segunda-feira, 3 de março de 2014
Título original: Thomas Boston em: “Por que os Homens não creem no Evangelho” James A. Thomson
© Projeto Os Puritanos/CLIRE 2013
Todos os direitos reservados ao Projeto Os Puritanos.
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou transmitida por quaisquer meios sem permissão por escrito dos
editores, salvo em breves citações, com indicação da fonte.
Editor: Manoel Canuto
SUMÁRIO
Introdução
1. Nenhum senso exato da miséria espiritual
2. Nenhuma visão real e senso de sua própria iniquidade
3. Eles não percebem as nuvens de ira que pendem sobre suas cabeças
4. Eles desconhecem sua total incapacidade para se protegerem
5. Eles não sentem sua necessidade de Cristo
6. Eles não veem sua própria indignidade
7. Eles não têm qualquer preocupação em suprir as carências de suas almas
8. Eles não estão satisfeitos com Cristo, mas com suas próprias realizações
Mídias
Livros Os Puritanos
INTRODUÇÃO
Foi ocasionalmente no ano em que o Senhor misericordiosamente salvounos
a ambos, que meu pai me disse: “Se uma pessoa realmente entendesse
o evangelho, não vejo como poderia rejeitá-lo”. Seu argumento era que se
apenas pudéssemos fazer o evangelho absolutamente claro, todo mundo
forçosamente o aceitaria. O nosso pastor estava pregando uma série
maravilhosa de sermões em Romanos, tornando clara a justificação pela fé
e a total suficiência da cruz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Nós
pensamos que, se apenas este evangelho salvador de Romanos 1.16
pudesse ser colocado exatamente tão claro para todos os homens, todo
coração receberia alegremente o evangelho.
Um quarto de século mais tarde, pela graça de Deus, meu pai e eu
estávamos simplesmente ligados à cruz. O que se tornou dolorosamente
claro para mim é que, não importa quão claramente o evangelho seja
apresentado, os homens o rejeitarão. Isto nos leva a fazer a pergunta: Por
que os homens não creem no Senhor Jesus Cristo e são salvos?
Naturalmente há uma resposta e há uma centena de respostas. Como
alguém que aceita e ama as doutrinas calvinistas da graça e da soberania
de Deus, eu sei que existe uma resposta.
Não aprouve ao Pai outorgar-lhes a fé salvadora de Deus (Mt 11.25). Se
você não crê é porque Deus não o elegeu. Existe também uma centena de
respostas, que vão desde a tradição religiosa até as objeções familiares, à
obra enganadora de Satanás, ao duvidar da Palavra de Deus.
Contudo, não estamos aqui para verificar estas razões. Estamos
perguntando qual é a cegueira e a precisa perversidade do homem pecador
que o leva a rejeitar o evangelho de Cristo. Vamos trazer a resposta com
as palavras de Thomas Boston, o teólogo escocês do século dezoito. As
notas seguintes são tiradas do sermão de Boston em Isaías 61.1 (Works,
vol. 9, pp. 540-541).
Thomas Boston declara que a rejeição do homem ao evangelho pode ser
investigável chegando a certas fraquezas pecaminosas. Citaremos a
principal análise de Thomas Boston, frase por frase, e depois
adicionaremos nossos próprios comentários explicativos.
{1}
NENHUM SENSO EXATO DA
MISÉRIA ESPIRITUAL
“Nenhum senso exato da miséria espiritual”. Provérbios 27.7 — “A alma
farta pisa o favo de mel”. Esta é a velha fraqueza Laodicense (Ap 3.17).
Um homem diz: “Eu não percebo qualquer mal, carência ou falha na
minha vida. Tenho uma boa educação; alcancei sucesso profissional; meu
casamento e meus filhos são ótimos; minha vida pessoal e moral é
íntegra. Tenho respeito pela igreja, creio em Deus, mas não vejo qualquer
necessidade predominante na minha vida — nada que me obrigue a
clamar a Jesus Cristo para que me salve”. Este é o homem que ouve sobre
o tesouro escondido no campo. Ele contesta: “Sim, muitas pessoas podem
realmente usar este tesouro e tenho certeza de que será bom para eles,
mas de qualquer modo, muito obrigado, eu já tenho o meu próprio
tesouro”.
{2}
NENHUMA VISÃO REAL E SENSO
DE SUA PRÓPRIA INIQUIDADE
“Nenhuma visão real e senso de sua própria iniquidade”. Ele diz: “Não sou
nenhum anjo, não sou perfeito, tenho agido erradamente, chame isso
pecado se quiser, mas...”. Há sempre aquele “mas”. Muitos livretes
evangélicos prescrevem que façamos uma pergunta, como: “Você admite
ter pecado?”. A resposta usual é: “Naturalmente que sim”. Há, contudo,
sempre os dedos cruzados, ou uma ressalva. “Depende do que você quer
dizer por pecado; não sou nenhum assassino serial. Não sou do partido
nazista; não sou um pervertido. Assim, se isso quer dizer que tenho sido
menos do que deveria, sim. Mas se quer dizer que sou algum tipo de
pessoa depravada, então, não. Certamente que Deus e a religião poderiam
fazer-me uma pessoa melhor, e todos nós precisamos disso. Mas eu não
me considero um pecador decaído, com uma vida corrupta, cuja única
esperança está na misericórdia de Deus”.
{3}
ELES NÃO PERCEBEM AS NUVENS
DE IRA QUE PENDEM SOBRE SUAS
CABEÇAS
“Eles não percebem as nuvens de ira que pendem sobre suas cabeças”. “A
compreensão da nossa própria iniquidade é diretamente proporcional à
compreensão que temos da glória de Deus. A mesma relação é verdadeira
para a nossa maldade e a santidade de Deus. Que homem chega diante de
Deus como fez o profeta Isaías? Que homem vê Deus como inacessível,
como um fogo consumidor, um ser puro e totalmente santo e
maravilhoso? Não, os homens têm lidado com um “deus” que é muito
semelhante a eles próprios. Como um homem perdido reage à imagem
que Boston cria de nuvens de ira pendendo sobre sua cabeça? Ele
contesta: “Estas nuvens são fora-de-moda e um vento novo as dissipou”.
Agora que aquelas nuvens se foram o homem imagina que pode ver Deus
claramente. “Ele é um Deus que se ajusta à auto-indulgência do homem.
Um Deus que deseja abençoar o homem, mesmo nos seus pecados”. Mas,
tal visão de Deus é extraída da imaginação humana.
{4}
ELES DESCONHECEM SUA TOTAL
INCAPACIDADE PARA SE
PROTEGEREM
“Eles desconhecem sua total incapacidade para se protegerem”. Total
incapacidade e total depravação são aproximadamente recíprocas. Elas são
dois lados da mesma moeda. Estas verdades não são apenas ofensivas,
mas incompreensíveis ao homem natural. Muitas pessoas têm ouvido a
mensagem básica do evangelho que termina com: “Agora, aqui está como
você deve fazer... Repita esta oração. Exercite a fé simples, levante sua
mão, diga sim”. A maioria dos homens diz: “Conheço os passos. Agora
posso dar o passo final para a salvação, como e quando me aprouver”.
Esses “passos”, entretanto, estão a cerca de quilômetros. Os homens
pensam que é apenas um pequeno passo que podem dar, para o reino. Mas
aquele “passo final” é um passo gigante, um passo impossível para o
homem dá-lo por si mesmo.
Considere um homem preso numa casa em chamas. Ele não sente
qualquer terrível necessidade, pois está apenas a uma porta-de-saída para
o lugar seguro. O que ele não percebe é que a porta está fechada e ele não
tem a chave.
{5}
ELES NÃO SENTEM SUA
NECESSIDADE DE CRISTO
“Eles não sentem sua necessidade de Cristo”. O homem natural diz: “Vejo
que Cristo poderia me ajudar de muitas maneiras. Posso ver que sua cruz é
o caminho para que meus pecados sejam perdoados”. O que ele não vê,
contudo, é sua necessidade da pessoa de Cristo para salvá-lo. Ele não
“sente”, dolorosa e sensivelmente que está perdido, condenado e
desamparado diante de Deus. Ele não sente a terrível concretização de
que, se Jesus Cristo não fizer Sua obra salvadora, ele estará indo para um
inferno de fogo eterno. Ele não sente a desesperada escravidão à qual os
seus pecados o têm acorrentado.
{6}
ELES NÃO VEEM SUA PRÓPRIA
INDIGNIDADE
"Eles não veem sua própria indignidade”. Auto-estima é a palavra-chave
dos nossos dias. Segundo se pretende, os homens precisam ter uma boa
“auto estima“, um “auto-conceito” positivo, uma forte “auto-afirmação”.
Isso é o que o cristianismo popular lhes diz. É a linguagem da psicologia
popular, o discurso da mídia popular e o registro das brochuras populares.
De fato, o evangelho de hoje chega a dizer que uma auto-imagem pobre é
perniciosa. O ponto integral do evangelho, diz-se agora, é para dar uma
boa “auto-estima”. Obviamente os homens “não veem sua própria
indignidade”. De fato, hoje em dia seria considerado errado fazer assim.
Boston o coloca deste modo: “Eles não podem enxergar como o Senhor
poderia rejeitá-los”. O pensamento de que Deus pode corretamente me
rejeitar, a própria ideia de que eu sou indigno de Deus, é dito ser um
assunto prejudicial para se mencionar aos pecadores.
{7}
ELES NÃO TÊM QUALQUER
PREOCUPAÇÃO EM SUPRIR AS
CARÊNCIAS DE SUAS ALMAS
“Eles não têm qualquer preocupação em suprir as carências de suas
almas”. Aqui estão as virgens loucas dormindo noite adentro. Por que elas
dormem quando sabem que o noivo está vindo? Porque se esgotaram com
as atividades do dia. Elas foram diligentes, preocupadas e devotadas com
muitas coisas. Fizeram seus suprimentos de segurança financeira, de
moradia agradável, de performance física, de reputação na comunidade,
de harmonia familiar. Mas, e o seu suprimento de “óleo”? Há tempo
bastante para isso! Não sentiram qualquer necessidade e preocupação com
o óleo da graça que salva e supre a alma. “Deus não nos quer
transtornados com respeito à religião ou assuntos espirituais. Deus não
colocou uma ‘armadilha de culpa’ sobre nós. Não, Deus nos quer em paz.
Ele não manda pesadelos nem insônia sobre os homens. Seguramente a
ansiedade espiritual não poderia vir de Deus!”. Com tal linguagem os
pecadores iludem-se a si mesmos e perecem.
{8}
ELES NÃO ESTÃO SATISFEITOS
COM CRISTO, MAS COM SUAS
PRÓPRIAS REALIZAÇÕES
“Eles não estão satisfeitos com Cristo, mas com suas próprias
realizações”. Aqui Boston com grande percepção expõe o erro fatal do
pecador. O homem percebe sua necessidade do evangelho, mas ele
estabeleceu um limite no preço que está querendo pagar. Se o preço
pedido for muito alto, ele vai sem o preço. Ou então, procurará um
“Cristo” que seja menos exigente. Se a exigência de Cristo é arrancar o
“olho direito”, o preço é muito grande. O homem buscará um evangelho
que lhe permita manter seu “olho” e também sua “mão” direita,
concupiscências e riquezas — e ainda ir para o céu. Se a porta for muito
estreita, então ele alarga a porta! Os termos do evangelho são agora
estabelecidos pelos homens, não por Cristo. Como escreveu o puritano
Stephen Charnock: “A felicidade proposta pelo evangelho é naturalmente
desejável..., mas não os métodos que Deus ordenou para sua obtenção”.
Aqui, então, estão as oito razões de Thomas Boston do por que os
homens não acreditam no evangelho. Ele foi “mestre de Israel” e, embora
tenha pastoreado em pequeno povo que saiu do feudalismo, foi um
teólogo magistral que ainda para o dia de hoje fala diretamente ao coração
do homem.
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Cinco Solas
Equipe Voltemos ao Evangelho.
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão,
para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus
seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” II Timóteo 3:16,17
Somente por meio das Escrituras - a revelação tanto da Pessoa quanto da
vontade de Deus - o homem pode conhecê-Lo, ser salvo e habilitado para a boa
obra do Senhor. Entretanto, cresce em nossos dias uma visão da irrelevância das
Escrituras onde ela não é mais a autoridade final em questões espirituais entre o
Homem e Deus, mas apenas uma dentre muitas fontes de autoridade a respeito
de Deus e a prática cristã.
Somente nas Escritura, e unicamente nela, aqueles que almejam serem
usados pelo Senhor devem se apoiar. As Escrituras como Palavra de Deus (“Toda
a Escritura é inspirada por Deus”) constituem-se como o único meio proveitoso
(“e útil”) pelo qual analisamos se devemos crer em algo como sã doutrina (“para
o ensino”) ou rejeitá-lo (“para a repreensão”).
Somente pela Escritura, e unicamente por ela, temos o padrão de prática,
pois ela é útil “para a correção”, ou seja, ela revela qual é o comportamento e
proceder errado - o que nós não devemos fazer - mas também aponta “para a
instrução na justiça”, para a prática correta que devemos cultivar e crescer.
Somente a Escritura, e unicamente ela, é o meio pelo qual Deus apontou
como instrumento de capacitação e habilitação para todo o servo e serva de
Deus, “afim de que todo homem”, tenha a provisão necessária (“seja perfeito”), e
o treinamento necessário (“perfeitamente habilitado”), para o santo trabalho do
Senhor (“para toda boa obra”).
Auto-exame:
1) Para entender os atributos de Deus você recorre a Bíblia ou ao senso comum
de sua geração? Exemplo: Quando a Bíblia diz que Deus é amor, você simplesmente
assume que isso significa que Deus ama a todos igualmente ou confere para ver se e
como isso é atestado no resto da Escritura?
2) Você consegue dar base bíblica para os elementos praticados no culto que
você participa?
3) Um dos problemas dos fariseus é que eles colocavam cargas extras sobre as
pessoas que as próprias Escrituras não colocavam. Quando você diz para alguém que
algo é errado (quer seja homicídio ou ingestão de bebida alcoólica), você está claramente
se baseando nas Escrituras e mostrando isso para a pessoa?
4) Em sua busca por santificação, a Bíblia tem tomado um lugar de destaque?
Você tem resistido à tentação com suas próprias forças ou usando a Palavra de Deus,
assim como Jesus?
Sola Scriptura
3
“Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis vindo da nuvem,
uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo: a ele ouvi.
Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. Aproximando-se
deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos, e não temais! Então eles, levantando os
olhos a ninguém viram senão só a Jesus.” Mateus 17:5-8
Numa época onde muitos ídolos estão aparecendo no meio evangélico, numa
época onde a atitude de muitos seria de montar uma tenda para Jesus e outras para os
pastores e cantores famosos, temos aqui um direcionamento dado por Deus sobre quem
devemos buscar ouvir e ver: Somente a Cristo.
Somente em Cristo, e apenas nEle a satisfação de Deus está depositada. O Senhor
disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Não há nada e nem ninguém
fora de Cristo e nem além dEle que possa satisfazer a Deus. O Senhor se compraz em Seu
filho, apenas. Unicamente por imputar a justiça de Cristo sobre seu povo que Deus se
alegra em nós.
Diante disso, somos ordenados por Deus (pois o verbo ouvir está no imperativo)
a ouvir somente a Cristo “a ele ouvi”. Mas o que é ouvir a Cristo? Ouvir a Cristo é ouvir
a Palavra de Cristo: a Escritura. Ouvir a Cristo é abrir as Escrituras para estudá-las: “E,
começando por Moisés discorrendo por todos os profetas expunha-lhes o que a seu respeito
constava em todas as Escrituras.” (Lc 24:27).
Como certo servo disse: “Em muitos lugares raramente é possível ir a uma reunião
cuja única atração seja Cristo. Só se pode concluir que os filhos de Deus estão entediados
dele, pois é preciso mimá-los com pirulitos e balinhas na forma de filmes religiosos, jogos
e refrescos” Cristo hoje é tratado como um mero coadjuvante e não como o Protagonista.
A evidência de que estamos cumprindo a vontade de Deus em dar a Cristo toda a
primazia e tê-lO como preeminente em nossas vidas é que não fitaremos a ninguém mais
a não ser Cristo “Então eles, levantando os olhos a ninguém viram senão só a Jesus.”
Apenas em Cristo temos a Salvação. “E não há salvação em nenhum outro; porque
abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa
que sejamos salvos.” (At 4:12). Não há nenhuma outra ligação entre Deus e homens.
Unicamente os que depositaram sua confiança em Cristo estarão com Ele no fim dos
tempos. Ele é a única ponte do pecador ao perdão de Deus. Assim como só havia um
caminho através do Mar Vermelho para o outro lado, só há um caminho para chegar-se
ao Senhor.
Somente em Cristo somos aceitos pelo Pai, somente por causa de Cristo somos
atendidos pelo Pai, somente em Cristo somos amados pelo Pai, somente em Cristo so-
Solus Christus
4
mos salvos da ira, somente por meio de Cristo temos paz com Deus e a paz de Deus. Sem
Cristo, nada podemos fazer.
Auto-exame:
1) Você acredita que quem não conhece a Cristo pode, de alguma maneira, ser
salvo, ou você realmente crê que “aquele que não crê no Filho não verá a vida” (Jo 3:36)?
2) Quando você prega, conversa, se relaciona, etc, você tem Cristo como o centro,
tentando sempre expor Sua encarnação, vida, morte, sacrificio, exaltação e Soberania?
5
6
“Então lhe disse Davi: Não temas, porque usarei de bondade para contigo, por
amor de Jônatas, teu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai, e tu comerás pão
sempre à minha mesa. Então se inclinou, e disse: Quem é teu servo, para teres olhado
para um cão morto tal como eu?” 2 Samuel 9:7-8
Somente pela graça, e unicamente por ela, é que somos abençoados por Deus.
A graça é o favor imerecido de Deus às suas criaturas. Tal como Davi favorecendo Mefibosete
por amor a Jonatas, assim também nós somos alvos do favor de Deus por causa
do amor de Deus Pai à Deus Filho.
Assim como Mefibosete se viu indigno do favor do Rei “Quem é o teu servo, para
teres olhado para um cão morto tal como eu?”, assim também nós devemos nos prostrar
em face à maravilhosa graça do Senhor em nos estender o seu favor na pessoa de
Cristo. Não temos o direito de estar diante de Deus, mas, unicamente pela Graça, temos
o privilégio de estarmos na presença dEle. Somos como um cão morto diante de Deus,
somente pela Sua infinita Graça é que somos aceitos diante dEle em Cristo.
A graça exalta a Deus e humilha o pecador. Aqueles que a si mesmo tem se considerado
um cão morto têm entendido o real significado da graça de Deus. Hoje onde
ouvimos “eu determino”, “eu declaro”, “eu isso”, “eu aquilo”, tais pessoas nada sabem de
Deus e muito menos da Sua graça, pois se acham dignos e merecedores das coisas que
estão reivindicando diante de Deus.
Auto-exame:
1) Você entra na presença de Deus humilde e confiadamente como um cão dependendo
exclusivamente da graça dele ou entra ousada e tolamente como uma pessoa
não-convidada na corte real?
2) você reconhece que: (1) o ar que você respirou agora e todo funcionamento
biológico correto ou não do seu corpo, (2) todas suas posses ou ausência de posses, (3)
todos seus relacionamentos bons ou ruins, (4) e, principalmente, toda sua salvação, incluindo,
sua fé, suas boas obras, seu novo coração, sua perseverança na fé, sua santificação e,
no final, sua glorificação vem exclusivamente pela graça? E se é pela graça, você não tem
o direito de se gloriar por nada? Você entende que se você crê em Cristo hoje e é salvo
isso é por conta da graça de Deus e não nada de bom que haja em você (porque não há
nada de bom em sua carne)?
3) Você compreende que quando você reclama ou murmura você está insinuando
que a graça de Deus não te é suficiente?
Sola Gratia
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de
Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2:8-9
Somente pela fé, e unicamente por ela, o pecador é salvo com base nos méritos
eternos de Cristo. Sendo assim, a presente sola reafirma os três solas anteriores: a Escritura
é o meio pelo qual Cristo é revelado, sendo este o alvo da fé, sendo que a fé é um
presente concedido graciosamente por Deus “e isto (a fé) não vem de vós”.
Somente pela fé na pessoa e obra de Cristo é meio pelo qual Deus declara o pecador
injusto em justo. A necessidade de tal ato se dá por causa da nossa total inabilidade
e capacidade para satisfazer a justiça de Deus. Porque somos pecadores, todas as nossas
obras estão corrompidas pelo pecado e, portanto, são inúteis a Deus, ou como a própria
Escritura trata (Isaías 64:6) , como algo podre:
Diante da nossa impotência e incompetência, não podemos confiar em nossa
carne, em nosso esforço e sim unicamente na obra de Cristo na cruz. A fé é a atitude de
total confiança no que as Escrituras declaram a respeito de Cristo e sua Obra.
Auto-exame:
1) Você tem se achegado a Deus exclusivamente pela fé em Cristo, o novo e vivo
caminho, reconhecendo que não há absolutamente nada de bom em você ou você tenta
fazer alguma obra para que Deus o aceite? Essas obras podem ser: frequência no culto,
dizimar ou ofertar, ler a Bíblia ou orar, ficar um tempo sem pecar. Pense nisto: Fé salvadora
é o arremesso desesperado de uma alma desesperada nos braços de um Todo-Poderoso
Salvador
2) A justificação pela fé não é somente o perdão dos pecados, mas Deus também
imputa sobre aquele que crê a própria justiça perfeita de Cristo. Sendo assim, você tem
se visto como Deus o vê, ou seja, alguém declarado como perfeitamente justo?
3) Você tem descansado na obra de Cristo como suficiente ou sempre se preocupado
que Deus não irá aceitá-lo?
4) Algumas pessoas tem uma noção errada sobre a importância da fé, achando
que depois que somos justificados pela fé somente, nós passamos a tentar ser aceitos
diante de Deus, em nossa santificação, pelo cumprimento da lei moral de Deus (boas
obras). Contudo a vida cristã é iniciada, mantida e finalizada pela fé. Você não vai obter
nenhum progresso em santificação se você não estiver descansando em Cristo como sua
justiça. Justificação é a base para santificação. Portanto, medite nisto: toda boa obra que
você realiza buscando ser aceito diante de Deus é, em si, um pecado, pois está minimizando
a glória de Cristo e sua dependência dele. Não faça boas obras para ser aceito diante
de Deus, faça pois você o ama e quer que “os homens vejam a sua luz e glorifiquem
Sola Fide
7
a Deus”.
5) Se há somente um Deus e todos somos igualmente pecadores e justificados
unicamente pela fé, não há nenhum povo ou tipo de pessoa que o Evangelho não possa
alcançar. Pense no impacto que isso tem sobre missões globais.
8
9
“Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória
eternamente. Amém” Romanos 11:36
Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele. A Igreja existe para a demonstração
deste valor: o valor que Ele tem. Não a respeito de nós, ou o que nós buscamos
ter, mas sim exclusivamente a Ele, de modo que os hinos e cânticos girem em torno da
pessoa e dos atributos de Deus. A mensagem não deve ser antropocêntrica (o homem
como o centro) e sim Cristocentrica (Cristo como o centro).
Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele. Este o fim principal da nossa
existência: a glória de Deus. Glorificar a Deus é tão somente reconhecer a atribuir a Ele
todas as perfeições dEle. Somente na pessoa dEle termos o nosso gozo.
Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele, sendo Ele a fonte (Porque
dele) o mantenedor (por meio dele), e o alvo (para ele são todas as coisas) de tudo isso.
Sendo assim, a vida dentro e fora da igreja vem dEle. Se obtermos dEle o que necessitamos,
sermos mantidos por Ele e com o fim de para Ele fazermos todas coisas.
Como inicia o Catecismo Maior de Westminster diz: Qual é o fim supremo e principal
do homem? Resposta. O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e
gozá-lo para sempre. (Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24).
Auto-exame:
1) As músicas que você canta a Deus giram em torno dEle ou de outras coisas? E
as pregações, orações, conversas, etc?
2) Você cobra de si atitudes de um modo tal que é como se você fosse o meio para
que algo acontecesse e que tudo estivesse em suas mãos?
3) Você tem buscado sua alegria em Deus, em Seu louvor, em todas as áreas da
sua vida?
Soli Deo Gloria
...
Guia Bibliográfico de Exegese do Novo Testamento
Eu dei prioridade para os títulos
publicados em português. Os estudantes que dominam outras línguas podem
encontrar guias semelhantes a este, com as devidas referências.
A disposição dos títulos deste guia
segue a estrutura de uma importante obra norte-americana,[1] de autoria
do Dr. David M. Scholer, publicado pela primeira vez em 1970, na época,
professor do departamento de Novo Testamento do Seminário Teológico
Gordon-Conwell.
Dei preferência a títulos de orientação
evangélica conservadora, que defendem a metodologia exegética
histórico-gramatical. No entanto, tive que me reportar a títulos que
seguem a metodologia histórico-crítica. O estudante deve tomar cuidado
com algumas conclusões destes títulos, que geralmente enfraquecem a
autoridade do texto bíblico.
A primeira edição desse guia foi
publicada em 2004. Agora, com a passagem dos anos, senti a necessidade
de atualizar as informações, porque outras obras importantes foram
editadas em português.
Esse guia iniciou-se como subsídio das
aulas de Exegese Bíblica ministradas na Faculdade Teológica das
Assembleias de Deus (FATAD) em Brasília. Agradeço ao pastor Jales Divino
Barbosa, reitor da FATAD, pela oportunidade que concedeu de ministrar
um curso tão importante para a formação teológica dos estudantes de
teologia. Sem essa oportunidade, este guia não existiria.
Depois que meu amigo Felipe Sabino
publicou o guia no portal Monergismo seu uso foi ampliado. Sei de outros
professores de teologia que se serviram das informações contidas nesse
guia, o que muito me honra.
Destaco aqui o professor João Alves do
Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Ele me disse que
utiliza o guia em suas aulas na especialização em teologia. Isso me
deixa lisonjeado.
Espero que a presente obra reflita em desenvolvimento acadêmico e espiritual.
Textos do Novo Testamento
ALAND, Kurt e Barbara. KARAVIDOUPUOLOS,
Johannes. MARTINI, Carlo M. and METZGER, Bruce M. (eds.) in cooperation
with the Institute for New Testament Textual Research,
Münster/Westphalia. The greek new testament, fourth revised edition. Stuttgart: United Bible Society. 1993. Availabe bound together with NEWMAN Jr, Barclay M., A concise greek-english dictionary of the new testament.
London: United Bible Societies, 1971. Existe uma versão que traz uma
introdução e um dicionário em espanhol, preparado por Elza Tamez e Irene
Foulkes.
SCHOLZ, Vilson (Org). Novo testamento em grego. Introdução em português e dicionário grego-português. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
FRIBERG, Barbara & FRIBERG, Timothy. O Novo Testamento Grego Analítico. Introdução e Apêndice traduzidos do inglês por Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Vida Nova, 1987.
NESTLE, E. & ALAND, K.(eds) Novum Testamentum Graece (27th ed.) Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1993.
SAYÃO, Luiz (org.) Novo Testamento Trilíngue. São Paulo: Vida Nova, 1998.
SCHOLZ, Vilson & BRATCHER, Robert. (org). Novo Testamento Interlinear Grego – Português.
Incluindo o texto da tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e
Atualizada no Brasil, segunda edição e da Nova Tradução na Linguagem de
Hoje. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.
Princípios de Crítica Textual
BITTENCOURT, Benedito de Paula. O Novo Testamento: Metodologia de Pesquisa Textual. 3a ed. Revista Atualizada e Ampliada. Rio de Janeiro: JUERP, 1993.
METZGER, Bruce M. A Textual
Commentary on the Greek New Testament. A Companion Volume to the United
Bible Societies’ Greek New Testament (Fourth Revised Edition) Second Edition. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft & United Bible Societies, 1994.
PAROSCHI, Wilson. Crítica Textual do Novo Testamento. 2a edição corrigida. São Paulo: Vida Nova, 1999.
Concordâncias do Novo Testamento
Denham, James Richard.(org) Concordância Fiel do Novo Testamento Grego.
(2 vol) Vol 1, Grego-Português; Vol 2, Português-Grego. Adaptada dos
originais em inglês: The New Englishman´s Greek Concordance e The Word
Study Concordance. São José dos Campos: Fiel, 1995 e 1998.
Concordância Bíblica, Barueri: SBB, 1973. (Baseada na Tradução de Almeida Revista e Atualizada)
Obras de Referência
BOICE, James Montgomery. (Editor) O alicerce da autoridade bíblica. Trad. Gordon Chown. 2ª. Edição. São Paulo: Vida Nova, 1989.
BRUCE.F.F. O Cânon das Escrituras. Trad. Carlos Oswaldo Cardoso Pinto. São Paulo: Hagnos, 2011.
COMFORT, Philip Wesley. (ed). A Origem da Bíblia. Trad. Luís Aron de Macedo. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
DOCKERY, David S. (ed). Manual Bíblico Vida Nova. Trad. Lucy Yamakami, Hans Udo Fuchs, Robinson Malkomes. São Paulo: Vida Nova, 2001.
DOUGLAS, J.D. (org) O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. João Marques Bentes. 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1995,1680p.
Auxílios Léxicos do Novo Testamento Grego
GINGRICH, F. Wilbur & DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento Grego/Português. Trad. Júlio Paulo Tavares Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1984. Reimpresso, 2003.
CARDOSO PINTO, Carlos Osvaldo & METZGER, Bruce M. Estudos do Vocabulário do Novo Testamento.
2a divisão traduzida do inglês por Fabiani S. Medeiros. São Paulo: Vida
Nova, 1996. obs: Esta obra foi incorporada a outra semelhante sobre o
Antigo Testamento e agora é editada como Pequeno Dicionário de Línguas Bíblicas.
HAUBECK, Wilfrid & SIEBENTHAL, Heirinch Von. Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego: Mateus – Apocalipse. São Paulo: Hagnos, 2009.
MOULTON, Harold K. Léxico grego analítico. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.
RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon. Chave Linguítica do Novo Testamento Grego. Trad. Gordon Chown e Júlio Paulo Tavares Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1985. Reimpresso em 1996.
Estrutura Literária do Novo Testamento
BERGER, Klaus. As Formas Literárias do Novo Testamento. Trad. Fredericus Antonius Stein. São Paulo: Loyola, 1998.
CARDOSO PINTO, Carlos Osvaldo. Fundamentos para Exegese do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2002.
Estudos de Palavras e Termos Teológicos Importantes
BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo, Vida Nova, 1985. reimpressão, 2003.
BARCLAY, William. Palavras Chaves do Novo Testamento. São Paulo, Vida Nova, 1985. reimpressão, 2003.
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Gramáticas do Novo Testamento Grego
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FEITOSA, Darlyson. Elementos de Grego. Brasília: Edição do Autor, 1993.
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MOUNCE, William D. Fundamentos do grego bíblico: livro de gramática. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Vida, 2009.
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SILVA, Moisés & KAISER, Walter. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
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WEGNER, Uwe. Exegese do novo testamento: manual de metodologia. São Leopoldo & São Paulo: Sinodal & Paulus, 1998.
Novo Testamento: Introdução e Teologia
BLACK, David Alan. Por que 4 evangelhos?: Razões históricas e científicas da escolha de Mateus, Marcos, Lucas e João. Trad. Lena Aranha. São Paulo: Vida, 2004.
BRUCE, Frederick Fye. Merece confiança o novo testamento? São Paulo: Vida Nova, reimpressão, 2004.
BRUCE, Frederick. Fye. Paulo, O Apóstolo da Graça – Sua Vida, Cartas e Teologia. Trad. Hans Udo Fuchs. São Paulo Shedd, 2003.
GUTHRIE, Donald. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
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BAILEY, Kenneth E. As Parábolas de Lucas. A Poesia e o Camponês: Uma Análise lieterária-cultural. Trad. Adiel Almeida de Oliveira. 3a Ed. São Paulo: Vida Nova, 1995.
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CURRID, John D. Arqueologia nas Terras Bíblicas. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
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PACKER, James I. & TENNEY, Merril C. & WHITE Jr, Willian. O Mundo do Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1988.
NOTAS:
[1] – SCHOLER, David M. A Basic Bibliographic Guide for New Testament Exegesis. Second Edition. William B. Eerdmans Publishing Company. Grand Rapids, 1973.
Teologia Reformada - Defesa do Evangelho:
Teologia Reformada - Defesa do Evangelho:
No livro João Calvino: amor à devoção, doutrina e glória de Deus (Editora Fiel), editado por Burk Parsons, há um capítulo intitulado O Pregador da Palavra de Deus,
escrito por Steven Lawson. Aqui está um resumo desse capítulo,
delineando o que Steven Lawson sugere ser as dez marcas distintivas da
pregação de Calvino.
As Dez Marcas Distintivas da Pregação de Calvino
No livro João Calvino: amor à devoção, doutrina e glória de Deus (Editora Fiel), editado por Burk Parsons, há um capítulo intitulado O Pregador da Palavra de Deus,
escrito por Steven Lawson. Aqui está um resumo desse capítulo,
delineando o que Steven Lawson sugere ser as dez marcas distintivas da
pregação de Calvino.
1. A pregação de Calvino era bíblica em seu conteúdo.
“O reformador se manteve firme no principal fundamento da Reforma — sola Scriptura (somente a Escritura)… Calvino acreditava que o pregador não tinha nada a dizer além das Escrituras.” (pp. 96-97)
2. A pregação de Calvino seguia um padrão sequencial.
“Durante o ministério de Calvino, o seu
procedimento era pregar sistematicamente sobre livros inteiros da
Bíblia… Na manhã dos domingos, Calvino pregava o Novo Testamento; à
tarde, o Novo Testamento e os Salmos; e, em semanas alternadas, pregava o
Antigo Testamento todas as manhãs da semana. Servindo-se desse método
consecutivo, Calvino pregou quase todos os livros da Bíblia.” (pp.
97-98)
procedimento era pregar sistematicamente sobre livros inteiros da
Bíblia… Na manhã dos domingos, Calvino pregava o Novo Testamento; à
tarde, o Novo Testamento e os Salmos; e, em semanas alternadas, pregava o
Antigo Testamento todas as manhãs da semana. Servindo-se desse método
consecutivo, Calvino pregou quase todos os livros da Bíblia.” (pp.
97-98)
3. A pregação de Calvino era direta em sua mensagem.
“Quando expunha as Escrituras, Calvino
era notoriamente direto e centrado no ensino principal. Ele não iniciava
sua mensagem com uma história cativante, uma citação estimulante ou uma
anedota pessoal. Em vez disso, Calvino introduzia de imediato os seus
ouvintes no texto bíblico. O foco da mensagem era sempre as Escrituras, e
Calvino falava o que precisava ser dito com economia de palavras. Não
havia frases desperdiçadas.” (p. 98)
era notoriamente direto e centrado no ensino principal. Ele não iniciava
sua mensagem com uma história cativante, uma citação estimulante ou uma
anedota pessoal. Em vez disso, Calvino introduzia de imediato os seus
ouvintes no texto bíblico. O foco da mensagem era sempre as Escrituras, e
Calvino falava o que precisava ser dito com economia de palavras. Não
havia frases desperdiçadas.” (p. 98)
4. A pregação de Calvino era extemporânea em seu apresentação.
“Quando subia ao púlpito, ele não levava
consigo um rascunho escrito ou esboço do sermão. O reformador fez uma
escolha consciente de pregar extempore, ou seja, espontaneamente.
Ele queria que seus sermões tivessem uma desenvoltura natural e cheia
de paixão, enérgica e envolvente; acreditava que a pregação espontânea
era mais conveniente para cumprir esses objetivos.” (p. 99)
consigo um rascunho escrito ou esboço do sermão. O reformador fez uma
escolha consciente de pregar extempore, ou seja, espontaneamente.
Ele queria que seus sermões tivessem uma desenvoltura natural e cheia
de paixão, enérgica e envolvente; acreditava que a pregação espontânea
era mais conveniente para cumprir esses objetivos.” (p. 99)
5. A pregação de Calvino era exegética em sua abordagem.
“Calvino insistia que as palavras da
Escritura têm de ser interpretadas conforme o ambiente histórico
específico, as línguas originais, as estruturas gramaticais e o contexto
bíblico… Calvino insistiu no sensus literalis, o sentido literal do texto bíblico.” (p. 100)
Escritura têm de ser interpretadas conforme o ambiente histórico
específico, as línguas originais, as estruturas gramaticais e o contexto
bíblico… Calvino insistiu no sensus literalis, o sentido literal do texto bíblico.” (p. 100)
6. A pregação de Calvino era acessível em sua simplicidade.
“Como pregador, o principal objetivo de
Calvino não era comunicar-se com outros teólogos, e sim alcançar as
pessoas comuns, assentadas no banco… Ocasionalmente, Calvino explicaria
mais cuidadosamente o significado de uma palavra, sem citar o grego ou o
hebraico original. Todavia, Calvino não hesitava em usar a linguagem da
Bíblia.” (p. 101-102)
Calvino não era comunicar-se com outros teólogos, e sim alcançar as
pessoas comuns, assentadas no banco… Ocasionalmente, Calvino explicaria
mais cuidadosamente o significado de uma palavra, sem citar o grego ou o
hebraico original. Todavia, Calvino não hesitava em usar a linguagem da
Bíblia.” (p. 101-102)
7. A pregação de Calvino possuía um tom pastoral.
“O reformador de Genebra nunca perdia de
vista o fato de que ele era um pastor. Assim, ele aplicava
calorosamente as Escrituras, com exortação amável a fim de pastorear o
seu rebanho. Ele pregava com a intenção de estimular e encorajar suas
ovelhas a seguirem a Palavra.” (p. 102)
vista o fato de que ele era um pastor. Assim, ele aplicava
calorosamente as Escrituras, com exortação amável a fim de pastorear o
seu rebanho. Ele pregava com a intenção de estimular e encorajar suas
ovelhas a seguirem a Palavra.” (p. 102)
8. A pregação de Calvino era polêmica em sua defesa da verdade.
“Para Calvino, a pregação necessitava de
uma defesa apologética da verdade. Ele acreditava que os pregadores
tinham de resguardar a verdade; por isso, a exposição sistemática exigia
a confrontação das mentiras do Diabo em todas as suas formas
enganosas.” (p. 103)
uma defesa apologética da verdade. Ele acreditava que os pregadores
tinham de resguardar a verdade; por isso, a exposição sistemática exigia
a confrontação das mentiras do Diabo em todas as suas formas
enganosas.” (p. 103)
9. A pregação de Calvino era cheia de paixão em seu alcance.
“Em nossos dias, há uma noção errônea de
que, por acreditar na predestinação, Calvino não era evangelístico. O
mito persistente é que ele não tinha paixão por alcançar almas perdidas
para trazê-las a Cristo. Nada pode estar mais distante da verdade.
Calvino possuía uma grande paixão por alcançar as almas perdidas. Por
essa razão, ele pregava o evangelho com uma persuasão que afetava o
coração e com amor, apelava aos pecadores desgarrados a se renderem à
misericórdia de Deus.” (p. 104)
que, por acreditar na predestinação, Calvino não era evangelístico. O
mito persistente é que ele não tinha paixão por alcançar almas perdidas
para trazê-las a Cristo. Nada pode estar mais distante da verdade.
Calvino possuía uma grande paixão por alcançar as almas perdidas. Por
essa razão, ele pregava o evangelho com uma persuasão que afetava o
coração e com amor, apelava aos pecadores desgarrados a se renderem à
misericórdia de Deus.” (p. 104)
10. A pregação de Calvino era doxológica em sua conclusão.
“Todos os sermões de Calvino eram
completamente teocêntricos, mas seus apelos conclusivos eram sinceros e
amorosos. Ele não podia descer do púlpito sem exaltar o Senhor e instar
seus ouvintes a se rederem à absolutamente supremacia dEle. Os ouvintes
tinham de se humilhar sob a poderosa mão de Deus. Quando concluía,
Calvino exortava regularmente sua congregação: ‘Prostremo-nos todos ante
a majestade do nosso grande Deus’. Não importando o texto bíblico sobre
o qual ele pregava, essas palavras demandavam uma submissão
incondicional de seus ouvintes.” (p. 105)
completamente teocêntricos, mas seus apelos conclusivos eram sinceros e
amorosos. Ele não podia descer do púlpito sem exaltar o Senhor e instar
seus ouvintes a se rederem à absolutamente supremacia dEle. Os ouvintes
tinham de se humilhar sob a poderosa mão de Deus. Quando concluía,
Calvino exortava regularmente sua congregação: ‘Prostremo-nos todos ante
a majestade do nosso grande Deus’. Não importando o texto bíblico sobre
o qual ele pregava, essas palavras demandavam uma submissão
incondicional de seus ouvintes.” (p. 105)
Tradução: Felipe Sabino (agosto/2013)
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Voltemos Ao Evangelho | Por uma reforma na Igreja Brasileira
Voltemos Ao Evangelho | Por uma reforma na Igreja Brasileira

Postado em 30/08/2013 sob ..., Artigo, Franklin Ferreira, Igreja, Outros, Reforma/Avivamento | 16 Comentários
Apresentação do livro “Reforma Agora” de Renato Vargens por Franklin Ferreira.
Assim como foi necessária uma Reforma contra os abusos da igreja católica romana no século XVI, a igreja hoje clama por uma reforma contra as distorções dos ensinamentos do verdadeiro evangelho.
Este livro de Renato Vargens não é apenas uma denúncia do estado em que segmentos da igreja evangélica brasileira se encontra. A história desta lembra a descrição oferecida pelo mártir cristão Dietrich Bonhoeffer, ao falar do estado da religião que ele encontrou nos Estados Unidos em meados de 1930:Protestantismus ohne Reformation, “protestantismo sem reforma”.Tristemente, vocábulos importantes da fé cristã, como pecado, arrependimento, juízo, justiça, cruz, e até mesmo Cristo e ressurreição vão desaparecendo do discurso de parte dos evangélicos brasileiros.Em algumas faculdades teológicas e mesmo denominações há aqueles, associados ao liberalismo teológico, que substituíram a confiança na revelação pela suposição de que se pode encontrar a verdade por meio da racionalidade, como se, do começo ao fim, Deus não viesse a nós, em revelação. Entre os novos movimentos religiosos neopentecostais há aqueles que supõem poder controlar pelo uso de palavras mágicas o Deus vivo, o Senhor dos exércitos, o todo-poderoso Pai, Filho, Espírito Santo. Melancolicamente, estas palavras, definidoras do cristianismo, foram esvaziadas e substituídas por todos aqueles associados a estes grupos.Todos estes abandonaram o Evangelho, correndo atrás de outro tipo de anúncio (Gl 1.6-9), mera perversão ou caricatura, mas não a boa nova da salvação de que, por meio da morte e ressurreição de Cristo, pecadores podem ser justificados pela fé somente.O que essa obra oferece é um chamado ao fundamento da fé cristã, como encontrado nos famosos lemas que resumem o cerne da mensagem bíblica e evangélica: Deus fala a todos somente na Escritura (sola Scriptura); somos salvos somente pela graça imerecida (sola gratia), que vem aos pecadores somente por meio da morte de Cristo (solus Christus); e este é recebido pela fé somente (sola fide); para que em tudo somente Deus receba o louvor e a glória (soli Deo gloria).Precisamos receber e nos agarrar esta mensagem bíblica e evangélica com toda a seriedade. E sobre isso faríamos bem em ouvir com temor o reformador Martinho Lutero. Em 1522, ele preparou uma série de sermões de Natal para sua congregação, e num deles afirmou:O guarda de um bordel público é menos pecador que o pregador que não entrega o verdadeiro Evangelho, e o bordel não é tão ruim assim como a igreja do falso pregador. (…) Isto os surpreende? Lembrem-se de que a doutrina do falso pregador não causa nada mais que dia-a-dia desviar e violar almas recém-nascidas no batismo — cristãos jovens, almas tenras, noivas virgens, puras e consagradas a Cristo. Considerando que o mal é feito espiritualmente e não fisicamente como num bordel, ninguém o observa: mas Deus está incomensuravelmente descontente.Que Deus use esta nova obra de meu querido irmão Renato Vargens para quebrantamento, renovação e retorno a Deus, que é rico em misericórdia, não apenas para renovar nossa alegria nele, mas também para nos conceder novo alento e renovada paixão para pregar a Escritura Sagrada, “o berço pelo qual o Cristo vem a nós” (Lutero).Franklin FerreiraDiretor do Seminário Martin Bucer
Trecho do livro “Reforma Agora”, de Renato Vargens, futuro lançamento da Editora Fiel para Setembro/2013
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