domingo, 4 de maio de 2014

Os Arminianos podem ser salvos?

Rev. Ronald Hanko

arminianos-salvos

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto / felipe@monergismo.com


Nota do Editor: tenho presenciado muitas opiniões radicais sobre o assunto abordado neste artigo. Não é difícil encontrarmos arminianos que julgam os calvinistas como ‘hereges’, quiçá, como ‘hereges perigosos’ e ‘excomungáveis’. Vivendo em meio ao pentecostalismo, tenho presenciado tal preconceito em alguns momentos durante os últimos anos. De igual modo, também tenho visto, e recebo notícias, de calvinistas que são absolutamente incapazes de conceberem a idéia de que cristãos que professam o arminianismo possa ser verdadeiros salvos.

Tomei a liberdade de publicar este valioso artigo, e de convidar a todos os leitores e visitantes do ‘Olhar Reformado’ a responderem a seguinte questão: ser arminiano, ou ser calvinista, é o que decide o destino eterno das pessoas? Deixe a sua opinião.

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Nossa pergunta para essa edição da revista é: "Alguém que seja teologicamente Arminiano pode ser verdadeiramente salvo?" Essa não é uma questão fácil.

Queremos enfatizar desde o princípio que o Arminianismo é outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho (Gl. 1:6-7). Seu ensino nega a soberania de Deus na salvação e o poder e eficácia da morte de Cristo sobre a cruz (ao ensinar que Cristo morreu por todos, ele ensina que sua morte na verdade não salva ninguém). Ele também nega que a salvação seja pela graça somente com seu ensino com respeito à soberania da vontade humana. Contudo, essas são doutrinas fundamentais da fé cristã.

Não somente isso, mas cremos que o Arminianismo tem se infiltrado em muitas igrejas Reformadas sob o pretexto de um amor de Deus por todos os homens, um desejo da parte de Deus que todos os homens sem exceção sejam salvos, e o ensino de que há dons da graça e benefícios da cruz para todos. Isso apresenta um perigo mortal para as igrejas Reformadas.

Portanto, concordamos com a seguinte citação: "A falsa doutrina é pior quando aparece sob o envólucro da verdade, quando cita a Escritura, e canta Amazing Grace [Graça Maravilhosa]. Satanás sempre é mais eficaz ao se opor à verdade quando o faz em nome de Cristo. Nunca houve uma manifestação mais sutil da falsa doutrina do que aquela que afirma todas as ‘verdades’ da fé cristã sobre a base do esforço humano, do mérito das obras, da fé prevista ou do ‘livre-arbítrio’. Afirmar a graça sobre a condição das obras é a perversão extrema. É A Mentira" (John K. Pederson, Sincerity Meets the Truth, pp. v, vi).

Mas isso significa que aqueles que defendem o livre-arbítrio e outros ensinos do Arminianismo não podem e não são salvos? Não cremos nisso. Mesmo aqui, contudo, desejamos ser muito cuidadosos em nossa resposta. Insistiríamos que uma pessoa que verdadeira e consistentemente crê que ela é salva por sua própria boa vontade e esforço, contrariamente a Romanos 9:16, não pode ser salva; ela negou o próprio cerne do evangelho.

O ensino que o homem é salvo por seu próprio esforço é de Roma; o ensino de que ele é salvo por sua boa vontade e disposição é do Protestantismo apóstata; porém, na verdade eles não são diferentes. Esse ensino, de acordo com Romanos 10:1-4, é uma ignorância e recusa em se submeter à justiça de Deus, deixando a pessoa em necessidade de salvação. Através de sua ênfase sobre a vontade e as obras, um Arminiano consistente se separa de Cristo (Gl. 5:4).

Todavia, muitas pessoas confessam inconsistentemente tanto a graça como as obras. Elas atribuem sua salvação totalmente à graça de Deus, e ainda falam de ter escolhido a Cristo, de ter livre-arbítrio, e de Deus ser dependente na salvação da escolha feita por eles, mediante o livre-arbítrio. Eles agradecem a DEUS pela sua salvação e ainda falam como se fossem aqueles que fizeram as escolhas decisivas.

Frequentemente isso é culpa do ensino que receberam – ensino que fala de duas formas. Ele é um ensino que afirma a graça sobre a base das obras e do livre-arbítrio. Aqueles que ensinam tais coisas têm uma culpa maior. Todavia, aqueles que pensam dessa forma, embora possam ser salvos, também precisam perceber que eles não crêem na verdade, e precisam se arrepender disso.

Assim também, como o autor citado acima diz: "Precisamos ficar grandemente envergonhados de nós mesmos por nossa amizade tolerante com a doutrina da soberania humana que reside no âmago podre do evangelicalismo, e, por causa disso, da nossa indiferença sossegada, que é um testemunho da nossa covardia." A graça salva, não o livre-arbítrio e as obras.
Fonte (original): Covenant Reformed News, Vol. 6, nº. 2.

A propósito do Dia do Trabalho...

TRABALHO - BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO?
O trabalho não é a maldição:
1. Em Gn 1.26-28 Deus comissiona a raça humana a "dominar a terra e sujeitá-la". Logicamente isso envolve a penetração em todas as áreas de conhecimento, em todas as ciências, etc. Isso, que chamamos de "mandato cultural" implica em "trabalho", no sentido de aplicação de tempo em uma tarefa, em uma vocação, em um interesse, ou em uma obrigação recebida por delegação. Se o trabalho precede a queda, não pode ser "maldição". Essa é a âncora exegética que legitima o envolvimento do servo de Deus em todas as áreas do conhecimento, como delegação de Deus e não o fazendo um "cristão de segunda categoria" por não estar envolvido "tempo integral" no serviço cristão. Se ele penetra nas esferas do saber para a glória de Deus, está debaixo de sua vontade prescritiva.
2. Adão recebeu de Deus - antes da queda - a tarefa de nomear (o que, provavelmente, implica em classificar e catalogar, no sentido zoológico) o reino animal. Isso é, em toda expressão da palavra, "trabalho", e não era uma maldição mas um preenchimento natural das finalidades do homem.
3. A mulher foi criada antes da queda como auxiliadora, na esfera da família. Menção específica é feita, nas Escrituras, de que ela foi tirada do lado de Adão, não existindo qualquer inferioridade intrínseca advinda da criação, se bem que há uma ordenação funcional que procede do ato criativo. Mas a questão é: ela iria "auxiliar" em que, ou no que - se trabalho fosse uma maldição? A humanidade, pré-queda seria somente diversão? Nenhuma função utilitária? Certamente que não é essa a visão ou ensino das Escrituras. Em um mundo perfeito, sem maldição, havia trabalho, envolvimento físico e intelectual na criação, ainda que sem pecado.
4. Com a queda, o trabalho deixa de ser apenas prazeroso, ou algo simplesmente agradável. Passa a ser penoso, duro, extenuante. Mas nem por isso o "mandato cultural é revogado". A procriação e o nascimento de filhos, na queda, não virou maldição, mas a maldição do pecado se retrata no fato de que o "dar à luz" passa a ser realizado com dores e grande esforço. Semelhantemente, não é o trabalho que é maldição, mas o seu realizar que nem sempre ocorre da forma como gostaríamos nem é tão fácil como seria o nosso desejar.
5. Assim, se antes da queda, possivelmente, o envolvimento com os aspectos e a diversidade da criação, seria algo indolor e que traria só contentamento, depois da queda, estamos sujeitos a estruturas que não procuramos, patrões que não desejamos, áreas às quais não estamos bem encaixados ou sequer apropriadamente treinados. Nem sempre recebemos reconhecimento, por vezes somos injustiçados; o ambiente de trabalho, em várias situações, não reflete a busca da glorificação a Deus, mas a sujeira do mundo - palavrões, blasfêmias, ridicularização da devoção e piedade genuínas; o ambiente é, normalmente, de desonestidade e por vezes somos uma peça em uma grande máquina que opera desonestamente em muitos sentidos. Esse é o aspecto da maldição - mas ela é a maldição do pecado e não do trabalho.
6. Numa ocasião, há muitos anos, eu estava descontente com meu trabalho e ansiava por uma coisa diferente. Vi um anúncio da hoje extinta TransBrasil (na época estava no auge) no qual um de seus comandantes de jato dizia o seguinte: "na TransBrasil faço parte daqueles poucos privilegiados que trabalham exatamente naquilo que gostam de fazer". Fiquei meditando naquilo e na realidade que expressava - realmente, só uma pequena minoria consegue "trabalhar no que gosta de fazer" (coitado do comandante, hoje nem TransBrasil existe mais...). Concluí: por que eu teria que ser um desses privilegiados? Poderia ser que Deus procurava me ensinar exatamente abnegação, concentração nele, confiança maior em seus propósitos, ou algo assim, mantendo-me em uma ocupação que em todos os seus aspectos não me dava qualquer prazer, mas somente canseira, enfado e conflitos. Por que haveria de ser diferente comigo, em um mundo submerso em pecado. Quantos engenheiros não estão consertando carros? Quantos médicos não estão vendendo equipamentos cirúrgicos? Quantos advogados não estão sendo meros auxiliares de escritório? Quantos bancários não estão dirigindo táxis? Quantos motoristas, não estão vendendo algo nas ruas, para sobreviver? Acho que essa é a situação da esmagadora maioria - trabalham no que não têm prazer. Não obstante, devemos considerar o trabalho uma benção de Deus (e não uma maldição) e seguir 2 Tess 3.12 onde Paulo exorta a que "tranquilamente trabalhando" comamos o nosso pão. Se, na providência divina, conseguirmos conjugar o trabalho com o prazer e interesse pessoal, será uma bênção redobrada. E lembremo-nos que nos Dez Mandamentos, Deus comanda: "Seis dias trabalharás...".
Feliz dia do TRABALHO!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A Nociva Semente do Evangelho da Prosperidade

Miguel Núñez 31 de Março de 2014 - Práticas da Igreja
Por que o evangelho da prosperidade prosperou? Qualquer um envolvido no ministério hoje está ciente do quão difundido é esse novo ensino. Ele alcançou quase todas as nações. Eu fiquei surpreso ao encontrá-lo até mesmo em Cuba, em uma de minhas muitas viagens para a ilha caribenha.
Por que essa heresia? E por que agora?
Seria fácil dizer que a propagação do evangelho da prosperidade é simplesmente o resultado de uma falta de conhecimento bíblico, e certamente ninguém pode negar isso. O movimento interpreta erroneamente a Escritura, seletivamente se utiliza de textos bíblicos negligenciando outros, perdendo a visão balanceada do completo conselho de Deus sobre a saúde e a riqueza. Em uma era em que muitos mestres da Palavra não estão pregando expositivamente, todo tipo de heresia tende a surgir.
Mas duas perguntas permanecem: por que essa heresia? E por que agora? Eu sugeriria que há profundas raízes malignas nos corações das pessoas e fortes ideias seculares no coração da nossa sociedade — e até mesmo na igreja — que servem como fertilizantes para essa semente nociva.
1. Do meu jeito!
Primeiro, criaturas caídas desejam ser independentes de Deus. Se você pensar bem, a mensagem da antiga serpente era uma versão do evangelho da prosperidade. O que Satanás poderia oferecer a um casal que havia recebido o planeta inteiro para usar e dominar? Nada! Bom, nada material. Mas o mais astuto dos animais da terra ainda tinha uma carta na manga... prosperidade espiritual: “Sereis como Deus” (Gn 3.5). Satanás ofereceu uma maneira de eles aprimorarem sua já abençoada condição, algo conquistável independentemente do Criador, para que eles pudessem dizer: “Eu fiz do meu jeito”.
Hoje, Satanás oferece prosperidade material para criaturas caídas e destituídas: “Você pode ser mais rico”. E você pode fazer isso do seu jeito, agora mesmo. A desobediência inicial do primeiro casal e a subsequente desobediência de seus descendentes, parece ser um clamor de independência do seu Criador.
Satanás sabe bem como explorar esse aspecto da nossa humanidade. Ele encontrou Cristo no deserto após ter Cristo deixado para trás a sua glória, seus direitos como a segunda pessoa da Trindade, e após tomar sobre si a fraqueza da carne humana. Nessa condição, o que a antiga serpente ofereceu a ele? “Riquezas, glória, poder possível de ser conquistado do seu jeito, Jesus, e aqui mesmo. Você não tem que esperar, você não tem que trabalhar por isso, você não tem que sofrer para obter os reinos deste mundo, e você não tem que depender do seu Pai. Apenas me adore, Jesus!” O Filho de Deus resistiu, mas a humanidade repetidas vezes se curva a mamon. O homem caído pensa que dinheiro é a fonte de felicidade, poder, conforto e até mesmo saúde. Talvez seja por isso que Gordon Fee diga que “De fato, a teologia nesse novo ‘evangelho” parece muito mais adequada ao “Sonho Americano” do que o ensino daquele que não tinha ‘lugar para repousar a cabeça’”.[1]
A fome por independência (Gn 3.1-7), a fome por riquezas (Js 7.16-21), a fome por imortalidade (Ec 3.11) e a impaciência da criatura (1Sm 13.8-15) tornam o homem especialmente suscetível a esse tipo de evangelho herético. Como podemos ver, as ofertas de Satanás naquela época e agora são similares em seu conteúdo, mas ele é um mestre em mudar o embrulho de seus “presentes”.
2. Narcisismo e a cultura do direito
Abordamosa natureza do coração humano, e agora vamos lidar com o coração da nossa geração. Narcisismo é um termo que muitos usam para descrever pessoas cuja busca na vida é a autogratificação à qual elas sentem ter direito. De fato, toda a indústria de marketing é dominada por este sentimento: “Você merece o luxo deste carro”; “Cuide de você mesmo, porque ninguém mais vai cuidar”; “Você merece férias em um resort”, e centenas de outras frases similares. Se as pessoas estão dispostas a acreditar em tais mentiras, imagine como elas se sentem quando ouvem um pastor pregando que Deus quer que você seja rico e saudável, ou que você deveria ter o melhor que a vida pode te proporcionar agora. Membros dessa cultura do direito podem concluir que até mesmo Deus acredita que nós merecemos riquezas e saúde incondicionais. Então o crente não se aproxima de Deus com um coração humilde e contrito, buscando a sua graça, mas com uma postura orgulhosa, esperando as bênçãos merecidas.
Houve um tempo em que até mesmo a população em geral no ocidente confiava na providência de Deus para orquestrar a história e até prover para o povo. Mas a cultura hoje não é essa. Agora sentimos que devemos ter o que quisermos e quando quisermos, porque é meu direito constitucional ser feliz. Se o governo não pode prover isso, então outros deveriam. E se eles não podem, então o Deus que me criou deveria ser esse fornecedor. Alguns até mesmo se iram com Deus por não fornecer o que eles desejam. Ravi Zacharias escreve: “Nós estamos vivendo em um tempo em que a máxima de G.K. Chesterton provou ser verdadeira. A insignificância não vem de fatigar-se da dor, mas de fatigar-se do prazer. Nós nos exaurimos nesta cultura indulgente”.[2]
3. Ceticismo e pragmatismo
Ao mesmo tempo em que essa cultura de direito surgiu, o movimento pós-moderno das últimas décadas produziu um vácuo da verdade, lançando fora os absolutos. Na ausência da verdade, as pessoas começaram a ficar cada vez mais céticas e, portanto, mais pragmáticas. Muitos pregadores abraçaram essa mentalidade. Em vez de nos chamarem para seguir Jesus como a Verdade, o Caminho e a Vida, eles proclamam um pragmático evangelho do “como fazer” que nos diz como resolver os nossos problemas, especialmente aqueles relacionados às finanças e enfermidades.
Quando o pragmatismo invade o púlpito, a exposição é colocada de lado e a ignorância bíblica se torna seu fruto. Agora as ovelhas se tornam mais vulneráveis a todo tipo de mentira. O pragmatismo tem por alvo o homem e a sua vida conveniente; já a exposição da Palavra tem por alvo Deus e a sua glória.
Leia atentamente o que Joseph Haroutunian, um teólogo presbiteriano do passado recente (1904-1968), disse: “Antes, a religião era teocêntrica. Antes, o que quer que não conduzisse à glória de Deus, era infinitamente mau; agora o que não conduz à felicidade do homem é mau, injusto e impossível de atribuir à Deidade.  Antes, o bem do homem consistia, em última análise, em glorificar a Deus; agora, a glória de Deus consiste no bem do homem”.[3] A nossa sociedade se tornou utilitária até o âmago.
Ora, de algumas maneiras isso não é novo, visto que não há pecados novos debaixo do céu. Mas a remoção da sociedade de certas limitações como pudor, culpa e dever, deixou o campo aberto para tais tendências do coração humano correrem soltas. Para uma geração tão egocêntrica e gananciosa como a nossa, o evangelho da prosperidade é a receita certa.
Quando os membros desta sociedade se convertem, eles precisam de uma transformação total de cosmovisão que só o evangelho pode fornecer. Infelizmente, muitos pregadores concluíram que não-cristãos hoje não ouviriam o evangelho de Cristo com todas as suas demandas. “Quem iria querer ouvir uma mensagem sobre o custo do discipulado?” eles pensam. “Quem quer ouvir sobre o fato de que neste mundo você terá tribulações?” O verdadeiro evangelho foi substituído por um que seria mais apropriado para a nossa geração: um evangelho de riquezas, saúde e felicidade. E muitas pessoas estão comprando o “evangelho” que esses pregadores estão vendendo.
4. Uma maior distribuição de riquezas
Em 1999, Angus Maddison, professor emérito na Groningen University, publicou um artigo intitulado “Poor until 1820” (Pobres até 1820, em tradução livre), no qual explicou que “após a queda do Império Romano, o ocidente entrou em uma recessão que durou cerca de um milênio. Após a Revolução Industrial, devido à produção em massa, a renda per capita começou a crescer regularmente”.[4] Isso é verdade até mesmo para o continente africano, embora em um grau menor. Conforme esperado, maior renda criou maior demanda. Conforme a produção crescia, cresciam também as alternativas para satisfazer o gosto e as preferências das pessoas.
Isso sem dúvida fomentou o materialismo. Novamente, as estratégias de marketing foram projetadas para vender produtos baseando-se na satisfação que eles trariam ao consumidor. Portanto, quanto mais eu possuísse, mais feliz eu seria. Mas eu preciso de dinheiro para comprar os produtos que eu quero, e se o dinheiro pode ser provido por Deus através do evangelho da prosperidade, então eu não seria apenas rico, mas também me sentiria abençoado. “Por que não?” muitos perguntariam. Afinal, nós somos filhos do Rei, portanto merecemos viver como seus príncipes. Qualquer um familiarizado com a pregação da prosperidade já ouviu essa fala comum.
Como Salomão teria testificado, maior renda nem sempre resulta em maior satisfação, mas apenas em possessão de mais coisas. Contudo, muitas pessoas não concluem que coisas não podem trazer felicidade. Em vez disso, pensam que o problema se deve ao fato delas não possuírem o suficiente do que quer que desejam. Eis aqui o conselho de Salomão para aqueles que ainda não estão convencidos:
Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade. Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem; que mais proveito, pois, têm os seus donos do que os verem com seus olhos? Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir. (Ec 5.10-12)
Imagine viver em um bairro muito carente, vendo gente rica vivendo de um jeito muito diferente do seu. A conclusão no passado era: “Eu preciso trabalhar mais para que, um dia, eu possa viver daquele jeito”. Hoje, muitos desejariam o mesmo sonho, e eles desejam alcançá-lo com mais facilidade. A maior distribuição de renda não produziu uma melhor ética de trabalho, mas simplesmente um apetite maior por mais.
O ´Sonho Americano´ em Exposição
Toda heresia nasce em algum lugar. O evangelho da prosperidade nasceu nos Estados Unidos, e há algo na história desse país que ajudou a promover esse movimento. Em seu livro de 1931 The Epic of America (A Epopéia Americana, em tradução livre), James Truslow Adams afirmou que o Sonho Americano é “aquele sonho de uma terra em que a vida seria melhor, mais rica e mais plena para todos, com oportunidades para todos de acordo com as suas habilidades ou conquistas”.[5] Essa ética nacional criou uma nação próspera.
Anos atrás, as pessoas ouviam falar da prosperidade nos Estados Unidos e queriam vir e ver essa prosperidade, assim como a rainha de Sabá queria ver o reino de Salomão (1 Reis 10). Hoje, você não tem que vir aos Estados Unidos para ver a prosperidade, você pode simplesmente ligar a sua televisão, não importa em qual distante ou pobre lugar você viva. O programa de televisão “Lifestyles of the Rich and Famous” (O Estilo de Vida dos Ricos e Famosos, em tradução livre) se tornou muito popular, não apenas nos Estados Unidos, mas também fora deles; não apenas por causa da curiosidade, mas porque ele deu às pessoas a capacidade de sonhar por um momento.
Países poderosos exportam muitos produtos, mas também exportam as suas crenças e culturas. E em nossa época, nós exportamos até mesmo o evangelho da verdade e o evangelho do engano ao mesmo tempo através dos mesmos canais. Desde quando os Estados Unidos se tornaram uma nação rica, onde todos parecem prosperar, qualquer mensagem que vem de lá deve ser verdadeira, especialmente essa mensagem de prosperidade. Essa é a mentalidade de muitos na América Latina, e suspeito que em muitos outros lugares também.
Infelizmente, quando as pessoas assistem à televisão, elas não apenas sonham em ter um estilo de vida com o qual elas não podem arcar, mas se tornam mais gananciosas. A ganância é uma característica do coração que obscurece o entendimento e escraviza a vontade. Quando tal mente é exposta ao evangelho da prosperidade, ele encontra solo fértil para essa semente maligna. Os produtores conhecem o efeito da televisão nas vidas das pessoas, então eles gastam grandes somas de dinheiro para nos servir de imagens. Os produtores sabem disso muito bem; os consumidores não. Se um membro de igreja adota os mesmos hábitos televisivos de uma pessoa na rua, no final ele pode acabar se parecendo mais com um pagão do que com um cristão. Isso pode ajudar a explicar o motivo de até crentes legítimos terem sido capturados por tais falsos mestres.
Quer ouçam, quer deixem de ouvir
O evangelho da prosperidade é o resultado dos desejos de um coração caído, que vive no meio da abundância, em uma cultura que reivindica o “eu primeiro”, que valoriza o conforto, os bens materiais e escolhas, em busca de desfrutar a vida aqui e agora. Uma vez que esse “evangelho” (que não é evangelho algum) nasceu, foi facilmente disseminado devido à globalização. Todos os meios de comunicação e de transporte foram usados para carregar as boas novas e essas más novas. Hoje temos que dizer não apenas que ideias têm consequências, mas também que ideias viajam rapidamente. Também precisamos lembrar que é mais fácil disseminar uma mentira do que desfazer seu estrago.
Para deixar as coisas piores, tudo isso foi acompanhado por uma fome da Palavra de Deus no púlpito e uma falta de confiança na Palavra para destruir os ídolos do coração e mudar as mentes das pessoas. Em vez disso, muitos fizeram o que Arão fez no deserto: ele deu ao povo o que o povo queria; um bezerro de ouro para adorar.
Então, o que devemos fazer? Pregar o evangelho “quer ouçam, quer deixem de ouvir” (Ez 2.5), e confiar no poder da Palavra de Deus para fazer repetidas vezes o que ela sempre fez: converter a alma, iluminar a mente, quebrar o jugo do pecado e trazer alegria para a pessoa como um todo.

[1] Gordon D. Fee, The Disease of the Health and Wealth Gospels (Vancouver: Regent College Publishing, 2006), edição para kindle, Loc 28.
[2] Ravi Zacharias, “An Ancient Message, Through Modern Means to a Postmodern Mind,” em Telling the Truth, editado por D.A. Carson (Grand Rapids: Zondervan, 2000), 28.
[3] Citado por Erwin Lutzer em 10 Lies about God and the Truth that Shatter Deception, (Grand Rapids: Kregel, 2009), 8.
[4] Per Capita Income in World History, http://www2.econ.iastate.edu/classes/econ355/choi/rankh.htm; acessado em 15 de novembro de 2013.
[5] The American Dream; Biblioteca do Congresso, (http://www.loc.gov/teachers/classroommaterials/lessons/american-dream/students/thedream.html), acessado em 15 de novembro de 2013.
Tradução: Alan Cristie

Como o Inferno Glorifica a Deus?

James M. Hamilton Jr. 03 de Abril de 2014 - Deus
Para entendermos a maneira como o inferno glorifica a Deus, precisamos ver o inferno à luz da grande história da Bíblia, do seu ponto de vista e da sua caracterização de Deus e do homem.
A Grande História da Bíblia
A história da Bíblia, como todas as histórias, tem um começo, um meio e um fim.
O começo
Deus cria um lugar perfeito e coloca nele um homem e uma mulher inocentes. Deus estabelece os termos e afirma, com clareza, a consequência de transgredirem seus termos. Um inimigo mente para a mulher inocente. Ela acredita na mentira, quebra os termos de Deus, e o homem a acompanha no pecado. Deus amaldiçoa o inimigo e dá início às consequências da transgressão, amaldiçoando também a terra. Na maldição lançada sobre o inimigo, Deus afirma que o descendente da mulher ferirá a cabeça do inimigo, enquanto o inimigo ferirá o calcanhar do descendente. O homem e a mulher são banidos do lugar perfeito.
Meio
A humanidade foi dividida em dois grupos: a descendência da mulher e a descendência da serpente, os justos e os ímpios. Os descendentes da mulher são inicialmente um subconjunto da nação de Israel, uma linhagem de descendentes que Deus escolheu abençoar. Eles experimentam um refazer do começo da história. Deus os coloca em uma terra prometida e estabelece os termos. Eles quebram os termos e são banidos dessa terra, mas Deus continua a prometer que o inimigo será derrotado, ainda que isso tenha que acontecer por meio de um doloroso derramamento de sangue do descendente da mulher.
Então, Jesus vem como o descendente prometido da mulher. Ele esmaga a cabeça do inimigo, e o inimigo fere o seu calcanhar – Jesus morre na cruz. Por ser ele inocente e haver resistido a todas as tentações, a morte não pode retê-lo. Jesus vence triunfantemente a morte, satisfazendo a justiça de Deus contra o pecado e abrindo o caminho de salvação para todos os que crerão nele.
Fim
A criação será como uma mulher que sofre dores em trabalho de parto: os ímpios atacarão perversamente os justos, que confiam em Deus e dão testemunho da verdade de Deus, até serem mortos. Isto continuará até que Jesus venha de novo. Quando Jesus vier de novo, julgará os ímpios e os enviará à punição eterna. Ele levará aqueles que creram na Palavra de Deus e no testemunho de Jesus para um novo lugar perfeito.
A Bíblia nos Dá o Ponto de Vista de Deus...
Esta história não é simplesmente uma história; ela apresenta o ponto de vista de Deus sobre o mundo. Pense comigo no ponto de vista da Bíblia, a perspectiva dos autores bíblicos.
O ponto de vista deles é que Deus estabelece os termos e que Deus sempre está certo. Aqueles que rejeitam os termos de Deus estão errados e enfrentam as consequências que Deus afirmou quando estabeleceu os termos. Além disso, a Bíblia não somente representa o ponto de vista dos autores bíblicos, mas também reivindica falar por Deus. Ou seja, a Bíblia reivindica apresentar o ponto de vista de Deus sobre o assunto.
...Sobre Deus, o Homem e o Nosso Estado Diante de Deus
Como são apresentados os personagens na Bíblia? Eles são apresentados principalmente por suas palavras e ações, mas a Bíblia também avalia seus personagens. Pensemos brevemente como a Bíblia caracteriza Deus, os homens e Jesus.
A Bíblia ensina que Deus sempre faz e diz o que é correto. Ele sempre cumpre a sua Palavra. Nada pode frustrar o seu propósito. Deus é livre e bom. A Bíblia sempre justifica a Deus. Ou seja, a Bíblia sempre mostra que Deus é justo. Paradoxalmente, a Bíblia também mostra que Deus é misericordioso.
Por outro lado, todos os homens fazem e dizem o que é errado, o que revela falta de confiança em Deus. Por palavras e atos, os humanos transgridem os mandamentos de Deus. Os homens corromperam a boa criação de Deus, perverteram seus ótimos dons e, de toda maneira, têm atacado a Deus, que lhes dá vida e todas as coisas boas. Por isso, todos os humanos merecem condenação.
Como afirmamos antes, há dois grupos de humanos. Um grupo é caracterizado por confiar em Deus, concordar com seus termos, confessar que têm quebrado os termos, abandonar suas transgressões e procurar crer nas promessas de Deus, de modo que possam viver de acordo com os seus termos. O outro grupo rejeita Deus e seus termos, se recusa a admitir sua culpa, se recusa a abandonar o mal e se une ao inimigo.
Jesus mostrou por suas palavras e atos que era plenamente humano e plenamente Deus. Jesus nunca transgrediu os mandamentos de Deus. Ele resolveu o grave problema. Jesus se deu em favor de outros. Qualquer que se opõe a ele ou o rejeita está se opondo à bondade e ao amor e rejeitando-os. Qualquer que se opõe a ele e o rejeita merece condenação. Aqueles que o recebem e se unem a ele, fazem isso nos termos dele, que são os termos de Deus e envolvem confissão de pecado, arrependimento e confiança em Jesus.
Então, Como o Inferno Glorifica a Deus?
Como tudo isto nos ajuda a entender como o inferno glorifica a Deus?
Este mundo é a história de Deus. Ele falou e o trouxe à existência, e o mundo continua a existir porque Deus continua falando. O universo é sustentado pela palavra do poder de Deus. É a sua história. Ele é o Autor cujo ponto de vista é comunicado na Bíblia e cujas caracterizações definem os participantes no drama.
O inferno é um ato de Deus em cumprir sua Palavra. O fato de que Deus manda os ímpios para o inferno mostra que ele é fiel e justo. Se Deus não aplicasse os termos que ele mesmo estabeleceu, não cumpriria sua Palavra e seria infiel. Se Deus não enviasse os ímpios para o inferno, ele não manteria seu próprio padrão de justiça e não seria justo. Se Deus não punisse os rebeldes no inferno, os justos não seriam vindicados. De fato, se não houvesse realmente inferno, poderíamos concluir que os justos estavam errados por terem confiado em Deus.
No entanto, o inferno existe e os justos são sábios por confiar em Deus. O inferno mostra a glória da justiça de Deus. O inferno vindica aqueles que obedecem aos termos de Deus, ainda que sofram terrivelmente por fazerem isso. O inferno vindica os justos que foram perseguidos pelos ímpios. O inferno glorifica a Deus.
Você não concorda com isso? Pode muito bem se unir a Shere Khan em opor-se a Rudyard Kipling. Ou, de novo, poder ter tanta chance de mudar o enredo, o ponto de vista ou a definição dos personagens, quanto Sauron teve de mudar a mente de Tokien. Isso não acontecerá. Você é uma criatura na obra de arte do Criador. Aceite o fato. Ele é o Criador, não você. Quanto deveríamos levar a sério aqueles que se opõem ao inferno ou tentam reescrever a história para que o inferno não seja parte dela? Com tanta seriedade quanto tomamos Hamlet criticando a obra de Shakespeare. Hamlet não teve existência independente. Ele só poderia criticar Shakespeare se o autor decidisse escrever essa cena.
Deus criou um universo em que a sua misericórdia tem significado precisamente porque não anula a sua justiça. Para ser justo e demonstrar misericórdia, Deus tem que cumprir sua promessa de punir a transgressão. Na apresentação bíblica da verdadeira história do mundo, Deus mantém a justiça na cruz e no inferno. Jesus morreu na cruz para estabelecer a justiça de Deus e garantir que os que se arrependem do pecado e creem em Cristo recebam misericórdia que é também justa. Deus pune os ímpios no inferno para manter a justiça contra todos os que se recusam a arrepender-se do pecado e dar graças a ele.
Em resumo, o inferno glorifica a Deus porque:
· Mostra que Deus cumpre sua palavra;
· Mostra a infinita dignidade de Deus, a qual dura para sempre;
· Demonstra o poder de Deus em subjugar todos os que se rebelam contra ele;
· Mostra quão indizivelmente misericordioso ele é para com aqueles que confiam nele;
· Confirma a realidade do amor por trazer justiça contra aqueles que rejeitam a Deus, que é amor;
· Vindica todos os que sofreram por ouvir ou proclamar a verdade da Palavra de Deus;
· E mostra a enormidade do que Jesus realizou quando morreu para salvar, do inferno que mereciam, todos os que creriam nele. Se não houvesse o inferno, não haveria a necessidade da cruz.

5 mentiras que o pecado me conta

mentiras-pecado
“o pecado… me enganou e me matou” (Rm 7.11)
O pecado busca nos enganar com suas mentiras e não é só no dia 1 de Abril. Aqui estão 5 mentiras que ele nos conta:
MENTIRA: Este é um pecado tão pequeno, insignificante! Não é realmente grande coisa aos olhos de Deus.
VERDADE: Todo pecado é uma terrível ofensa a Deus. O pecado é a soma de todos os males, o oposto de tudo que é bom, santo e belo. Até mesmo o menor dos meus pecados exigiu a morte do Filho de Deus. Não existe isso de pecadinho. Todo pecado é uma traição cósmica.
MENTIRA: Eu vou ceder ao pecado desta vez, aí acaba. Eu só preciso tirá-lo do meu sistema.
VERDADE: Toda vez que caio em um pecado torna-se mais difícil quebrar o poder desse pecado. O pecado tem uma maneira de afundar seus ganchos farpados profundamente em meu coração. Eu não posso simplesmente pecar e depois me afastar ileso. Quanto mais eu ceder ao pecado, mais enredado eu fico. O pecado sempre deixa cicatrizes.
MENTIRA: Este pecado é parte de quem eu sou. Eu sempre luto contra isso e eu sempre vou pecar dessa forma.
VERDADE: O pecado não define a minha identidade! Eu sou uma nova criatura em Cristo. Cristo me libertou do poder escravizador do pecado. Eu definitivamente não tenho que obedecer às paixões pecaminosas que surgem em mim. Talvez eu tenha que lutar contra isso para sempre, mas o meu passado não define o meu futuro.
MENTIRA: Eu preciso cair nesse pecado para ser feliz.
VERDADE: O pecado nunca fornece a verdadeira felicidade. Ele promete doçura, mas em ultima instância oferece uma carga de destruição, insatisfação, relacionamentos arruinados e dureza de coração.
MENTIRA: Deus quer que eu seja feliz, por isso está tudo bem cair em pecado.
VERDADE: Deus quer mesmo que eu seja feliz. No entanto, a minha felicidade só crescerá tão alto quanto a minha santidade. O pecado, por fim, corrói e destrói a verdadeira santidade e verdadeira felicidade
Por Stephen Altrogge. © 2013 The Blazing Center. Original: Five Lies Sin Tells Me
Tradução: Josie Lima | Reforma21.org. Original: Cinco mentiras que o pecado me conta

domingo, 6 de abril de 2014

A Carta de Campina Grande

Já por 16 anos é realizado em Campina Grande, PB, no período do carnaval, um dos maiores eventos evangélicos do Brasil, que é o Encontro para a Consciência Cristã. O evento reuniu este ano milhares de pessoas do Brasil e do exterior, com preletores nacionais e internacionais das mais diversas tradições evangélicas. O público estimado por noite foi de dez mil pessoas, com uma estimativa de mais de cem mil pessoas passando pelas dezenas de reuniões, encontros e eventos que aconteceram simultaneamente durante os dias do evento.
Na noite do encerramento foi promulgada uma carta, assinada por todos os preletores, refletindo os temas centrais anunciados e os compromissos assumidos durante o evento.
A carta se encontra abaixo, na íntegra. Minha oração é que ela seja usada para promover o Evangelho bíblico e a unidade espiritual entre verdadeiros cristãos. 
CARTA DE CAMPINA GRANDE
Nós, membros da igreja de Jesus Cristo, participantes do 16º Encontro para a Consciência Cristã, celebramos a comunhão que desfrutamos com o povo de Deus, unidos ao redor do evangelho de Cristo.
No início deste século e milênio a igreja evangélica brasileira tem enfrentado imensos desafios e inesperadas oportunidades. O crescimento numérico das denominações evangélicas tem sido notório, levando-nos à plena convicção de que o Deus Todo-Poderoso tem salvado um número incontável de pessoas para a glória do seu Nome. Entretanto, é possível constatar que uma parcela significativa do evangelicalismo brasileiro tem abandonado o compromisso com o evangelho ensinado por Cristo.
Lamentavelmente, um tipo crasso de religiosidade popular tem prevalecido na mídia e na proliferação de templos e denominações, causando escândalo para a fé cristã e distanciando as pessoas que mais necessitam do poder transformador do evangelho. Ao mesmo tempo, muitas igrejas têm se omitido no cumprimento da Grande Comissão, deixando-se influenciar por um avançado processo de secularização. Crescem por oferecer entretenimento e não por fazer discípulos radicalmente comprometidos com Cristo. Pensadores evangélicos antes consagrados à proclamação do evangelho da Salvação Eterna hoje pronunciam-se publicamente rompendo com as convicções que um dia defenderam. Os líderes já não são mais vistos como referências de espiritualidade e integridade, mas como embusteiros, que exploram a credulidade do povo, enriquecendo ilicitamente. Nesse cenário, muitas igrejas conservadoras, ainda que mantendo fidelidade às doutrinas evangélicas fundamentais, mantêm-se apáticas em relação ao desafio missionário e à tarefa de influenciar a sociedade como sal da terra e luz do mundo.
Por outro lado, vemos um país sucumbindo diante da corrupção sistêmica, da violência generalizada, da desagregação familiar, do abandono dos valores cristãos, da desigualdade social e de práticas ocultistas.
Diante dessa realidade, oramos por um avivamento espiritual em terras brasileiras. Não um avivamento de emocionalismo e misticismo, que não produz transformações duradouras, mas um que, como ocorreu em outros lugares e outros tempos, proporcionou a conversão verdadeira de milhares e até milhões de pessoas, chegando a mudar o rumo de nações. Para demonstrar nosso compromisso com o avivamento da igreja brasileira, nós declaramos juntos:
NÓS CREMOS NO EVANGELHO
O evangelho de Jesus Cristo é a boa notícia da salvação graciosa de Deus somente pela fé em Jesus Cristo. Nós não compactuamos com as grandes distorções da mensagem cristã, ensinadas por grupos que, em sua essência, exploram a credulidade do povo e buscam o enriquecimento ilícito em nome do evangelho. De acordo com as Escrituras, esses são lobos vorazes, mercadores da fé, charlatães. Sua existência não nos surpreende, pois, desde o início, Jesus e os apóstolos nos alertaram contra suas práticas.
O evangelho de Cristo exalta Deus que, em sua santidade, justiça e amor, oferece ao ser humano caído salvação através do sacrifício redentor de Cristo, o Messias prometido, o Filho de Deus. Afirmamos que ninguém pode ser justificado por suas obras, pois todos pecaram e distanciaram-se da glória de Deus. Somente pela fé em Cristo como Senhor e Salvador, o ser humano é salvo dos seus pecados e transformado em nova criatura.
NÓS PROCLAMAMOS O EVANGELHO
A missão principal da igreja é glorificar a Deus, proclamando o evangelho e fazendo discípulos de todas as nações.
Reconhecemos que a igreja foi chamada para proclamar o evangelho em sua inteireza, mas nos recusamos a vinculá-lo a ideologias políticas ou agendas de ambições pessoais. Cremos que o evangelho deve ser proclamado nos termos e ênfases do evangelho, não nas circunstâncias mutáveis da sociedade. Nós proclamamos o evangelho em sua totalidade, sem omitir seus aspectos essenciais como a justiça e a santidade de Deus, a culpa do ser humano, a salvação somente pela fé, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, o céu e o inferno. Nós proclamamos o evangelho a todas as pessoas, independentemente de raça, nacionalidade, sexo, religião ou condição social. Cremos que todas as pessoas precisam ouvir o evangelho em sua própria língua e cultura, de forma contextualizada, que tenham a oportunidade de ser discipuladas e fazer discípulos, formando igrejas locais autóctones comprometidas com o pleno ensino do Reino de Deus, fazendo da proclamação do evangelho um estilo de vida.
Nós repudiamos mensagens que substituam o evangelho de Cristo por conteúdos humanistas de autoajuda, que promovam um misticismo desvinculado das Escrituras e transformem Deus em um negociador de bênçãos.
NÓS DEFENDEMOS O EVANGELHO
Desde os seus primórdios, o ensino de Cristo esteve sob o ataque de crenças e filosofias hostis à mensagem da salvação pela graça mediante a fé. Somos chamados a lutar diligentemente por essa fé que nos foi entregue de uma vez por todas, estando preparados para dar razão da esperança que existe em nós e vigiando contra lobos vorazes que não poupam o rebanho. A defesa da fé faz parte essencial da missão da igreja enquanto ela proclama o evangelho de Cristo. Nós rejeitamos o evangelho do relativismo pós-moderno, do ateísmo militante, do secularismo pragmático, do liberalismo teológico, das seitas e cultos, do nominalismo religioso, de todas as ideias e ideologias que se levantam contra ou pretendem substituir o evangelho de Cristo. Nós afirmamos nossa plena convicção na existência de Deus, em sua revelação objetiva e inerrante através das Escrituras, na singularidade de Cristo e na realidade da eternidade. Nós defendemos o evangelho com amor, sabedoria, compaixão e firmeza, sem qualquer contemporização, visando a conversão dos perdidos e a proteção daqueles que crêem, na firme convicção de que o próprio Jesus edificará sua igreja e a portas do inferno não prevalecerão contra ela.
NÓS NOS COMPROMETEMOS A VIVER À LUZ DO EVANGELHO
Mártires, reformadores, avivalistas através da história têm assumido o absoluto compromisso com o evangelho. O maior apelo para a veracidade do evangelho é o testemunho de vidas radicalmente comprometidas com ele. Nós nos comprometemos a viver de forma digna do evangelho de Cristo como indivíduos, discípulos, profissionais e cidadãos, recusando-nos a ceder ao materialismo, ao relativismo e à corrupção, aceitando carregar a cruz de Cristo como prioridade absoluta do testemunho do evangelho de Cristo. Como cidadãos do reino de Deus, assumimos o compromisso de, na dependência da graça de Cristo, viver o poder transformador do evangelho em todas as suas dimensões. Diante da corrupção generalizada e do relativismo moral na sociedade brasileira, nós estamos prontos para assumir as plenas implicações éticas e morais do evangelho, não somente na esfera da igreja, mas também da sociedade: educação, trabalho, política, economia, cultura.
NÓS ORAMOS PELO PROGRESSO DO EVANGELHO
Reconhecemos que, sem a intervenção soberana e sobrenatural de Deus, não veremos o verdadeiro progresso do evangelho. Esforços humanos produzem resultados humanos. Através da história, o evangelho tem impactado nações pelo poder do Espírito Santo. Embora o Brasil nunca tenha experimentado um avivamento espiritual de grandes proporções, nós nos comprometemos diante de Deus a orar por esse avivamento, na expectativa de uma transformação radical no curso de nossa nação através da igreja do Senhor, cheia do Espírito Santo, vivendo a plenitude do evangelho.
NÓS NOS UNIMOS PELO EVANGELHO
Dizemos não a uma união que compromete a essência do evangelho de Cristo. Não cremos que todos os caminhos levam a Deus, pois Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Não cremos que todas as instituições ditas cristãs de fato seguem a Cristo, pois muitas afirmam o nome de Cristo sem conhecê-lo. Mas afirmamos sim nosso compromisso de unidade com todos aqueles que abraçam o evangelho de Cristo, como nos foi transmitido por Jesus e seus apóstolos. Ao mesmo tempo, reconhecemos que as verdades essenciais, comuns a todos os evangélicos herdeiros da Reforma, podem nos unir não institucionalmente, mas como corpo vivo de Cristo, que, na sua diversidade, cumpre a sua missão. Desejamos ser a resposta a oração de Cristo quando ele orou para que fôssemos um. Nós nos unimos pela proclamação do evangelho a todas as nações.
Assim, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante de Deus e de seu povo para vermos em nossa nação brasileira um poderoso progresso do evangelho de Cristo.
Subscrevemos,
Pr. Euder Faber Guedes Ferreira (Coordenador do 16º Encontro para a Consciência Cristã) 
Pr. Jorge Noda (ILEST/PB) 
Pr. Renato Vargens (ICA/RJ) 
Dra. Norma Braga (IPB/RN) 
Pr. Paul Washer (Heart Cry/EUA) 
Pr. Hernandes Dias Lopes (IPB/ES) 
Dr. Russell Shedd (IB/SP) 
Pr. Augustus Nicodemus (IPB/SP) 
Pr. Ronaldo Lidório (IPB/AM) 
Dr. Heber Campos Jr. (IPB/SP) 
Pr. Jonas Madureira (IB/SP) 
Pb. Solano Portela Neto (IPB/SP) 
Prof. Adauto Lourenço (IPB/SP) 
Pr. Joide Miranda (MEI/MT) 
Pr. José Bernardo (AMME/SP) 
Pr. Geremias Couto (AD/RJ) 
Prof. Ricardo Marques (IBC/CE) 
Pr. Joaquim de Andrade (CREIA/SP) 
Miss. Gleydice Bernardes (ACEV/PB) 
Miss. Socorro Teles (IPB/PB) 
Pr. Robson Tavares (ICNV/PB) 
Pb. José Mário (IPB/PB) 
Pr. Luiz Vieira (ICNV/PB) 
Pr. Valter Vandilson (ICD/PB) 
Pr. José Américo (IB/PB) 
Pr. José Pontes (IN/PB) 
Miss. Joyce Clayton (Inglaterra) 
Profª. Janeide Andrade (OBPC/PB) 
Miss. Edna Miranda (MEI/MT) 
Miss. Rosali Melo (IC/PB) 
Dra. Paumarisa Vieira (IPB/PB) 
Pr. Weber Alves (ICES/PB) 
Jorn. Josué Sylvestre (AD/PR)