sábado, 24 de novembro de 2012


Comentário Lição EBD № 008
Tema: Naum – O Limite da Tolerância Divina
Texto Áureo:  Disse por fim Abraão: "Tenha paciência o Senhor. Vou falar só mais esta vez. Se encontrar só dez justos? " O Senhor respondeu: "Não destruirei a cidade por amor aos dez".(Gn 18.32 - BViva).
Data : 25/11/2.012

O autor do livro de Naum se identifica como Naum (em hebraico "Consolador" ou "Confortador"), o elcosita (1:1). Há muitas teorias a respeito de onde essa cidade era localizada, embora não haja evidências conclusivas. Uma teoria é que ela se refere à cidade mais tarde conhecida como Cafarnaum (que literalmente significa "aldeia de Naum") no mar da Galileia.
Quando foi escrito: Dada a limitada quantidade de informações que sabemos sobre Naum, o melhor que podemos fazer é reduzir o prazo em que o Livro de Naum foi escrito em 710 a.C.
OBJETIVO DO LIVRO DE NAUM

Naum não escreveu este livro como uma advertência ou uma "chamada ao arrependimento" para o povo de Nínive. Deus já tinha enviado o profeta Jonas 55 anos antes (765 a.C.), com Sua promessa do que aconteceria se continuassem em seus maus caminhos.

O principal objetivo de Naum foi consolar Judá com referência ao seu feroz inimigo, a Assíria. No seu recado profético, Naum revelou o detalhado plano divino para destruir e devastar Nínive completa­mente. Essa mensagem foi entregue ao povo de Judá a fim de lembrá--lo da soberania do Senhor sobre todas as nações, e que ele não tolera por muito tempo aqueles que governam com pilhagem e violência, desrespeitando suas admoestações de justiça.

As pessoas daquela época haviam se arrependido, mas agora viviam tão mal (se não pior) do que antes. Os assírios tinham se tornado absolutamente brutais em suas conquistas (entre outras atrocidades, eles penduravam os corpos de suas vítimas em postes e colocavam a sua pele nas paredes das suas tendas).
Agora Naum estava dizendo ao povo de Judá para não se desesperarem porque Deus havia pronunciado julgamento e os assírios em breve estariam recebendo o que mereciam.
Nínive já tinha uma vez respondido à pregação de Jonas e abandonado seus maus caminhos para servir ao Senhor Deus Jeová. Entretanto, 55 anos depois, Nínive retornou à idolatria, violência e arrogância (Naum 3:1-4). Mais uma vez Deus envia um de Seus profetas para Nínive para pregar julgamento na destruição da cidade e exortá-los ao arrependimento. Infelizmente, os ninivitas não prestaram atenção à advertência de Naum e a cidade ficou sob o domínio da Babilônia.
A profecia de Naum começa com estas pesadas palavras. Mas, por que fez ele essa declaração condenatória? O que se sabe sobre a antiga Nínive? Sua história é resumida por Naum em cinco palavras: “Cidade de derramamento de sangue.” (3:1).
 Duas elevações localizadas na margem leste do rio Tigre, defronte da moderna cidade de Mossul, no Norte do Iraque, marcam a localização da antiga Nínive. Era altamente fortificada por muralhas e fossos e era a capital do Império Assírio na parte final de sua história.
Contudo, a origem da cidade remonta aos dias de Ninrode, o “‘poderoso caçador em oposição a Yehowah’. . . . [Ninrode] saiu para a Assíria e pôs-se a construir Nínive”. (Gên. 10:9-11) Portanto, Nínive teve um mau começo.
Ficou especialmente famosa durante os reinados de Sargão, Senaqueribe, Esar-Hadom e Assurbanipal, no período final do Império Assírio. Por meio de guerras e conquistas, enriqueceu-se com despojos e ficou famosa por causa do tratamento cruel e desumano que seus governantes infligiam à multidão de cativos.
Diz C. W. Ceram, nas páginas 231-2 de seu livro Deuses, Túmulos e Sábios (1959): “Nínive gravou-se na consciência dos homens quase unicamente por estar ligada a assassinato, saque, repressão, violação dos fracos, guerra e terror de toda sorte; a uma série de soberanos sanguinários que reinaram pelo terror e que raramente morreram de morte natural, sendo substituídos por outros ainda piores.”

Que dizer da religião de Nínive? Adorava um grande panteão de deuses, muitos dos quais importados de Babilônia. Seus governantes invocavam esses deuses quando saíam para destruir e exterminar e seus gananciosos sacerdotes estimulavam suas campanhas de conquista, aguardando rica retribuição dos despojos.
Em seu livro Ancient Cities (Cidades Antigas, 1886, página 25), W. B. Wright diz: “Adoravam a força, e só dirigiam suas orações a ídolos colossais de pedra, leões e touros, cujos membros poderosos, asas de águia e cabeça humana, eram símbolos de força, coragem e vitória”.
Guerrear era a principal ocupação dessa nação, e os sacerdotes eram fomentadores incessantes da guerra. “Eram sustentados principalmente pelos despojos das conquistas, dos quais uma porcentagem fixa era invariavelmente destinada a eles, antes de outros partilharem deles, pois esta raça de saqueadores era extremamente religiosa.”
A profecia de Naum, embora curta, é repleta de pontos interessantes. Tudo o que sabemos sobre o próprio profeta está contido no versículo inicial: “Livro da visão de Naum, o elcosita.” Seu nome (hebraico, Na·hhúm) significa “Confortador”. Sua mensagem por certo não era nenhum conforto para Nínive, mas, para o verdadeiro povo de Deus, prenunciava alívio certo e duradouro de um implacável e poderoso inimigo.
CARÁTER RETRIBUIDOR DE DEUS (1:2, 6). De modo seme­lhante a Miquéias, Naum principia enfatizando a grande ira do Senhor contra o pecado e sua vinda para trazer julgamento aos perversos. Aqui, entretanto, sua ira dirige-se mais aos inimigos de Israel do que aos israelitas. Naum descreve o Senhor como um Deus zeloso e vingativo, que virá com ira abrasadora contra seus inimigos. Esse caráter zeloso de Deus foi apresentado em Êxodo 20:5, e mais tarde com mais pormenores em Deuteronômio 32:21 e ss. Muitos textos descrevem o Senhor como "tardio em se irar", mas grande em poder e ira contra aqueles que rejeitam sua graça (Êxodo 22:24; 32:12; Números 14:18; Josué 7:1; Esdras 9:15; Jó 20:23). No Novo Testamento, os oito "ais" sobre os líderes hipó­critas do tempo de Jesus apresentam a mesma ira ardente para com os que rejeitam deliberadamente a Lei e a graça de Deus (Mateus 23). Essa ira chega ao auge na grandiosa e terrível des­crição da vinda do Senhor em Apocalipse 14:10, 19 e 19:15 para julgar seus inimigos enquanto livra o seu povo.
LIVRO DE JULGAMENTO NÃO-ALIVIADO. Nenhum outro livro da Bíblia é tão enfático na mensagem de julgamento e mi­sericórdia não aproveitada. Suas únicas "boas novas" são a profecia sobre a destruição de Nínive (1:15). Foi tão grande a preocupação do profeta com os pecados e o julgamento daquela cidade, que os pecados de Israel ou Judá não foram nem mesmo aludidos. O Senhor dedicou um livro inteiro para descrever vivamente sua grande ira contra um povo que vivia na violência, pilhagem e derramamento de sangue, e que deixou de permanecer em sua misericórdia dispensada através de Jonas, profeta de Deus.

É de conforto, também, porque Naum não faz menção alguma dos pecados de seu próprio povo. Embora a localização de Elcos não seja rigorosamente conhecida, parece provável que a profecia foi escrita em Judá. (Naum 1:15).
 A queda de Nínive, ocorre em três etapas em 626 a.C. o inicio da degradação, sofreu grande destruição em 612 a.C. e finalmente aniquilada em 605 a.C., ainda estava no futuro quando Naum registrou sua profecia, e ele compara esse evento com a queda de Nô-Amom (Tebas, no Egito) que ocorreu pouco antes disso. (3:8) Assim, Naum deve ter escrito sua profecia durante aquele período.

O estilo do livro é característico. Não há nele palavras supérfluas. Seu vigor e realismo harmonizam-se com o fato de fazer parte dos escritos inspirados. Naum prima pela linguagem descritiva, emocional e dramática, bem como pela expressão dignificante, clareza de retórica e fraseologia notavelmente vívida. (1:2-8, 12-14; 2:4, 12; 3:1-5, 13-15, 18, 19).
NÍNIVE, A GRANDE CIDADE-RAINHA DESTRUÍDA.
Não há dúvida de que é este o livro que Jonas gostaria de ter escrito (Jonas 4:2), ao não compreender que o Senhor tinha antes uma colheita a fazer naquela cidade. Sua curta profecia da destruição de Nínive está aqui amplificada, sem a data de execução, "quarenta dias". ; Embora o arrependimento dos ninivitas tenha adiado o seu jul­gamento, a retomada da antiga perversidade e violência apenas intensificou o peso do seu castigo, sobretudo diante do desrespeito à sua misericórdia. A antiga cidade de Nínive era um símbolo clássico do mundo quanto ao seu poder, violência e rebeldia contra Deus desde o tempo de Ninrode (Gênesis 10:9-11). Mas quando Deus ordenou sua destruição, ela foi aniquilada tão completamente que a antiga rainha das cidades ficou esquecida durante muitos séculos, coberta com areia, transformada em um deserto.
ADMOESTAÇÃO INTERNACIONAL DE NAUM A TODAS AS NAÇÕES. A notável lição de Naum para as nações é que a "lei da selva" não é a Lei de Deus. Embora o pecado e a violência possam ficar sem punição por algum tempo dentro da longanimidade di­vina, todavia não serão esquecidos. Neste caso não está apenas em jogo o "tempo" de Deus, mas também a justificação do seu caráter (Êxodo 34:6-7; Números 14:18). Apesar de ele ser "tardio em irar--se" e estar sempre interessado em mostrar-se misericordioso, não é absolutamente imune à ira quando sua lei é impugnada e sua graça desprezada. O Deus vingador descrito por Naum é um dos quadros mais aterradores da Bíblia. Enquanto o Livro de Jonas apresenta a misericórdia do Senhor estendida aos gentios desconhecedores da lei mosaica, Naum retrata a ira e o julgamento divino das nações, conheçam ou não a lei de Moisés.

 A maior parte do primeiro capítulo parece estar no estilo de poema acróstico. (1:8, nota) O estilo de Naum é enriquecido pela singularidade de seu tema. Ele sente extrema aversão ao traiçoeiro inimigo de Israel. Não vê nada senão a ruína de Nínive.

A autenticidade da profecia de Naum se comprova pela exatidão de seu cumprimento. Nos dias de Naum, quem senão um profeta de Javé ousaria predizer que a orgulhosa capital da potência mundial assíria sofreria ruptura nos “portões dos rios”, que seu palácio seria dissolvido e que ela mesma tornar-se-ia “vacuidade e vazio, e uma cidade devastada”? (2:6-10).
 Os eventos posteriores mostraram que a profecia foi deveras inspirada por Deus. Os anais do rei babilônio Nabopolassar descrevem a captura de Nínive pelos medos e babilônios: “[Converteram] a cidade em escombros e montes (de entulho). . . .” A ruína de Nínive foi tão completa que até mesmo a sua localização ficou esquecida por muitos séculos. Alguns críticos chegaram a ridicularizar a Bíblia quanto a isso, dizendo que Nínive jamais poderia ter existido.

Contudo, somando evidência em favor da autenticidade de Naum, a localização de Nínive foi descoberta, e as escavações ali começaram no século 19. Calculou-se que, para escavá-la completamente, seria necessário remover milhões de toneladas de terra.
O que se tem desenterrado em Nínive? Muitas coisas que confirmam a exatidão da profecia de Naum! Por exemplo, seus monumentos e inscrições atestam as suas crueldades, e há restos de colossais estátuas de touros e leões alados. Não é de admirar que Naum falasse dela como “caverna dos leões”! — 2:11.

A canonicidade de Naum é demonstrada por ser o livro aceito pelos judeus como parte das Escrituras inspiradas. Está em completa harmonia com o restante da Bíblia. A profecia é dada em nome de Javé, em favor de cujos atributos e supremacia dá eloquente testemunho.
CRISTOLOGIA EM NAUM (1:15). Mesmo sem referências es­pecíficas ao Messias no Livro de Naum, a proclamação das "boas novas" em 1:15 tem uma referência indireta a Cristo e seu evan­gelho. Ε uma referência a Isaías 52:7, mais tarde aplicada por Paulo em Romanos 10:15 quanto ao aspecto libertador do evangelho. É um lembrete de que o primeiro objetivo de Naum foi consolar Israel a respeito da ameaça nacional por parte do cruel e perverso inimigo do Oriente. Além disso, as boas novas do evangelho são que Cristo não somente traz o livramento dos inimigos, mas tam­bém os benefícios reais da salvação (Lucas 1:71). O Deus prefigurado por Naum não é diferente do Cristo do Novo Testamento.



Fernando Silva
Campinas,
25/11/2012

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