Comentário Lição EBD № 008
Tema: Naum – O Limite da Tolerância
Divina
Texto
Áureo: Disse por
fim Abraão: "Tenha paciência o Senhor. Vou falar só mais esta vez. Se
encontrar só dez justos? " O Senhor respondeu: "Não destruirei a
cidade por amor aos dez".(Gn 18.32 - BViva).
Data : 25/11/2.012
O autor
do livro de Naum se identifica como Naum (em hebraico "Consolador" ou
"Confortador"), o elcosita (1:1). Há muitas teorias a respeito de
onde essa cidade era localizada, embora não haja evidências conclusivas. Uma
teoria é que ela se refere à cidade mais tarde conhecida como Cafarnaum (que
literalmente significa "aldeia de Naum") no mar da Galileia.
Quando
foi escrito: Dada a
limitada quantidade de informações que sabemos sobre Naum, o melhor que podemos
fazer é reduzir o prazo em que o Livro de Naum foi escrito em 710 a.C.
OBJETIVO
DO LIVRO DE NAUM
Naum não
escreveu este livro como uma advertência ou uma "chamada ao
arrependimento" para o povo de Nínive. Deus já tinha enviado o profeta
Jonas 55 anos antes (765 a.C.), com Sua promessa do que aconteceria se
continuassem em seus maus caminhos.
O
principal objetivo de Naum foi consolar Judá com referência ao seu feroz
inimigo, a Assíria. No seu recado profético, Naum revelou o detalhado plano
divino para destruir e devastar Nínive completamente. Essa mensagem foi
entregue ao povo de Judá a fim de lembrá--lo da soberania do Senhor sobre todas
as nações, e que ele não tolera por muito tempo aqueles que governam com
pilhagem e violência, desrespeitando suas admoestações de justiça.
As
pessoas daquela época haviam se arrependido, mas agora viviam tão mal (se não
pior) do que antes. Os assírios tinham se tornado absolutamente brutais em suas
conquistas (entre outras atrocidades, eles penduravam os corpos de suas vítimas
em postes e colocavam a sua pele nas paredes das suas tendas).
Agora
Naum estava dizendo ao povo de Judá para não se desesperarem porque Deus havia
pronunciado julgamento e os assírios em breve estariam recebendo o que
mereciam.
Nínive já
tinha uma vez respondido à pregação de Jonas e abandonado seus maus caminhos
para servir ao Senhor Deus Jeová. Entretanto, 55 anos depois, Nínive retornou à
idolatria, violência e arrogância (Naum 3:1-4). Mais uma vez Deus envia um de
Seus profetas para Nínive para pregar julgamento na destruição da cidade e
exortá-los ao arrependimento. Infelizmente, os ninivitas não prestaram atenção
à advertência de Naum e a cidade ficou sob o domínio da Babilônia.
A
profecia de Naum começa com estas pesadas palavras. Mas, por que fez ele essa
declaração condenatória? O que se sabe sobre a antiga Nínive? Sua história é
resumida por Naum em cinco palavras: “Cidade de derramamento de sangue.” (3:1).
Duas elevações localizadas na margem leste do
rio Tigre, defronte da moderna cidade de Mossul, no Norte do Iraque, marcam a
localização da antiga Nínive. Era altamente fortificada por muralhas e fossos e
era a capital do Império Assírio na parte final de sua história.
Contudo,
a origem da cidade remonta aos dias de Ninrode, o “‘poderoso caçador em
oposição a Yehowah’. . . . [Ninrode] saiu para a Assíria e pôs-se a construir
Nínive”. (Gên. 10:9-11) Portanto, Nínive teve um mau começo.
Ficou
especialmente famosa durante os reinados de Sargão, Senaqueribe, Esar-Hadom e
Assurbanipal, no período final do Império Assírio. Por meio de guerras e
conquistas, enriqueceu-se com despojos e ficou famosa por causa do tratamento
cruel e desumano que seus governantes infligiam à multidão de cativos.
Diz C. W.
Ceram, nas páginas 231-2 de seu livro Deuses, Túmulos e Sábios (1959): “Nínive
gravou-se na consciência dos homens quase unicamente por estar ligada a
assassinato, saque, repressão, violação dos fracos, guerra e terror de toda
sorte; a uma série de soberanos sanguinários que reinaram pelo terror e que raramente
morreram de morte natural, sendo substituídos por outros ainda piores.”
Que dizer da religião de Nínive? Adorava um grande panteão de deuses, muitos dos quais importados de Babilônia. Seus governantes invocavam esses deuses quando saíam para destruir e exterminar e seus gananciosos sacerdotes estimulavam suas campanhas de conquista, aguardando rica retribuição dos despojos.
Em seu
livro Ancient Cities (Cidades Antigas, 1886, página 25), W. B. Wright
diz: “Adoravam a força, e só dirigiam suas orações a ídolos colossais de pedra,
leões e touros, cujos membros poderosos, asas de águia e cabeça humana, eram
símbolos de força, coragem e vitória”.
Guerrear
era a principal ocupação dessa nação, e os sacerdotes eram fomentadores
incessantes da guerra. “Eram sustentados principalmente pelos despojos das
conquistas, dos quais uma porcentagem fixa era invariavelmente destinada a
eles, antes de outros partilharem deles, pois esta raça de saqueadores era
extremamente religiosa.”
A
profecia de Naum, embora curta, é repleta de pontos interessantes. Tudo o que
sabemos sobre o próprio profeta está contido no versículo inicial: “Livro da
visão de Naum, o elcosita.” Seu nome (hebraico, Na·hhúm) significa
“Confortador”. Sua mensagem por certo não era nenhum conforto para Nínive, mas,
para o verdadeiro povo de Deus, prenunciava alívio certo e duradouro de um
implacável e poderoso inimigo.
CARÁTER RETRIBUIDOR DE DEUS (1:2, 6). De modo semelhante a Miquéias, Naum principia enfatizando a
grande ira do Senhor contra o pecado e sua vinda para trazer julgamento aos
perversos. Aqui, entretanto, sua ira dirige-se mais aos inimigos de Israel do
que aos israelitas. Naum descreve o Senhor como um Deus zeloso e vingativo, que
virá com ira abrasadora contra seus inimigos. Esse caráter zeloso de Deus foi
apresentado em Êxodo 20:5, e mais tarde com mais pormenores em Deuteronômio
32:21 e ss. Muitos textos descrevem o Senhor como "tardio em se
irar", mas grande em poder e ira contra aqueles que rejeitam sua graça
(Êxodo 22:24; 32:12; Números 14:18; Josué 7:1; Esdras 9:15; Jó 20:23). No Novo
Testamento, os oito "ais" sobre os líderes hipócritas do tempo de
Jesus apresentam a mesma ira ardente para com os que rejeitam deliberadamente a
Lei e a graça de Deus (Mateus 23). Essa ira chega ao auge na grandiosa e
terrível descrição da vinda do Senhor em Apocalipse 14:10, 19 e 19:15 para
julgar seus inimigos enquanto livra o seu povo.
LIVRO DE JULGAMENTO NÃO-ALIVIADO. Nenhum outro livro da
Bíblia é tão enfático na mensagem de julgamento e misericórdia não
aproveitada. Suas únicas "boas novas" são a profecia sobre a
destruição de Nínive (1:15). Foi tão grande a preocupação do profeta com os
pecados e o julgamento daquela cidade, que os pecados de Israel ou Judá não
foram nem mesmo aludidos. O Senhor dedicou um livro inteiro para descrever
vivamente sua grande ira contra um povo que vivia na violência, pilhagem e
derramamento de sangue, e que deixou de permanecer em sua misericórdia
dispensada através de Jonas, profeta de Deus.
É de
conforto, também, porque Naum não faz menção alguma dos pecados de seu próprio
povo. Embora a localização de Elcos não seja rigorosamente conhecida, parece
provável que a profecia foi escrita em Judá. (Naum 1:15).
A queda de Nínive, ocorre em três etapas em
626 a.C. o inicio da degradação, sofreu grande destruição em 612 a.C. e
finalmente aniquilada em 605 a.C., ainda estava no futuro quando Naum registrou
sua profecia, e ele compara esse evento com a queda de Nô-Amom (Tebas, no
Egito) que ocorreu pouco antes disso. (3:8) Assim, Naum deve ter escrito sua
profecia durante aquele período.
O estilo do livro é característico. Não há nele palavras supérfluas. Seu vigor e realismo harmonizam-se com o fato de fazer parte dos escritos inspirados. Naum prima pela linguagem descritiva, emocional e dramática, bem como pela expressão dignificante, clareza de retórica e fraseologia notavelmente vívida. (1:2-8, 12-14; 2:4, 12; 3:1-5, 13-15, 18, 19).
NÍNIVE, A GRANDE
CIDADE-RAINHA DESTRUÍDA.
Não há dúvida de que é este o livro que Jonas gostaria de ter escrito
(Jonas 4:2), ao não compreender que o Senhor tinha antes uma colheita a fazer
naquela cidade. Sua curta profecia da destruição de Nínive está aqui
amplificada, sem a data de execução, "quarenta dias". ; Embora o arrependimento
dos ninivitas tenha adiado o seu julgamento, a retomada da antiga perversidade
e violência apenas intensificou o peso do seu castigo, sobretudo diante do
desrespeito à sua misericórdia. A antiga cidade de Nínive era um símbolo
clássico do mundo quanto ao seu poder, violência e rebeldia contra Deus desde o
tempo de Ninrode (Gênesis 10:9-11). Mas quando Deus ordenou sua destruição, ela
foi aniquilada tão completamente que a antiga rainha das cidades ficou
esquecida durante muitos séculos, coberta com areia, transformada em um
deserto.
ADMOESTAÇÃO INTERNACIONAL DE NAUM A TODAS AS NAÇÕES. A notável lição de Naum para as nações é que a "lei da
selva" não é a Lei de Deus. Embora o pecado e a violência possam ficar sem
punição por algum tempo dentro da longanimidade divina, todavia não serão
esquecidos. Neste caso não está apenas em jogo o "tempo" de Deus, mas
também a justificação do seu caráter (Êxodo 34:6-7; Números 14:18). Apesar de
ele ser "tardio em irar--se" e estar sempre interessado em mostrar-se
misericordioso, não é absolutamente imune à ira quando sua lei é impugnada e
sua graça desprezada. O Deus vingador descrito por Naum é um dos quadros mais
aterradores da Bíblia. Enquanto o Livro de Jonas apresenta a misericórdia do
Senhor estendida aos gentios desconhecedores da lei mosaica, Naum retrata a ira
e o julgamento divino das nações, conheçam ou não a lei de Moisés.
A maior parte do primeiro capítulo parece
estar no estilo de poema acróstico. (1:8, nota) O estilo de Naum é enriquecido
pela singularidade de seu tema. Ele sente extrema aversão ao traiçoeiro inimigo
de Israel. Não vê nada senão a ruína de Nínive.
A autenticidade da profecia de Naum se comprova pela exatidão de seu cumprimento. Nos dias de Naum, quem senão um profeta de Javé ousaria predizer que a orgulhosa capital da potência mundial assíria sofreria ruptura nos “portões dos rios”, que seu palácio seria dissolvido e que ela mesma tornar-se-ia “vacuidade e vazio, e uma cidade devastada”? (2:6-10).
Os eventos posteriores mostraram que a profecia
foi deveras inspirada por Deus. Os anais do rei babilônio Nabopolassar
descrevem a captura de Nínive pelos medos e babilônios: “[Converteram] a cidade
em escombros e montes (de entulho). . . .” A ruína de Nínive foi tão completa
que até mesmo a sua localização ficou esquecida por muitos séculos. Alguns
críticos chegaram a ridicularizar a Bíblia quanto a isso, dizendo que Nínive
jamais poderia ter existido.
Contudo, somando evidência em favor da autenticidade de Naum, a localização de Nínive foi descoberta, e as escavações ali começaram no século 19. Calculou-se que, para escavá-la completamente, seria necessário remover milhões de toneladas de terra.
O que se
tem desenterrado em Nínive? Muitas coisas que confirmam a exatidão da profecia
de Naum! Por exemplo, seus monumentos e inscrições atestam as suas crueldades,
e há restos de colossais estátuas de touros e leões alados. Não é de admirar
que Naum falasse dela como “caverna dos leões”! — 2:11.
A canonicidade de Naum é demonstrada por ser o livro aceito pelos judeus como parte das Escrituras inspiradas. Está em completa harmonia com o restante da Bíblia. A profecia é dada em nome de Javé, em favor de cujos atributos e supremacia dá eloquente testemunho.
CRISTOLOGIA EM NAUM
(1:15).
Mesmo sem referências específicas ao
Messias no Livro de Naum, a proclamação das "boas novas" em 1:15 tem
uma referência indireta a Cristo e seu evangelho. Ε uma referência a Isaías 52:7, mais tarde
aplicada por Paulo em Romanos 10:15 quanto ao aspecto libertador do evangelho.
É um lembrete de que o primeiro objetivo de Naum foi consolar Israel a respeito
da ameaça nacional por parte do cruel e perverso inimigo do Oriente. Além
disso, as boas novas do evangelho são que Cristo não somente traz o livramento
dos inimigos, mas também os benefícios reais da salvação (Lucas 1:71). O Deus
prefigurado por Naum não é diferente do Cristo do Novo Testamento.
Fernando
Silva
Campinas,
25/11/2012
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