segunda-feira, 3 de março de 2014
Acidentes, Não Castigo
Um sermão pregado Domingo, oito de setembro de 1861
Por Charles Haddon Spurgeon
No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.
“E, Naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios. E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” Lucas 13:1-5
O ano de 1861 será notório entre seus companheiros por ser um ano marcado por calamidades. Justo na época quando o homem sai a receber o fruto de seus labores, quando a colheita da terra está madura, e os celeiros começam a encher-se, cheios de trigo novo, a Morte também, essa poderosa segadora, saiu para cortar sua própria colheita – feixes completos foram recolhidos em seu celeiro: a tumba. Terríveis foram os lamentos que formam o hino de colheita da morte.
Ao ler os jornais essas ultimas semanas, ainda as pessoas mais impassíveis experimentaram sentimentos muito dolorosos. Não só ocorreram calamidades tão alarmantes que só de lembrar gelam o sangue, mas também as colunas dos periódicos foram dedicadas a certas calamidades de um menor nível de horror, mas que, somadas todas, são suficientes para encher a mente de terror, pela tremenda quantidade de mortes inesperadas que recentemente corresponderam aos filhos dos homens.
Não somente temos tido acidentes a cada dia da semana, mas sim até dois ou três – não fomos simplesmente aturdidos pelo alarmante ruído de um terrível estrondo, mas antes com outro, outro, outro e outro, que seguiram suas pisadas, como os amigos de Jó, até que tenhamos tido necessidade da paciência e da resignação de Jó para escutar a terrível narrativa dessas calamidades. Agora, homens e irmãos, coisas como essas ocorreram sempre em todas as épocas do mundo. Não pensem que isso é algo novo – não considerem, como alguns fazem, que isso é o produto de uma civilização excessiva, ou o resultado dessa descoberta moderna tão maravilhosa como é o
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vapor. Se jamais se tivesse conhecido a máquina a vapor, e se nunca se tivesse construído uma ferroviária, de todas as formas teriam ocorrido mortes inesperadas e acidentes terríveis.
Ao revisar os velhos arquivos nos quais nossos antepassados registraram os acidentes e as calamidades, encontramos que a antiga diligência ofereceu à morte uma presa tão custosa como o trem que roda ferozmente o faz; tinham então tantas portas para o Hades como as que existem hoje – caminhos tão empinados e íngremes que conduziam para a morte, que eram transitados por uma multidão tão vasta como em nossa época; Por acaso duvidam disso?
Peço-lhes que nos dirijamos ao capítulo treze de Lucas. Lembrem-se desses dezoitos sobre os quais a torre de Siloé caiu. Que tal se nenhuma colisão os tivesse esmagado?1 Ou que se não tivessem sido destruídos pelo ingovernável cavalo de ferro que os arrastou a água desde um aterro?2 No entanto, alguma torre mal construída, ou alguma parede golpeada pela tempestade poderia ter caído sobre dezoito de uma vez, e teriam perecido.
Ou pior que isso, um governante déspota, levando as vidas dos homens penduradas em seu cinto como se fossem as chaves de seu palácio, poderia ter caído subitamente sobre os que estavam adorando no próprio templo, e poderia ter misturado o sangue deles com o sangue dos bezerros que nesse momento estavam sendo sacrificados ao Deus do céu. Não pensem, então, que essa é uma época na que Deus está tratando mais duramente com nós do que antes. Não pensem que a providência de Deus se tem voltado mais dura do que antes: sempre ocorreram mortes inesperadas, e sempre as haverá – sempre tem ocorrido estações nas que os lobos da morte tem caçado em manadas famintas, e provavelmente, até o fim dessa dispensação, o último inimigo terá seu festival periódico e satisfará aos vermes com carne humana.
Portanto, não estejam abatidos pelas mortes inesperadas, nem tampouco estejam perturbados com essas calamidades. Continuem com suas atividades normais, e se seus chamados os levam a cruzar o campo da própria morte, o façam, e façam corajosamente. Deus não soltou as rédeas do mundo, não tirou Sua mão do timão do grande barco, todavia:
1 Referência ao acidente do Túnel Clayton, que ocorreu, 25 de agosto de 1861, cinco milhas a partir de Brighton, na costa sul da Inglaterra, e foi o pior acidente do sistema ferroviário britânico da época. Um trem de passeio bateu em outro que estava parado no túnel, no domingo, matando 23 e ferindo 176 passageiros
2 Segundo Eric Hayden, pastor do Tabernáculo Metropolitano na década de 60 em “Feitos Notáveis”, é ”uma referência a um acidente ocorrido em Setembro ocorreu outro desastre ferroviário quando um grupo de passageiros viajava à costa sul”
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“Ele em todas as partes possui império,
e todas as coisas servem a seu propósito;
Cada ato seu é pura benção,
Seu caminho é luz sem mancha.”
Só aprendam a confiar Nele, e não terão nenhum temor à morte inesperada; ―A sua alma pousará no bem, e a sua semente herdará a terra.” (Salmo 25:13)
O tema particular dessa manhã, no entanto, é esse: o uso que devemos encontrar para esses terríveis textos que Deus está escrevendo com letras maiúsculas na história do mundo. Deus falou uma vez, sim, duas vezes – que não se diga que o homem não prestou atenção. Temos visto um vislumbre do poder de Deus, contemplamos alguma coisa da rapidez com a que Ele pode destruir nossos concidadãos. ―Presta atenção ao castigo e a quem o estabelece;‖ e ao prestar atenção, façamos duas coisas.
Primeiro, não sejamos tão insensatos para tirar a conclusão a que chegam as pessoas supersticiosas e ignorantes; essa conclusão que está sugerida no texto, quer dizer, que os que são destruídos por meio de acidentes, são pecadores que estão acima de todos os pecadores que habitam o lugar. E, em segundo lugar, cheguemos à conclusão apropriada e correta; façamos um uso prático de todos esses eventos para nossa própria melhoria pessoal: escutemos a voz do Salvador que diz: ―se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.‖
I. Primeiro, então, TENHAMOS MUITO CUIDADO DE NÃO CONCLUIR APRESSADAMENTE E IRREFLETIDAMENTE SOBRE ESSES TERRIVEIS ACIDENTES: QUE OS QUE OS SOFREM, OS SOFREM POR CULPA DE SEUS PECADOS.
É dito de maneira mais absurda que os que viajam no primeiro dia da semana, e sofrem um acidente, devem considerar esse acidente como um juízo de Deus sobre eles, devido a estarem violando o dia de adoração cristão. Tem se dito, ainda por parte de ministros piedosos, que essa ultima colisão deplorável dos trens deve-se considerar uma notável visitação e sumariamente maravilhosa da ira de Deus contra esses infelizes que por casualidade encontravam-se no túnel Clayton.
Porem, eu apresento meu protesto mais enérgico contra uma conclusão assim, não só em meu nome, mas também em nome Daquele que é o Senhor do cristão e Mestre do cristão. Eu pergunto acerca dessas pessoas que foram esmagadas nesse túnel, pensam vocês que eles era maiores pecadores do que todos os pecadores? ―Não, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.‖, ou os que morreram na segunda feira passada, pesam vocês que
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eles eram maiores pecadores que todos os pecadores que estavam em Londres?3 ―Se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.”
Agora, fixem-se bem, eu não negaria que existiram ocasiões em que houve juízos de Deus sobre pessoas particulares devido a seu pecado; algumas vezes, e eu penso que muito raramente, tais coisas ocorreram. Alguns de nós ouvimos, em nossa própria experiência, que certos homens blasfemam a Deus e o desafiaram a que os destruísse, e morreram repentinamente – e em tais casos, o castigo seguiu tão rapidamente á blasfêmia que era impossível não ver a mão de Deus nisso. O homem havia perdido perversamente o juízo de Deus, e sua oração foi ouvida, e veio o juízo.
E alem de toda dúvida, existe o que se pode descobrir como juízos naturais. Vocês vêm a um homem vestindo farrapos, pobre, sem casa – foi um libertino, um bêbado, perdeu seu caráter, e não é senão o justo juízo de Deus sobre esse homem que esteja morrendo de fome, e que seja um proscrito dos homens. Vocês podem ver nos hospitais a repugnantes exemplares de homens e mulheres que estão terrivelmente enfermos – Deus não queira que em tais casos, nós neguemos que existe um juízo de Deus sobre essas concupiscências ímpias e licenciosas.
E o mesmo pode se disser de muitos casos onde existe um vínculo tão claro entre o pecado e o castigo que até os homens mais cegos podem discernir que Deus converteu a Miséria na filha do Pecado. Porem, em casos de acidente, tal como esse a que me refiro, e em casos de morte repentina e instantânea, repito, eu apresento meu mais sincero protesto contra essa insensata e ridícula ideia que os que perecem assim, são mais pecadores que todos os pecadores que sobrevivem sem sofrer dano algum.
Simplesmente permitam-me raciocinar esse assunto com o povo cristão – pois há alguns cristãos sem maior iluminação que se sentirão horrorizados pelo que eu disse. E, os que tendem a ser perversos podem sonhar inclusive que eu estou fazendo uma apologia para o quebrantamento do dia de adoração. Porem, eu não faço tal coisa. Eu não diminuo a gravidade do pecado; eu só testifico e declaro que os acidentes não devem ser vistos como castigos, pois o castigo não pertence a esse mundo, mas sim ao futuro. A todos aqueles que se apressam em considerar cada calamidade como um juízo, eu quero lhes falar na esperança sincera de corrigir-lhes.
3 Provável referência ao acidente da estação de Kentish Town ,ocorrido em 02 de setembro de 1861, em Londres ,onde 16 pessoas foram mortas e 317 feridas, quando um trem de passeio operado pela Ferrovia Norte de Londres colidiu com um trem de carga operado pela London e North Western Railway (WIKIPÉDIA)
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Então, permitam-me começar perguntando, meus amados irmãos, por acaso não enxergam que o que dizem não é certo? E essa é a melhor das razões do porque não devem dizê-lo. Suas próprias experiências e observações não lhes ensinam que um evento ocorre tanto ao justo como ao malvado? É certo que o homem malvado às vezes cai morto na rua – mas o ministro também não caiu também morto no púlpito, por acaso? É certo que um iate de prazer, no qual os homens buscavam sua própria felicidade em um dia de domingo, afundou precipitadamente – mas por acaso não é igualmente certo que um barco que levava somente homens piedosos, cujo destino era um giro para pregar o Evangelho, não afundou também?
A providência de Deus não tem respeito as pessoas: e uma tormenta pode abater-se sobre o barco missionário ―John Williams‖ 4, da mesma forma que pode abater-se sobre outro iate repleto de pecadores desenfreados. Que! Acaso não percebem que a providência de Deus foi de fato, e seus tratos externos, mais dura com os bons do que com os maus? Paulo não disse ao contemplar as misérias dos justos em seus dias: ―Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Coríntios 15:19)
O caminho da justiça frequentemente conduziu aos homens ao cavalo selvagem do tormento, da prisão, do patíbulo e à fogueira – enquanto que o caminho do pecado, muitas vezes os levou ao império, ao domingo e à alta estima de seus companheiros. Não é certo que nesse mundo Deus castigue aos homens por seu pecado, e os premie por suas boas obras. Não disse Davi: “Vi o ímpio com grande poder espalhar-se como a árvore verde na terra natal? (Salmos 37:35)” E, isso deixava o Salmista perplexo durante um tempo, até que foi ao santuário de Deus, e enfim então entendeu o fim deles?
Ainda que sua fé lhe assegure que o resultado final da providência trabalhará unicamente o bem para o povo de Deus, no entanto, sua vida, ainda que seja somente uma breve parte do drama divino da história, deve ter-lhe ensinado que a providência não discrimina externamente entre o justo e o ímpio – que o justo perece inesperadamente igual que o ímpio – que a peste não conhece diferenças entre o pecador e o santo – e que a mesma espada da guerra é impiedosa com os filhos de Deus da mesma maneira que é com os filhos de Belial.
Quando Deus envia o flagelo, esse mata inesperadamente ao inocente da mesma forma que ao perverso e ao insolente. Agora, meus irmãos, se a ideia
4 O navio “John Williams” era um navio missionário sob o comando do capitão Robert Clark Morgan (1798-1864) e de propriedade da Sociedade Missionária de Londres. Foi nomeado em homenagem ao missionário John Williams (1796-1839), que trabalhou ativamente no Pacífico sul. (FONTE: Wikipédia)
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de vocês de uma providência que castiga e que premia não é certa, por que falam como se fosse? E, por que, se não é correta como regra geral, vocês supõem que seja verdadeira nessa instância particular? Demovam essa ideia de suas cabeças, pois o Evangelho de Deus jamais requer que vocês creriam em algo que não é certo.
Porem, em segundo lugar, existe outra razão. A ideia de que, sempre que ocorre um acidente, devemos considerá-lo como um juízo de Deus, faria que a providência fosse, em vez de um grande abismo, uma poça d’água bem rasa. Pois, qualquer criança pode entender a providência de Deus, se é certo que quando há um acidente ferroviário, é porque as pessoas viajavam em um domingo. Eu posso escolher qualquer menininho da classe mais elementar da escola dominical, e ele me dirá: ―sim, eu vejo isso.‖ Mas então, se a providência é uma coisa assim, se é uma providência que pode ser compreendida, evidentemente não é a ideia de providência da Escritura, pois na Escritura nos é sempre ensinado que a providência de Deus é ―um grande abismo‖, e mesmo Ezequiel, que possuía a asa do querubim e podia voar muito alto, quando viu as rodas que eram o grande quadro da providência de Deus, só podia dizer que os aros das rodas eram tão altos que eram espantosos, e cheios de olhos, de tal forma que lhes era gritado, ―roda!‖
Repito isso para que fique muito claro: se em todos os casos uma calamidade fosse o resultado de algum pecado, então a providência seria algo tão simples como que dois mais dois são quatro – seria uma das primeiras lições que uma criancinha poderia aprender. Porem, as Escrituras nos ensinam que a providência é um grande abismo no qual o intelecto humano pode nadar e mergulhar, mas não pode encontrar nem o fundo nem a orla; e se você e eu pretendemos poder encontrar as razões da providência, e torcer as dispensações de Deus com nossos dedos, só demonstramos nossa insensatez, porem não estamos evidenciando que temos começado a entender os caminhos de Deus.
Pois, olhem, senhores – suponham por um momento que está acontecendo uma grandiosa representação de uma obra teatral, e que vocês se intrometem na obra e vêm a um ator no cenário por um instante, e dizem: ―Sim, eu entendo a obra‖, que tontos seriam! Acaso não sabem que as grandes transações da providência começaram aproximadamente uns seis mil anos? E vocês vieram a esse mundo faz uns trinta, quarenta anos, e tem visto um ator em cena, e vocês dizem que já entendem a obra. Oras! Não a entendem – apenas começaram a conhecer. Unicamente Ele conhece o fim desde o principio, somente Ele entende quais são os grandes resultados, e qual é a grandiosa razão pela que o mundo foi feito, e pela qual Ele permite que ocorra tanto o bem como o mal. Não pensem que vocês conhecem os caminhos de Deus; equivale a degradar a
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providência, e baixar Deus ao nível dos homens, quando pretendem poder entender essas calamidades e descobrir os desígnios secretos da sabedoria.
Porem, continuando, não percebem que uma ideia assim alentaria ao farisaísmo? Essas pessoas que morreram esmagadas, ou queimadas até as cinzas, ou destruídas debaixo das rodas dos vagões do trem, eram piores pecadores que nós. Muito bem, então nós devemos ser umas excelentes pessoas – que excelentes exemplos de virtude! Não fazemos as coisas que eles fazem, e, portanto Deus nos facilita todas as coisas. Na medida em que viajamos, alguns de nós a cada dia da semana, e jamais fomos despedaçados, sobre essa suposição, podemos nos catalogar como os favoritos da Deidade.
Então, não enxergam irmãos, que nossa segurança seria um argumento para nos fazer cristãos? Que tenhamos viajado em um trem com segurança seria um argumento de que somos regenerados, porem eu jamais li nas Escrituras, ―Nós sabemos que passamos da morte para a vida, por que viajamos de Londres a Brigton sem nenhum problema duas vezes ao dia.‖ Jamais encontrei nenhum versículo que se pareça com isso – e, no entanto, se fosse certo que os piores pecadores sofrem os acidentes, se derivaria como um contraponto natural a essa proposição que os que não sofrem acidentes devem ser pessoas muito boas, e que noções farisaicas geramos e nutrimos dessa maneira.
Porem, eu não posso tolerar essa insensatez nem por um instante. Quando contemplo por um momento os pobres corpos mutilados dos que foram sacrificados tão inesperadamente, meus olhos se enchem de lágrimas, mas meu coração não se vangloria, nem meus lábios acusam – longe de mim tal expressão cheia de orgulho: ―Deus, lhe dou graças porque não sou como os outros homens.‖ Não, não, não, esse não é o espírito de Cristo, nem o espírito do cristianismo. Ainda que possamos agradecer a Deus porque somos preservados, no entanto, podemos dizer: ―As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos” (Lamentações 3:22), e devemos atribuir tal fato a Sua graça e unicamente a Sua graça. Porem, não podemos crer que havia algo melhor em nós, porque fomos preservados vivos estando a morte tão perto. É somente porque Ele teve misericórdia, sendo muito paciente para conosco, não querendo que pereçamos, mas sim que nos arrependamos, que nos preservou dessa maneira para que não desçamos á tumba, e nos manteve a vida preservando-nos da morte.
Logo, permitam-me comentar que a suposição contra a qual estou contendendo é muito cruel e dura. Pois se esse fosse o caso, que todas as pessoas que assim se encontram com a morte de uma maneira extraordinária e terrível são maiores pecadoras que as demais, isso não seria um duro golpe para os afligidos sobreviventes? E não é pouco generoso de nossa parte consentir
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nessa ideia, a menos que sejamos forçados a aceitá-la como uma terrível verdade, por razões que não podem ser respondidas?
Agora, eu os desafio a sussurrar ao ouvido da viúva. Vão a sua casa e digam-lhe: ―seu esposo era pior pecador que o resto dos homens, por isso morreu.‖ Não possuem a suficiente brutalidade para isso. Um pequeno bebê inconsciente, que jamais havia pecado, ainda que, sem dúvida, um herdeiro da queda de Adão, é encontrado esmagado em meio dos escombros do acidente. Agora, pensem por um momento, qual seria a infame consequência da suposição que os que pereceram era piores que os outros. Teriam que supor que essa inconsciente criança era pior pecadora que muitos que habitam as guaridas da infâmia e cujas vidas são ainda respeitadas. Não percebem que a coisa é radicalmente falsa? E talvez eu pudesse mostra-lhes melhor a injustiça disso, lembrando-lhes que um dia poderia suceder com vocês.
Suponham que lhes toque encontrarem-se com uma inesperada morte desse tipo, estão anuentes a que se lhes corresponda a condenação sobre essa base? Um incidente assim pode ocorrer na casa de Deus. Permitam-me recordar o que ocorreu uma vez em que estávamos congregados – posso afirmar de coração puro que não nos reunimos com nenhum outro objetivo se não o de servir a Deus, e esse ministro não tinha nenhuma meta ao ir a esse lugar, exceto o de congregar a muitos que de outra maneira não teriam tido a oportunidade de escutar sua voz. E, no entanto houve funerais como resultado desse esforço santo (pois ainda declaramos que foi um esforço santo, e a benção de Deus o demonstrou). Houve mortes e mortes entre o povo de Deus – estive a ponto de dizer que estou contente que foi entre o povo de Deus mais que em noutros povos. Um tremendo terror apoderou-se da congregação, e o povo fugiu, e não enxergam que se os acidentes devem ser considerados como juízos, então é uma sã conclusão que nós estávamos pecando ao estar lá. Essa é uma insinuação que nossas consciências categoricamente repudiam.5
No entanto, se essa lógica fosse verdadeira, é tão certa contra nós como o é contra outros, e na medida em que vocês repeliriam com indignação a acusação que alguns foram feridos ou golpeados devido ao pecado, estando ali no Music Hall para adorar a Deus, o que rejeitam para vocês o rejeitem para outros, e não querem ser parte da acusação que é apresentada em contra os que
5 A referência do incidente é sobre o que ocorreu no Surrey Garden Musci Hall em 1856, quando o salão foi alugado para congregar as multidões que iam ouvir Spurgeon nos serviços dominicais, e devido a reformas em New Park Street e a impossibilidade de se alugar o Exerter Hall, se levou adiante o arrendamento temporário do Salão com capacidade para 10.000 pessoas. Na primeira noite de serviços, um tumulto provocado por bardeneiros com falsos avisos de incêndio provocaram uma correria tal que levou a 23 feridos e 7 mortos. (N.d.T)
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foram destruídos durante as ultimas duas semanas, que pereceram por causa de qualquer grande pecado.
Aqui antecipo o clamor de pessoas prudentes e zelosas que temem pela arca de Deus, e a querem tocar com a mão e Uzá. ―Bem,‖ dirá algum, ―porem, nós não devemos falar assim, pois é uma superstição muito útil, pois haveria muitas pessoas que já não viajariam aos domingos devido ao acidente, e, portanto, devemos dizer-lhes, que os que pereceram, pereceram devido a que viajaram no domingo.‖
Irmãos, eu não diria uma mentira para salvar uma alma, e isso seria dizer mentiras, pois não é verdade. Eu faria qualquer coisa para interromper o trabalho aos domingos e o pecado, mas não forjaria uma falsidade, ainda mesmo para conseguir isso. Essas pessoas poderiam ter falecido na segunda-feira igual como no domingo. Deus não dá uma imunidade especial a algum dia da semana, e os acidentes podem ocorrer em qualquer momento, e é somente uma fraude piedosa quando buscamos jogar assim com a superstição dos homens por causa de Cristo.
O sacerdote da Igreja Católica pode consistentemente usar um argumento assim, porem, um cristão honesto que crê que a religião de Cristo pode cuidar-se a si mesma sem necessidade de falar falsidades, desdenha fazer isso. Esses homens não pereceram porque viajaram num domingo. Que sirva de testemunha o fato de que outros pereceram em uma segunda-feira quando andavam, em missão de misericórdia.
Eu não sei por que razão ou por que motivo Deus enviou o acidente. Deus não queira que ofereçamos nossas próprias razões quando Ele não deu Sua razão, mas não nos é permitido converter a superstição dos homens em um instrumento para avançar a glória de Deus. Vocês sabem que entre os protestantes existem muitos fanatismos papais. Conheço pessoas que aprovam o batismo infantil argumentando: ―Bem, não faz dano nenhum, e existem muitas boas intenções nele, e pode fazer muito bem, e ainda a confirmação pode resultar de benção para algumas pessoas, portanto não falemos contra isso.‖
A mim não corresponde se esse tema faz dano ou não, tudo o que me importa é se é correto, se é Escriturístico, se é verdadeiro, e se a verdade é prejudicada, que é uma suposição que não podemos aceitar de nenhuma maneira, esse prejuízo não estará em nossa porta. Não temos outro dever que dizer a verdade, ainda que os céus caiam. Repito, qualquer avanço do Evangelho que se deva à superstição dos homens, é um avanço falso, e logo se voltará contra as pessoas que usam dessa arma não consagrada.
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Nos possuímos uma religião que apela ao juízo do homem e ao sentido comum, e quando não podemos avançar com isso, eu não aceito que devamos prosseguir utilizando outros métodos - e irmãos, se existe alguma pessoa que queira endurecer seu coração e dizer: ―pois bem, eu estou tão certo em um dia como em qualquer outro dia,” o que é muito certo, eu devo responder-lhe: ―o pecado de que faça tal uso como o que faz de uma verdade deve jazer a sua porta, não na minha – porem, se eu pudesse evitar que viole o dia do descanso cristão, colocando-lhe frente a uma supersticiosa hipótese, não o faria, pois parece-me que ainda que o consiga manter afastado desse pecado por um pouco de tempo, muito pronto se converteria demasiado inteligente parta ser enganado por mim, e logo me chegaria a considerar como um sacerdote que julgou seus temores em vez de apelar a seu juízo.”
Oh, já é tempo que saibamos que nosso cristianismo não é uma coisa débil e temerosa, que apela aos pequenos temores supersticiosos de mentes ignorantes. É a algo valente, que ama a luz, e que não precisa de fraudes santas para sua defesa. Sim, crítico! Foca sua lanterna até nós, e que brilhe em nossos próprios olhos; nós não temos medo, a verdade é poderosa e pode prevalecer, e se não pode prevalecer à luz do dia, e não temos nenhum desejo de que o sol se ponha para dar a verdade uma oportunidade.
Eu creio que brotou muita infidelidade do desejo muito natural de alguns cristãos de aproveitar-se de erros comuns. ―Oh‖, disseram, ―esse erro popular é muito bom, mantém o povo na posição correta – vamos o perpetuar esse erro, pois evidentemente faz muito bem.‖ E logo, quando o erro foi descoberto, os infiéis disseram: ―Oh, agora vejam que esses cristãos foram descobertos em seus estratagemas.‖ Não tenhamos nenhum truque, irmãos – não falemos aos homens como se fossem crianças que podem ser amendrotados por histórias de fantasmas e de bruxas. O fato é que esse não é o tempo de retribuição, e é pior que inútil que nós ensinemos que o é.
E agora, por último (e já irei passar a outro ponto), por acaso vocês não percebem que essa suposição, que não é cristã nem Escriturística, que quando os homens se encontram inesperadamente com a morte, é resultado do pecado, rouba ao cristão um de seus argumentos mais nobres para a imortalidade da alma? Irmãos, nós afirmamos diariamente, com a Escritura como nossa garantia, que Deus é justo, e na medida em que Ele é justo, deve castigar o pecado, e premiar ao justo. Manifestamente Ele não o faz nesse mundo, e um mesmo evento ocorre a ambos: o homem justo é pobre igual que o mal, e morre repentinamente igual que o maior répobro. Muito bem, a conclusão é natural e clara, que deve existir um mundo contínuo no que essas coisas serão endireitadas.
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Se há um Deus, Ele deve ser justo – e se Ele é justo, Ele deve castigar o pecado – e já que não o faz nesse mundo, deve existir outro estado em que os homens receberão a recompensa de suas obras – e os que semearem para a carne, da carne colherão corrupção, enquanto os que semearem para o Espírito, do Espírito colherão vida eterna. Se fizerem desse mundo o lugar de colher, lhe terão tirado o aguilhão ao pecado.
―Oh,‖ diz o pecador, ―se as aflições que o homem suporta aqui é todo o castigo que terão, vamos pecar com voracidade.‖ Você responde-lhes, ―não - esse não é o mundo do castigo, mas sim o mundo de prova – não é a corte da justiça, mas sim a terra de misericórdia; não é a prisão de terror, mas a casa de paciência;‖ e lhes terá aberto diante de seus olhos as portas do futuro; ter´s posto o trono do juízo diante de seus olhos; recordou-lhes: ―Vinde, benditos,‖ e ―Apartai-vos de mim, malditos;‖ assim, possui um fundamento mais a razoável e consequentemente mais Bíblico para apelar às suas consciências e corações.
Falei com a intenção de sufocar, na medida do possível, a ideia que está muito propagada entre os ímpios, que nós como cristãos sustentamos que cada calamidade é um juízo. Não é assim; nós não pensamos que aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé eram mais culpados que todos os homens que habitavam em Jerusalém.
II. Agora passamos a nosso segundo ponto. QUE USO, ENTÃO, DEVEMOS FAZER DESSA VOZ DE DEUS QUE É OUVIDA EM MEIO DOS AGUDOS GRITOS E GEMIDOS DOS MORIBUNDOS? Dois usos; primeiro, perguntas, e segundo, uma advertência.
A primeira pergunta que devemos fazer é a seguinte: ―Por que não pode acontecer a mim que muito prontamente e inesperadamente seja eu cortado? Tenho eu um contrato de aluguel de minha vida? Tenho algum amparo especial que me garante que não atravessarei inesperadamente os portais da sepultura? Recebi um título de privilégio de longevidade? Fui coberto com uma armadura tal que sou invulnerável às flechas da morte? Por que não irei morrer?‖
A segunda pergunta que deve sugerir é essa: ―Não sou um grande pecador como esses que morreram? Não há em mim, sim, em mim mesmo, pecados contra o Senhor meu Deus? Se em pecados visíveis outros me superaram, acaso os pensamentos de meu coração não são malvados? Porventura a mesma lei que os amaldiçoa não amaldiçoa a mim também? Não perseverei em todas as coisas escritas no livro da Lei para que se cumprissem. É tão impossível que eu seja salvo por minhas obras como que eles o sejam. Não estou debaixo da
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lei, por natureza como eles o estão, e pela mesma não estou eu também debaixo de maldição, como eles o estão? Essa pergunta deve ser feita. Em vez de pensar em seus pecados, o quem me converteria um orgulhoso, devo pensar em meus próprios pecados, o que me converterá humilde. Em lugar de especular sua culpa, que é assunto que não é de minha responsabilidade, devo voltar meus olhos até meu interior, e considerar minha própria transgressão, pela qual devo responder pessoalmente diante do Deus Altíssimo.‖
Logo, a seguinte pergunta é, ―me arrependi de meu pecado? Eu não preciso ficar investigando se eles se arrependeram ou não: eu me arrependi? Posto que eu esteja exposto à mesma calamidade, estou preparado para enfrentá-la? senti, por meio do poder de convencimento do Espírito Santo, a negridão e a depravação de meu coração? Tenho sido guiado a confessar diante de Deus que eu mereço a Sua ira, e que Seu desagrado, se ele pousa sobre mim, será um justo pago? Odeio o pecado: Aprendi a aborrecê-lo? Apartei-me do pecado, por meio do Espírito Santo, como de um veneno mortal, e busco agora honrar a Cristo meu Senhor: Fui lavado em seu sangue: Reflito sua semelhança? Mostro seu caráter? Busco viver para Seu louvor? Pois, se não é assim, estou em grave perigo como eles estavam, e posso ser cortado tão depressa e repentinamente, e logo, onde estou? Eu não irei perguntar onde eles estão? E logo, de novo, em vez de estar espiando no futuro destino desses infelizes homens e mulheres, quando melhor seria nos perguntar sobre nosso destino e de nossa própria situação! –
―O que eu sou? minha alma, desperta
E faz uma analise imparcial.”
Estou preparado para morrer? Se as portas do inferno abrem-se agora, eu entraria ali? Se debaixo de mim se abrirem as bocas da morte, estou preparado com confiança para atravessá-las, não temendo o mal, porque Deus está comigo?‖ Esse é o uso correto que podemos fazer desses acidentes; essa é a maneira mais sábia de aplicar os juízos de Deus a nós mesmos e a nossa própria condição.
Oh senhores, Deus tem falado a cada homem em Londres durante as últimas duas semanas; Ele falou a mim, Ele falou a vocês, homens, mulheres e crianças. A voz de Deus há soado desde o escuro túnel Clayton: falou desde o poente do sol e a deslumbrante fogueira em redor do qual jazem os cadáveres de homens e mulheres, e Ele lhes disse, ―Portanto, estai vós também apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais. (Lucas 12:40)‖ Isso está tão dirigido a vocês, que eu espero que os levem a perguntarem-se: ―Estou preparado, estou pronto? Estou disposto a enfrentar a meu Juiz e escutar a sentença pronunciada sobre minha alma?‖
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Quando tenhamos usado a voz de Deus para nos perguntar dessa maneira, permitam-me lembrar-lhes que devemos usá-la também como uma advertência. ―Todos de igualmente perecereis.‖ ―Não,‖ dirá alguém, ―não igualmente. Não todos seremos esmagados; muitos de nós morreremos em nossas camas. Não todos morreremos queimados; muito de nós fecharemos tranquilamente nossos olhos.‖ Ai! Porem, o texto diz ―todos de igual modo perecereis.‖ E deixem-me lembrar-lhes que alguns de vocês podem perecer de uma maneira idêntica. Não possuem nenhuma razão para crer que vocês não podem ser cortados inesperadamente, enquanto caminhem pelas ruas. Podem cair mortos enquanto comem; quantos não têm perecido com o cajado da vida em suas mãos! Estarão em sua cama, e sua cama subitamente se converterá em sua tumba. Vocês poderão ser fortes, sãos, robustos e quer seja por acidente, ou porque a circulação do sangue se detém, serão rapidamente levados diante de seu Deus. Oh! Que a morte inesperada seja para vocês glória súbita!
Porem pode ocorrer a algum de nós que, da mesma maneira surpreendente em que outros morrerem, morreremos assim também. Faz só um pouco de tempo, nos Estados Unidos, um irmão, enquanto pregava a Palavra, entregou seu corpo e seu cargo simultâneamente. Vocês lembram da morte do Dr. Beaumont, quem, enquanto proclamava o Evangelho de Cristo, fechou seus olhos ao mundo. E eu recordo a morte de um ministro nesse pais, que acabava de pronunciar esse verso –
“Pai, eu anelo, eu anseio ver
O lugar de Tua habitação;
Eu quero deixar teus átrios terrenos e fugir
Até Tua casa, meu Deus”
- E então agradou a Deus conceder-lhe o desejo de seu coração, e apareceu diante do Rei em Sua beleza. Não poderia uma morte imprevista como essa suceder a vocês e a mim mesmo?
Porem, é muito certo que, venha a morte de maneira que venha, há alguns quantos aspectos na que virá aos justos da mesma maneira como veio aos que sofreram esses acidentes. Em primeiro lugar, virá, com toda certeza. Eles não teriam tido possibilidade de escapar do perseguidor, não importa qual rápido viajassem. Eles não teriam tido a chance de escapar da seta, não importando a que lugar houvessem ido, escondendo-se de casa em casa, quando seu tempo lhes chegou. E nós pereceremos assim.
Com a mesma certeza, tão certo como a morte colocou seu selo sobre os cadáveres que agora estão cobertos de terra, com a mesma certeza porá seu
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selo sobre nós (a menos que o Senhor venha antes), pois ―aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo (Hebreus 9:27)‖ Não existe exoneração nesse caminho; não existe escape por nenhum atalho para nenhum individuo; não existe nenhuma ponte sobre o rio; não há nenhuma nave na que possamos passar esse Jordão sem molharmos nossos pés.
Para suas geladas profundidades, oh rio, cada um de nós deve descer – em sua fria corrente nosso sangue deve congelar-se – e debaixo de suas espumosas ondas nossa cabeça deve submergir! Nós também devemos morrer com certeza. ―Trilhado‖ você diz, “e cheio de lugares comuns;‖ e a morte é um lugar comum, mas que só nos ocorre uma vez. Que Deus nos conceda que essa única vez que morreremos possa estar perpétuamente em nossas mentes, até que morramos diariamente, e assim não nos resulte ser um trabalho difícil morrer ao final.
Bem, então, como a morte chega a eles e a nós com certeza, assim virá tanto a eles como a nós poderosa e irresistivelmente. Quando a morte os surpreendeu que ajuda tiveram então? Um casebre de papelão de uma criança não poderia ser tão facilmente esmagado que esses pesados vagões? O que podiam fazer para ajudarem uns aos outros? Eles iam sentados uns juntos a outros, conversando. Escutou-se um grito, e antes que houvessem gritado segunda vez, foram esmagados e destroçados. O esposo trata de resgatar dos escombros sua esposa, porem as pesadas tábuas de madeira cobriram seu corpo; ao fim só pode encontra sua pobre cabeça, e ela está morta, e ele senta-se junto a ela embargado pela tristeza, e coloca sua mão em seu rosto, até que se torna frio como uma pedra; e ainda que tenha visto a um e outro que tenha sido resgatado com os ossos quebrados ao meio da massa de escombros, ele têm que deixar o corpo de sua esposa ali.
Ai! Seus filhos ficaram sem mãe, e ele perdeu a companheira de seu coração. Eles não puderam resistir; eles poderiam fazer o que quisessem, porem, tão logo chegou o momento, seguiram adiante, e o resultado foi a morte e ossos quebrados. O mesmo sucederá com vocês e comigo – podem subornar o médico com os honorários mais altos, porem, ele não poderia colocar sangue fresco em suas veias6 – podem pagar-lhe grandes quantidades de ouro, mas ele não poderia conseguir que o pulso desse outro bramido. Oh, Morte, irresistível conquistadora de homens, não há ninguém que possa prevalecer contra ti; sua palavra é lei, sua vontade é destino! Assim virá a nós como chegou a eles; virá com poder, e nenhum de nós poderá resistir a ela.
6 Não deve se levar em conta aqui as modernas transfusões de sangue (N.d.T)
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Quando a morte chegou-lhes, veio instantaneamente, sem aceitar demoras. Assim virá a nós. Poderíamos ter um aviso mais antecipado do que eles, porem quando chegue a hora, não haverá forma de adiá-la. Encolhe seus pés na cama, oh, patriarca, pois deve morrer e não vai viver! Dá o último beijo em sua esposa, veterano soldado da cruz; coloca suas mãos sobre a cabeça de seus filhos, e dá-lhes a benção do moribundo, pois todas suas orações não podem alargar sua vida, e todas as lágrimas não podem agregar nem uma só gota ao poço seco de seu ser.
Você deve ir, o Senhor manda por você, e Ele não suporta atrasos. Não, ainda que sua família esteja disposta a sacrificar suas vidas para lhe comprar uma hora de trégua, isso não pode ser. Ainda que uma nação seja holocausto, um sacrifício voluntário, para dar a seu soberano outra semana adicional a seu reino, não se pode conseguir tal coisa. Ainda que a congregação inteira consinta voluntariamente em recorrer as escuras abóbodas da tumba para salvar a vida de seu pastor, por mais outro ano, não se pode alcançar esse intento. A morte não aceita atraso – e o tempo chegou, e o relógio soou, a areia da ampulheta consumiu-se, e tão certamente como eles morreram quando chegou-lhes seu tempo, no campo inesperadamente, assim certamente nós devemos morrer.
Logo, novamente, recordemos que a morte chegará a nos como chegou a eles, com terrores. Não com o estrondo de madeiras quebradas, talvez, nem com a escuridão de um túnel, não com o vapor e a fumaça, não com os gritos das mulheres e os gemidos dos moribundos, mas, no entanto, com terrores. Pois se encontrar com a morte onde quer que seja, se não estamos em Cristo, e se a vara o cajado do pasto não nos infundem alento, deve ser uma coisa terrível e tremenda.
Sim, oh, pecador, com suaves almofadas debaixo de sua cabeça, e o terno braço de sua esposa para te sustentar, e uma doce mão para limpar seu frio suor, em seu corpo encontrará que é um terrível trabalho enfrentar o monstro e sentir seu aguilhão, e entrar em seus espantosos domínios. É um terrível trabalho em qualquer instante, mesmo sob as melhores e mais propícias circunstâncias, que um homem morra sem preparação.
E agora quisera eu enviar-lhes de volta para casa com um pensamento que fique gravado em sua memória: nós somos criaturas moribundas, não criaturas viventes, e logo nos teremos ido. Talvez, estando eu de pé aqui, e falando rudemente dessas coisas misteriosas, pronto se estendera essa mão e cerrará minha boca que balbucia com tão gaguejante esforço; o poder supremo, oh Rei eterno, venha quando querias, oh! Porem, nunca venha em uma hora desperdiçada – que me encontres em elevada meditação, cantando hinos a meu
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grandioso Criador: fazendo obras de misericórdia os pobres e aos necessitados, ou carregando em meus braços aos pobres e necessitados do rebanho; ou consolando o desconsolado, ou tocando o sonido da trombeta do Evangelho aos ouvidos das almas surdas que estão perecendo.
Então, vem quando Tu querias; se Tu estás comigo em vida, não temeria encontra a Ti na morte: mas, oh, que minha alma esteja preparada com seu vestido de bodas, com sua lâmpada preparada e sua luz acesa, pronta para ver a seu Senhor e entra no gozo de seu Deus!
Almas, vocês conhecem o caminho de salvação; o escutaram frequentemente, porem, ouçam de novo: ―O que crê no Senhor Jesus, têm a vida eterna.” “O que crer e for batizado, será salvo; mas o que não crer, será condenado.” ―Crê em teu coração e confessa com sua boca.‖ Que o Espírito Santo lhes dê graça para fazer ambas as coisas, e tendo feito, possam dizer –
“Vêm, morte, com uma congregação celeste,
Para levar a minha alma.”
NOTA: Davi Livingstone, o famoso explorador e missionário, levou em seu bolso uma cópia desse sermão, em suas viagens por toda a África. Ele tinha escrito na margem superior da impressão desse sermão o comentário: ―Muito bom. D.L‖ Quando da morte do missionário, essa mesma copia foi entregue ao próprio Spurgeon, que a guardou durante toda sua vida como um tesouro. Hoje em dia, essa copia pode ser vista exposta no Spurgeon’s College, em Londres.
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FONTE:
Traduzido do espanhol Accidentes, No Castigos, tradução de Allan Román, com autorização e permissão deste para o português para o Projeto Spurgeon , de http://www.spurgeon.com.mx/
Orem diariamente pelos irmãos Allan Roman e Thomas Montgomery, da Cidade do México para o sucesso dessa obra em espanhol
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público
Sermão nº 408—Volume 7 do Metropolitan Tabernacle Pulpit
ORIGINAL: Accidents, Not Punishments
Tradução: Armando Marcos Pinto
Projeto Spurgeon - pregando a Cristo crucificado.
Projeto de tradução de sermões, devocionais e livros do pregador batista reformado Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) para glória de Deus em Cristo Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para edificação da Igreja e salvação e conversão de incrédulos de seus pecados. Acesse em: http://www.projetospurgeon.com.br/
Teologia Reformada - Defesa do Evangelho: Voltemos Ao Evangelho | Por uma reforma na Igreja ...
Teologia Reformada - Defesa do Evangelho: Voltemos Ao Evangelho | Por uma reforma na Igreja ...: Voltemos Ao Evangelho | Por uma reforma na Igreja Brasileira Postado em 30/08/2013 sob ... , Artigo , Franklin Ferreira , Igreja , Outros...
Título original: Thomas Boston em: “Por que os Homens não creem no Evangelho” James A. Thomson
© Projeto Os Puritanos/CLIRE 2013
Todos os direitos reservados ao Projeto Os Puritanos.
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou transmitida por quaisquer meios sem permissão por escrito dos
editores, salvo em breves citações, com indicação da fonte.
Editor: Manoel Canuto
SUMÁRIO
Introdução
1. Nenhum senso exato da miséria espiritual
2. Nenhuma visão real e senso de sua própria iniquidade
3. Eles não percebem as nuvens de ira que pendem sobre suas cabeças
4. Eles desconhecem sua total incapacidade para se protegerem
5. Eles não sentem sua necessidade de Cristo
6. Eles não veem sua própria indignidade
7. Eles não têm qualquer preocupação em suprir as carências de suas almas
8. Eles não estão satisfeitos com Cristo, mas com suas próprias realizações
Mídias
Livros Os Puritanos
INTRODUÇÃO
Foi ocasionalmente no ano em que o Senhor misericordiosamente salvounos
a ambos, que meu pai me disse: “Se uma pessoa realmente entendesse
o evangelho, não vejo como poderia rejeitá-lo”. Seu argumento era que se
apenas pudéssemos fazer o evangelho absolutamente claro, todo mundo
forçosamente o aceitaria. O nosso pastor estava pregando uma série
maravilhosa de sermões em Romanos, tornando clara a justificação pela fé
e a total suficiência da cruz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Nós
pensamos que, se apenas este evangelho salvador de Romanos 1.16
pudesse ser colocado exatamente tão claro para todos os homens, todo
coração receberia alegremente o evangelho.
Um quarto de século mais tarde, pela graça de Deus, meu pai e eu
estávamos simplesmente ligados à cruz. O que se tornou dolorosamente
claro para mim é que, não importa quão claramente o evangelho seja
apresentado, os homens o rejeitarão. Isto nos leva a fazer a pergunta: Por
que os homens não creem no Senhor Jesus Cristo e são salvos?
Naturalmente há uma resposta e há uma centena de respostas. Como
alguém que aceita e ama as doutrinas calvinistas da graça e da soberania
de Deus, eu sei que existe uma resposta.
Não aprouve ao Pai outorgar-lhes a fé salvadora de Deus (Mt 11.25). Se
você não crê é porque Deus não o elegeu. Existe também uma centena de
respostas, que vão desde a tradição religiosa até as objeções familiares, à
obra enganadora de Satanás, ao duvidar da Palavra de Deus.
Contudo, não estamos aqui para verificar estas razões. Estamos
perguntando qual é a cegueira e a precisa perversidade do homem pecador
que o leva a rejeitar o evangelho de Cristo. Vamos trazer a resposta com
as palavras de Thomas Boston, o teólogo escocês do século dezoito. As
notas seguintes são tiradas do sermão de Boston em Isaías 61.1 (Works,
vol. 9, pp. 540-541).
Thomas Boston declara que a rejeição do homem ao evangelho pode ser
investigável chegando a certas fraquezas pecaminosas. Citaremos a
principal análise de Thomas Boston, frase por frase, e depois
adicionaremos nossos próprios comentários explicativos.
{1}
NENHUM SENSO EXATO DA
MISÉRIA ESPIRITUAL
“Nenhum senso exato da miséria espiritual”. Provérbios 27.7 — “A alma
farta pisa o favo de mel”. Esta é a velha fraqueza Laodicense (Ap 3.17).
Um homem diz: “Eu não percebo qualquer mal, carência ou falha na
minha vida. Tenho uma boa educação; alcancei sucesso profissional; meu
casamento e meus filhos são ótimos; minha vida pessoal e moral é
íntegra. Tenho respeito pela igreja, creio em Deus, mas não vejo qualquer
necessidade predominante na minha vida — nada que me obrigue a
clamar a Jesus Cristo para que me salve”. Este é o homem que ouve sobre
o tesouro escondido no campo. Ele contesta: “Sim, muitas pessoas podem
realmente usar este tesouro e tenho certeza de que será bom para eles,
mas de qualquer modo, muito obrigado, eu já tenho o meu próprio
tesouro”.
{2}
NENHUMA VISÃO REAL E SENSO
DE SUA PRÓPRIA INIQUIDADE
“Nenhuma visão real e senso de sua própria iniquidade”. Ele diz: “Não sou
nenhum anjo, não sou perfeito, tenho agido erradamente, chame isso
pecado se quiser, mas...”. Há sempre aquele “mas”. Muitos livretes
evangélicos prescrevem que façamos uma pergunta, como: “Você admite
ter pecado?”. A resposta usual é: “Naturalmente que sim”. Há, contudo,
sempre os dedos cruzados, ou uma ressalva. “Depende do que você quer
dizer por pecado; não sou nenhum assassino serial. Não sou do partido
nazista; não sou um pervertido. Assim, se isso quer dizer que tenho sido
menos do que deveria, sim. Mas se quer dizer que sou algum tipo de
pessoa depravada, então, não. Certamente que Deus e a religião poderiam
fazer-me uma pessoa melhor, e todos nós precisamos disso. Mas eu não
me considero um pecador decaído, com uma vida corrupta, cuja única
esperança está na misericórdia de Deus”.
{3}
ELES NÃO PERCEBEM AS NUVENS
DE IRA QUE PENDEM SOBRE SUAS
CABEÇAS
“Eles não percebem as nuvens de ira que pendem sobre suas cabeças”. “A
compreensão da nossa própria iniquidade é diretamente proporcional à
compreensão que temos da glória de Deus. A mesma relação é verdadeira
para a nossa maldade e a santidade de Deus. Que homem chega diante de
Deus como fez o profeta Isaías? Que homem vê Deus como inacessível,
como um fogo consumidor, um ser puro e totalmente santo e
maravilhoso? Não, os homens têm lidado com um “deus” que é muito
semelhante a eles próprios. Como um homem perdido reage à imagem
que Boston cria de nuvens de ira pendendo sobre sua cabeça? Ele
contesta: “Estas nuvens são fora-de-moda e um vento novo as dissipou”.
Agora que aquelas nuvens se foram o homem imagina que pode ver Deus
claramente. “Ele é um Deus que se ajusta à auto-indulgência do homem.
Um Deus que deseja abençoar o homem, mesmo nos seus pecados”. Mas,
tal visão de Deus é extraída da imaginação humana.
{4}
ELES DESCONHECEM SUA TOTAL
INCAPACIDADE PARA SE
PROTEGEREM
“Eles desconhecem sua total incapacidade para se protegerem”. Total
incapacidade e total depravação são aproximadamente recíprocas. Elas são
dois lados da mesma moeda. Estas verdades não são apenas ofensivas,
mas incompreensíveis ao homem natural. Muitas pessoas têm ouvido a
mensagem básica do evangelho que termina com: “Agora, aqui está como
você deve fazer... Repita esta oração. Exercite a fé simples, levante sua
mão, diga sim”. A maioria dos homens diz: “Conheço os passos. Agora
posso dar o passo final para a salvação, como e quando me aprouver”.
Esses “passos”, entretanto, estão a cerca de quilômetros. Os homens
pensam que é apenas um pequeno passo que podem dar, para o reino. Mas
aquele “passo final” é um passo gigante, um passo impossível para o
homem dá-lo por si mesmo.
Considere um homem preso numa casa em chamas. Ele não sente
qualquer terrível necessidade, pois está apenas a uma porta-de-saída para
o lugar seguro. O que ele não percebe é que a porta está fechada e ele não
tem a chave.
{5}
ELES NÃO SENTEM SUA
NECESSIDADE DE CRISTO
“Eles não sentem sua necessidade de Cristo”. O homem natural diz: “Vejo
que Cristo poderia me ajudar de muitas maneiras. Posso ver que sua cruz é
o caminho para que meus pecados sejam perdoados”. O que ele não vê,
contudo, é sua necessidade da pessoa de Cristo para salvá-lo. Ele não
“sente”, dolorosa e sensivelmente que está perdido, condenado e
desamparado diante de Deus. Ele não sente a terrível concretização de
que, se Jesus Cristo não fizer Sua obra salvadora, ele estará indo para um
inferno de fogo eterno. Ele não sente a desesperada escravidão à qual os
seus pecados o têm acorrentado.
{6}
ELES NÃO VEEM SUA PRÓPRIA
INDIGNIDADE
"Eles não veem sua própria indignidade”. Auto-estima é a palavra-chave
dos nossos dias. Segundo se pretende, os homens precisam ter uma boa
“auto estima“, um “auto-conceito” positivo, uma forte “auto-afirmação”.
Isso é o que o cristianismo popular lhes diz. É a linguagem da psicologia
popular, o discurso da mídia popular e o registro das brochuras populares.
De fato, o evangelho de hoje chega a dizer que uma auto-imagem pobre é
perniciosa. O ponto integral do evangelho, diz-se agora, é para dar uma
boa “auto-estima”. Obviamente os homens “não veem sua própria
indignidade”. De fato, hoje em dia seria considerado errado fazer assim.
Boston o coloca deste modo: “Eles não podem enxergar como o Senhor
poderia rejeitá-los”. O pensamento de que Deus pode corretamente me
rejeitar, a própria ideia de que eu sou indigno de Deus, é dito ser um
assunto prejudicial para se mencionar aos pecadores.
{7}
ELES NÃO TÊM QUALQUER
PREOCUPAÇÃO EM SUPRIR AS
CARÊNCIAS DE SUAS ALMAS
“Eles não têm qualquer preocupação em suprir as carências de suas
almas”. Aqui estão as virgens loucas dormindo noite adentro. Por que elas
dormem quando sabem que o noivo está vindo? Porque se esgotaram com
as atividades do dia. Elas foram diligentes, preocupadas e devotadas com
muitas coisas. Fizeram seus suprimentos de segurança financeira, de
moradia agradável, de performance física, de reputação na comunidade,
de harmonia familiar. Mas, e o seu suprimento de “óleo”? Há tempo
bastante para isso! Não sentiram qualquer necessidade e preocupação com
o óleo da graça que salva e supre a alma. “Deus não nos quer
transtornados com respeito à religião ou assuntos espirituais. Deus não
colocou uma ‘armadilha de culpa’ sobre nós. Não, Deus nos quer em paz.
Ele não manda pesadelos nem insônia sobre os homens. Seguramente a
ansiedade espiritual não poderia vir de Deus!”. Com tal linguagem os
pecadores iludem-se a si mesmos e perecem.
{8}
ELES NÃO ESTÃO SATISFEITOS
COM CRISTO, MAS COM SUAS
PRÓPRIAS REALIZAÇÕES
“Eles não estão satisfeitos com Cristo, mas com suas próprias
realizações”. Aqui Boston com grande percepção expõe o erro fatal do
pecador. O homem percebe sua necessidade do evangelho, mas ele
estabeleceu um limite no preço que está querendo pagar. Se o preço
pedido for muito alto, ele vai sem o preço. Ou então, procurará um
“Cristo” que seja menos exigente. Se a exigência de Cristo é arrancar o
“olho direito”, o preço é muito grande. O homem buscará um evangelho
que lhe permita manter seu “olho” e também sua “mão” direita,
concupiscências e riquezas — e ainda ir para o céu. Se a porta for muito
estreita, então ele alarga a porta! Os termos do evangelho são agora
estabelecidos pelos homens, não por Cristo. Como escreveu o puritano
Stephen Charnock: “A felicidade proposta pelo evangelho é naturalmente
desejável..., mas não os métodos que Deus ordenou para sua obtenção”.
Aqui, então, estão as oito razões de Thomas Boston do por que os
homens não acreditam no evangelho. Ele foi “mestre de Israel” e, embora
tenha pastoreado em pequeno povo que saiu do feudalismo, foi um
teólogo magistral que ainda para o dia de hoje fala diretamente ao coração
do homem.
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Equipe Voltemos ao Evangelho.
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão,
para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus
seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” II Timóteo 3:16,17
Somente por meio das Escrituras - a revelação tanto da Pessoa quanto da
vontade de Deus - o homem pode conhecê-Lo, ser salvo e habilitado para a boa
obra do Senhor. Entretanto, cresce em nossos dias uma visão da irrelevância das
Escrituras onde ela não é mais a autoridade final em questões espirituais entre o
Homem e Deus, mas apenas uma dentre muitas fontes de autoridade a respeito
de Deus e a prática cristã.
Somente nas Escritura, e unicamente nela, aqueles que almejam serem
usados pelo Senhor devem se apoiar. As Escrituras como Palavra de Deus (“Toda
a Escritura é inspirada por Deus”) constituem-se como o único meio proveitoso
(“e útil”) pelo qual analisamos se devemos crer em algo como sã doutrina (“para
o ensino”) ou rejeitá-lo (“para a repreensão”).
Somente pela Escritura, e unicamente por ela, temos o padrão de prática,
pois ela é útil “para a correção”, ou seja, ela revela qual é o comportamento e
proceder errado - o que nós não devemos fazer - mas também aponta “para a
instrução na justiça”, para a prática correta que devemos cultivar e crescer.
Somente a Escritura, e unicamente ela, é o meio pelo qual Deus apontou
como instrumento de capacitação e habilitação para todo o servo e serva de
Deus, “afim de que todo homem”, tenha a provisão necessária (“seja perfeito”), e
o treinamento necessário (“perfeitamente habilitado”), para o santo trabalho do
Senhor (“para toda boa obra”).
Auto-exame:
1) Para entender os atributos de Deus você recorre a Bíblia ou ao senso comum
de sua geração? Exemplo: Quando a Bíblia diz que Deus é amor, você simplesmente
assume que isso significa que Deus ama a todos igualmente ou confere para ver se e
como isso é atestado no resto da Escritura?
2) Você consegue dar base bíblica para os elementos praticados no culto que
você participa?
3) Um dos problemas dos fariseus é que eles colocavam cargas extras sobre as
pessoas que as próprias Escrituras não colocavam. Quando você diz para alguém que
algo é errado (quer seja homicídio ou ingestão de bebida alcoólica), você está claramente
se baseando nas Escrituras e mostrando isso para a pessoa?
4) Em sua busca por santificação, a Bíblia tem tomado um lugar de destaque?
Você tem resistido à tentação com suas próprias forças ou usando a Palavra de Deus,
assim como Jesus?
Sola Scriptura
3
“Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis vindo da nuvem,
uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo: a ele ouvi.
Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. Aproximando-se
deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos, e não temais! Então eles, levantando os
olhos a ninguém viram senão só a Jesus.” Mateus 17:5-8
Numa época onde muitos ídolos estão aparecendo no meio evangélico, numa
época onde a atitude de muitos seria de montar uma tenda para Jesus e outras para os
pastores e cantores famosos, temos aqui um direcionamento dado por Deus sobre quem
devemos buscar ouvir e ver: Somente a Cristo.
Somente em Cristo, e apenas nEle a satisfação de Deus está depositada. O Senhor
disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Não há nada e nem ninguém
fora de Cristo e nem além dEle que possa satisfazer a Deus. O Senhor se compraz em Seu
filho, apenas. Unicamente por imputar a justiça de Cristo sobre seu povo que Deus se
alegra em nós.
Diante disso, somos ordenados por Deus (pois o verbo ouvir está no imperativo)
a ouvir somente a Cristo “a ele ouvi”. Mas o que é ouvir a Cristo? Ouvir a Cristo é ouvir
a Palavra de Cristo: a Escritura. Ouvir a Cristo é abrir as Escrituras para estudá-las: “E,
começando por Moisés discorrendo por todos os profetas expunha-lhes o que a seu respeito
constava em todas as Escrituras.” (Lc 24:27).
Como certo servo disse: “Em muitos lugares raramente é possível ir a uma reunião
cuja única atração seja Cristo. Só se pode concluir que os filhos de Deus estão entediados
dele, pois é preciso mimá-los com pirulitos e balinhas na forma de filmes religiosos, jogos
e refrescos” Cristo hoje é tratado como um mero coadjuvante e não como o Protagonista.
A evidência de que estamos cumprindo a vontade de Deus em dar a Cristo toda a
primazia e tê-lO como preeminente em nossas vidas é que não fitaremos a ninguém mais
a não ser Cristo “Então eles, levantando os olhos a ninguém viram senão só a Jesus.”
Apenas em Cristo temos a Salvação. “E não há salvação em nenhum outro; porque
abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa
que sejamos salvos.” (At 4:12). Não há nenhuma outra ligação entre Deus e homens.
Unicamente os que depositaram sua confiança em Cristo estarão com Ele no fim dos
tempos. Ele é a única ponte do pecador ao perdão de Deus. Assim como só havia um
caminho através do Mar Vermelho para o outro lado, só há um caminho para chegar-se
ao Senhor.
Somente em Cristo somos aceitos pelo Pai, somente por causa de Cristo somos
atendidos pelo Pai, somente em Cristo somos amados pelo Pai, somente em Cristo so-
Solus Christus
4
mos salvos da ira, somente por meio de Cristo temos paz com Deus e a paz de Deus. Sem
Cristo, nada podemos fazer.
Auto-exame:
1) Você acredita que quem não conhece a Cristo pode, de alguma maneira, ser
salvo, ou você realmente crê que “aquele que não crê no Filho não verá a vida” (Jo 3:36)?
2) Quando você prega, conversa, se relaciona, etc, você tem Cristo como o centro,
tentando sempre expor Sua encarnação, vida, morte, sacrificio, exaltação e Soberania?
5
6
“Então lhe disse Davi: Não temas, porque usarei de bondade para contigo, por
amor de Jônatas, teu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai, e tu comerás pão
sempre à minha mesa. Então se inclinou, e disse: Quem é teu servo, para teres olhado
para um cão morto tal como eu?” 2 Samuel 9:7-8
Somente pela graça, e unicamente por ela, é que somos abençoados por Deus.
A graça é o favor imerecido de Deus às suas criaturas. Tal como Davi favorecendo Mefibosete
por amor a Jonatas, assim também nós somos alvos do favor de Deus por causa
do amor de Deus Pai à Deus Filho.
Assim como Mefibosete se viu indigno do favor do Rei “Quem é o teu servo, para
teres olhado para um cão morto tal como eu?”, assim também nós devemos nos prostrar
em face à maravilhosa graça do Senhor em nos estender o seu favor na pessoa de
Cristo. Não temos o direito de estar diante de Deus, mas, unicamente pela Graça, temos
o privilégio de estarmos na presença dEle. Somos como um cão morto diante de Deus,
somente pela Sua infinita Graça é que somos aceitos diante dEle em Cristo.
A graça exalta a Deus e humilha o pecador. Aqueles que a si mesmo tem se considerado
um cão morto têm entendido o real significado da graça de Deus. Hoje onde
ouvimos “eu determino”, “eu declaro”, “eu isso”, “eu aquilo”, tais pessoas nada sabem de
Deus e muito menos da Sua graça, pois se acham dignos e merecedores das coisas que
estão reivindicando diante de Deus.
Auto-exame:
1) Você entra na presença de Deus humilde e confiadamente como um cão dependendo
exclusivamente da graça dele ou entra ousada e tolamente como uma pessoa
não-convidada na corte real?
2) você reconhece que: (1) o ar que você respirou agora e todo funcionamento
biológico correto ou não do seu corpo, (2) todas suas posses ou ausência de posses, (3)
todos seus relacionamentos bons ou ruins, (4) e, principalmente, toda sua salvação, incluindo,
sua fé, suas boas obras, seu novo coração, sua perseverança na fé, sua santificação e,
no final, sua glorificação vem exclusivamente pela graça? E se é pela graça, você não tem
o direito de se gloriar por nada? Você entende que se você crê em Cristo hoje e é salvo
isso é por conta da graça de Deus e não nada de bom que haja em você (porque não há
nada de bom em sua carne)?
3) Você compreende que quando você reclama ou murmura você está insinuando
que a graça de Deus não te é suficiente?
Sola Gratia
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de
Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2:8-9
Somente pela fé, e unicamente por ela, o pecador é salvo com base nos méritos
eternos de Cristo. Sendo assim, a presente sola reafirma os três solas anteriores: a Escritura
é o meio pelo qual Cristo é revelado, sendo este o alvo da fé, sendo que a fé é um
presente concedido graciosamente por Deus “e isto (a fé) não vem de vós”.
Somente pela fé na pessoa e obra de Cristo é meio pelo qual Deus declara o pecador
injusto em justo. A necessidade de tal ato se dá por causa da nossa total inabilidade
e capacidade para satisfazer a justiça de Deus. Porque somos pecadores, todas as nossas
obras estão corrompidas pelo pecado e, portanto, são inúteis a Deus, ou como a própria
Escritura trata (Isaías 64:6) , como algo podre:
Diante da nossa impotência e incompetência, não podemos confiar em nossa
carne, em nosso esforço e sim unicamente na obra de Cristo na cruz. A fé é a atitude de
total confiança no que as Escrituras declaram a respeito de Cristo e sua Obra.
Auto-exame:
1) Você tem se achegado a Deus exclusivamente pela fé em Cristo, o novo e vivo
caminho, reconhecendo que não há absolutamente nada de bom em você ou você tenta
fazer alguma obra para que Deus o aceite? Essas obras podem ser: frequência no culto,
dizimar ou ofertar, ler a Bíblia ou orar, ficar um tempo sem pecar. Pense nisto: Fé salvadora
é o arremesso desesperado de uma alma desesperada nos braços de um Todo-Poderoso
Salvador
2) A justificação pela fé não é somente o perdão dos pecados, mas Deus também
imputa sobre aquele que crê a própria justiça perfeita de Cristo. Sendo assim, você tem
se visto como Deus o vê, ou seja, alguém declarado como perfeitamente justo?
3) Você tem descansado na obra de Cristo como suficiente ou sempre se preocupado
que Deus não irá aceitá-lo?
4) Algumas pessoas tem uma noção errada sobre a importância da fé, achando
que depois que somos justificados pela fé somente, nós passamos a tentar ser aceitos
diante de Deus, em nossa santificação, pelo cumprimento da lei moral de Deus (boas
obras). Contudo a vida cristã é iniciada, mantida e finalizada pela fé. Você não vai obter
nenhum progresso em santificação se você não estiver descansando em Cristo como sua
justiça. Justificação é a base para santificação. Portanto, medite nisto: toda boa obra que
você realiza buscando ser aceito diante de Deus é, em si, um pecado, pois está minimizando
a glória de Cristo e sua dependência dele. Não faça boas obras para ser aceito diante
de Deus, faça pois você o ama e quer que “os homens vejam a sua luz e glorifiquem
Sola Fide
7
a Deus”.
5) Se há somente um Deus e todos somos igualmente pecadores e justificados
unicamente pela fé, não há nenhum povo ou tipo de pessoa que o Evangelho não possa
alcançar. Pense no impacto que isso tem sobre missões globais.
8
9
“Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória
eternamente. Amém” Romanos 11:36
Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele. A Igreja existe para a demonstração
deste valor: o valor que Ele tem. Não a respeito de nós, ou o que nós buscamos
ter, mas sim exclusivamente a Ele, de modo que os hinos e cânticos girem em torno da
pessoa e dos atributos de Deus. A mensagem não deve ser antropocêntrica (o homem
como o centro) e sim Cristocentrica (Cristo como o centro).
Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele. Este o fim principal da nossa
existência: a glória de Deus. Glorificar a Deus é tão somente reconhecer a atribuir a Ele
todas as perfeições dEle. Somente na pessoa dEle termos o nosso gozo.
Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele, sendo Ele a fonte (Porque
dele) o mantenedor (por meio dele), e o alvo (para ele são todas as coisas) de tudo isso.
Sendo assim, a vida dentro e fora da igreja vem dEle. Se obtermos dEle o que necessitamos,
sermos mantidos por Ele e com o fim de para Ele fazermos todas coisas.
Como inicia o Catecismo Maior de Westminster diz: Qual é o fim supremo e principal
do homem? Resposta. O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e
gozá-lo para sempre. (Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24).
Auto-exame:
1) As músicas que você canta a Deus giram em torno dEle ou de outras coisas? E
as pregações, orações, conversas, etc?
2) Você cobra de si atitudes de um modo tal que é como se você fosse o meio para
que algo acontecesse e que tudo estivesse em suas mãos?
3) Você tem buscado sua alegria em Deus, em Seu louvor, em todas as áreas da
sua vida?
Soli Deo Gloria
...
Guia Bibliográfico de Exegese do Novo Testamento
Eu dei prioridade para os títulos
publicados em português. Os estudantes que dominam outras línguas podem
encontrar guias semelhantes a este, com as devidas referências.
A disposição dos títulos deste guia
segue a estrutura de uma importante obra norte-americana,[1] de autoria
do Dr. David M. Scholer, publicado pela primeira vez em 1970, na época,
professor do departamento de Novo Testamento do Seminário Teológico
Gordon-Conwell.
Dei preferência a títulos de orientação
evangélica conservadora, que defendem a metodologia exegética
histórico-gramatical. No entanto, tive que me reportar a títulos que
seguem a metodologia histórico-crítica. O estudante deve tomar cuidado
com algumas conclusões destes títulos, que geralmente enfraquecem a
autoridade do texto bíblico.
A primeira edição desse guia foi
publicada em 2004. Agora, com a passagem dos anos, senti a necessidade
de atualizar as informações, porque outras obras importantes foram
editadas em português.
Esse guia iniciou-se como subsídio das
aulas de Exegese Bíblica ministradas na Faculdade Teológica das
Assembleias de Deus (FATAD) em Brasília. Agradeço ao pastor Jales Divino
Barbosa, reitor da FATAD, pela oportunidade que concedeu de ministrar
um curso tão importante para a formação teológica dos estudantes de
teologia. Sem essa oportunidade, este guia não existiria.
Depois que meu amigo Felipe Sabino
publicou o guia no portal Monergismo seu uso foi ampliado. Sei de outros
professores de teologia que se serviram das informações contidas nesse
guia, o que muito me honra.
Destaco aqui o professor João Alves do
Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Ele me disse que
utiliza o guia em suas aulas na especialização em teologia. Isso me
deixa lisonjeado.
Espero que a presente obra reflita em desenvolvimento acadêmico e espiritual.
Textos do Novo Testamento
ALAND, Kurt e Barbara. KARAVIDOUPUOLOS,
Johannes. MARTINI, Carlo M. and METZGER, Bruce M. (eds.) in cooperation
with the Institute for New Testament Textual Research,
Münster/Westphalia. The greek new testament, fourth revised edition. Stuttgart: United Bible Society. 1993. Availabe bound together with NEWMAN Jr, Barclay M., A concise greek-english dictionary of the new testament.
London: United Bible Societies, 1971. Existe uma versão que traz uma
introdução e um dicionário em espanhol, preparado por Elza Tamez e Irene
Foulkes.
SCHOLZ, Vilson (Org). Novo testamento em grego. Introdução em português e dicionário grego-português. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
FRIBERG, Barbara & FRIBERG, Timothy. O Novo Testamento Grego Analítico. Introdução e Apêndice traduzidos do inglês por Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Vida Nova, 1987.
NESTLE, E. & ALAND, K.(eds) Novum Testamentum Graece (27th ed.) Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1993.
SAYÃO, Luiz (org.) Novo Testamento Trilíngue. São Paulo: Vida Nova, 1998.
SCHOLZ, Vilson & BRATCHER, Robert. (org). Novo Testamento Interlinear Grego – Português.
Incluindo o texto da tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e
Atualizada no Brasil, segunda edição e da Nova Tradução na Linguagem de
Hoje. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.
Princípios de Crítica Textual
BITTENCOURT, Benedito de Paula. O Novo Testamento: Metodologia de Pesquisa Textual. 3a ed. Revista Atualizada e Ampliada. Rio de Janeiro: JUERP, 1993.
METZGER, Bruce M. A Textual
Commentary on the Greek New Testament. A Companion Volume to the United
Bible Societies’ Greek New Testament (Fourth Revised Edition) Second Edition. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft & United Bible Societies, 1994.
PAROSCHI, Wilson. Crítica Textual do Novo Testamento. 2a edição corrigida. São Paulo: Vida Nova, 1999.
Concordâncias do Novo Testamento
Denham, James Richard.(org) Concordância Fiel do Novo Testamento Grego.
(2 vol) Vol 1, Grego-Português; Vol 2, Português-Grego. Adaptada dos
originais em inglês: The New Englishman´s Greek Concordance e The Word
Study Concordance. São José dos Campos: Fiel, 1995 e 1998.
Concordância Bíblica, Barueri: SBB, 1973. (Baseada na Tradução de Almeida Revista e Atualizada)
Obras de Referência
BOICE, James Montgomery. (Editor) O alicerce da autoridade bíblica. Trad. Gordon Chown. 2ª. Edição. São Paulo: Vida Nova, 1989.
BRUCE.F.F. O Cânon das Escrituras. Trad. Carlos Oswaldo Cardoso Pinto. São Paulo: Hagnos, 2011.
COMFORT, Philip Wesley. (ed). A Origem da Bíblia. Trad. Luís Aron de Macedo. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
DOCKERY, David S. (ed). Manual Bíblico Vida Nova. Trad. Lucy Yamakami, Hans Udo Fuchs, Robinson Malkomes. São Paulo: Vida Nova, 2001.
DOUGLAS, J.D. (org) O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. João Marques Bentes. 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1995,1680p.
Auxílios Léxicos do Novo Testamento Grego
GINGRICH, F. Wilbur & DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento Grego/Português. Trad. Júlio Paulo Tavares Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1984. Reimpresso, 2003.
CARDOSO PINTO, Carlos Osvaldo & METZGER, Bruce M. Estudos do Vocabulário do Novo Testamento.
2a divisão traduzida do inglês por Fabiani S. Medeiros. São Paulo: Vida
Nova, 1996. obs: Esta obra foi incorporada a outra semelhante sobre o
Antigo Testamento e agora é editada como Pequeno Dicionário de Línguas Bíblicas.
HAUBECK, Wilfrid & SIEBENTHAL, Heirinch Von. Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego: Mateus – Apocalipse. São Paulo: Hagnos, 2009.
MOULTON, Harold K. Léxico grego analítico. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.
RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon. Chave Linguítica do Novo Testamento Grego. Trad. Gordon Chown e Júlio Paulo Tavares Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1985. Reimpresso em 1996.
Estrutura Literária do Novo Testamento
BERGER, Klaus. As Formas Literárias do Novo Testamento. Trad. Fredericus Antonius Stein. São Paulo: Loyola, 1998.
CARDOSO PINTO, Carlos Osvaldo. Fundamentos para Exegese do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2002.
Estudos de Palavras e Termos Teológicos Importantes
BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo, Vida Nova, 1985. reimpressão, 2003.
BARCLAY, William. Palavras Chaves do Novo Testamento. São Paulo, Vida Nova, 1985. reimpressão, 2003.
BROWN, Colin & COENEN Lothar. (orgs.); trad. Gordon Chown. 2a ed. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. (2 vol) São Paulo: Vida Nova, 2000.
PACKER, James I. Os Vocábulos de Deus. São José dos Campos: Fiel, 1995.
VINE, W.E., UNGER Merril F., WHITE Jr, Willian. Dicionário Vine: O Significado Exegético das Palavras do Antigo e do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
Gramáticas do Novo Testamento Grego
DOBSON, John H. Trad. Lucian Benigno. Aprenda o Grego do Novo Testamento. 4a edição. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
FEITOSA, Darlyson. Elementos de Grego. Brasília: Edição do Autor, 1993.
GREENLEE, J. Harold. Gramática Exegética Abreviada do Grego Neotestamentário. Rio de Janeiro: JUERP, 1973.
LUZ, Waldyr Carvalho. Manual da Língua Grega. (3 vol) São Paulo: Cultura Cristã, 1992.
MACHEN, John Gresham. O Novo Testamento Grego para Iniciantes. Trad. Antônio Victorino. São Paulo: Hagnos, 2004.
MOUNCE, William D. Fundamentos do grego bíblico: livro de gramática. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Vida, 2009.
_____________ Fundamentos do grego bíblico: livro de exercícios. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Vida, 2009.
REGA, Lourenço Stelio & BERGMANN, Johannes. Noções do Grego Bíblico: Gramática Fundamental. São Paulo: Vida Nova, 2004.
SCHALKWIJK, Frans Leonard. Coinê: Pequena Gramática do Grego Neotestamentário. Patrocínio: CIEBEL, 1975.
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WALLACE, Daniel Baird. Gramática grega: uma sintaxe exegética do novo testamento. Trad. Roque Nascimento Albuquerque. São Paulo: Batista Regular, 2009.
Hermenêutica do Novo Testamento
ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introdução à hermenêutica reformada: correntes históricas, pressuposições, princípios e métodos linguísticos. Ananindeua: Knox Publicações, 2006.
BEEKMAN, John & CALLOW, John. A arte de interpretar e comunicar a palavra escrita: técnicas de tradução da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1992.
BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica fácil e descomplicada. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
BERKHOF, Louis. Princípios de interpretação bíblica. Trad. Denise Meister, 2ª. Edição, São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
BOST, Bryan Jay & PESTANA, Álvaro César. Do texto à paráfrase: como estudar a Bíblia. São Paulo: Vida Cristã, 1992.
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SILVA, Moisés & KAISER, Walter. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
VINKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. Trad. Luiz Aparecido Caruso. 8a. impressão Editora Vida. São Paulo, SP.1998.
WEGNER, Uwe. Exegese do novo testamento: manual de metodologia. São Leopoldo & São Paulo: Sinodal & Paulus, 1998.
Novo Testamento: Introdução e Teologia
BLACK, David Alan. Por que 4 evangelhos?: Razões históricas e científicas da escolha de Mateus, Marcos, Lucas e João. Trad. Lena Aranha. São Paulo: Vida, 2004.
BRUCE, Frederick Fye. Merece confiança o novo testamento? São Paulo: Vida Nova, reimpressão, 2004.
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TENNEY, Merrill C. Novo Testamento: Sua origem e análise. São Paulo: Shedd Publicações, 2010.
Panorama do Mundo do Novo Testamento
BAILEY, Kenneth E. As Parábolas de Lucas. A Poesia e o Camponês: Uma Análise lieterária-cultural. Trad. Adiel Almeida de Oliveira. 3a Ed. São Paulo: Vida Nova, 1995.
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COLEMAN, William. Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos. Venda Nova: Betânia, 1998.
CULLMANN, Oscar. Cristo e o Tempo: Tempo e História no Cristianismo Primitivo. Trad. Daniel Costa. São Paulo: Custom, 2003.
CURRID, John D. Arqueologia nas Terras Bíblicas. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
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DANIEL-ROPS, Henry. A Vida Diária nos Tempos de Jesus. São Paulo: Vida Nova, 1983.
DOWLEY, Tim. Atlas vida nova da Bíblia e da história do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 1998.
GOWER, Ralph. Usos e costumes dos tempos bíblicos. Trad. Neyd Siqueira. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2002.
KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Atos: Novo Testamento. São Paulo: Atos, 2004.
MILLARD, Alan. Descobertas dos Tempos Bíblicos. São Paulo: Vida, 1999.
SKARSAUNE, Oskar. À Sombra do Templo: As Influências do Judaísmo no Cristianismo Primitivo. Trad. Antivan Guimarães Mendes. São Paulo: Vida, 2004.
ORRÚ, Gervásio F. Os Manuscritos de Qumran e o Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1993.
PACKER, James I. & TENNEY, Merril C. & WHITE Jr, Willian. Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos. São Paulo: Editora Vida, 1984.
PACKER, James I. & TENNEY, Merril C. & WHITE Jr, Willian. O Mundo do Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1988.
NOTAS:
[1] – SCHOLER, David M. A Basic Bibliographic Guide for New Testament Exegesis. Second Edition. William B. Eerdmans Publishing Company. Grand Rapids, 1973.
Teologia Reformada - Defesa do Evangelho:
Teologia Reformada - Defesa do Evangelho:
No livro João Calvino: amor à devoção, doutrina e glória de Deus (Editora Fiel), editado por Burk Parsons, há um capítulo intitulado O Pregador da Palavra de Deus,
escrito por Steven Lawson. Aqui está um resumo desse capítulo,
delineando o que Steven Lawson sugere ser as dez marcas distintivas da
pregação de Calvino.
As Dez Marcas Distintivas da Pregação de Calvino
No livro João Calvino: amor à devoção, doutrina e glória de Deus (Editora Fiel), editado por Burk Parsons, há um capítulo intitulado O Pregador da Palavra de Deus,
escrito por Steven Lawson. Aqui está um resumo desse capítulo,
delineando o que Steven Lawson sugere ser as dez marcas distintivas da
pregação de Calvino.
1. A pregação de Calvino era bíblica em seu conteúdo.
“O reformador se manteve firme no principal fundamento da Reforma — sola Scriptura (somente a Escritura)… Calvino acreditava que o pregador não tinha nada a dizer além das Escrituras.” (pp. 96-97)
2. A pregação de Calvino seguia um padrão sequencial.
“Durante o ministério de Calvino, o seu
procedimento era pregar sistematicamente sobre livros inteiros da
Bíblia… Na manhã dos domingos, Calvino pregava o Novo Testamento; à
tarde, o Novo Testamento e os Salmos; e, em semanas alternadas, pregava o
Antigo Testamento todas as manhãs da semana. Servindo-se desse método
consecutivo, Calvino pregou quase todos os livros da Bíblia.” (pp.
97-98)
procedimento era pregar sistematicamente sobre livros inteiros da
Bíblia… Na manhã dos domingos, Calvino pregava o Novo Testamento; à
tarde, o Novo Testamento e os Salmos; e, em semanas alternadas, pregava o
Antigo Testamento todas as manhãs da semana. Servindo-se desse método
consecutivo, Calvino pregou quase todos os livros da Bíblia.” (pp.
97-98)
3. A pregação de Calvino era direta em sua mensagem.
“Quando expunha as Escrituras, Calvino
era notoriamente direto e centrado no ensino principal. Ele não iniciava
sua mensagem com uma história cativante, uma citação estimulante ou uma
anedota pessoal. Em vez disso, Calvino introduzia de imediato os seus
ouvintes no texto bíblico. O foco da mensagem era sempre as Escrituras, e
Calvino falava o que precisava ser dito com economia de palavras. Não
havia frases desperdiçadas.” (p. 98)
era notoriamente direto e centrado no ensino principal. Ele não iniciava
sua mensagem com uma história cativante, uma citação estimulante ou uma
anedota pessoal. Em vez disso, Calvino introduzia de imediato os seus
ouvintes no texto bíblico. O foco da mensagem era sempre as Escrituras, e
Calvino falava o que precisava ser dito com economia de palavras. Não
havia frases desperdiçadas.” (p. 98)
4. A pregação de Calvino era extemporânea em seu apresentação.
“Quando subia ao púlpito, ele não levava
consigo um rascunho escrito ou esboço do sermão. O reformador fez uma
escolha consciente de pregar extempore, ou seja, espontaneamente.
Ele queria que seus sermões tivessem uma desenvoltura natural e cheia
de paixão, enérgica e envolvente; acreditava que a pregação espontânea
era mais conveniente para cumprir esses objetivos.” (p. 99)
consigo um rascunho escrito ou esboço do sermão. O reformador fez uma
escolha consciente de pregar extempore, ou seja, espontaneamente.
Ele queria que seus sermões tivessem uma desenvoltura natural e cheia
de paixão, enérgica e envolvente; acreditava que a pregação espontânea
era mais conveniente para cumprir esses objetivos.” (p. 99)
5. A pregação de Calvino era exegética em sua abordagem.
“Calvino insistia que as palavras da
Escritura têm de ser interpretadas conforme o ambiente histórico
específico, as línguas originais, as estruturas gramaticais e o contexto
bíblico… Calvino insistiu no sensus literalis, o sentido literal do texto bíblico.” (p. 100)
Escritura têm de ser interpretadas conforme o ambiente histórico
específico, as línguas originais, as estruturas gramaticais e o contexto
bíblico… Calvino insistiu no sensus literalis, o sentido literal do texto bíblico.” (p. 100)
6. A pregação de Calvino era acessível em sua simplicidade.
“Como pregador, o principal objetivo de
Calvino não era comunicar-se com outros teólogos, e sim alcançar as
pessoas comuns, assentadas no banco… Ocasionalmente, Calvino explicaria
mais cuidadosamente o significado de uma palavra, sem citar o grego ou o
hebraico original. Todavia, Calvino não hesitava em usar a linguagem da
Bíblia.” (p. 101-102)
Calvino não era comunicar-se com outros teólogos, e sim alcançar as
pessoas comuns, assentadas no banco… Ocasionalmente, Calvino explicaria
mais cuidadosamente o significado de uma palavra, sem citar o grego ou o
hebraico original. Todavia, Calvino não hesitava em usar a linguagem da
Bíblia.” (p. 101-102)
7. A pregação de Calvino possuía um tom pastoral.
“O reformador de Genebra nunca perdia de
vista o fato de que ele era um pastor. Assim, ele aplicava
calorosamente as Escrituras, com exortação amável a fim de pastorear o
seu rebanho. Ele pregava com a intenção de estimular e encorajar suas
ovelhas a seguirem a Palavra.” (p. 102)
vista o fato de que ele era um pastor. Assim, ele aplicava
calorosamente as Escrituras, com exortação amável a fim de pastorear o
seu rebanho. Ele pregava com a intenção de estimular e encorajar suas
ovelhas a seguirem a Palavra.” (p. 102)
8. A pregação de Calvino era polêmica em sua defesa da verdade.
“Para Calvino, a pregação necessitava de
uma defesa apologética da verdade. Ele acreditava que os pregadores
tinham de resguardar a verdade; por isso, a exposição sistemática exigia
a confrontação das mentiras do Diabo em todas as suas formas
enganosas.” (p. 103)
uma defesa apologética da verdade. Ele acreditava que os pregadores
tinham de resguardar a verdade; por isso, a exposição sistemática exigia
a confrontação das mentiras do Diabo em todas as suas formas
enganosas.” (p. 103)
9. A pregação de Calvino era cheia de paixão em seu alcance.
“Em nossos dias, há uma noção errônea de
que, por acreditar na predestinação, Calvino não era evangelístico. O
mito persistente é que ele não tinha paixão por alcançar almas perdidas
para trazê-las a Cristo. Nada pode estar mais distante da verdade.
Calvino possuía uma grande paixão por alcançar as almas perdidas. Por
essa razão, ele pregava o evangelho com uma persuasão que afetava o
coração e com amor, apelava aos pecadores desgarrados a se renderem à
misericórdia de Deus.” (p. 104)
que, por acreditar na predestinação, Calvino não era evangelístico. O
mito persistente é que ele não tinha paixão por alcançar almas perdidas
para trazê-las a Cristo. Nada pode estar mais distante da verdade.
Calvino possuía uma grande paixão por alcançar as almas perdidas. Por
essa razão, ele pregava o evangelho com uma persuasão que afetava o
coração e com amor, apelava aos pecadores desgarrados a se renderem à
misericórdia de Deus.” (p. 104)
10. A pregação de Calvino era doxológica em sua conclusão.
“Todos os sermões de Calvino eram
completamente teocêntricos, mas seus apelos conclusivos eram sinceros e
amorosos. Ele não podia descer do púlpito sem exaltar o Senhor e instar
seus ouvintes a se rederem à absolutamente supremacia dEle. Os ouvintes
tinham de se humilhar sob a poderosa mão de Deus. Quando concluía,
Calvino exortava regularmente sua congregação: ‘Prostremo-nos todos ante
a majestade do nosso grande Deus’. Não importando o texto bíblico sobre
o qual ele pregava, essas palavras demandavam uma submissão
incondicional de seus ouvintes.” (p. 105)
completamente teocêntricos, mas seus apelos conclusivos eram sinceros e
amorosos. Ele não podia descer do púlpito sem exaltar o Senhor e instar
seus ouvintes a se rederem à absolutamente supremacia dEle. Os ouvintes
tinham de se humilhar sob a poderosa mão de Deus. Quando concluía,
Calvino exortava regularmente sua congregação: ‘Prostremo-nos todos ante
a majestade do nosso grande Deus’. Não importando o texto bíblico sobre
o qual ele pregava, essas palavras demandavam uma submissão
incondicional de seus ouvintes.” (p. 105)
Tradução: Felipe Sabino (agosto/2013)
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