O Cristianismo versus a Nova Era
O grande proveito que podemos tirar ao aprendermos a respeito
da teologia ocultista da Nova Era como seita e sobre aqueles que se
tornaram suas vítimas é poder confrontá-los com o rude contraste entre a
teologia cristã histórica e as crenças da Nova Era. Mas para poder
fazer isso eficazmente, há certos passos que precisam ser dados e certos
métodos que precisam ser empregados para assegurar a máxima exposição e
penetração do evangelismo e apologética cristãos.
O cristão
descobrirá quase imediatamente que, após ter testificado quanto à
verdade da mensagem do evangelho, terá de introduzir a apologética
cristã, uma defesa racional da validade da verdade cristã.
Embora
alguns discordem da necessidade do enfoque duplo, tenho estado a
palmilhar com sucesso a linha entre o evangelismo e a apologética por
mais de trinta e oito anos. Não é de maneira alguma uma tarefa fácil,
mas a partir de minha própria experiência e estudo, incluo as sugestões
que se seguem. Elas podem ser extremamente úteis, permitindo-lhe chegar
além do básico sem o erro de se tornar um mestre do óbvio.
O Preparativo da Oração
O
apóstolo João nos relembra que “se pedirmos alguma coisa, segundo a sua
vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que lhe
pedimos, sabemos que já alcançamos os pedidos que lhe fizemos” (1 João
5:14-15). Como sabemos ser isso verdadeiro e ser sua vontade que todos
os homens sejam salvos (2 Pedro 3:9), devemos orar antes de nos
encontrar com a pessoa que fomos levados a confrontar, continuar a orar
enquanto estamos falando com ela, e orar mais após a confrontação. Deve
ser uma oração específica, trazendo à mente as promessas que Deus fez, e
pedindo-lhe que abra os olhos e os ouvidos da alma e da mente dessa
pessoa. Queremos que a luz gloriosa do evangelho de Cristo, que é a
imagem de Deus, penetre no que é garantidamente trevas espiritual e
mental. Disse o apóstolo Paulo:
Mas, se o nosso evangelho ainda
está encoberto, para os que se perdem está encoberto, nos quais o deus
deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes
resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de
Deus (2 Coríntios 4:3-4).
Isso não nos deveria surpreender,
pois as Escrituras são claras ao declarar que “o homem natural não
compreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem loucura, e
não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1
Coríntios 2:14).
Sabemos, então, que se estamos orando para que
Deus abra os olhos e ouvidos de suas mentes e de suas naturezas
espirituais, nossas preces estão de acordo com a sua vontade. Devemos
plantar a semente da verdade bíblica da mesma forma que o proverbial
semeador fez, regando-a sempre com oração, confiantes de que “aquele que
em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Cristo Jesus”
(Filipenses 1:6).
Repita e Reformule
Precisamos
cultivar com continuidade o fruto espiritual da paciência, e aprender a
declarar nossa posição pelo menos três vezes com palavras diferentes
(um dicionário de sinônimos é muito útil aqui). As pessoas
freqüentemente não “ouvem” a primeira vez, mas precisam do reforço da
repetição. Se você perceber que está perdendo a paciência, simplesmente
lembre-se de como lhe foi difícil aceitar a verdade do evangelho quando
estava na mesma condição da pessoa com quem está conversando. Ore para
que o Senhor multiplique esse fruto durante o tempo do seu encontro.
Comunique o Seu Amor
Sempre
que possível, comunique sua preocupação espiritual pela pessoa, citando
Levítico 19:18 como seu motivo, e vá além do desejo de transformar a
pessoa em estatística para alguma congregação local. Os adeptos da Nova
Era são particularmente sensíveis ao amor e preocupam-se sinceramente
com o seu bem-estar. O amor demonstra essa preocupação. Os teólogos
medievais tinham um ditado: “O amor de Deus conquista todas as coisas.”
Lembre-se, o Senhor jamais nos teria ordenado que amássemos ao nosso
próximo como a nós mesmos se não tivéssemos a capacidade de fazer isso.
Se você orar por isso, o amor se manifestará àquela pessoa.
Busque Algo em Comum
Encontre
algo em comum de onde você possa abordar as questões controvertidas —
talvez aproveitando antecedentes religiosos da pessoa, da família dela,
ou de certos alvos e práticas que você tenha em comum com ela. Pode
discutir aborto, clube, ecologia ou patriotismo. Seja qual for o assunto
que você escolha para ajudar a estabelecer um relacionamento amigável,
ele sempre ajudará a comunicação, particularmente se for na esfera de
valores espirituais.
Defina a Terminologia
Defina
a sua terminologia de forma inofensiva, e quando a pessoa estiver
falando sobre Deus, amor, Jesus Cristo, salvação ou reencarnação,
peça-lhe que explique o que quer dizer. Tente chegar a uma definição de
dicionário em vez de um julgamento subjetivo. Existe uma diferença
enorme entre uma definição de dicionário e uma enciclopédia de
comentários subjetivos. Podemos comunicar com palavras definidas
apropriadamente num contexto de verdade objetiva, mas uma “sensação”
sobre o que um termo significa, nada transmitirá.
Assegure-se de
você mesmo estar familiarizado com as definições, particularmente
quando chegar à terminologia especial redefinida pelas seitas e pelo
ocultismo. Essas palavras perigosas podem ser facilmente desarmadas com
uma referência ao dicionário. Isso é particularmente verdadeiro quando
se trata de assuntos como a natureza do homem, pecados humanos, os
problemas do mal e julgamento ou justiça divinos. Tome o cuidado de
manter a definição simples.
O Dr. Donald Grey Barnhouse comparou
certa vez a comunicação do evangelho com alimentar vacas. Disse ele:
“Tire o feno do alto do celeiro e coloque-o no chão onde as vacas possam
chegar a ele.” Mantenha a coisa tão simples quanto possível. Você não
está ali para impressionar a pessoa com quanto você sabe ou com quanto
pode ser eloqüente. Está ali para ser um representante do Espírito
Santo, cuja tarefa é a de convencer “o mundo do pecado, da justiça e do
juízo” (João 16:8).
Deus não nos chamou para converter o mundo;
ele nos chamou para plantar as sementes do evangelho e as regarmos com
oração. E do Espírito a tarefa de fazer viver essas sementes, e ele
prometeu que, se formos fiéis, ele o fará.
Pergunte, Não Ensine
Não
tente ensinar um adepto da Nova Era ou de seita, pois no momento em que
você colocar as vestes de professor, ele se “desligará” exatamente como
foi programado para fazer. Quando o Senhor Jesus Cristo ensinava
durante seu ministério terreno, ele raciocinava com as pessoas e
continuamente fazia perguntas. Quando elas não conseguiam responder o
que ele tinha a dizer, ele começava a ensiná-las. Seu diálogo era mais
bem-sucedido do que se ele tivesse começado ensinando.
As pessoas
sentem-se ameaçadas por outras que as intimidam com uma atitude
professoral que comunica um ar de superioridade, quer real, quer
imaginado. Entretanto, como sua maneira pode ser interpretada como
arrogância, o lema deve ser a cautela.
Jesus questionava os
fariseus, os saduceus, os escribas, os herodianos e até mesmo as pessoas
comuns em assuntos para os quais elas não tinham respostas reais de
valor duradouro. Se a Verdade Encarnada usou de tanto tato, nós também
poderíamos usar um pouco de tato santificado. O encontro de Jesus com a
mulher junto ao poço (João 4) foi uma boa ilustração das técnicas de
nosso
Senhor, e o Espírito Santo a considerou importante o
suficiente para registrá-la de modo que pudéssemos nos beneficiar do
conhecimento que o Senhor tinha da natureza humana.
Leia a Palavra
Sempre
que possível, use sua Bíblia e peça ao adepto da Nova Era que leia as
passagens específicas que estão sendo debatidas. Chamo essa técnica de
“cair sobre a espada”. Como a Bíblia é chamada a espada do Espírito
(Efésios 6:17), precisamos apenas posicionar a espada apropriadamente
quando eles a lêem, e ela penetrará, até mesmo onde todos os nossos
argumentos e raciocínios tiverem falhado.
A Bíblia nos relembra
vez após vez que “a palavra de Deus não está presa” (2 Timóteo 2:9), mas
é “mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao
ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para
discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12). Você
precisa continuamente trazer o adepto da Nova Era de volta à autoridade
do que Deus disse, particularmente com relação à consciência de pecado
pessoal.
Não ataque o adepto da Nova Era com a espada do Espírito, mas sim permita que o Espírito use seu instrumento
para atravessar o tecido cicatrizado que o pecado criou nas mentes e
espíritos dos homens não regenerados. O Espírito é o mestre por
excelência e o maior de todos os cirurgiões; deixe-o fazer o trabalho.
Você precisa simplesmente preparar o paciente para a cirurgia.
Evite Criticar
Evite
atacar os líderes da seita Nova Era ou fundadores de grupos
específicos, pois mesmo que o adepto da Nova Era saiba que você está
certo, ele continua fiel à natureza humana e os defende do que considera
uma crítica desamorosa. O adepto da Nova Era não tem consciência de que
revelar a verdade é a coisa mais amorosa que a pessoa pode fazer, mas
essa verdade precisa ser falada em amor, e mesmo assim somente após
muito trabalho ter sido realizado de sua parte para mostrar que você não
fala por amargura ou por ter um espírito acusatório, mas simplesmente
da perspectiva do fato histórico.
Elogie
Louve
o zelo, dedicação e (sempre que possível) as metas do movimento Nova
Era, porque sua natureza básica é tanto messiânica quando milenar. A
seita Nova Era está buscando as coisas certas, mas com os métodos
errados e pelas razões erradas, às vezes apenas porque sua visão está
danificada pelo pecado. Lembre-lhes de que sua busca para um fim da
pobreza, das moléstias, do sofrimento, da discriminação racial, das
desigualdades e tirania econômica e política são coisas com as quais o
cristianismo vem-se preocupando por quase dois mil anos.
Muitos
adeptos da Nova Era estão genuinamente buscando condições milenares
sobre a terra. Mas não haverá reino algum sem o Rei, justiça alguma sem
amor, e poder algum sem controle. Mostre-lhes a partir da Escritura que
aqueles que seguem a Jesus Cristo herdarão todas essas coisas como dádiva de
Deus, e que os reinos deste mundo, quando se tornarem os reinos de
nosso Senhor Jesus Cristo, refletirão muitos dos valores que os adeptos
da Nova Era agora professam ter como sacros.
Tire tempo para
louvar-lhes os esforços na área da conservação e preocupação com o
bem-estar do planeta, bem como das criaturas que nele habitam.
Persuada-os da sua preocupação nessas mesmas áreas, mas use a
oportunidade para mostrar que não importa quanto trabalhemos duro: ainda
vivemos num mundo que está sofrendo de condições irremediáveis causadas
pela rebeldia do homem contra o seu Criador.
Cite algumas das
imperfeições que demonstram esse fato: guerra, a opressão de minorias e
o abuso dos direitos humanos. Todos esses nos fazem lembrar do fato de
que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos
3:23).
Os adeptos da Nova Era ficam às vezes desarmados pelos
elogios, pois lhes ensinaram incorretamente a crer que o cristianismo é
tão voltado para o céu que para nada serve na terra, e que o Deus da
Bíblia não se importa com a sua criação. Deixe que eles vejam que você
entende e que se importa. Mostre que você se importa porque Deus nos
mostrou em sua Palavra que se preocupa.
Estude o Nova Era
Quando
se defrontar com o pensamento da Nova Era, assegure-se de poder citar
corretamente líderes e escritos da Nova Era. Se você não compreende ou
não leu a respeito do que o seu oponente está falando, faça força para
averiguar antes de falar de novo com ele. Isso lhe mostrará que você é
coerente e está interessado no seu bem-estar e na verdade como um todo.
Esteja preparado para dizer: “Bem, ainda não vi ou li isso, mas
certamente gostaria de examiná-lo.” Depois faça isso.
Defina “Jesus”
Pergunte
ao adepto da Nova Era se ele pode explicar a diferença entre o Jesus
encontrado na Bíblia e o Jesus que aparece na literatura da Nova Era.
Leve-o a 2 Coríntios 11 e preste atenção especial aos versículos três e
quatro:
Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a
sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos
entendimentos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Pois se
alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se
recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não
abraçastes, de boa mente o suportais.
Faça-lhe ver que o nome “Jesus” nada significa, a menos que seja definido dentro do contexto da revelação do Novo Testamento.
Podemos
dizer o que quisermos a respeito de Jesus, mas um retrato exato dele
requer fatos tirados dos documentos fontes, não de alguém tentando
“restaurar” o “Jesus histórico” centenas de anos ou quase dois mil anos
depois, quando de fato o único Jesus histórico é o Jesus do Novo
Testamento.
É sempre útil mostrar que a palavra “Jesus” é definida
pela Nova Era de maneira completamente distinta da que o contexto da
história exige. Use a oportunidade para exaltar o Senhor Jesus Cristo,
não como um dentre muitos mensageiros enviados por um I período
específico no tempo para um conjunto específico de I necessidades, mas
antes como o Senhor dos tempos, o caminho que leva a Deus, à incorporação da verdade, e à encarnação da própria vida.
Faça
o adepto da Nova Era compreender que sua noção de Cristo como apenas um
avatar, um mensageiro de Deus, é incoerente com o que Jesus disse a
seu próprio respeito e o que a igreja tem crido. (Nesse ponto, João
3:16-17 pode ser muito útil se você puder ler com a pessoa.)
Revele a Fraqueza do Relativismo Moral
Fazendo
perguntas, mostre ao adepto da Nova Era como é logicamente defeituoso
permitir que o subjetivismo e o relativismo moral o orientem. Ajude-o a
compreender que ele não pode viver coerentemente com esses princípios.
Pergunte, por exemplo: “Se a sua verdade é a sua verdade, e a minha
verdade é a minha verdade, como podemos ter certeza a respeito de alguma
coisa? Digamos que acontece de a minha verdade ser que Einstein estava
errado na teoria da relatividade e nas teorias do campo unificado, ao
passo que você e a verdade objetiva, tanto na matemática, quanto na
física, confirmam que ele estava certo. Faz alguma diferença a verdade
ser baseada em fatos ou sentimentos subjetivos? Einstein estava errado
porque eu acho que ele estava errado?” O relativismo não produz nenhuma
verdade.
Um bom método nessa conjuntura é mostrar o que o grande
filósofo Mortimer J. Adler, da universidade de Chicago, disse com
relação à “verdade” subjetiva. O Dr. Adler sabiamente observou que o
argumento usado pelos nazistas para matar os judeus foi uma posição que
não poderia ser refutada num mundo de moralidade e ética relativas. Quem
poderia condenar Hitler por assassinar seis milhões de judeus se a
extinção dessas pessoas era a “sua verdade”? Argumentar que ele estava
errado, se você for relativista, é enganoso, porque sua própria
definição de verdade dá a Hitler tanto direito ao seu ponto de vista
quanto você tem ao seu.
Mas o certo e o errado não são
determinados por voto falado ou critério social; eles são fundamentados
em padrões duradouros, reconhecidos universalmente como verdadeiros —
corretamente designados como “valores morais absolutos”. Você pode
mostrar ao adepto da Nova Era que se ele dirigir em alta velocidade no
Rio de Janeiro, desprezando as luzes vermelhas e amarelas dos sinais de
trânsito — apenas porque ele os considera irrelevantes à meta de chegar
ao seu destino em tempo — isto lhe permitirá confrontar a verdade
objetiva de que sua ação constitui crime quando a polícia o prender.
Mostre que a Bíblia é Confiável
E
importante estabelecer a confiabilidade histórica da Bíblia quando
estiver discutindo o conceito de verdade absoluta com os adeptos da Nova
Era. A Bíblia precisa ser vista como guia à verdade superior para
aqueles sem nenhum tipo de credencial. Podemos nos beneficiar de um
estudo da história e arqueologia bíblica para dar mais credibilidade à
nossa posição. Há muitos livros excelentes sobre esses assuntos,
escritos com o pastor e o leigo em mente.
Revele o Incoerência do Conceito da Nova Era sobre o Mundo
Mostre
as diferenças subjacentes entre os conceitos cristão e da Nova Era
sobre o mundo, e mostre que o conceito cristão é radicalmente mais
coerente com o mundo e a humanidade.
O conceito do mundo que o
movimento Nova Era defende é monístico e panteístico. O panteísmo
monístico, conforme previamente observamos, ensina que tudo é um e tudo
é divino. Ele não faz divisão entre Deus e a sua criação. Isso é
incoerente diante da lógica e da experiência, visto bilhões de pessoas
poderem falar o pronome pessoal “eu” a partir do contexto de sua própria
experiência e vida. Cada pessoa é diferente de todo o restante de seus
semelhantes. A humanidade não pode nem mesmo coletivamente justificar a
Terra, a vida, ou o problema do mal independente da revelação divina.
Eu
estava certa vez conversando com o apresentador de um programa de
entrevistas da Nova Era. Quando eu citei a famosa prova de Descartes
“Penso, portanto existo”, ele disse:
— Descartes estava obviamente enganado. O que ele deveria ter dito é Tenso que penso, portanto, penso que existo’.
Retruquei:
— Isso soa bem, mas posso refutá-lo em trinta segundos se você não me interromper.
Ele prometeu:
— Não o interromperei, mas você não vai bater em mim para provar que estou aqui, vai?
Ambos rimos e garanti-lhe que nenhuma violência seria praticada.
Ele consultou o relógio de pulso e disse:
— Pode começar.
—
Tenho estado a conversar com você por cerca de quinze minutos, não é? —
Ele me olhou em silêncio. — Se você disser que não tenho estado a
conversar com você, e você não tem estado a conversar comigo, então um
de nós é louco, e gente que fala com gente que não está aí não fica por
aqui muito tempo.
Ele pensou por um momento, depois disse:
— Esse é um bom argumento, mas a verdade é realmente como cada um de nós a percebe.
Não pude resistir ao argumento que o Dr. Adler havia apresentado, por isso respondi:
— Fico contente por ver que você concorda com Adolfo Hitler em sua destruição dos judeus.
Ele
se retraiu horrorizado, mas sob a pressão do argumento do Dr. Adler
admitiu vigorosamente que Hitler estava errado, que a percepção dele era
errada. Contudo, o apresentador, permanecendo coerente com sua
filosofia, não podia encontrar uma forma de condenar Hitler. Concluiu
ele:
— Tornei-me ilógico dentro da estrutura de minhas próprias opiniões, e devo repudiar como um mal o que Hitler fez.
O
conceito do mundo que a Nova Era tem simplesmente não funciona no
áspero mundo dos detalhes práticos da experiência cotidiana. Ele requer
condições ideais para encontrar um lugar na mente do indivíduo e nos
eventos que circundam sua vida de dia em dia. Sem isso, ele se
desintegra sob os golpes de martelo do pecado e das circunstâncias.
Jamais
devemos esquecer que Deus plantou três coisas nas mentes de todos os
homens, segundo Romanos 1. Ele nos tornou conscientes de sua existência
como Criador, e isso nos deixa desconfortáveis. Somos dotados de uma
consciência que julga constantemente as escolhas que fazemos como boas
ou más. E
Deus tornou nossos espíritos conscientes de que, visto
não haver justiça perfeita neste mundo, o juízo certamente deve vir de
outro. Descartes chamou-as de “idéias inatas”, mas elas de fato são
conceitos espirituais conferidos que fazem parte da nossa criação à
imagem e à semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27). As palavras de Santo
Agostinho ressoam sempre verdadeiras: “Tu nos fizeste, ó Senhor, e somos
teus, e nossas almas vivem inquietas enquanto não descansam em ti.”
Forneça Livros ou Fitas
Indique
ao adepto da Nova Era alguns bons livros, fitas, cassetes de vídeo e
de áudio, folhetos ou panfletos cristãos evangelísticos, que tratem do
pensamento da Nova Era (ou você pode dar-lhe um). Se possível,
encontre um que no seu entender, comunica com eficácia e imparcialidade,
e diga à pessoa que você espera que ela considere seriamente outro
ponto de vista e ore a respeito, porque Deus prometeu: “Buscar-me-eis, e
me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jeremias
29:13).
Uma Nota de Advertência
Ao pensarmos
sobre encontrar ou confrontar pessoas da seita Nova Era, precisamos nos
lembrar de que os cristãos podem ser às vezes influenciados e até mesmo
desviados pelo pensamento da Nova Era. John Weldon e John Ankerberg
escreveram:
Os cristãos estão sendo influenciados pelo
movimento Nova Era principalmente devido à ignorância dos ensinos
bíblicos e falta de conhecimento doutrinário. Com a ênfase dos Estados
Unidos sobre o materialísmo, está pesarosamente em falta o compromisso
com Cristo; como Senhor em todas as áreas da vida. Isto traz resultados
desastrosos. É uma pena que existam cristãos que amam “mais a
glória dos homens do que a glória de Deus” (João 12:43), que incorporam
os caminhos do mundo à sua fé cristã (Tiago 1:27,1 João 2:15; 4:4), ou
que ignoram a extensão da batalha espiritual (Atos 20:28-34; 2 Coríntios
4:4; Efésios 6:11-23; 2 Pedro 2:1; 1 João 4:1-3).
Esses
pecados do cristianismo americano nos deixa expostos a falsas filosofias
como a do movimento Nova Era. Há sempre alguns cristãos que abraçarão
ativamente sua cultura. Se tentam aprender dela intelectualmente ou
tomar emprestado espiritualmente, ou gozar as delícias dos prazeres e
passatempos do mundo, ou tentar algum tipo de reforma social dentro do
contexto do cristianismo nominal, o resultado é que sua fé cristã se
torna diluída ou absorvida por uma cultura inicialmente atraente mas
alienígena. Isso quer dizer que na medida em que os Estados Unidos se
voltam para a Nova Era, até certo ponto haverá cristãos que adotarão as
práticas e as crenças da Nova Era.
Ao enfrentar a seita Nova
Era, estamos na realidade enfrentando com guerra espiritual as forças
das trevas, e Deus nos diz que coloquemos toda a armadura do céu para
que possamos resistir às forças de Satanás (Efésios 6:11).
Não há,
neste conflito, substituto para o conhecimento da palavra de Deus e o
uso apropriado da espada do Espírito e do escudo da fé para desviar
todos os dardos inflamados do maligno. As forças alinhadas contra nós
são grandes, há muito em jogo: as almas de milhões de pessoas. Mas a
promessa de Deus se mostra segura, podemos vencê-las “porque maior é o
que está em vós do que o que está no mundo” (1 João 4:4).
Prepare-se
para o combate espiritual, estude e mostre-se aprovado por Deus, um
obreiro que não precisa corar de vergonha, interpretando corretamente a
palavra da verdade. E acima de tudo, erga o escudo da fé declarando:
“Jesus Cristo é Senhor da glória do Deus Pai.” A igreja cristã espera
aquele momento glorioso quando “nascerá o sol da justiça, trazendo
salvação debaixo das suas asas” (Malaquias 4:2), e as coisas antigas
desta terra maldita passarão e Deus fará novas todas as coisas.
Esta
é a nossa esperança bendita, o aparecimento da glória do grande Deus e
do nosso Salvador Jesus Cristo — essa é a esperança da igreja. Essa é a
esperança das eras.
Extraído do livro “Como Entender a Nova Era” de Walter Martin
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