangélicos que são movidos por ideologia, pois quer ateu ou evangélico, quem segue o PT por convicção é um servo fiel e devoto. Seu apoio é garantido — ou para o partido ou para a ideologia socialista, que no final das contas dá no mesmo.
Mas um apoio que vem por interesse nunca é garantido. É por isso que o PT tem tanta desconfiança dos líderes neopentecostais: Por não serem movidos pela ideologia socialista, esses líderes podem criticar abertamente as políticas pró-aborto e pró-homossexualismo do PT, ou mesmo abandonar o barco petista a qualquer momento.
Esse é um ótimo sinal. O que não é um bom sinal é que perdemos a prioridade nas críticas.
Muitos pastores que criticam Silas Malafaia pela Teologia da Prosperidade — não por seu oportunismo político — fazem vista grossa a outros graves pecados. Eles o criticam, enquanto vivem abraçados à Teologia da Missão Integral e outras teologias que facilitam a aceitação do socialismo como salvação social.
O que não é de surpreender é que, para o PT, o Genizah e mídias evangélicas semelhantes não representam nenhuma ameaça ao avanço da institucionalização socialista da iniquidade. A ameaça são as igrejas neopentecostais, que também são alvos regulares de zombarias do Genizah.
Malafaia não é perfeito, mas ele tem feito um trabalho estupendo de mobilizar a população contra o PLC 122. Em contraste, o Genizah nunca fez tal mobilização e ainda insinua que os que fazem são “extremistas”. Ativistas gays aplaudem o liberalismo do tabloide calvinista.
Tempos atrás, um pastor assembleiano que comentou no meu blog se apresentou dizendo: “Sou petista por entendimento ideológico”. Ao ser refutado por mim e por outros leitores do meu blog, o pastor, que dirige uma Assembleia de Deus de Brasília, prontamente se defendeu, usando o pretexto de que sua presença no PT era para “evangelizar” e que qualquer oposição a ele como petista equivaleria à oposição a um santo trabalho de evangelização.
Para evangelizar bruxos tenho necessidade de dizer “Sou bruxo por entendimento ideológico”?
Para evangelizar homossexuais tenho necessidade de dizer “Sou homossexual por entendimento ideológico”?
Portanto, há dois tipos de evangélicos (e por extensão outros cristãos) apoiando o PT.
1. Há os evangélicos que seguem o PT por interesses, para não perderem suas concessões de rádios e TVs. A maioria deles são líderes neopentecostais.
2. Há os evangélicos que seguem o PT porque, descaradamente ou não, são socialistas por entendimento ideológico. A maioria deles não são neopentecostais, e o PT não está preocupado com nenhum deles.
Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil Um Brasil sem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Eliassem um Elias
É dentro dessa realidade de liderança espiritualmente enferma que os evangélicos do Brasil têm de atuar.
Em resposta aos esforços do PT para neutralizar os telepastores neopentecostais, Silas Malafaia se pronunciou dizendo: “Não demonizo partido político nenhum. Como todos sabem, já votei em Fernando Henrique, Lula e Serra.”
Pode uma declaração assim refletir o espírito de um profeta? Elias nunca teve seu nome registrado num cartaz de apoio político ao rei Acabe. Em contraste, Malafaia não apenas votou em políticos pró-aborto e pró-homossexualismo. Só isso já seria um erro suficientemente preocupante para um líder cristão. Ele fez muito mais do que isso: ele deu seu nome para panfletos de apoio a esses políticos. Ele levou, por seu mau exemplo, multidões de pessoas a votar nos políticos mais pró-aborto e pró-homossexualismo do Brasil e do Rio de Janeiro. Foi, por exemplo, o que ocorreu em 2002, onde ele, junto com muitos outros líderes evangélicos, assinou documento público de apoio a Lula, com todas as consequências que hoje conhecemos muito bem e que um profeta genuíno teria visto de longe.
Naquela época, denunciei a aliança evangélica pró-Lula que envolvia a união de igrejas tradicionais (Nilson Fanini, Guilhermino Cunha, Robinson Cavalcanti, etc.), pentecostais (Jabes Alencar, Silas Malafaia, etc.) e neopentecostais (Marcelo Crivella, Estevam Hernandes, Robson Rodovalho, etc.).
Enquanto os líderes evangélicos mais poderosos do Brasil estavam apoiando Lula e o futuro governo petista, eu estava clamando no deserto. (Em 2002, o presidente de uma denominação evangélica chegou a exigir que eu não mais lhe enviasse e-mails “criticando” Lula e seu histórico ideológico, deixando claro que ele, como membro de carteirinha do PT, estava muito ofendido com meus alertas.)
Mesmo depois de ver todos os ataques à família brasileira no primeiro mandato de Lula, Malafaia apoiou sua reeleição, mostrando um lado obstinado e cego de seu caráter evangélico. Nessa altura, em 2006, a obsessão pró-homossexualismo de Lula estava bem patente, nacional e internacionalmente. Se ele estava tentando ser um moderno rei Acabe, ele conseguiu. Ainda assim, em vez de levar um recado de repreensão para Lula, Malafaia preferiu, conscientemente e bem informado, levar apoio político. Se ele estava tentando ser um profeta, não conseguiu.
Por isso, o certo não era Malafaia dizer limitadamente em sua declaração pública: “Votei em Fernando Henrique, Lula e Serra” — esquecendo-se de mencionar Sérgio Cabral, o governador mais pró-aborto e pró-homossexualismo da história do Rio de Janeiro.
A declaração de Malafaia deveria incluir o que ele realmente fez: “Votei, apoiei e promovi, com meu nome assinado, todas essas criaturas, inclusive Lula, o presidente mais pró-aborto e pró-homossexualismo da história do Brasil”. Ele também deveria ter dito: “Incentivei multidões de pessoas a votar nos políticos mais pró-aborto e pró-homossexualismo da história do Brasil e do Rio de Janeiro”. Seria duro confirmar essa verdade, assim como seria desagradável Elias dizer: “Eu, como profeta do Senhor, votei, apoiei e promovi, com meu nome assinado, Acabe, o rei mais pró-aborto e pró-homossexualismo da história de Israel, e incentivei todo o povo de Israel e votar nele”.
Malafaia também disse: “Voto em pessoas e não em partidos”. Isso justifica votar, apoiar e promover sistematicamente pessoas que têm histórico ideológico contra a família e contra o Cristianismo? Isso justifica incentivar multidões de evangélicos a votar em pessoas que têm histórico ideológico contra a família e contra o Cristianismo?
É esquizofrênico lutar contra o aborto e o homossexualismo e votar, apoiar e promover políticos que promovem esses males. É igualmente esquizofrênico lutar contra o aborto e o homossexualismo e incentivar igrejas a votar nesses políticos. É como alguém que luta contra um grande incêndio, mas de vez em quando joga gasolina na fogueira. É como ver um cão correndo tentando agarrar o próprio rabo.
Elias era um homem que lutava contra os incêndios da iniquidade social sem jogar gasolina na fogueira. Mas o Brasil não tem esse tipo de homem.
Cumplicidade e silêncio versus cumplicidade versus testemunho imperfeito dos cristãos do Brasiltestemunho imperfeito dos cristãos do Brasil
O que o Brasil tem, majoritariamente, são 1) cristãos que votam e promovem o PT ou outros partidos socialistas (PSDB, PSOL, etc.) e se calam, e 2) cristãos que votam e promovem o PT ou outros partidos socialistas (PSDB, PSOL, etc.) e não se calam.
Ficar em silêncio diante da institucionalização do pecado é pecado! Abrir a boca contra a institucionalização do pecado e promover quem a faz é melhor do que o silêncio, mas é também pecado.
Entretanto, como o Brasil não tem um Elias ou João Batista, ficamos com a opção imperfeita de apoiar líderes cristãos que pelo menos abrem a boca. Esse é o caso de Silas Malafaia. Embora ele tenha jogado muita gasolina na fogueira que está combatendo, pelo menos ele não está como muitos outros, que igualmente jogaram muita gasolina na fogueira e hoje silenciam ou amenizam os perigos da fogueira.
Claro que o Brasil precisa de um homem que abra a boca sem jogar gasolina na fogueira. Esse seria o ideal de Deus. Um homem que denuncia o pecado e diz aos “reis” do Brasil: “Assim diz o Senhor”. Um homem que, mesmo perdendo suas concessões de rádio e TV, proclamaria suas mensagens nas esquinas das ruas ou nas esquinas da internet.
Na ausência de um profeta Elias ou de um João Batista no Brasil, façamos o que Jesus nos ensinou:
“Por isso vocês devem obedecer e seguir tudo o que eles dizem. Porém não imitem as suas ações, pois eles não fazem o que ensinam.” (Mateus 23:3 BLH)
Essas palavras de Jesus podem também ser parafraseadas assim:
“Por isso vocês devem obedecer e seguir tudo o que eles dizem em defesa da família. Mas não imitem as suas ações de votar, apoiar e promover políticos anti-família, pois eles não fazem o que ensinam.”
Uns consentem só com ações; outros com palavras e ações. Portanto, saibamos discernir o que fazer diante das omissões totais ou parciais.
Quando eles nos ensinarem contra o aborto e o homossexualismo, ouçamos e pratiquemos.
Mas não imitemos as ações deles. Quando eles votarem em políticos anti-família, não os imitemos.
Quando eles apoiarem e promoverem políticos anti-família, não os imitemos.
Lembremo-nos de suas palavras e mensagens em defesa da família, mas não imitemos o que fazem em épocas de eleição, jogando gasolina na fogueira. Ignoremos completamente suas irresponsáveis indicações políticas quando não praticam o que pregam. Afinal, essa foi a ordem de Jesus: seguir o que eles ensinam de bom e não imitar o que fazem de hipócrita.
Por isso, em obediência às palavras de Jesus, sigamos tudo o que Malafaia e outros ensinam sobre aborto e homossexualismo, mas não imitemos suas ações. Defendamos tudo o que Malafaia ensina em defesa da família, mas não o imitemos quando ele joga gasolina na fogueira. Pelo contrário, vamos jogar água na fogueira, repudiando indicações políticas irresponsáveis.
Impostos, impostos, impostos!Impostos, impostos, impostos!Impostos, impostos, impostos!Impostos,
Seja por ideologia ou oportunismo, o envolvimento irresponsável dos evangélicos na política está colaborando para o inchamento de um Estado que arrecada impostos cada vez mais elevados. E a arrecadação abusiva de impostos provoca dois efeitos:
1) deixa, no bolso do cidadão trabalhador, menos de seus próprios recursos para cuidar de sua família.
2) acaba, muitas vezes, no bolsos de políticos piranhas.
Só vai a uma igreja neopentecostal quem quer. E depois que você entrou em tal igreja, só dá quem quer. Ninguém é obrigado a dar nada. Mas com o governo é vastamente diferente. Ninguém tem a opção de isenção. Todos são alvos e vítimas do Estado voraz e sua cobrança insaciável de impostos. Mas os socialistas acobertam, justificam e desculpam esse mega-roubo onipresente praticado por um governo assistencialista. O que eles não perdoam são as igrejas neopentecostais que arrecadam dízimos e ofertas sem o uso da lei e do Estado.
Mas os socialistas seculares, evangélicos e católicos não estão preocupados com os políticos milagreiros estatais que não dão liberdade nem direitos aos cidadãos. Eles estão preocupados com o que eles chamam de “milagreiros” cristãos que pedem ofertas demais para cidadãos que vão voluntariamente às suas igrejas. Eles estão incomodados com o que eles chamam de “milagreiros” cristãos, que apontam para Deus, não o Estado, como solução para todas as necessidades da sociedade.
De suas confortáveis poltronas e gabinetes bem equipados, líderes socialistas, movidos por inveja, miram as igrejas neopentecostais. A “concorrência” os está incomodando. Eles querem ser os únicos milagreiros no centro da admiração dos pobres e da sociedade, não só das universidades e meios de comunicação, onde eles e sua ideologia são idolatrados de forma absoluta.
Se há um mandamento que as universidades e meios de comunicação obedecem sem questionar é: “Não terás outros deuses diante de mim”. Eles de fato não dão espaço algum para outros. Só o esquerdismo reina como um deus no meio deles.
Mesmo com todo esse poderio, os líderes socialistas seculares ainda se sentem incomodados com os neopentecostais.
O mesmo incômodo afeta esquerdistas religiosos, mas, por causa de um ranço teológico comum, até mesmo religiosos não socialistas aceitam, de bom grado ou não, uma aliança improvável, escancarando a boca contra os “pecados” neopentecostais e ao mesmo fazendo vista grossa para horrendas contaminações progressistas dentro das igrejas.
O evangélico progressista vê apenas a concorrência ideológica, com sua visão de reino socialista deste mundo como manifestação do Reino de Deus. De forma diferente, o protestante tradicionalista vê não somente a concorrência religiosa, mas também as questões espirituais. Mesmo que todas as igrejas neopentecostais abandonassem a Teologia da Prosperidade, protestantes tradicionalistas as rejeitariam, pois eles não conseguem enxergar como manifestações de Deus experiências atuais como dons de visão, profecia, línguas, etc.
Por isso, a hostilidade comum ao neopentecostalismo cria uma aliança estranha entre religiosos progressistas e tradicionalistas.
De suas confortáveis poltronas e gabinetes pastorais bem equipados, pastores e teólogos de linhas tradicionalistas e progressistas se unem para criticar os pastores da Teologia da Prosperidade. Essa união “informal” é feita graças a um pacto de não agressão não declarado: enquanto atacam a Teologia da Prosperidade criticando seus pastores por nome (Silas Malafaia, R.R. Soares e outros que estão na lista negra), os tradicionalistas e progressistas não se atacam nominalmente.
Os progressistas só vão parar de criticar os neopentecostais depois que os neopentecostais abraçarem a Teologia da Missão Integral.
Os tradicionalistas só vão parar de criticar os neopentecostais depois que os neopentecostais abandonarem a Teologia da Prosperidade, e depois que abandonarem falar em línguas, profecias, expulsão de demônios, etc. Mas as exigências teológicas, com certeza, não vão parar por aí.
Um crítico antineopentecostal merece o título apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?apologeta?
Sim, ele mereceria, se denunciasse também a Teologia da Missão Integral e o cessacionismo — que atribui ao diabo profecias, revelações e outros dons do Espírito Santo hoje. O problema principal é que muitos que criticam os neopentecostais são tradicionalistas adeptos ou coniventes da Teologia da Missão Integral ou do cessacionismo.
Mesmo assim, são colocados na lista de preletores de conferências cristãs, como se suas ideias fossem honestas ou sensatas.
Os donos das conferências, aparentemente coniventes, nunca cobraram deles: “Você passou anos atacando Silas Malafaia, R.R. Soares e outros telepastores neopentecostais, mas nunca criticou Ariovaldo Ramos e outros promotores da Teologia da Missão Integral, inclusive o Genizah. Você também nunca atacou o cessacionismo. Como quer que eu veja você como um honesto defensor do Evangelho?”
Proeminentes adeptos de uma apologética cristã seletiva atacam, ao menor sinal, qualquer deslize de líderes pentecostais, mas fazem vista grossa às heresias descaradas de intocáveis sacerdotes da Teologia da Missão Integral. O que aconteceria, por exemplo, se Malafaia ou R. R. Soares tivessem feito a seguinte declaração?
“Para mim, esse universo é sagrado… O sagrado habita o mundo inteiro… Se não tenho uma visão que sacraliza o cosmos e toda a criação, eu preciso no mínimo fazer uma segunda reflexão…”
Essa declaração, patentemente panteísta, teria derrubado Malafaia e Soares, se eles a tivessem declarado. Contudo, seu verdadeiro autor nunca enfrentou problemas. Essa declaração foi feita em 12 de agosto de 2004 no seminário “A Igreja e os Programas Sociais do Governo Federal e A Igreja e a Bioética”. O seminário foi realizado no Congresso Nacional com o patrocínio do Movimento Evangélico Progressista e da bancada evangélica do PT. Desde 2004, quando as declarações panteístas foram feitas, nunca renderam ao autor, Caio Fábio, nenhuma acusação, denúncia ou incômodo por parte dos eternamente raivosos apologetas do mundo gossip — palavra inglesa que significa fofoca e o hábito de transmitir informações escandalosas, sensacionalistas e muitas vezes inexatas da vida privada dos outros. Por essa questão séria, vê-se que o alvo deles não é defender a sã doutrina nem combater heresias, mas mirar os neopentecostais. Caio Fábio e sua heresia panteísta de quase uma década de idade só escaparam dos apologetas do mundo gossip porque ele não é neopentecostal. Se ele fosse neopentecostal, teria sido denunciado por muito menos.
Alianças estúpidas
Os tradicionalistas não atacam a Teologia da Missão Integral mencionando Ariovaldo Ramos, Robinson Cavalcanti e outros figurões progressistas. Por sua vez, os progressistas devolvem o favor, nunca condenando por nome os tradicionalistas.
De seus casarões e carrões, muitos tradicionalistas e progressistas condenam as maiores mansões e carrões de líderes neopentecostais.
Condenam a Teologia da Prosperidade, mas vivem um luxo eclesiástico que deixaria Jesus e os apóstolos com aparência de meros mendigos iletrados.
Um pastor presbiteriano (estou usando este exemplo porque Ultimato e outros críticos progressistas se consideram calvinistas, inclusive o Genizah) de igreja pequena de cidade do interior de São Paulo ou Minas recebe uma média de 10 salários mínimos. (Se eu recebesse essa quantia, eu me consideraria rico!) Já um pastor presbiteriano de igreja grande em cidade grande recebe um salário muito superior a isso.
Embora Silas Malafaia, R. R. Soares e outros proeminentes pastores neopentecostais recebam super-salários, normalmente pastores neopentecostais de igrejas pequenas em cidades pequenas recebem muito, muito menos de 10 salários, e ainda fazem cultos quase todos os dias, enquanto pastores de igrejas calvinistas recebem muito para fazer geralmente apenas um ou dois cultos por semana.
Num caso específico, relatado a mim por um pastor presbiteriano, um pastor presbiteriano de uma igreja muito pequena recebia cerca de 10 mil reais por mês. Ele recebia também moradia, automóvel, auxílio-combustível, etc. Seu trabalho era fazer um culto por semana e um dia de aconselhamento.
Então, quando vemos um grande calvinista condenando a prosperidade de uma minoria de líderes neo-pentecostais, temos também a liberdade de perguntar quanto ganha o crítico.
Condenam a Teologia da Prosperidade, mas jamais renunciam à sua própria prosperidade. Ambos os grupos têm uma prosperidade que reflete a humildade de Jesus?
A motivação das críticas, é claro, envolve muito mais do que só “apologética”. Envolve inveja e outros sentimentos nada cristãos encarapuçados de preocupações teológicas.
Outros, como o tabloide sensacionalista Genizah, se enriquecem debochando de neopentecostais, e ainda posam de “defensores da fé” e “apologéticos”. O dono do Genizah é um empresário com o nome sujo em questões financeiras. Mesmo assim, continua com negócios financeiros escusos, em termos de ética cristã, ao fazer muito dinheiro com deboches e mau-caratismo. Esses “apologetas”, com sua ganância escondida, promovem amplamente figurões progressistas e liberais como Caio Fábio, Ariovaldo Ramos e Robinson Cavalcanti. Mas não são tachados nominalmente de progressistas por figurões tradicionalistas.
Confirma-se assim que um discreto ou secreto pacto de não agressão mantém os progressistas em silêncio com relação às diferenças com os tradicionalistas e vice-versa. Por amor ao “inimigo” comum, eles se dispõem a colocar as diferenças de lado. Não é a toa que o Genizah, cujo dono se gaba de ser calvinista, tenha sempre espaço no seu tabloide para textos de dinossauros progressistas como Robinson Cavalcanti e Caio Fábio, ao lado de textos de pastores não progressistas como Augustus Nicodemus (tradicionalista que acredita que profecias, visões e outros dons espirituais cessaram dois mil anos atrás, tornando inaceitáveis as experiências espirituais atuais de pentecostais e neopentecostais), mas nunca um único texto positivo de Silas Malafaia, que crê que profecias, visões e outros dons espirituais nunca cessaram. A hostilidade comum une tradicionalistas e progressistas.
De forma diferente, o progressismo do Genizah sempre mira, com deboches, meu blog. Eu não condeno os neopentecostais por tudo o que estão fazendo em favor da vida e da família, sendo impossível, para mim, fazer um pacto de não agressão com Genizah e criaturas semelhantes só por amor a ranços teológicos e ideológicos e invejas financeiras. Apoio Silas Malafaia, com restrições. Apoio tudo o que ele faz para defender a vida e família. Apoio-o também na crença de que os dons espirituais são para hoje. Mas desaprovo todas as alianças e interesses dele com políticos anti-família e anti-vida.
Não é só dos progressistas e tradicionalistas que os neopentecostais sofrem ataques. Alguns pentecostais, ávidos de ganhar favores de tudo e de todos, fazem vista grossa às aberrações progressistas e à postura tradicionalista de rejeitar profecias e visões como manifestações atuais de Deus, mas se juntam aos progressistas e tradicionalistas para condenar os neopentecostais. Cada um seguindo ambições carnais travestidas de preocupações teológicas.
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Por que não colocar os interesses de Deus acima dos interesses humanos? Por que ajudar, diretamente ou não, a fortalecer a esquerda secular, que está incomodada com os neopentecostais? Primeiro, foi Gilberto Carvalho, figura sinistra do PT, declarando que a única oposição ao socialismo no Brasil são as posições conservadoras de telepastores como Silas Malafaia e R.R. Soares que, ao serem confrontados com questões de aborto e homossexualismo, falam publicamente o que o PT não quer ouvir, falam o que está na Bíblia e educam suas imensas audiências na defesa da família, atrapalhando assim a hegemonia imoral da revolução marxista no Brasil.
José Dirceu, outra figura sinistra do PT, demonstrou o mesmo incômodo. Afinal, o PT e outros partidos socialistas estão determinados a impor o aborto e o homossexualismo no Brasil. O único impedimento que eles veem são os telepastores neopentecostais.
Enquanto Jean Wyllys declara que os calvinistas são seus aliados, o PT diz que seu inimigo principal é o neopentecostalismo. E os calvinistas tradicionalistas, querendo ou não, acabam confirmando a declaração do deputado gayzista, ao se unirem aos teólogos progressistas do Genizah e seus parceiros — que exaltam a ideologia esquerdista — para difamar sistematicamente o neopentecostalismo, que se mostra hoje como a única força cristã com capacidade de expulsar ou pelo menos confrontar os demônios do messianismo socialista que possuem o governo.
Desgraçadamente, eles usam muito mal o vasto conhecimento “bíblico” que têm. Líderes tradicionalistas e progressistas — que em grande parte têm formação teológica — são especialistas em afrontar a Deus em grego, hebraico e aramaico e mostram plenamente esses dons quando apoiam a Teologia da Missão Integral e atacam pastores neopentecostais, uma boa parte dos quais são caipirões, que mal entendem o português, mas são muito ousados no testemunho público! Em parte, esse quadro me faz recordar os teólogos judeus irados depois que dois apóstolos de Jesus haviam operado um milagre de cura:
“Observando a coragem de Pedro e de João, e tendo notado que eram homens simples e iletrados, ficaram perplexos e reconheceram que eles haviam convivido com Jesus”. (Atos 4:13 KJA)
Inegavelmente, as igrejas neopentecostais têm hoje a maior força para destronar o papel negativo do Estado como controlador e determinador de questões morais como aborto e homossexualismo. Como bem reconheceu Olavo de Carvalho, a Marcha para Jesus de 2011, onde Silas Malafaia denunciou, diante de mais de 5 milhão de pessoas, o PLC 122 e a tirania do STF a favor da agenda gay, foi a maior manifestação do Brasil contra os mandos e desmandos imorais do PT. Apesar disso, críticos progressistas e tradicionalistas do mundo gospel se uniram para condenar a manifestação da Marcha para Jesus.
As igrejas neopentecostais destronaram a Teologia da Missão Integral de sua posição de poder na década de 1980, impedindo uma unificação — sob Caio Fábio, Robinson Cavalcanti, revista Ultimato e outros — das igrejas evangélicas do Brasil em torno de uma ideologia esquerdista mascarada de “evangelho puro”.
Com o devido apoio (não hostilidade movida por inveja e ranço teológico), as igrejas neopentecostais poderiam fazer muito mais para destronar o socialismo de outras esferas da sociedade, ajudando a resgatar famílias, crianças e igrejas de selvagens intrusões estatais. Sem apoio, há o perigo de essas igrejas também entrarem, à semelhança da IURD, na órbita socialista, deixando o caminho aberto para a Teologia da Missão Integral reocupar seu trono.
Humildade para todos
Eu gostaria que as igrejas neopentecostais continuassem pregando Deus como suprema fonte de provisão para todas as necessidades das pessoas e da sociedade e continuassem desafiando os pobres a buscarem a Deus como suprema fonte de provisão para todas as necessidades humanas. Mas gostaria também que seus líderes se enriquecessem somente por bênção de Deus, não a custa das ovelhas. Gostaria que eles fizessem a opção de uma vida mais humilde.
De forma semelhante, pastores e teólogos tradicionalistas e progressistas deveriam também abdicar de seu estilo de vida luxuoso, carrões e casarões para viver uma vida humilde.
Vivendo humildemente, todos eles teriam mais paixão de pregar Deus como suprema fonte de provisão para todas as necessidades de todas as pessoas.
E, vivendo humildemente, todos eles teriam mais paixão de fazer a vontade profética de Deus, condenando publicamente, assim como fez João Batista, os políticos imorais e os roubos do Estado “milagreiro”, que promete tudo e rouba tudo.
Até quando toleraremos cargas abusivas de impostos em troca de esfarrapadas promessas “milagreiras” de moradia, saúde, educação e emprego? Até quando toleraremos a mentira de que políticas socialistas invasivas que escravizam o bolso, a alma, a moralidade e o coração dos cidadãos espelham o Reino de Deus?
Se até Tiradentes, que não era profeta, se revoltou contra uma cobrança abusiva de 20% de impostos, por que é que os líderes cristãos não podem imitar João Batista e condenar a atual cobrança abusiva maior de 40% de impostos, uma violação flagrante do governo brasileiro contra o povo e contra o mandamento divino que proíbe a todos, inclusive o Estado, de roubar?
Para os leitores internacionais: Tiradentes, apelido de Joaquim José da Silva Xavier (16 de agosto de 1746—21 de abril de 1792), foi um dos líderes do movimento revolucionário brasileiro cujo objetivo era a independência total de Portugal e criar uma república brasileira. Tiradentes e seus companheiros se inspiraram na independência dos Estados Unidos. Assim como alguns dos revolucionários americanos, eles eram maçônicos, mas não tinham os alicerces cristãos fortes que possibilitaram a extraordinária vitória de George Washington e outros americanos. A ironia trágica é que Tiradentes lutou contra um imposto de 20%, e hoje o Estado brasileiro cobra um imposto de 40% do povo brasileiro!
Versão em inglês deste e-booklet: Theology of Liberation versus Theology of Prosperity
Versão em espanhol deste e-booklet: Teología de la Liberación versus Teología de la Prosperidad
Fonte: www.juliosevero.com
Leituras adicionais na internet:
A esquerda apologética e o neopentecostalismo
Sensacionalismo gospel vermelho: tabloide calvinista Genizah canoniza protestantes que sofreram consequências por sua colaboração com o comunismo no Brasil
Pentecostais do Brasil: Crescimento da igreja em risco por causa do socialismo
Esquerda continua incomodada com neopentecostais
“Robinson Cavalcanti, o pecado veio cobrar a sua conta”: Uma resposta pública a Renato Vargens e aos defensores de suas incoerências
Extremismos liberais e ortodoxos da igreja evangélica brasileira
Silas Malafaia e seu apoio a FHC, Lula e Serra
Teologia da Missão Integral
Teocracia socialista: a tirania em nome da compaixão
Críticos do mundo gospel atacam tudo, menos a heresia progressista
O governo não é Deus
Jesus e os pobres: nenhuma semelhança com o socialismo
A Grande Mentira: O Socialismo Começou na Bíblia
Por que não sou socialista
Evangélicos progressistas, evangelicais ou encaPeTados?
Genizah, Ultimato e Rio de Paz: Alianças que atrapalham o testemunho cristão e ajudam o socialismo
Os críticos e os criticados nas igrejas evangélicas: quem nos salvará?
Entrevista de Julio Severo ao site Gospel Prime
Pastor assembleiano mantém seu nome em tabloide calvinista liberal custe o que custar
Marcha para Jesus atrai 5 milhões de pessoas e incomoda críticos
Eles estão entre nós: ativistas gays “cristãos”
Medo de perder eleições leva PT a evitar debate sobre aborto
Nero e seus amigos estão entre nós
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