sábado, 24 de novembro de 2012


Comentário Lição EBD 007
Tema: Miquéias – A Importância da Obediência
Texto Áureo: Samuel respondeu: O que é que o SENHOR Deus prefere? Obediência ou oferta de sacrifícios? É melhor obedecer a Deus do que oferecer-lhe em sacrifício as melhores ovelhas.
(1Sm 15.22 - NTLH).
Data : 18/11/2.012

Esse profeta era da comunidade rural ocidental de Morasti Gate, uma cidade localizada nos limites entre Judá e Filístia. Esse local ficava a 320 quilômetros a sudoeste de Jerusalém, longe da política e do comércio da capital.

O profeta era evidentemente de origem humilde, fato eviden­ciado mais pela sua humilde residência do que por sua linha­gem. Suas muitas alusões ao trabalho de um pastor sugerem que deve ter sido essa uma das suas ocupações.

Sua profecia foi proferida durante o reinado de Jotão, Acaz e Ezequias, que reinaram consecutivamente de 740 a 697. Sua parte principal, entretanto, deve ter sido proferida durante os reinados de Acaz e Ezequias, antes da queda de Samaria em 722. Nesse caso, o período central seria 730-720.

CENÁRIO POLÍTICO

Contemporâneo de Isaías, Miquéias defrontou-se com um ce­nário semelhante ao dele, no que se refere à política e à religião da época. Seu ministério foi o equivalente rural ao ministério de Isaías, pois Miquéias dirigiu-se ao povo do interior. 2. Ele é reconhecido como o único profeta cujo ministério foi desempenhado visando tanto a Israel como a Judá (1:1). Isaías também profetizou a destruição de Samaria, mas sua profecia era "a respeito de Judá e Jerusalém" (Isaías 1:1).

OBJETIVO DO LIVRO DE MIQUÉIAS
O objetivo histórico do livro era enfatizar o peso da próxima ira divina sobre a nação, em virtude dos seus pecados de violência e injustiça social, enquanto fingiam ser religiosos. O objetivo adicional de Miquéias era lembrar-lhes da futura vinda do Messias, que surgiria de origem humilde para governar, com justiça e verdade, conforme promessa da aliança abraâmica.

Miquéias é conhecido como o profeta do homem comum. Tendo ele mesmo vindo de berço humilde, conhecia as más condições dos pobres e tomou para si sua causa contra os vorazes líderes da nação que visavam a seus próprios interesses (3:1-3).

Em todo o livro, Miquéias denuncia a opressão do fraco, o suborno entre os líderes, o ato de expulsar mulheres dos seus lares e prática de toda espécie de roubo, grande parte dele em nome da religião (2:1-2, 8-11; 3:1-3, 9-11; 6:10-12; 7:1-6). Embora não isente o pobre apenas pela sua pobreza, ele condena intrepidamente as classes superiores por sangrarem os pobres e indefesos. Ao descrever a esperança da restauração,

Mi­quéias surpreende a nação com o anúncio de que o futuro "go­vernador de Israel", o Messias, virá da pequena e insignificante cidade de Belém, ao invés da opulenta capital Jerusalém (5:2-4).

Apresenta-o na condição de um "Pastor", como o era Davi. To­davia, será maior do que Davi, e "engrandecido até aos confins da terra" (5:4). Miquéias foi o último profeta a mencionar Belém no Antigo Testamento. Concentrou, porém, a atenção da nação sobre a pequena cidade por mais de 700 anos.

Um detalhe aqui é que todos os três grupos de líderes da nação são mencionados: os líderes civis (Mq 2.1-4), os profetas (Mq 2.5-10) e os líderes religiosos, isto é, os sacerdotes (Mq 2.11). Miqueias arremata deixando claro que os pecados dos líderes afe­tariam toda a nação (Mq 2.12). LER 3.1ss

O pecado da idolatria (prostituição espiritual) é denunciado (1.7). Outros pecados são citados ao longo do livro, tais como a injustiça social, a violência, a mentira, a corrupção e a formalidade do culto.
Longe de ser insensível, um profeta de Deus não se alegra com os erros do seu povo, antes, chora e lamenta pela situação (1.8).


OS CHEFES (REIS, PRINCÍPES, SACERDOTES E PROFETAS)
DEVEM OUVIR A VOZ DO SENHOR



Mais disse eu: Ouvi agora vós, chefes de Jacó, e vós, príncipes da casa de Israel: não é a voz que pertence saber o direito? (3.1)

Os chefes (hb. ro’s, governantes, líderes), que deveriam trabalhar para o bem do povo, maquinavam e praticavam o mal (2.1), cobiçavam os campos e as casas dos menos afortunados, e na condição de opressores e exploradores, tomavam dos mais pobres os seus bens e a sua herança, e isso usando de violência (2.2-3). Aqueles que deveriam ser promotores da justiça pervertiam o direito (3.1).

A injustiça social era tanta que a metáfora utilizada para descrevê-la é muito forte:
A vós que aborreceis o bem e amais o mal, que arrancais a pele de cima deles e a sua carne de cima dos seus ossos, e que comeis a carne do meu povo, e lhes arrancais a pele, e lhes esmiuçais os ossos, e os repartis como para a panela e como carne do meio do caldeirão. (3.2-3)

Não muito diferente dos dias de Miqueias, boa parte da liderança política no Brasil vive da miséria alheia, e como recompensa são recebidos em nossas tribunas e púlpitos, e apoiados em períodos eletivos. O pior é que algumas lideranças evangélicas sabem da situação, mas se fazem de desinformadas. Quantos “fichas sujas” não foram apoiados por pastores na última eleição? Com quantos corruptos, ladrões e bandidos não foram feitos alianças e acertos imorais e ilegais?

Ouvi agora isto, vós, chefes da casa de Jacó, e vós maiorais da casa de Israel, que abominais o juízo e perverteis tudo que é direito, edificando Sião com sangue e a Jerusalém com injustiça. (3.9-10)
O grave nisso tudo é a conivência dos sacerdotes (autoridade religiosa), que deveriam confrontar o rei e os príncipes com a Lei do Senhor.

As sentenças são dadas em troca de presentes, enquanto os ensinos dos sacerdotes buscam os seus interesses pessoais, ou seja, ensinavam por conveniência (3.11a). Não nos parece tal postura com a de alguns ensinadores e pregadores, que em busca de seus próprios interesses (agendas, ofertas, permanência no cargo, presentes, etc.) ensinam e pregam por conveniência?

E o que falar dos profetas? Deixemos que o próprio texto nos fale.

Portanto, por causa de vós, Sião será lavrado como um campo, e Jerusalém se tornará em montões de pedra, e o monte desta casa, em lugares altos de um bosque. (3.12)

Os líderes podem cooperar para o crescimento e desenvolvimento de um povo, de uma nação, de uma igreja, ou para a destruição destes. Podem ser canais de bênçãos, ou podem atrair juízo.
Denunciar o pecado da liderança e de um povo nunca foi tarefa fácil.

A liderança é detentora do poder de matar e deixar viver, incluir ou excluir, abrir portas ou fechar portas (isso tudo dentro de uma vontade permissiva de Deus). É por isso que Miqueias afirma:

A mensagem  do capítulo 3 conclui essa primeira parte caracterizada por denúncias com profecias onde os líderes do povo são repreendidos por suas injustiças.

Apesar dos juízos de Deus, o livro de Miqueias nos apresenta também uma mensagem de esperança e de restauração (2.12-13; 4.1-13; 5.2- 4, 9; 9.7-9). Uma belíssima exortação encontra-se em Miqueias, que manifesta a vontade de Deus em nossa relação com o próximo e com Ele:

Ele te declarou ó homem o que é bom; e que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus? (6.8)

O livro termina com uma oração onde os atributos comunicáveis de Deus são destacados e exaltados:
Quem, ó Deus é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade que te esqueces da rebelião do restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na benignidade.

Tornará a apiedar-se de nós, subjugará as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. Darás a Jacó a fidelidade e a Abraão, a benignidade que juraste a nossos pais desde os dias antigos. (7.18-20)

O EVANGELHO DE JUSTIÇA SOCIAL DE MIQUÉIAS (6:6-8). No Antigo Testamento, não se encontra um resumo da Lei mais simples e mais profundo do que o de Miquéias 6:6-8. Suas exi­gências são simples e sem rodeios: praticar a justiça, amar a bondade demonstrando-a, e andar humildemente com Deus.
Do mesmo modo que Jesus resumiu a Lei como "amor" para os in­sensíveis líderes do seu tempo, Miquéias resumiu-a como justiça, misericórdia e modéstia para um povo completamente desprovido dessas qualidades, embora muitíssimo ocupado com religião (3:11). Os "milhares de carneiros" e "dez mil ribeiros de azeite" (6:7) não podiam subornar Deus a fechar seus olhos à ausência de justiça e misericórdia entre os homens.
TOTAL DEPRAVAÇÃO DE ISRAEL (7:2 6). À semelhança de Isaías (1:5-6 e 57:1), Miquéias observou que Israel tinha chegado a uma situação em que se podia muito bem afirmar: "não há entre os homens um que seja reto" (7:2).
Eram todos iníquos e só cui­davam dos seus próprios interesses naquela sociedade idolatra. Tendo-se afastado da verdade divina, estavam colhendo os efeitos sociais de "os inimigos do homem são os da sua própria casa", incluindo esposa, filhos e pais (7:5-6). Jesus citou esse texto de Miquéias em Mateus 10:21, 35 para mostrar que a rejeição da verdade que ele estava pregando no seu tempo traria aquela mesma condição de castigo do tempo de Oséias.
Paulo também se refere a isso em Romanos 1:28-32, mencionando que a depravação social está sempre ligada à rejeição da verdade.

CRISTOLOGIA EM MIQUÉIAS (4:1-8; 5:2-5). Dois textos de Miquéias falam do reino do Messias e de sua vinda. Nos "últimos dias", ele reinará no monte Sião, onde prevalecerão a verdade, a justiça, a prosperidade e a paz. Ali os coxos, os expulsos e os aflitos estarão reunidos a fim de formar o núcleo da sua "poderosa nação" (4:1-7).

Em 5:2, entretanto, Miquéias revela que esse reino não começará ostentando grandeza, pois o próprio Messias nascerá na pequena vila de Belém, lugar de criação de carneiros. Ele, que é eterno, virá de Deus como Pastor de Israel. Mas antes que o Messias se torne grande até os confins da terra, a nação será abandonada pelo Senhor por um tempo, no fim do qual ele surgirá para pastorear o seu povo com grande majestade (5:3-4).
TEMAS HISTÓRICOS Ε TEOLÓGICOS

Miqueias proclamou, essencialmente, uma mensagem de condenação a um povo que insistia  em praticar o mal. Como outros profetas (cf. Os 4.1; Am 3.1), formulou sua mensagem com a terminologia usada nos tribunais (1.2; 6.1-2).
Quando a Assíria derrotou a Síria e Israel, o piedoso rei Ezequias rompeu sua aliança com os assírios. Sua decisão resultou no cerco de Senaqueribe a Jerusalém em 701 a.C. (cf. 2Rs 18—19; 2Cr 32), mas o Senhor enviou seu anjo para livrar Judá (2Cr 32.21).
Ezequias foi usado por Deus para conduzir Judá de volta à verdadeira adoração. Depois do reinado próspero de Uzias, falecido em 739 a.C, seu filho Jotão manteve as políticas de seu pai, mas não eliminou os centros de idolatria. A prosperidade externa não passava de fachada que mascarava a cor­rupção social e o sincretismo religioso desenfreados.
A adoração a Baal, o deus cananeu da fertilidade, foi obten­do espaço crescente dentro do sistema sacrificial do AT e alcançou proporções epidêmicas durante o reinado de Acaz (cf. 2Cr 28.1-4). Quando Samaria caiu, milhares de refugiados se mudaram para Judá, levando consigo o seu sincretismo religioso.
Embora Miqueias (e Oseias) tenha tratado dessa questão, o alvo de suas repreensões mais mordazes e advertências mais severas era a desintegração dos valores sociais e pessoais (p. ex., 7.5-6).
A Assíria era a potência dominante e uma ameaça constante a Judá. Diante disso, as predições de Miqueias de que a Babilônia, então sob domínio assírio, conquistaria Judá (4.10) pare­ciam improváveis. Nesse sentido, Miqueias exerceu em Judá um papel semelhante ao do profeta Amos em Israel.



Fernando Silva
Campinas,
18/11/2.012

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